O time, por outro lado, é quase todo composto por jogadores de fora: morenos e negros vindos principalmente do Norte e Nordeste. Aqui na região sul, parece que não nascem mais craques brancos. A diretoria teve que buscar talento longe, e deu certo — estamos voando no campeonato regional. Dos locais, só restaram o técnico, parte da comissão e as cheerleaders. Os atletas em campo são todos eles: negões potentes, rápidos, com aquela ginga natural que faz a bola obedecer.
Não é novidade. Basta olhar para os maiores nomes do futebol brasileiro: Pelé, Ronaldinho, Neymar, Rivaldo. A maioria, negros ou pardos. Brancos raramente chegam ao topo nesse esporte. É como se o ritmo, a força explosiva, viesse no sangue.
No último jogo, massacramos o adversário — um time tradicional do Sul, cheio de branquelos que mal acompanhavam o ritmo dos nossos. Wellington, uma promessa de apenas 18 anos vinda da base maranhense, driblou a defesa como se fosse brincadeira e fuzilou o gol. Vinte gols na temporada. Tirou a camisa num salto, exibindo o torso moreno encharcado de suor, músculos definidos pulsando, abdômen tanquinho perfeito. A torcida delirou.
Na euforia, ele correu direto para as cheerleaders, abraçando-as com força, quase derrubando-as no gramado. O contraste era gritante: peles negras suadas contra peles brancas imaculadas, corpos viris contra curvas delicadas.
Infelizmente, ainda havia resquícios de preconceito na arquibancada. Um senhorzinho gordo, daqueles torcedores antigos e frustrados, gritava ofensas racistas contra os jogadores negros. Coisa reprovável, mas comum entre os mais velhos torcedores.
A verdadeira comemoração, porém, acontecia depois, nos fundos do estádio. Ali, encostados nos carros, os campeões negros recebiam seus "prêmios": as branquinhas locais, ansiosas para celebrar a vitória de forma bem mais íntima. Bundas redondas e claras sendo apertadas por mãos grandes e escuras, beijos famintos misturando tons de pele opostos. Era o ritual secreto do time.
Na saída, parei perto da grade para observar. Wellington estava lá, encostado no capô do seu carro, devorando uma das cheerleaders mais bonitas. Ela era o estereótipo da garota sulista: pele alva como neve fresca, cabelos castanhos claros ondulados caindo sobre os ombros, corpo magro mas com curvas generosas — seios firmes apertados no cropped, cintura fina, quadril largo que a saia curta mal conseguia conter.
Ele a prensou contra o capô com o peso do corpo, uma mão grande e escura enfiada nos cabelos dela, puxando com firmeza para trás para expor o pescoço longo e branco. Os lábios dele tomaram os dela num beijo voraz, profundo, sem delicadeza — língua invadindo, explorando, dominando. Ela correspondia com fome, abrindo a boca para recebê-lo, gemendo baixinho contra a boca dele enquanto as mãos delicadas e claras agarravam as costas largas, unhas cravadas na camisa molhada de suor.
A outra mão dele já não perdia tempo: deslizou pela lateral do corpo trêmulo, contornando a curva da cintura, subindo até roçar o lado do seio por baixo do cropped, apertando com força suficiente para fazê-la arquear as costas. Depois desceu, erguendo a saia devagar, centímetro por centímetro, revelando a polpa da bunda — branca, redonda, macia como seda, marcada levemente pela calcinha fina. Os dedos negros contrastavam absurdamente contra aquela brancura, apertando, separando as nádegas com autoridade, traçando a linha da renda até quase tocar o calor entre as coxas.
Ela tremia visivelmente, as pernas ligeiramente abertas para dar mais acesso, o corpo se entregando por completo. Ele roçava o quadril contra o dela, deixando-a sentir a rigidez crescente por baixo da calça de moletom — dura, pulsante, uma promessa do que viria depois. Desceu os beijos pelo pescoço exposto, mordiscando a pele sensível, chupando forte o suficiente para deixar marcas roxas que ela teria que esconder depois. Lambeu o lóbulo da orelha, sussurrando algo baixo que a fez corar ainda mais e morder o lábio inferior.
O contraste era hipnótico: a mão negra dele marcando território naquela carne alva, os corpos colados num entrelace interracial que parecia desafiar tudo ao redor. Eu nunca tinha ficado tão excitado só de assistir. O coração martelava, uma mistura de inveja e desejo proibido. Pensamentos invadiram: se eu fosse mulher, branca como ela... talvez fosse eu ali, sendo possuída por aquela virilidade crua, tão diferente de tudo que conheço por aqui.
Eles riam entre os beijos, cúmplices. O sorriso dele era puro gingado — aquele charme mulato irresistível. Ela se despediu aos poucos, olhando para trás com olhos brilhantes, ajustando a saia.
Quando ela se juntou à fila de saída, encontrou o mesmo velho preconceituoso de antes. Ele a esperava, carrancudo. Perguntou algo, ela respondeu com um sorriso tímido. Então ele passou o braço pelos ombros dela, num meio-abraço paternal, e os dois saíram juntos.
Naquele instante, entendi tudo: ele era o pai dela.


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