O primeiro contato foi rápido, quase impessoal. Um homem, parado numa estrada próxima, à beira do asfalto que margeava o bairro. A loucura da proposta era clara, mas a vontade, um animal mais forte do que a razão, sussurrou: “Vá”. Marcamos para as 17h30. A luz do dia ainda banhava tudo, o que, pensava eu com uma lógica frágil, tornava as coisas menos perigosas. “É tranquilo”, ele garantiu. “É só entrar no carro e sentar.”
Quando cheguei ao local, o coração disparou. O trecho era mais movimentado do que eu imaginara — carros passavam, pessoas caminhavam distraídas. O desespero, súbito e gelado, travou meus movimentos. Dei meia-volta com o carro, as mãos trêmulas no volante, e regressei. Em casa, as mensagens dele chegavam insistentes, uma após a outra. O clima havia se desfeito, mas o tesão, teimoso, ainda ardia.
Então, uma ideia “brilhante” — ou desesperada — brotou. Enviei minha localização. Hoje rio da imprudência, da lista infinita de horrores que podiam ter acontecido. Naquele momento, porém, era apenas um fio de coragem puxado pelo desejo.
Ele chegou num carro simples. Era gordinho, barbudo, os olhos escuros me observando através do vidro. Subimos para um canto mais reservado. Mal havia fechado a porta, ele já abria o zíper e tirava o pau para fora. Mole ainda. “Pega”, ordenou, sem cerimônia.
Obedeci. Minhas mãos, ainda hesitantes, envolveram o membro e começaram a movê-lo. Aos poucos, ele endureceu sob meus dedos — um pau médio, bem cuidado, com a cabeça rosada e lisa. Bonito. Convidativo.
Levei à boca. O sabor da pele, limpa e levemente salgada, invadiu meus sentidos. Ele não demorou a tomar o controle, segurando minha nuca com firmeza enquanto fodia minha boca num ritmo crescente. Tirei as mãos do colo e deixei que ele comandasse, que metesse fundo na minha garganta, selvagem, entregue ao êxtase. Eu lambia, sugava, descia até as bolas e voltava à ponta, num ritual que era parte medo, parte fascinação.
Não demorou muito. “Vou gozar”, anunciou, a voz rouca. Eu tentei articular um “na minha boca não”, mas as palavras se perderam no movimento. Três jatos grossos e quentes inundaram minha boca, escorreram pelo queixo, me lambuzaram de branco. Engoli o que pude, atordoado.
Ele não me comeu. Não trocamos nomes. Nunca mais nos vimos. Ficou aquela memória vívida, quase tangível: minha primeira vez com um desconhecido, um “boquete misterioso” trocado na penumbra de um carro, entre o medo e o êxtase.
Só de relembrar, fico embasbacado. Como o tesão nos arrasta para lugares improváveis, nos faz aceitar riscos que a razão jamais permitiria. E penso, não sem um certo assombro, no tesão que seria repetir a dose — quantos homens, quantas bocas, quantas histórias anônimas poderiam ser escritas só por diversão.
E assim termino este conto. Afinal, um boquete e um copo d’água não se negam a ninguém, não é mesmo?

