Noites no Interior _ Xaxim SC

O frio no interior não dá trégua. Ele entra por baixo da roupa, gruda na pele, obriga os corpos a se aproximarem mais do que o normal. À noite, então, tudo fica mais intenso: o silêncio, os sons distantes, a sensação de estar longe de qualquer testemunha.

Tudo comecou em 2001, 24 anos atrás Éramos três curiosos, 12,14e 16 anos acostumados um com o outro desde sempre. Mas naquela noite, algo mudou. Talvez fosse o inverno pesado, talvez o isolamento. Talvez o jeito como a chuva começou de repente, forte, nos forçando a buscar abrigo entre os galpões.

O telhado de zinco ecoava a água caindo. O espaço era apertado. O ar, denso. O cheiro de terra molhada se misturava ao cheiro de homem, de roupa úmida, de corpo quente tentando resistir ao frio.
Ficamos perto demais para fingir que não sentíamos.

Eu percebia os olhares. Não rápidos demorados. Medidos. Um deles encostou o ombro no meu sem pedir licença. Não pediu desculpa. Apenas ficou. O calor atravessou a jaqueta como se não existisse tecido algum ali.

A respiração dele mudou. A minha também.
O outro observava em silêncio, os olhos atentos, a mandíbula tensa. Não havia pressa, nem culpa. Só aquela consciência crua do desejo se revelando, pesado, pulsando por baixo da conversa que não vinha.

Quando a mão dele roçou na minha cintura, foi lento. Calculado. Um toque breve, quase respeitoso e ainda assim impossível de ignorar. Meu corpo respondeu antes da cabeça. Um arrepio quente subiu pela espinha, em completo desacordo com o frio da noite.

Ninguém recuou.

O terceiro se aproximou mais, fechando o espaço de vez. Agora éramos só corpos dividindo calor, respiração e vontade. O silêncio dizia tudo. O tipo de silêncio que geme por dentro.

Lá fora, a chuva insistia. Dentro, o tempo se dissolvida entre quem tinha o melhor pinto, o mais grosso o mais fino, e fizemos apostas, eu já com mais intenções, fui o primeiro a abordacar e mamar, minha primeira experiência, foi uma sensação maravilhosa, transamos muito, e com medo nos nossos familiares irem atrás de nós pela demora.

Depois, quando finalmente voltamos para casa, cada passo parecia carregado de algo que não precisava de nome. Durante o dia, tudo seguia normal. Mas bastava ficarmos sozinhos um corredor vazio, um celeiro, uma tarefa qualquer para o ar mudar de novo.

Um olhar bastava. Um meio sorriso. A lembrança ainda quente na pele.


Hoje, a vida seguiu outros rumos. Cada um no seu papel, na sua história. Quando nos vemos, é tudo correto, familiar, contido.

Mas o corpo não esquece.
E toda vez que o inverno chega, alguma coisa ainda desperta silenciosa, cúmplice, quente demais para ser só memória.


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Comentários


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engmen Comentou em 01/02/2026

Detalhes memoráveis que não se apagam e nos moldam. Belo conto.

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olavandre53 Comentou em 01/02/2026

Conto caprichadamente escrito, parabéns!

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mago-do-amor Comentou em 31/01/2026

Bela aventura




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Ficha do conto

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Nome do conto:
Noites no Interior _ Xaxim SC

Codigo do conto:
253595

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
31/01/2026

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5

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