Enquanto Ele Não Vê - Conto 1

André conhecia Maria Eduarda desde a época da escola, mas às vezes tinha a impressão de que nunca tinha parado de verdade para olhar para ela. Talvez porque sempre a teve por perto.
Talvez porque amar também fosse se acostumar demais.
Naquela noite de fim de ano, na casa dos pais dela, ele percebeu. Duda estava encostada na bancada da cozinha, rindo alto, cercada de gente, como se o espaço naturalmente se organizasse ao redor dela. Tinha 1,65, mas ocupava muito mais do que a própria altura sugeria. Era gostosa sem esforço, daquele tipo que não precisa se arrumar demais para chamar atenção. O corpo era grande, cheio, macio, com curvas que saltavam aos olhos mesmo quando ela não fazia nada além de existir. A pele branca, macia, levemente rosada parecia sempre quente, viva, como se tivesse acabado de sair do sol.
André sentiu orgulho. E, estranhamente, um leve desconforto.
O vestido marcava tudo o que já era impossível de não notar. O bundão era simplesmente dominante — grande, redondo, com um rebolado natural, chamando atenção a cada passo lento e confiante que ela dava pela casa. As coxas grossas acompanhavam, fortes, firmes, sustentando aquele corpo que parecia ter consciência do próprio impacto. André sempre soube que Duda chamava atenção, mas naquela noite isso parecia mais evidente. Ou talvez fosse ele que estivesse mais sensível.
O cabelo dela caía solto, meio bagunçado, sob os seios médios, porém firmes, com um leve decote, daquele jeito que não parecia planejado, mas funcionava melhor do que qualquer produção. Não havia delicadeza ensaiada nela. Duda era direta, confortável demais no próprio corpo para fingir modéstia.
O olhar tranquilo carregava algo provocador, mesmo quando ela não pretendia provocar. Ou pretendia, e André nunca tinha percebido.
Ele a amava. Disso não tinha dúvida. André se afastou um pouco para pegar uma bebida e se viu refletido no espelho da sala. 1,75, porte médio, ombros ainda largos dos tempos de atleta na escola, mas o corpo já não era o mesmo. A faculdade de engenharia de software tinha trazido mais horas sentado do que em movimento. Ele não se sentia feio, mas também não se sentia imponente. Era o tipo de cara comum, confiável, previsível. Sempre tinha sido assim — e Duda sempre disse gostar disso.
A casa estava cheia quando o portão abriu.
— Reginaldo! — a voz animada do pai de Duda ecoou pela sala.
André virou o rosto e viu o homem entrando. Alto, negro, forte, com uma presença que parecia empurrar o ar à frente do corpo. O sorriso era fácil, seguro, desses de quem já viveu bastante e não precisa provar nada. Usava roupa simples, mas bem cortada, postura de quem sabe onde pisa. Empresário, Duda tinha comentado. Dono de uma empresa de móveis planejados. Amigo antigo da família.
O abraço entre os dois homens foi longo, carregado de memória.
André observava sem motivo claro, até Duda se aproximar para cumprimentá-lo.
E foi aí que tudo mudou.
O olhar de Reginaldo desceu. Não de forma vulgar. Mas sem disfarçar. Um segundo a mais do que o necessário, como quem reconhece algo que agrada profundamente. O corpo grande dele pareceu reagir antes do sorriso.
— Essa é minha filha, Maria Eduarda — disse o pai, orgulhoso.
— Muito prazer — respondeu Reginaldo, a voz grave, calma.
Duda sorriu. Um sorriso aberto, solto. O mesmo que André conhecia tão bem. Ainda assim, vê-lo sendo recebido daquela forma fez o estômago dele apertar. Reginaldo não escondia o encanto. Os olhos voltavam sempre para o mesmo lugar, para o corpo dela, para o volume impossível de ignorar quando ela se movia.
André estava ali. Do lado. Presente. Mas, pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se ligeiramente fora de quadro.
Eles conversaram sobre coisas simples. Faculdade, trabalho, a empresa que Reginaldo construiu ao longo dos anos. André tentou participar, mas percebeu que falava pouco.
Observava demais. Reparava em detalhes que antes não teria reparado: a forma como Duda ria, como se apoiava em uma perna só, como parecia confortável sendo olhada daquele jeito.
Quando ela riu de algo que Reginaldo disse, André sentiu um incômodo difícil de nomear.
Não era ciúme declarado. Era algo mais sutil. Uma sensação de que algo estava começando a sair do lugar.
Ele tentou se convencer de que era bobagem. Reginaldo era mais velho. Amigo da família.
Outro mundo. Não havia ameaça real ali. Ainda assim, o pensamento insistia.
André olhou novamente para Duda. Para o corpo que sempre esteve ali, mas que agora parecia ser visto por outros olhos — olhos que não eram os dele.
E, pela primeira vez, teve medo de não ser o único a perceber o quanto ela chamava atenção.
O que mais o assustou foi a ideia de que talvez ele nunca tivesse sido.
A festa seguiu, mas André já não conseguia relaxar.
Ele tentava conversar, rir nos momentos certos, mas os olhos voltavam sempre para o mesmo ponto. Para Reginaldo. Para o jeito como ele se posicionava perto demais de Duda, como inclinava o corpo quando ela falava, como o olhar dele parecia sempre voltar, insistente, ao corpo dela. Não era descarado a ponto de virar escândalo, mas também não era inocente.
André sentia isso no estômago, numa inquietação que não encontrava forma.
Duda, por outro lado, percebia tudo.
Percebia o olhar dele descendo sem pressa, percorrendo suas curvas como se tivesse tempo de sobra. Percebia o silêncio carregado, a atenção inteira. Reginaldo estava, sem dúvida nenhuma, comendo ela com os olhos. E, em vez de se sentir constrangida, Duda sentiu algo diferente. Um calor leve, quase divertido. Um jogo silencioso.
Ela não repreendeu. Não se afastou. Pelo contrário.
Em alguns momentos, se virava de lado de propósito. Em outros, apoiava o peso em uma perna só, fazendo o rabão se destacar ainda mais. O sorriso vinha fácil, sapeca, rápido demais para ser ingenuidade. Um convite que não dizia nada em voz alta, mas dizia tudo no jeito. Reginaldo notou. E respondeu com um sorriso contido, experiente, como quem entende exatamente o terreno onde pisa.
André não percebeu nada disso, estava ocupado demais observando Reginaldo, tentando decifrar intenções, procurando sinais mais claros que justificassem aquele incômodo crescente. Ele não olhava para Duda — olhava para o homem que a olhava. E isso o deixava sempre um passo atrás.
Já era tarde quando o pai de Duda bateu palmas, chamando atenção.
— A bebida tá acabando. André, você se importa de dar um pulo na conveniência do posto? pediu, num tom natural, quase casual.
André assentiu sem pensar muito. Pegou a chave do carro, já se levantando.
— Duda, vem comigo? — perguntou, mais por hábito do que por necessidade.
Ela fez uma careta rápida, ensaiada demais.
— Ah, amor… tô cansada. E tá tarde. Compra qualquer coisa aí, depois a gente vê.
A desculpa saiu fácil. Leve. André hesitou por um segundo, mas sorriu.
— Já volto. Ele saiu com aquela sensação estranha ainda grudada no peito, sem saber explicar exatamente o porquê.
A casa pareceu mudar de temperatura depois que ele saiu.
Com André fora, a tensão que antes era contida ganhou espaço. Duda continuou perto de
Reginaldo, conversando baixo, rindo mais devagar. O olhar dele já não fingia neutralidade.
Havia algo ali — uma curiosidade mútua, perigosa, silenciosa.
— Você gosta de praia? — Reginaldo perguntou, apoiando o copo na bancada, o tom casual demais para ser só isso.
— Amo — Duda respondeu rápido demais.
— Fui numa agora nas férias. Melhor coisa que fiz.
— Qual praia?
— Uma mais tranquila… menos cheia. — Ela sorriu.
— Gosto de lugar onde dá pra ficar à vontade.
— Imagino — ele disse, olhando para ela de um jeito que deixava claro que não estava falando só da paisagem.
Duda riu baixo e puxou o celular.
— Olha — disse, destravando a tela.
— Tirei umas fotos lá.
Ela começou passando imagens do mar, do céu aberto, da areia clara.
— Bonita a vista — Reginaldo comentou, aproximando um pouco mais o corpo.
— É… — Duda concordou, passando as fotos com o dedo.
— Mas nem tudo ficou tão artístico assim…
De repente, uma foto dela apareceu. De biquíni. O corpo ocupando quase toda a tela.
— Opa… — ela disse, rindo, fingindo surpresa. — Essa não era pra agora.
Ela fez menção de trocar, mas demorou um segundo a mais do que o necessário. O suficiente para notar o silêncio dele.
— A praia é bonita mesmo
— Reginaldo disse, a voz mais baixa. — Bem… generosa.
Duda sentiu o rosto esquentar. Envergonhada. Excitada. O sorriso veio sapeca. Ela queria se mostrar para o Reginaldo, ela queria que ele visse a exuberância do seu corpo cheio de curvas e ela nem entendia porquê queria aquilo, era inconsciente, instinto de fêmea querendo um macho, não só isso, queria aquele macho, Negro, forte, alto. Então ela notou o volume marcado na sua calça, um volume grande, grosso, rígido demais pra passar não marcar na calça bem ajustada.
Duda queria aquele homem, que acabou de conhecer mais mexeu completamente com seu corpo e sua cabeça. Sua calcinha estava empapada de tesão, seus seios estavam com os bicos duros e pontudos. O corpo dela reagia a cada palavra do Reginaldo.
— Você só tá olhando a paisagem, né? — provocou.
— Só admirando — ele respondeu, sem tirar os olhos da tela.
Ela deslizou o dedo de novo. — Ai, desculpa… — riu. — Passei errado.
Outra foto. Parecida. O mesmo corpo. Outro ângulo.
Reginaldo colocou a mão por cima da dela, com naturalidade demais para parecer acidente.
— Calma — disse.
— Volta um pouco.
Ele fez um movimento simples com os dedos, aproximando a imagem.
— Essa parte da praia aqui… — comentou, com um meio sorriso.
— Chama bastante atenção.
Duda prendeu a respiração por um instante.
— Você é terrível — murmurou, sem tirar a mão dali.
— Experiente — ele corrigiu, ainda olhando a tela.
Do quintal, a voz da mãe dela cortou o momento: — Duda! Vem ajudar aqui um pouco!
Ela piscou, como se acordasse.
— Já vou! — respondeu alto demais.
Recolheu o celular rápido, rindo sem graça.
— Melhor eu ir antes que desconfiem — disse.
— Melhor — Reginaldo concordou, abrindo espaço para ela passar.
— A festa ainda não acabou.
Ela passou por ele devagar demais para ser coincidência.
— Ainda não — respondeu, antes de seguir em direção à cozinha.
— Você sempre foi assim? — ele perguntou, num tom baixo demais para ser casual, com ambos indo em direção a da cozinha.
— Assim como? — Duda respondeu, inclinando levemente a cabeça, fingindo não entender.
— Consciente do efeito que causa.
Ela sorriu. Um sorriso pequeno, provocador.
— Nunca pensei muito nisso.
Mentira suave. Ele percebeu.
Em algum momento, se afastaram da sala cheia. Foram para perto da cozinha, depois para a despensa pequena ao lado, onde o barulho da festa chegava abafado. Não houve toque explícito. Não houve nada que pudesse ser apontado com clareza. Apenas proximidade demais. Silêncio demais. Respirações que pareciam se encontrar no mesmo ritmo.
Quando André voltou, com as sacolas de bebida nas mãos, estranhou o clima. Procurou Duda com os olhos. Não a viu na sala. Nem no quintal.
Chamou o nome dela uma vez. Nada.
Foi então que ouviu cochichos vindos da despensa. Vozes baixas demais para entender as palavras, mas próximas demais para serem ignoradas. O coração acelerou antes que ele tivesse tempo de organizar qualquer pensamento.
Deu alguns passos em direção ao som.
A porta se abriu de repente.
Duda saiu primeiro, os olhos arregalados por um segundo antes de reconhecer André. O susto foi rápido, quase imperceptível, mas ele viu. Ela ajeitou o cabelo, riu sem jeito.
— Amor! Já voltou?
Antes que ele pudesse responder, Reginaldo apareceu logo atrás, segurando uma garrafa de refrigerante e algumas caixas de copo descartável.
— Tava ajudando aqui — disse, descontraído, abrindo um sorriso largo.
— A bagunça tava grande.
O tom leve quebrou o silêncio pesado. André forçou um sorriso de volta, mas sentiu algo se fechar dentro dele. Um quase. Um atraso de segundos que parecia carregar um mundo inteiro de possibilidades.
Duda passou por ele, tocando de leve no braço, como se nada tivesse acontecido.
Mas André sabia.
Ainda não sabia o quê. Só sabia que alguma coisa tinha passado muito perto de acontecer.
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Ficha do conto

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Nome do conto:
Enquanto Ele Não Vê - Conto 1

Codigo do conto:
251381

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
08/01/2026

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2

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