Lara se afastou primeiro. Não por falta de coragem — mas por estratégia.
— Você reparou — ela disse, caminhando até a janela — que sempre sou eu quem decide quando isso avança?
Miguel apoiou-se no encosto do sofá, observando.
— Reparei que você gosta de achar isso.
Ela virou-se lentamente, sobrancelha arqueada.
— E você gosta de me provocar até eu provar.
Ele se aproximou alguns passos.
— Eu gosto de te ver confiante… principalmente quando sei exatamente quanto tempo essa confiança dura.
Lara riu baixo.
— Você fala como se tivesse controle.
— Eu falo — Miguel respondeu — como quem sabe esperar.
O silêncio que se seguiu era carregado. Não havia toque, mas havia domínio mútuo. Um jogo de quem sustentava mais tempo sem ceder.
— Cuidado, Miguel — ela provocou. — Uma hora eu paro de brincar.
— E é exatamente essa hora que eu mais espero — ele respondeu, sem piscar... Continua