O Dia em que o Mundo Virou do Avesso

O feriado tinha começado lento, como se o dia inteiro estivesse tranquilo. O sol que estava raro nos últimos dias. Resolvemos tomar um espumante. O que era muito raro bebermos só nos dois ainda mais com crianças em casa.

Ela estava linda, como sempre.

Não era só beleza — era presença. O tipo de mulher que faz o ambiente se ajustar ao redor dela. O batom vermelho era quase uma assinatura. As pessoas lembravam da boca dela antes de lembrar do nome. E ela sabia disso, mas sem arrogância. Usava aquela elegância como quem veste naturalmente seu charme, sem esforço.
Vinte anos juntos, doze de casamento.
E o sexo sempre foi bom. Intenso, sincero, sem jogos. A gente nunca teve que fingir nada um para o outro.

Conversávamos sobre a vida, sobre a casa, sobre planos bobos e futuros. O burburinho das nossas filhas e da amiguinha dentro de casa era a trilha sonora da normalidade. Até que um som diferente cortou o ar. Vindo do prédio vizinho, abafado mas inconfundível, o ritmo e a características dos gemidos. Olhamos um para o outro e caímos na gargalhada.

— Uhuuuul — ela riu, tomando um gole de espumante.

Foi nesse momento que a bolha estourou.

— Pai, a gente pode ir na sorveteria? — a mais velha apareceu na porta, com a irmã e a amiga já de sandália nos pés.

Era um pedido simples. Levantei, peguei a carteira e as levei. O caminho foi rápido, mas elas se divertiram conversando e comendo sorvete na sorveteria que estava lotada.

Ainda na sorveteria, meu celular vibrou. Era uma mensagem dela. Uma foto.
Era uma foto de uma perna na banheira. Só isso. A perna dela, esticada, a pele branca molhada, apoiada na borda da banheira. Não havia nenhum contexto, nenhum rosto, apenas aquela imagem absurdamente sensual. Ela nunca tinha feito algo assim.

Poucos minutos depois, outra mensagem: "Já tão voltando?"

Respondi: "Já estamos perto de casa." Ela respondeu na hora: "Quando chegar, sobe."

Disfarcei. Chegamos, instalei as três na sala com um filme, pipoca e suco.

Subi as escadas de dois em dois degraus, mas tentando soar casual. O quarto estava com a porta fechada. Girei a maçaneta, entrei e tranquei.

A cena que vi vai ficar gravada na minha mente para sempre. Ela estava ali, deitada na cama, vestindo apenas uma camisas sociais, branca, que caia sobre suas coxas. Seus cabelos estavam levemente úmidos, o batom vermelho ainda impecável. Mas o que me paralisou por um segundo foi o movimento da sua mão, deslizando por baixo da camisa, e o olhar. Um olho meio fechado, de puro tesão, fixo em mim. Ela se masturbava, sem pressa.

Ao me ver parado, ela lentamente abriu as pernas. A camisa subiu, revelando o presente que ela tinha me preparado. Entre a pele lisa da sua bunda e o lençol, a base de um plug anal, rosado, estava à mostra. Ela adorava o plug, a sensação de preenchimento, mas era algo que guardávamos para momentos muito específicos. Eu sabia que ainda não era a hora de tentar algo além, o cuzinho dela era muito apertado, e aquela era uma fronteira que explorávamos com carinho e paciência. Mas ver o plug ali, naquele contexto, era a declaração de desejo mais explícita que ela já tinha feito.

Atravessei o quarto em segundos. Sentei na cama, mergulhei na sua nuca, sentindo o cheiro do seu shampoo e do desejo. Nos beijamos muito. Minha mão substituiu a dela, sentindo seu calor, sua umidade. Ela gemeu no meu ouvido, um som rouco e abafado, e sussurrou com uma urgência que eu nunca tinha ouvido:

— Quero teu pau. Agora.

Foi uma ordem. Ela se virou de 4. A visão dela ali, de joelhos, a camisa social amassada subindo pelas costas, o plug perfeitamente encaixado, era de um tesão absurdo. Posicionei atrás dela e fui colocando meu pau nela. Estava quente, molhada, pronta. Ela enterrou o rosto no travesseiro e mordeu o próprio braço, tentando conter o gemido e grito. Eu sabia que as crianças estavam lá embaixo, e a consciência disso só aumentava a urgência de não fazer barulho, a tensão deliciosa do segredo.

Cada estocada era uma declaração. O quarto era preenchido apenas pelo som dos nossos corpos se encontrando e pelos seus gemidos, presos na garganta. Em determinado momento, virei-a. Queria ver aquele rosto, aquela boca vermelha entreaberta de prazer. Com as pernas dobradas sobre meus ombros, e continuei. Ela estava em transe. Seus olhos, ora fechados, ora abertos, me fitavam com uma mistura de paixão e devassidão. Morena, de camisa social, pele branquinha, corpo perfeito e natural, com aquela cara de putinha que me tirava do sério.

Voltamos para a posição de quatro. O ritmo aumentou. Senti o corpo dela começar a tremer, anunciando o clímax. Foi quando ela, com a voz embargada, sussurrou o que eu mais queria ouvir:

— Goza... Goza em mim...

A combinação da visão, do som da sua voz e olhado o cu com o plug foi o estopim. Gozei muito, sentindo meu corpo se contrair por cima do plug, preenchendo-a. Por um longo segundo, o mundo parou. Ela então se entregou, desabando na cama, ofegante. Eu caí ao seu lado, puxei-a para perto e fiquei ali, sentindo seu coração disparado contra o meu.
O silêncio durou pouco. Logo, o som do filme infantil subiu as escadas, nos lembrando da realidade. Ela me deu um selinho rápido, ajeitou a camisa e sorriu.
Levantei, tomei um banho rapidíssimo, e desci. Comecei a preparar o jantar para as crianças como se nada tivesse acontecido, como se o mundo não tivesse virado do avesso numa tarde de feriado.

Aquela foi a primeira vez. A primeira vez que ela tomou a iniciativa com tanta ousadia, a primeira vez que recebi uma foto sua, a primeira vez que a vi tão entregue ao próprio desejo a ponto de me pedir para subir e me mostrar, sem vergonha, o que queria.

Enquanto estava na cozinha, eu só conseguia pensar numa coisa: será que essa cena, ter o privilégio de ver mais vezes? A minha tranquilidade e a memória, ofegante, sussurrando meu nome, foram a única resposta que eu precisava naquela noite.



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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico kazal

Nome do conto:
O Dia em que o Mundo Virou do Avesso

Codigo do conto:
254865

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
17/02/2026

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