O Vampiro.

Conto longo.


Eu o conheci ocasionalmente, não passava de uma distração em uma noite tediosa. Enquanto eu rolava a tela do telefone, ele me chamou atenção — cabelos negros, olhos azuis, maxilar inigualável. Era ele. Era perfeito. Salvatore. Um delírio noturno, eu desejava perder-me em seu calor. Curti o perfil e começamos a conversar, e, para ser honesta, o papo dele era interessante. Falávamos sobre música, arte, interesses em comum… tudo encaixava fácil demais, como se já tivéssemos conversado antes, em outra vida ou outro século. Ele me mandou uma foto e eu não estava esperando. Estava deitado, cabelos levemente úmidos, sorriso ladino e presunçoso. Respondi com segundas intenções. Ele perguntou se eu gostaria de vê-lo pessoalmente. “Pensei que nunca fosse me convidar”, respondi, e então já estava marcado.

O dia chegou, finalmente. Um vestido amarelo de cetim adornava meu corpo, curto o suficiente para parecer presunçosa, mas não desesperada. Saltos brancos calçavam meus pés, finos e delicados, e meus cabelos caíam sobre os ombros como ondas marinhas, moldados em ondulações suaves pelo calor do babyliss. Pedi um carro de aplicativo até a residência dele, localizada em uma área nobre — quanta sorte, não? Bonito e rico, quase ridiculamente perfeito. Avisei que havia chegado e ele atendeu rápido demais. A porta se abriu revelando o interior da casa: rústica, escura, elegante de um jeito antigo, com tons profundos de madeira, estátuas renascentistas espalhadas como guardiãs silenciosas e um piano que parecia existir há mais tempo do que deveria. Comentei, meio rindo, meio constrangida, que talvez eu estivesse colorida demais para aquela casa. — Acho que estou colorida demais para o ambiente… — Ele riu, negando com a cabeça, e pessoalmente era ainda mais magnífico; o sorriso ladino fazia algo estranho no meu estômago, e a voz dele era baixa, macia, quase mansa. “Olha só…Você não é um colírio para os olhos?” Perguntou como se já soubesse a resposta, e abriu espaço para que eu entrasse. Perguntou se eu gostava de vinho. Assenti, sabendo perfeitamente que algumas taças me fariam agir por instinto, não por razão.

Sentamos e ele serviu uma quantidade gentil, elegante demais para ser casual. Comentou que eu era ainda mais bonita pessoalmente e eu apenas bebi um gole, desviando de uma resposta clichê. Perguntei há quanto tempo ele morava ali, e ele respondeu, brincando “Desde os primórdios da humanidade..” Eu ri, mas havia algo estranho na forma como ele disse, como se a piada tivesse raízes antigas demais, verdadeiras e cruas demais. O silêncio se acomodou entre nós, pesado e confortável ao mesmo tempo. Ele terminou o vinho de uma vez só e apoiou a taça com uma precisão quase irritante, os olhos azuis me analisando como se tentassem me decorar ou como se já me conhecessem. Então levantou. “Me dê um minuto” pediu. e caminhou pela sala com passos silenciosos demais. Abriu um móvel baixo de madeira escura e revelou um toca-discos antigo, impecável. Passou os dedos pelos vinis como quem escolhe uma lembrança e não uma música, até selecionar um. O chiado suave preencheu o ambiente e então a música começou — Everybody Here Wants You, de Jeff Buckley — invadindo a sala como fumaça quente. Eu sorri. É a minha música predileta. Ele fechou os olhos por um segundo, absorvendo aquilo como se a música tivesse sido feita para ele, ou para algo que ele havia perdido há muito tempo. Ou ganhado neste momento.

Virou-se para mim e estendeu a mão, pedindo que eu dançasse com ele, mas não exatamente como um pedido. Coloquei minha mão na dele — fria, não morta, mas fria como mármore à sombra — e ele me puxou para perto, uma mão firme na minha cintura e a outra entrelaçada na minha. Começamos a nos mover lentamente, lento demais para ser só dança, algo mais íntimo, mais instintivo. Os movimentos dele eram suaves, calculados, como se tivesse feito aquilo milhares de vezes, e eu praticamente só existia dentro do movimento dele. Meu coração batia rápido demais e eu conseguia sentir o cheiro dele — vinho, madeira antiga e algo metálico, distante. Aquilo não era só uma foda noturna, algo de uma noite só…Eu senti como se pertencesse a ele. Meu rosto estava próximo ao pescoço dele e, se eu respirasse fundo, tocaria a pele dele. Ele inclinou a cabeça perto do meu ouvido e, com seu hálito quente, sussurrou. “Você está nervosa…” — Talvez.. — Eu respondi. A mão dele pressionou levemente minha cintura, me trazendo ainda mais para perto, e ele sussurrou para eu não ter medo dele, mas aquilo soou exatamente como algo que eu deveria temer, mas, na verdade, eu adorava. Adorava o que havia de tão misterioso nele, aquilo que eu não conseguia desvendar.

Giramos lentamente pela sala, o cetim roçando nas pernas dele enquanto as estátuas pareciam observar e o piano testemunhava em silêncio. A música crescia, preenchendo cada espaço entre nós. De repente ele parou, me segurou, os olhos azuis cravados nos meus, e por um segundo eu tive certeza absoluta de duas coisas: ele não era normal, eu queria mesmo que ele fosse? Ele disse meu nome como se estivesse provando o gosto, e os dedos dele subiram pelo meu braço, ombro, pescoço, até o polegar pressionar meu pulso, sentindo minha pulsação. Ele levou os lábios até a minha pele, deixando beijos que me fizeram suspirar. Os selares subiram do pulso até o braço, do braço ao meu pescoço. Ele fungou profundamente, deliciando-se em meu perfume. Caminhou comigo um bocado, guiando o meu corpo para trás, apoiando-me no piano. Agarrei seus cabelos, apreciando o seu cuidado. — Salvatore… — Deixei escapar, ele sorriu contra a minha pele. Suas mãos perversas desataram o nó de meu vestido, que escapou de minha corpórea como se, naquele momento, não pertencesse à ela. “Porra…” Grunhiu. O olhar infindo pousou em meu corpanzil, admirando-o com cuidado, como se filmasse cada pedaço meu. As orbes dele pareciam escurecer, tomando um tom de azul profundo, certamente mais intenso do que eu havia visto até então. Eu adorava. Me senti desejada, adorada, cultuada por um homem que eu sequer conhecia, mas que sentia estar destinado à meu encalço. A sua O meu peito estava livre do sutiã, ele não precisou se preocupar em removê-lo de meu busto. Voltou a concentrar beijos em meu pescoço, desta vez, descendo-os em direção aos meus seios, que abocanhou delicadamente. Ele sabia mesmo como tratar uma mulher. Agarrei seus cabelos, forçando-o a continuar. Não relutou, afinal, parecia satisfeito com o que fazia. Dava atenção à um, enquanto estimulava o outro com o polegar. “Você tem os peitos mais bonitos que já vi em meu tempo na terra…” Dizia, suspirando contra minha pele. Eu nem consegui raciocinar, o prazer era tanto que não o respondi. Eu quase atingi o ápice, contudo, ele pareceu perceber que o volume de meus gemidos aumentava. Destoou de minhas mamas e, sorrateiramente, descia contra meu corpo. Ele ajoelhou-se em minha frente, eu suspirei com a visão. Exalava dominância, me encarava como um submisso. Estava de joelhos para mim, literalmente. “Você é perfeita…” murmurou, predatório. Enquanto abaixava minha calcinha com seus dedos impiedosos, deixava selares perversos em minhas coxas. Levantou-se brevemente, colocando-me sentada sob o piano. Deixou-me confortável, à vontade, quase refém de seus cuidados. Novamente ajoelhado, agarrou minhas coxas, abrindo violentamente minhas pernas. Eu as fechei por impulso. “Não, querida…” Ele sussurrou, beijando delicadamente os meus pés. “Abra para mim.” Ordenou. Eu obedeci. Eu estava entregue, não haviam mais hesitações. Deus, ele me enfraqueceu. Não segurei o gemido que ousou em escapar quando a sua boca encontrou o meu Jardim do Éden. Cravei as unhas na madeira do piano. Minha cabeça tombou para trás, meus olhos reviraram-se em prazer inestimável. — Salvatore… — O chamei pelo nome. “Sim, querida?” Respondeu, cessando com a língua apenas para me provocar. Ele sabia que eu não diria nada, que estava apenas implorando por prazer. Mas usou de seu olhar indecifrável para me hipnotizar. O respondi com um gemido profundo, destes que escapam do fundo da alma. Obtive como resposta um sorriso ladino, perverso, à caráter de quem sorria. Sua língua habilidosa concentrava movimentos em meu clítoris, estes que se fechavam como beijos. Outrora, introduziu dois dedos em minha entrada, induzindo-os sutilmente. Eu enlouquecia. Me sentia uma deusa, apesar de ser a única humana entre nós dois. Deus, que outro homem me tratou assim? Que outro rapaz seria capaz de profanar meu corpo desta forma? Causar-me tanto prazer? Fazer-me mergulhar em deleite e satisfação? Eu estava hipnotizada. Informalmente, “De quatro”. Salvatore era habilidoso, certamente experiente. Devorava o meu monte de vênus em beijos que me sugavam, como se sugasse minha energia vital. Eu enfraqueci em seus braços, derreti em suas mãos. Gemi, aquela casa era corrompida por meus ruídos de prazer. Inundei aquele imóvel com meu calor, e ele inundou-me com sua frieza. Eu criava forças para me recuperar, olhá-lo nos olhos novamente. “Que delícia de líquido, querida…É como um suco divino.” Murmurou, quase devorando as próprias palavras. Lambuzava-se em meu mel, eu ofegava. Salvatore ergueu-se como um guerreiro em batalha, eu era sua valquíria. Beijou-me, eu retribuí. Perdemo-nos. Nossas línguas dançavam, eu senti o gosto de meu próprio mel. Eu, mesmo sem enxergar, alcancei a barra de sua camiseta, erguendo-a com sua ajuda. Ouvi o desfazer de seu cinto, o tecido de sua calça alcançando o chão. Ele cessou o beijo, permitindo-me o deslumbre de seu corpo másculo, pálido. — Inferno…Você precisa ter algum defeito.. — Eu murmurei, incrédula. Ele segurou meu queixo com delicadeza inesperada, como se temesse me quebrar, apesar da força evidente em seus dedos. O olhar. Aquele azul profundo pareceu oscilar, escurecendo ainda mais, como um oceano antes de uma tempestade. “Você quer mesmo descobrir?” Murmurou, a voz rouca, carregada de algo antigo… algo faminto. O sorriso dele mudou primeiro. Não era mais apenas perverso ou sedutor. Era predatório. Temi, me rendi. Os caninos deslizaram lentamente, alongando-se em presas perfeitas, pálidas como marfim. Não houve pressa. Ele parecia querer que eu visse, que entendesse, que aceitasse. Os olhos, agora, já não eram totalmente humanos. O azul ganhara reflexos negros, como se a luz fosse sugada para dentro deles. Ele inspirou profundamente perto do meu pescoço, não como um homem sente perfume, mas como um caçador reconhece sangue. Eu prendi a respiração, incrivelmente excitada e temerosa. “Você é… perigosamente irresistível…” Sussurrou contra minha pele, sem ainda tocar com as presas. “Eu deveria parar.” Mas não se afastou. Ao contrário — a mão dele deslizou pelas minhas costas, firme, possessiva. Eu senti o frio natural dele contrastar com o calor do meu corpo, e algo dentro de mim — medo e desejo — se embaralhou até se tornarem a mesma coisa. Ele encostou a testa na minha. “Diga para eu parar…” pediu, mas o tom não soava como alguém que queria ser impedido. O silêncio entre nós pesou. O peito dele não subia e descia como o de um humano. Não havia pressa. Ele tinha a frieza de um vampiro, o desejo que queimava o seu interior frio. Os lábios tocaram meu pescoço, desta vez mais lentos, quase reverentes, como se marcasse território antes do verdadeiro pecado. “Você sente isso?” Murmurou. “Esse laço… essa puxada… como se já fôssemos inevitáveis?” Os dedos dele apertaram levemente minha cintura quando o controle pareceu falhar por um segundo. As presas roçaram minha pele. Não perfuraram ainda, só prometeram. “Se eu fizer isso…” Ele sussurrou “… você nunca mais vai me esquecer.” O polegar dele subiu até minha mandíbula, obrigando-me a encará-lo. “E eu… nunca mais vou conseguir te deixar ir.” O silêncio seguinte era vivo, denso, elétrico, o monstro e o homem lutando dentro do mesmo olhar. A donzela estava rendida, imóvel em deslumbre inevitável. “Então me diga, querida…” Ele murmurou, a voz quase quebrando “… você quer ver o que eu realmente sou?” — Me morda. — Eu pedi. Já não tinha consciência. Me encontrava hipnotizada por seu olhar, por seus toques. Estando lúcida, eu jamais entregaria minha alma à um vampiro desconhecido, contudo, eu estava destinada à ele. Era inevitável. Era conexão, quentura, desejo infindável. Salvatore sorriu. Segurou a lateral de minhas pernas, firmando-me no piano novamente. Mantive-as abertas, dando espaço para que ele adentrasse. Aproximou-se de mim, o encaixe perfeito acontecia: O seu membro mirava a minha entrada, pouco necessitou de esforço para que, finalmente, me tomasse como sua. — Salvatore! — Gemi, apertando as mãos contra suas costas. Ele começou movimentando-se lentamente, e, quando se apeteceu o suficiente, não tardou em atingir-me rapidamente. Ele segurou meu queixo com firmeza repentina, e antes que eu pudesse gemer ou balbuciar qualquer coisa, ele afundou o rosto no meu pescoço, inspirando profundamente, como se finalmente estivesse se permitindo ceder ao que tanto lutava contra. “Tão viva…” murmurou contra minha pele, a voz já tomada por algo mais sombrio, ao mesmo tempo que ofegante pela força de suas estocadas. Senti o roçar das presas antes da dor breve e aguda da mordida, que logo se transformou em uma onda estranha e intensa correndo pelo meu corpo. Meu fôlego falhou. Minhas pernas enfraqueceram instantaneamente, como se toda minha força tivesse sido drenada e substituída por algo quente e vibrante. Um arrepio subiu pela minha coluna, espalhando-se pelos meus braços, pelo peito, pela cabeça. Era avassalador. Minha mente girou, e por um segundo eu não sabia se estava com medo, em êxtase ou nos dois ao mesmo tempo. Um calor elétrico percorreu cada nervo, uma combustão de sensações que me deixou leve e tonta, e eu jurei ver pontos de luz dançando atrás dos meus olhos, como estrelas explodindo no escuro. Um gemido alto escapou de mim, mais surpresa do que dor, mais entrega do que consciência. Eu me senti entregue, mas absurdamente viva, como se cada batida do meu coração estivesse ecoando dentro dele também. Ele drenava meu sangue enquanto me fodia, eu estava nos céus. Minhas unhas cravavam feridas em suas costas tensas, estas úmidas pelo seu suor frio. Seu corpo grudava ao meu, seu pau ia e vinha em mim. Eu enfraqueci. Eu senti, eu derreti. — Não pare… — Pedi. Ele não cessou por um segundo sequer. A drenagem tornava tudo mais prazeroso, porém, senti-me mais fraca do que deveria. Ele cessou, apertando as mãos em meus fios loiros. “Desculpe-me” Dizia, em meio à dificuldades respiratórias. Eu não ligava. Eu queria mais. Estava quase lá. — Mais rápido! — Ordenei, ele obedeceu. Violou-me mais fortemente, profanou meu corpo humano com vigor. “Caralho, eu estou perto…” Anunciou. Eu senti quando veio, arranhei sua pele como nunca. Não sinalizei. Desmontei, tremi, derreti. Ele bombeou por mais algumas vezes. “Vou te preencher!” Sinalizou. 1,2,3…Me encheu. Ele tinha tanta vitalidade, tanto líquido. Divino. Seu corpo tremeu contra o meu, e, apesar da sensibilidade orgásmica, ele me segurou. Manteve as mãos em mim. Respiramos um bocado. “Você está bem, querida?” Assenti. “Eu tomei muito sangue, me desculpe.” Lamentou, enquanto tirava meus cabelos do rosto. “Você é minha desde o dia que nasceu. Eu apenas me modernizei para te encontrar.” Me explicou. — Quantos anos você tem..? — Perguntei, desnorteada. Ele riu. “Duzentos. Na idade do clã, sou um jovem-adulto.” Eu sorri, sem forças para mais nada. “Vou cuidar de você.” E assim aconteceu. Me tornei sua,
ele me tornou sua. Assim como ele, tornei-me a sua vampira, a sua companheira da longa noite, alimentada por sangue e vitalidade.

Foto 1 do Conto erotico: O Vampiro.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
O Vampiro.

Codigo do conto:
253687

Categoria:
Fantasias

Data da Publicação:
02/02/2026

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