Ainda consigo sentir o cheiro do mogno daquele hotel e o gosto do uísque barato que tomamos antes de tudo mudar. Meu nome é Eduardo, tenho 40 anos e, como gerente de banco, minha vida sempre foi pautada por números, metas e uma disciplina física que mantenho com rigor — meu corpo atlético é reflexo da mesma determinação que uso para subir na carreira. Sou descendente de ucranianos, herdei a estrutura pesada e a pele clara que, naquela noite, parecia queimar sob a luz do abajur.
O Ricardo estava ali, sentado na poltrona à minha frente. Ele é engenheiro eletricista, um cara de 1,85m, magro mas definido com seus 70 kg. Ele sempre foi o tipo quieto, sério, aquele amigo que fala pouco mas observa tudo. Estávamos em uma viagem de negócios e o erro na reserva nos jogou no mesmo quarto.
Eu o observava. Ricardo é branco, e através da camisa de linho entreaberta, eu via o peito coberto por pelos escuros — algo que sempre me instigou nele, aquele contraste entre a seriedade do engenheiro e a virilidade bruta que ele carregava de forma silenciosa.
"Acho melhor a gente tentar descansar, Edu," ele disse, com aquela voz pausada.
Eu não respondi com palavras. Eu era o ativo ali, em todos os sentidos da minha vida, e não seria diferente com ele. Levantei-me e caminhei até onde ele estava. A diferença de altura era pequena, mas minha presença parecia preencher o espaço. Coloquei a mão em seu ombro, sentindo a firmeza dos seus músculos sob o tecido fino.
— Você está tenso, Ricardo — murmurei, deixando minha voz de comando transparecer.
Ele não desviou o olhar. A seriedade dele encontrou a minha intensidade. Quando minhas mãos desceram para o seu peito, sentindo a textura dos pelos sob meus dedos, ouvi sua respiração falhar. Foi ali que eu soube.
Eu o levei para a cama com a mesma autoridade que uso para conduzir uma mesa de conselho, mas meus dedos, cravados em seus ombros largos, não buscavam protocolos. Ricardo se deitou, e aquele homem de 1,85m pareceu se moldar perfeitamente ao espaço que eu delimitava para ele. A luz lateral batia em sua pele branca, destacando a penugem escura e densa que subia pelo abdômen e se espalhava pelo peito. Era uma visão máscula, crua, que contrastava com o silêncio quase sagrado que ele mantinha.
Eu me posicionei entre suas pernas, sentindo o calor que emanava do seu corpo atlético. Minhas mãos, calejadas pelos treinos pesados, exploraram a textura dos pelos no peito dele, descendo com pressão até as coxas firmes. Ricardo arqueou as costas, um movimento sutil, mas que para mim foi um comando de ataque.
— Fica quieto, Ricardo. Só sente — eu disse, minha voz saindo num tom baixo, carregado daquela ascendência ucraniana que me dava um ar ainda mais impositivo.
Eu o virei de costas com uma firmeza que não admitia resistência. A visão era hipnotizante: a linha da coluna vertebral bem marcada, os ombros fortes e os pelos que desciam pela base das costas. Ele apoiou o rosto no travesseiro, os olhos cerrados, aceitando a minha condução. Eu não tive pressa. Usei meu peso para prensá-lo contra o colchão, sentindo a resistência dos seus 70 kg de puro músculo sob mim.
Quando finalmente me uni a ele, o quarto pareceu diminuir de tamanho. Meus movimentos eram longos, profundos e deliberados. Eu ditava o ritmo, sentindo cada contração dos músculos dele. Ricardo era uma potência contida; ele não gritava, mas seus gemidos eram graves, abafados contra o lençol, enquanto suas mãos buscavam a cabeceira da cama para se segurar.
A cada estocada, eu sentia o controle absoluto. Eu era o motor e ele, o engenheiro sério e analítico, era agora puro instinto e entrega. Minhas mãos espalmadas em suas costas brancas deixavam marcas vermelhas que sumiam e voltavam, acompanhando a cadência possessiva que eu imprimia. O suor fazia nossos corpos deslizarem um no outro, criando um som úmido que preenchia o silêncio da suíte.
Eu o puxei pelos quadris, obrigando-o a recuar contra mim, aumentando a profundidade do contato. Ele soltou um arfar pesado, a cabeça pendendo para trás, buscando meu ombro. Naquele momento, vi o rosto do Ricardo perder a seriedade costumeira; os lábios entreabertos, os olhos perdidos no prazer que eu estava proporcionando. Eu era o ativo, o dono da situação, e ver aquele homem tão centrado desmoronar sob o meu comando era o ápice da minha própria satisfação.
O final foi uma explosão de esforço físico e conexão bruta. Eu não relaxei o aperto até sentir que ele tinha chegado ao limite total. Quando desabei sobre ele, nossas respirações eram os únicos sons no quarto. Eu ainda era o gerente, o homem de 40 anos no auge do poder, mas ali, abraçado ao meu amigo peludo e exausto, eu sabia que tínhamos cruzado uma linha da qual eu nunca mais queria voltar.