O marido se levantou. Colocou o vinho na mesinha. Veio até eles. Parou na frente de Lucas, que agora olhava para os pés descalços dele.
"Olha pra cima", ordenou.
Lucas obedeceu. O marido era mais alto ali de perto. As mãos grandes agora visíveis, os dedos longos, as veias saltando nos antebraços.
"Você sabe por que está aqui?"
Lucas engoliu seco. "Porque... vocês chamaram."
Ela riu baixo. "Não. Você está aqui porque escolheu. Porque toda noite, atrás da parede, você imagina a gente. Porque no elevador você treme quando a gente chega perto."
Ele não conseguia negar. Não adiantaria.
O marido se ajoelhou na frente dele. Ficaram rostos na mesma altura. A mão grande dele pousou no joelho de Lucas, subiu lentamente pela coxa, sentiu o volume. Não disfarçou. Apertou de leve.
"Sem roupa íntima", disse ele. "Gostei. Obediente."
Lucas gemeu. Foi involuntário. Um som pequeno, de cachorro carente.
Ela se ajoelhou também, agora atrás de Lucas. O corpo dela quente contra as costas dele. Os braços dela envolvendo o peito dele. Os lábios dela no ouvido dele.
"A gente vai cuidar de você hoje", sussurrou. "Você vai fazer o que a gente mandar. E vai gostar. Não é?"
"É", ele conseguiu dizer. A voz saiu falhada.
"Sim, o quê?", ela perguntou, mordendo de leve a orelha dele.
"Sim... sim, senhora."
Ela e o marido trocaram um olhar por cima do ombro dele. Um sorriso cúmplice.
O marido se levantou. Estendeu a mão para ela, que se levantou também. Lucas ficou ali, ajoelhado, olhando para cima, esperando.
"Acompanha", disse o marido.
Caminharam até a varanda. Lucas foi de joelhos atrás. A cerâmica fria, os joelhos doendo, o coração batendo na boca. Ninguém olhou para trás. Eles sabiam que ele estava seguindo.
Na varanda, a noite aberta, as luzes da cidade. Eles pararam de frente para ele. Ela apoiada no peito do marido.
"Agora tira a roupa", disse ela.
Lucas obedeceu. Desabotoou a camisa com dedos trêmulos, tirou. Depois a calça, lutando com o zíper, o corpo todo exposto. Ficou nu, de joelhos, sob a luz da lua.
Eles olharam. Demoraram. Nada foi dito. Era um exame, uma apreciação. Ele se sentiu exposto, vulnerável, e mais excitado do que jamais estivera na vida.
"Lindinho", ela murmurou.
"Vem cá", disse o marido.
Lucas se aproximou de joelhos. Parou aos pés deles.
O marido passou a mão no cabelo dele, puxou para trás, obrigando-o a olhar para cima. A outra mão dele acariciou o rosto dela.
"Abre a boca", disse o marido.
Lucas obedeceu. A boca aberta, os olhos marejados, o corpo inteiro tremendo.
O marido cuspiu dentro da boca dele.
"Engole."
Lucas engoliu. Fechou os olhos. Sentiu o gosto, o poder, a rendição completa.
Ela se ajoelhou na frente dele. Olhou nos olhos dele. Passou a mão no rosto dele, afetuosa, quase doce. Depois beijou a testa dele.
"Tudo bem?", perguntou.
Ele conseguiu assentir.
Ela pegou a mão dele e colocou dentro do vestido dela, na coxa nua. "Então agora você vai me agradar. E ele vai ver."
Lucas gemeu. A mão subiu pela coxa dela, encontrou o calor, a umidade. Ela estava tão excitada quanto ele. Mordeu o lábio, olhando para o marido.
O marido observava. As mãos nos bolsos. O olhar fixo.
"Devagar", disse ele. "Quero ver ela gozar assim, com você de joelhos."
Lucas obedeceu. Movimentos lentos, circulares, enquanto ela arfava acima dele, apoiada no marido. A outra mão dele, a livre, segurava a perna dela, firme.
Ela veio rápido. O corpo inteiro tremeu, um gemido preso na garganta. Depois caiu para frente, apoiada nos ombros de Lucas, ofegante.
O marido se ajoelhou atrás dela. Beijou o ombro dela, olhando para Lucas.
"Agora você", disse.
Lucas não entendeu. "Como?"
O marido puxou ela para o lado, gentilmente, e ficou na frente de Lucas. A mão grande pousou na nuca dele, empurrando de leve em direção ao volume nas calças.
"Abre", disse.
Lucas abriu a boca. Sentiu o zíper descendo, o cheiro, o calor. Depois a pele, o gosto, a mão firme guiando o ritmo. Fechou os olhos. Entregou.
Ela assistia. Encostada no gradil da varanda, os olhos brilhando, o sorriso satisfeito.
O marido durou mais que ela. Guiou a cabeça de Lucas com paciência, ora mais fundo, ora mais lento, até que gemeu baixo, uma vez, e segurou ele ali, imóvel, enquanto gozava.
Lucas engoliu. Sentiu o gosto, as lágrimas escorrendo, o corpo todo latejando. Quando o marido soltou, ele ficou ali, de joelhos, ofegante, nu, deles.
Ela veio, ajoelhou, passou a mão no rosto molhado dele. Beijou a boca dele, devagar, provando o gosto do marido.
"Perfeito", sussurrou. "Você foi perfeito."
O marido se ajoelhou também. Agora estavam os três no chão da varanda, a cidade lá embaixo, o vento fresco na pele quente.
"Toda quinta", disse o marido. "Se você quiser."
Lucas olhou para os dois. Para a noite. Para as mãos dele que agora seguravam as dela. Para o espaço entre os dois, onde ele agora sabia exatamente como se encaixar.
"Eu quero", disse. A voz rouca. Os olhos úmidos.
Ela sorriu. Passou a mão no cabelo dele.
"Então levanta. Vem tomar um banho com a gente."
Lucas levantou. As pernas bambas. O corpo dolorido. E, pela primeira vez na vida, inteiro.
Continua…