Ritual da Varanda - A Entrega

Era nos silêncios do décimo quinto andar que a coisa acontecia.
Não que houvesse muito silêncio no apartamento 1502. Das paredes finas, Lucas ouvia as risadas dela, o timbre grave da voz dele, o tilintar de taças depois das dez da noite. Morava sozinho no 1501 há oito meses, tempo suficiente para decorar a rotina do casal sem nunca ter trocado mais que um "bom dia" no elevador.
Ela usava vestidos leves. Ele tinha mãos grandes.
Lucas descobriu o que realmente sentia numa terça-feira qualquer. Voltava do trabalho, exausto, quando o elevador abriu e os dois estavam lá, encostados na parede do corredor, ela com a testa apoiada no ombro dele, rindo baixo de alguma coisa. O ar ficou diferente. Mais denso.
Ele passou por eles com a cabeça baixa. "Boa noite."
"Boa noite, vizinho." A voz dela era mel.
Dentro do apartamento, encostou a porta e ficou parado no escuro, sentindo o coração bater num ritmo idiota. Já era difícil dormir imaginando os dois. Agora ficou impossível.
Na quinta-feira, achou um envelope branco sob a porta.
Dentro, um bilhete escrito à mão: "Hoje, 22h. Varanda. Tragam o vinho. Assinado: Os vizinhos do 1502."
E um PS: "Sem roupa íntima. E sem pressa de ir embora."
Lucas leu três vezes. Leu uma quarta. Leu uma quinta, sentindo o corpo responder de um jeito que ele já não controlava. O envelope cheirava a perfume. Levou ao nariz, fechou os olhos. Quando abriu, a mão tremia.
Às dez menos cinco, tomou um banho demorado. Vestiu a roupa mais simples que tinha: calça preta, camisa branca. Olhou no espelho e não se reconheceu. Havia um brilho nos olhos que nunca vira antes. Medo? Excitação? As duas coisas.
Bateu na porta do 1502 com a garrafa de vinho na mão.
Ela abriu. O vestido era preto, fino, alças finíssimas. Ela olhou para ele, demorou o olhar de um jeito que parecia tocar. Mas não disse nada. Apenas abriu a porta e esperou.
Lucas entrou. O apartamento era maior que o dele. A iluminação era indireta, velas pela sala. Ele estava lá, o marido, recostado no sofá de linho. Camisa aberta, pés descalços. Não levantou. Apenas olhou.
"Vizinho", disse ele. A voz grave.
Lucas abriu a boca para responder. Não saiu som.
Ela fechou a porta atrás dele. O clique da fechadura ecoou.
"Ajoelhado", disse ela.
Não era um pedido.
Lucas sentiu o chão sumir. Olhou para ela, para ele, para o chão. O corpo obedeceu antes que a mente processasse. Ajoelhou. A calça esticou no joelho. A garrafa de vinho ainda na mão.
Ela se aproximou, pegou a garrafa, entregou ao marido. Depois passou a mão no cabelo de Lucas, macio, quase maternal. "Assim já está melhor", murmurou. "Você fica tão bonito aí embaixo."
Lucas sentiu o rosto queimar. O sexo, duro contra a coxa. Vergonha e excitação se misturando num nó na garganta.

O marido se levantou. Colocou o vinho na mesinha. Veio até eles. Parou na frente de Lucas, que agora olhava para os pés descalços dele.
"Olha pra cima", ordenou.
Lucas obedeceu. O marido era mais alto ali de perto. As mãos grandes agora visíveis, os dedos longos, as veias saltando nos antebraços.
"Você sabe por que está aqui?"
Lucas engoliu seco. "Porque... vocês chamaram."
Ela riu baixo. "Não. Você está aqui porque escolheu. Porque toda noite, atrás da parede, você imagina a gente. Porque no elevador você treme quando a gente chega perto."
Ele não conseguia negar. Não adiantaria.
O marido se ajoelhou na frente dele. Ficaram rostos na mesma altura. A mão grande dele pousou no joelho de Lucas, subiu lentamente pela coxa, sentiu o volume. Não disfarçou. Apertou de leve.
"Sem roupa íntima", disse ele. "Gostei. Obediente."
Lucas gemeu. Foi involuntário. Um som pequeno, de cachorro carente.
Ela se ajoelhou também, agora atrás de Lucas. O corpo dela quente contra as costas dele. Os braços dela envolvendo o peito dele. Os lábios dela no ouvido dele.
"A gente vai cuidar de você hoje", sussurrou. "Você vai fazer o que a gente mandar. E vai gostar. Não é?"
"É", ele conseguiu dizer. A voz saiu falhada.
"Sim, o quê?", ela perguntou, mordendo de leve a orelha dele.
"Sim... sim, senhora."
Ela e o marido trocaram um olhar por cima do ombro dele. Um sorriso cúmplice.
O marido se levantou. Estendeu a mão para ela, que se levantou também. Lucas ficou ali, ajoelhado, olhando para cima, esperando.

"Acompanha", disse o marido.

Caminharam até a varanda. Lucas foi de joelhos atrás. A cerâmica fria, os joelhos doendo, o coração batendo na boca. Ninguém olhou para trás. Eles sabiam que ele estava seguindo.
Na varanda, a noite aberta, as luzes da cidade. Eles pararam de frente para ele. Ela apoiada no peito do marido.
"Agora tira a roupa", disse ela.
Lucas obedeceu. Desabotoou a camisa com dedos trêmulos, tirou. Depois a calça, lutando com o zíper, o corpo todo exposto. Ficou nu, de joelhos, sob a luz da lua.
Eles olharam. Demoraram. Nada foi dito. Era um exame, uma apreciação. Ele se sentiu exposto, vulnerável, e mais excitado do que jamais estivera na vida.
"Lindinho", ela murmurou.

"Vem cá", disse o marido.

Lucas se aproximou de joelhos. Parou aos pés deles.
O marido passou a mão no cabelo dele, puxou para trás, obrigando-o a olhar para cima. A outra mão dele acariciou o rosto dela.

"Abre a boca", disse o marido.

Lucas obedeceu. A boca aberta, os olhos marejados, o corpo inteiro tremendo.

O marido cuspiu dentro da boca dele.

"Engole."

Lucas engoliu. Fechou os olhos. Sentiu o gosto, o poder, a rendição completa.
Ela se ajoelhou na frente dele. Olhou nos olhos dele. Passou a mão no rosto dele, afetuosa, quase doce. Depois beijou a testa dele.

"Tudo bem?", perguntou.

Ele conseguiu assentir.

Ela pegou a mão dele e colocou dentro do vestido dela, na coxa nua. "Então agora você vai me agradar. E ele vai ver."
Lucas gemeu. A mão subiu pela coxa dela, encontrou o calor, a umidade. Ela estava tão excitada quanto ele. Mordeu o lábio, olhando para o marido.
O marido observava. As mãos nos bolsos. O olhar fixo.
"Devagar", disse ele. "Quero ver ela gozar assim, com você de joelhos."
Lucas obedeceu. Movimentos lentos, circulares, enquanto ela arfava acima dele, apoiada no marido. A outra mão dele, a livre, segurava a perna dela, firme.
Ela veio rápido. O corpo inteiro tremeu, um gemido preso na garganta. Depois caiu para frente, apoiada nos ombros de Lucas, ofegante.
O marido se ajoelhou atrás dela. Beijou o ombro dela, olhando para Lucas.

"Agora você", disse.

Lucas não entendeu. "Como?"

O marido puxou ela para o lado, gentilmente, e ficou na frente de Lucas. A mão grande pousou na nuca dele, empurrando de leve em direção ao volume nas calças.

"Abre", disse.

Lucas abriu a boca. Sentiu o zíper descendo, o cheiro, o calor. Depois a pele, o gosto, a mão firme guiando o ritmo. Fechou os olhos. Entregou.
Ela assistia. Encostada no gradil da varanda, os olhos brilhando, o sorriso satisfeito.
O marido durou mais que ela. Guiou a cabeça de Lucas com paciência, ora mais fundo, ora mais lento, até que gemeu baixo, uma vez, e segurou ele ali, imóvel, enquanto gozava.
Lucas engoliu. Sentiu o gosto, as lágrimas escorrendo, o corpo todo latejando. Quando o marido soltou, ele ficou ali, de joelhos, ofegante, nu, deles.
Ela veio, ajoelhou, passou a mão no rosto molhado dele. Beijou a boca dele, devagar, provando o gosto do marido.

"Perfeito", sussurrou. "Você foi perfeito."

O marido se ajoelhou também. Agora estavam os três no chão da varanda, a cidade lá embaixo, o vento fresco na pele quente.
"Toda quinta", disse o marido. "Se você quiser."
Lucas olhou para os dois. Para a noite. Para as mãos dele que agora seguravam as dela. Para o espaço entre os dois, onde ele agora sabia exatamente como se encaixar.
"Eu quero", disse. A voz rouca. Os olhos úmidos.
Ela sorriu. Passou a mão no cabelo dele.
"Então levanta. Vem tomar um banho com a gente."
Lucas levantou. As pernas bambas. O corpo dolorido. E, pela primeira vez na vida, inteiro.

Continua…


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Ficha do conto

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olhosazuis73

Nome do conto:
Ritual da Varanda - A Entrega

Codigo do conto:
254849

Categoria:
Fetiches

Data da Publicação:
17/02/2026

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