A "disputa" dos amigos de longa data - Parte III



Minha alma parecia ter saído do corpo ao ver a moto de Jota nas proximidades do prédio. Guilherme passou mais adiante e ficamos pensando no que fazer. Liguei meu celular e vi mensagens de Jota dizendo que tinha ligado para Luís e que o mesmo nem tinha saído de casa. Depois outra dizendo que estava chateado e revoltado com o amigo Guilherme e mais outra em que ele falava se preocupar comigo. Mais um instante e ele me liga. O telefone toca e, tentando pensar numa forma de sair dessa, resolvi atender logo.

- Oi.

- Cadê você? Faz tempo que estou aqui na sua porta e nada. - falou num tom de preocupação, desconfiança e chateação.

- Eu acabei não me sentindo bem e saí depois.

- E daí faz isso e desliga o celular? Você tá bem? Onde está? Eu vou aí te buscar. - falou ele meio confuso com a história.

- Eu tô aqui perto, eu chego em instantes, se preferir esperar.

- Você saiu pra onde? - falou mais desconfiado.

- Sai com o Guilherme. - resolvi falar logo.

- Como assim?

- Guilherme me trouxe para casa, mas eu liguei para ele e pedi para voltar e me buscar. Por isso desliguei o celular.

- Não, não, não. Não foi assim. Eu armei pra você para poder ficar com ela - Guilherme falou alto demonstrando estar comigo.

- Não precisava fazer isso, ele é seu amigo, gosta de você. E eu quero terminar com ele. E não vou te namorar - falei cochichando, tentando tapar o celular. Ao colocar o ouvido de volta, Jota estava me xingando e falando um monte de coisas negativas a respeito do até então amigo. Dizia sobre confiança, por ter sido enganado por ele e por mim e toda aquela conversa de quem acaba de descobrir uma traição.

- Jota, a gente nem tava namorando. E você esqueceu de mim quando seu amigo apareceu. Fora que ficou elogiando ele o tempo todo, mesmo eu tentando mostrar pra ele que tava saindo contigo. A traição é minha culpa, desculpa por isso, mas você também não fez esforço nenhum para tirar ele da nossa mesa e ficarmos a sós. Eu vou voltar pra casa e espero que já tenha saído daí da porta.

Ao falar isso, o telefone desliga. Guilherme dá uma volta comigo no quarteirão para dar tempo para Jota sair. Não falamos nada até que Guilherme faz uma pergunta:

- Quer dizer que você tava arrumando um jeito de terminar com ele?

- Não. Para mim nem estávamos namorando, apenas nos conhecendo, mas hoje ele fez tudo que não esperava dele. Então...

- E não quer nada comigo?

- Você é interessante, mas namorar um homem como você me deixaria na defensiva. Você tem todos os requisitos de Dom Juan, ia ficar preocupada se me trairia ou não. Não quero isso. E fora que no fundo não quero ninguém.

O silêncio volta a imperar no carro. Quando viramos a esquina, observamos que Jota está subindo em sua moto. Faz movimentos lentos, como se estivesse esperando para ver se eu chegava. Guilherme encosta o carro, para esperar. Eu então desço. Guilherme fica preocupado e faz que vai sair, aceno para ficar no carro. Ele fica, mas agora está vigilante. Vou em direção ao prédio. Atravesso a rua para não passar próximo de Jota. Jota então me vê. Percebo que está pensativo por demais e me preocupo com minha segurança. Ele então resolve descer da moto, já com capacete. Quando está a uns cinco metros, resolve falar:

- Porque me traiu?

- A gente não tá namorando.

- Mas estamos nos conhecendo.

- Você quer a resposta honesta ou a resposta que quer ouvir?

- Honesta, óbvio.

- Te achei muito legal na primeira vez. Na segunda já se mostrou muito contraditório. Do que fez piada no primeiro encontro, acabou resolvendo fazer no segundo. Mas o pior foi ter dito para o Guilherme sobre a chateação por eu ter esquecido o encontro e logo depois esquecer que estava contigo no bar para dar atenção a ele. Foi nesse momento que o pouco interesse desapareceu.

- Porque falou pra ele que estávamos nos conhecendo para namorar, então?

- Para ele não dar em cima de mim como fez a noite toda na sua frente. E você nem notou.

Jota preferiu então desistir de fazer mais perguntas e então caminhei um pouco para frente do prédio. Quando ia passar meu cartão para entrar, ele me interrompe à distância para mais uma pergunta.

- Você armou o negócio do Luís para ficar sozinha com ele?

- Primeiro que nem sei quem é Luís. Segundo que isso eu jamais faria. Terceiro que se você não saísse correndo para ajudar Luís e não insistisse tanto para eu vir com o Guilherme, nada disso teria acontecido. Lembra que queria vir de táxi?

- E porque não veio, então?

- É que insistiu tanto, mas tanto, que me irritou. Achei que, de repente, era você quem estava armando para ser corno. Me poupe, né!

E entrei. Antes que a coisa ficasse mais tensa. Jota resolveu então ir embora após mais alguns segundos pensativo. Correu para sua moto, pulou sobre ela e saiu a toda velocidade. Retornei pra fora, para ver se Guilherme tinha ido embora em segurança. Ele então liga o carro e vem até próximo do portão.

- Já que não vamos ser nada. Podemos terminar o que começamos? Afinal, ainda não gozou, ou gozou?

- É sério que ficou assistindo tudo para vir aqui querer sexo?

- Sim, deixou claro para mim que não teríamos nada. E mesmo assim me chupou daquele jeito. Então, de repente, vai que rola mais alguma coisa? Se não quiser, não faz mal, vou embora.

- E se te contar que não tenho vagina?

Guilherme ficou surpreso, como todo mundo que ouve isso de mim faz. E, por experiência, haveriam três caminhos. Um preconceituoso, que é o mais comum. Um curioso, que denota alguém com um pouco mais de mente aberta, mas que no final me torna em animal de zoológico e um em que a pessoa realmente não se importa com isso e quer apenas me conhecer melhor. Esperava que ele fosse curioso ou quisesse algo mais sério comigo. Invés disso:

- Quer dizer que perdi um amigo por um boquete feito por uma travesti?

- Não sou travesti.

- Pior ainda, perdi um amigo por uma chupada de um viado?!

- Não se esqueça que beijou o "viado" bem gostoso duas vezes. E acredito que beijaria de novo. - falei já sem paciência e indo para dentro do prédio.

Guilherme fez uma cara feia, de nojo, e saiu a toda velocidade. Enquanto subia as escadas tive uma crise de risos. Mais por estar aliviada. Já pensou se esse homem de mente fechada e sem nenhum esforço para entender que não era nem viado e nem travesti sobe até meu apartamento e descobre do meu segredo (contado no meu primeiro conto) só quando eu ficasse totalmente nua?

Fui ao banheiro, tomei um banho e voltei a rir mais sobre o comportamento do Guilherme. No fundo eu sabia que era bem previsível, um homem que "ganhava" todas as "disputas", ao ponto de roubar até o "viado" do amigo (sempre dou boas risadas com isso), com certeza não seria compreensível. Mas o meu tesão em querer dar gostoso pra ele no fim daquela noite me fez ter esperança do contrário. Que tesão mais bobo, e cretino. Dei um jeito de me aliviar da tensão e fui dormir.

No dia seguinte, antes de entrar na minha loja, fui abordada por Jota. Pediu desculpas pelo encontro da noite anterior e agradeceu por ter alertado a ele sobre o comportamento dele. Achei fofo da parte dele e falei que a traição não tinha sido culpa dele, que essa culpa era minha mesmo. E ainda contei a respeito do que o seu grande amigo fez ao saber que eu não tinha vagina (Jota sabia disso, obviamente). Ele riu bastante e falou:

- Bem feito. Quem mandou ser traidora a esse ponto?

Ri junto com ele e respondi:

- Então aprendemos muito sobre nós mesmos na noite passada, né.

Não nos falamos mais como antes, mas também não criamos nenhum problema ou ficamos remoendo o passado. Ainda vi Guilherme indo visitá-lo na loja em que ele trabalhava e ao passar pela calçada - indo pra minha casa e sem ter notado a presença de Gui com antecedência - notei que ele iria falar alguma coisa negativa. Mas Jota o abordou antes disso e fez o amiguinho engolir o comentário antes mesmo que fosse proferido.

Achei tolo por voltar a amizade com alguém como ele e fofo por me defender mesmo sem ter essa obrigação. Mas vida que segue... Meses depois me mudei para outro lugar e busquei outro emprego. Nunca mais vi Jota ou Guilherme.

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Caso ainda não me conheçam, sigiro que leia meu primeiro conto. Caso queira me enviar um convite de amizade ou enviar mensagens, também leia esse primeiro conto.

Um beijão da CONFUSA! E até a próxima!


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Ficha do conto

Foto Perfil lauraconfusa
lauraconfusa

Nome do conto:
A "disputa" dos amigos de longa data - Parte III

Codigo do conto:
213328

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
06/05/2024

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