O bar estava cheio demais, música alta demais, risadas fáceis demais. Gente falando para ser ouvida. Eu não.
Eu prefiro silêncio.
Foi assim que eu a vi.
Sentada sozinha no balcão, girando o copo com o dedo como se estivesse esperando coragem para ir embora… ou para ficar. Cabelos caindo de lado, pescoço exposto sem perceber.
Vulnerável não.
Distraída.
E distração é uma porta aberta.
Não fui até ela de imediato.
Dominação nunca começa no toque.
Começa na presença.
Sentei dois bancos depois. Pedi um whisky. Sem olhar. Sentindo.
Eu percebia quando ela me observava pelo reflexo do espelho atrás do bar. Três vezes. Depois quatro.
Na quinta, eu olhei de volta.
Só um segundo.
Tempo suficiente para ela desviar.
Sorri sozinho.
Ela já estava presa.
Demorei mais um pouco. Deixei o silêncio trabalhar por mim. Pessoas assim odeiam o vazio — precisam preenchê-lo com curiosidade.
Então eu me aproximei.
— Você parece alguém que está prestes a tomar uma decisão ruim.
Ela riu, nervosa.
Perguntou se eu sempre abordava desconhecidas assim.
— Só quando elas querem ser abordadas.
Eu disse baixo. Calmo. Sem dúvida.
Ela não discordou.
Conversamos pouco. Eu perguntava menos do que respondia. Deixava ela falar. Gente solitária sempre se entrega nas entrelinhas.
Descobri o suficiente.
Sozinha. Cansada. Querendo sentir algo diferente.
Perfeito.
Inclinei um pouco mais perto. Minha voz quase um segredo.
— Se eu segurasse sua mão agora… você não iria recuar.
Ela prendeu a respiração.
Não toquei.
Esperei.
Cinco segundos.
Seis.
Foi ela quem aproximou a mão primeiro.
Sempre é.
Segurei devagar, firme o bastante para guiar, suave o bastante para parecer escolha dela.
Paguei a conta.
— Vamos.
Não foi uma pergunta.
Ela levantou.
Sem resistência.
Na porta, o barulho do mundo voltou como um trovão, mas entre nós dois havia silêncio outra vez.
Do tipo perigoso.
Do tipo íntimo.
Do tipo que faz alguém seguir um estranho sem saber por quê.
E enquanto caminhávamos pela calçada escura, eu já sabia:
Ela ainda achava que tinha decidido ir comigo.
Sorri.
Algumas pessoas gostam de ser conduzidas.
Só precisam que alguém tenha coragem de assumir o controle.
Se você também sente esse tipo de tensão…
se gosta de histórias onde o domínio começa na mente antes do toque…
Eu conduzo.