Corte Cardíaco

Delegado do condado montanhês, para juiz Ferreira, 09/02/1980.

  Cresci a ver meu pai obcecado por certo caso. O caso do desaparecimento misterioso de duas famílias.

O senhor meu amigo, bem sabe, que na época não encontraram qualquer indício ou pista sobre o paradeiro dessas pessoas.

A dois dias atrás, algumas pessoas que não tinham muito o que fazer estavam procurando ouro as margens de um lago. Pelo detector de metais, encontraram o que aparenta ser uma espécie de cápsula do tempo.

Entre alguns pertences, livros e objetos que ainda não tive a oportunidade de bem contemplar, encontraram algumas páginas amareladas que aparentam, até então, pertencerem a um diário da jovem Vine Claustraz, a muito desaparecida.

Anexado a essa carta, há cópias das folhas, que peço que leia e reflita sobre.

O caso que levou meu falecido pai as margens da loucura hoje me intriga, e espero, agora tendo a meu regaço essa nova pista, finalmente solucionar o que pode ter ocorrido...

Envie-me, após ler os anexos, sua opinião. Queira também, espedir um mandado para que possamos fazer uma nova vasculha nas mansões. Perdão por cortar toda a cortesia jurídica,  mas somos amigos e esse caso... Esse caso está me perturbando como perturbou meu pai,  tente entender.

                                                        Delegado Fernando.


Possível diário da jovem Vine Claustraz, anos sessenta:

06/04/1960, 14h21, Nublado.

  Sou uma esquisita. Não é minha culpa, acho... Me ajude, diário, como posso mudar minha natureza?

21/04/1960, 07h00, Sol.

Vivo feliz por cá, no vale de Santo Rau. Tenho uma mansão para me divertir, mas ninguém para se divertir comigo... Há enormes campos de flores belas, mas não há quem possa comigo brincar por entre as flores... Os riachos lindos... E... Onde estava? Ah, claro. Muita solidão.

Desde que usava fraldas, havia outra mansão, um casarão fechado, que nunca foi habitado. Ele fica a cerca de um quilômetro e meio. Fora ele, nossos vizinhos mais próximos vivem a quinze kilometros. São um casal gentil de velhinhos.
Então, imagine minha alegria, a alegria que eu, uma bixo-do-mato senti quando aquele casarão foi finalmente ocupado! E adivinhe só, diário? São um homem de uns cinquenta anos, uma mulher de quarenta e... adivinhe, hihihi, (estou eufórica) UMA GAROTA DE VINTE E UM! Tenho dezoito anos então... então podemos ser amigas! Estou até o céu de felicidade! Amanhã, depois que meu professor particular for embora, irei fazer uma visitinha...

22/04/1960, 23h30, noite escura.

Meu pai foi super com a cara do Seu Renan. O Seu Renan é o nosso novo vizinho. A tia Nicole é uma mulher muito inteligente e bonita, ela tem um bundão, hihihi... Eu senti um pouco de inveja, sou uma magrela anêmica... A filha deles ainda não conheci.
Eles vieram nos fazer uma visita, e a Nicole nos trouxe um BOLÃO de chocolate. Um ritual de bom decoro, como minha mãe sorridente chamou, quando foram embora. Será que a filha deles é bonita? Deve ser... Será que ela irá querer fazer amizade? Estou tão ansiosa... Queria tanto, tanto e tanto ter uma amiga...

23/04/1960, 00h00, lua minguante.
    
  Hoje é o dia mais feliz da minha vida diário! Conheci a Ágata, ela é muito legal. Meus pais adoraram ela e nós conversamos tanto e tanto. Eu adorei ela e agora somos amigas. Até a levei para o meu canto secreto, um balanço escondido no prado.
Ela é um pouco estranha... Socialmente, ela é impecável mas... Mas ela me assustou um pouco. Hoje, quando a conheci, ela me abordou de forma tão fofa e eloquente... Ela conversa muito bem. Mas quando estava sozinha com ela no quintal, era tipo... tipo, umas quatro da tarde, ela me olhou de uma forma muito esquisita, com um sorriso estranho. Senti muito medo daquele olhar... Será que foi impressão minha? Ai ai ai... não, deve ser coisa da minha cachola doida, ela é legal.
A Ágata é muito bonita, igual a mãe. Eu estava com medo de que ela não... não se dar com minha feiúra. Ela é meu completo oposto, em tudo. Ela tem uns melões, um bundão e as coxas dela parecem que vão estourar. Ela tem um corpão de violão... Minha feiúra não pareceu a enojar...
Vou pedir umas dicas para ela, de como cuidar do cabelo... Na verdade, minha mãe me ajuda bem, mas ela é o tipo executiva, e eu, o tipo ratazana.
Aquele olhar... da Ágata, estou com ele na mente... O que quer dizer? Hein diário? O que aquilo quer dizer?...

19/05/1960, 22h09, sem para cabeça isso.

  Estou tremendo... C confirme escrevo isso, e então sairá é errado. Não, melhor ir ir beber água. Já volto diário..

22h52

Jesus Cristo, me desculpa! O que foi aquilo? Melhor exprimir nas palavras. Bem, as últimas quatro horas foram... Não sei dizer. Mas foi assim:

Acordei, me arrumei, e estudei. Às uma da tarde, Ágata veio me convidar para ir lá na lagoa, contei para ela da lagoa (contei toda minha vida para ela) e ela queria conhecer. Então fomos, sozinhas, lá. Estava tão feliz, nas últimas semanas nós nos divertimos um bocado, ela é tão legal... Bem, nós estávamos lá, conversado e ela... Ela trouxe uma cesta, com petiscos. Doces, um montão de doces.  Pães de mel e algumas frutas e um pepino (guarde essa informação). Então... Nadamos, e comemos. Depois que comi, comecei a me sentir fraca, muito fraca... E um pouco sonolenta. Então, disse que iria voltar para casa.

Foi quando ela mudou, mudou do nada. Ela me jogou no chão e, montou em cima de mim segurando uma faca. Ela estava sorrindo, e eu fiquei em choque. Levantei a mão mas... Mas ela não fez nada. "Ela não está", foi o que a Ágata me disse, mas com uma voz mais rouca, meio grossa. "Hein? P-para de brincar comigo, eu estou cansada, vou ir para casa..." foi o que eu disse.

Ela me deu um beijão francês. Eu não espera aquilo. Embora... Embora tenha imaginado algumas vezes antes de ir dormir, algumas vezes e... Até mais que beijo mas... Mas, continuemos.

Eu acabei me rendendo, depois de tentar para-la. Ela é muito forte... Ela segurou no meu pescoço, me deixando sem ar e eu, me assustei e comecei a me debater, parei o beijo. Tossi aqui, e ali, e ela afrouxou. Estava rindo, rindo de mim. Então eu comecei a chorar, não sei o por que. Senti... Senti que ela estava me machucando, e não queria mais ser minha amiga. A cara dela, era de... De uma mãe que machucou a filha. Ela me afagou e me fez um cafuné... Eu... Eu parei de chorar. Então ela jogou a faca no lago, e me deu outro beijão de língua.
  Eu me senti tão bem, diário, a boca dela era tão quente e macia... Parei de lutar e apenas... Relaxei embaixo dela.

As mãos dela estavam sobre meu colo, nossas línguas se abraçando num beijo forte e bruto. Busquei a envolver com minhas pernas, e meus braços pararam atrás de seu pescoço. O barulho excitante e úmido de nosso beijo se mesclava ao canto de Sabiás e Bem-tevi's, o som da nossa respiração arfante, nossa fricção e toque era testemunhado pelas forças do vento dançante nas árvores e da natureza.

  Aquelas mãos divinas bailaram rumo aos meus ombros, um barulho de chupeta ecoou quando Ágata finalizou aquele beijo que me deixou elétrica e tremendo.
  Meu vestido começou a ser bagunçado de modo ansioso por uma Ágata tentando baixá-lo para ter acesso aos meus seios. E ela conseguiu após uma ajudinha desesperada minha.
  Uma risada gostosa foi o que Ágata deu ao descer com fome ao meu pescoço, beijando e chupando, beijando e chupando...
  Estava tremendo e arqueando, com alguns gemidinhos sem som, mas com muito ar.
  Ágata deu um apertão no meu seio direito, deu um chupão na parte de baixo dele. Pus o cabelo dela atrás de sua orelha, e minha mão ao lado de sua face linda.
  E então... Aquela língua leve dela fazia movimentos circulares ao redor do meu mamilhinho... Ela alternava, chupava, lambia, circulava... Chupava, chupava mais forte e tudo de novo, até esticava meu seio num chupão, como se fosse o tirar de mim.
  Meu corpo, desacostumado em sexo, tremia e sentia que estava enlouquecendo... Foi quando senti algo vindo, e me esfregava mais contra Ágata, até que perdi a voz e o ar do pulmão, uma onda de prazer e entorpecimento varou meu corpinho, me estiquei todinha, meu quadril levantou a própria Ágata. Ele a deixou suspensa no ar por nove segundos, então relaxei, molhada e completamente morta embaixo dela.

  Enquanto inspirava o ar como uma recém afogada, Ágata dava várias beijocas nos meus seios, me fazia cóssegas no pescoço, nós duas dávamos risadas, enquanto me encolhia feliz e gozada da vida...

  Mas Ágata foi subindo, como uma cobra safada, até que meu rosto estivesse entre seus dois joelhos. Eu a via de baixo para cima, enquanto ela retirava seu próprio vestido leve e branco.
  Uma nua Ágata com seu corpão de violão sorria lá do alto para mim.

- Você não vai a lugar nenhum, sua mocinha danada... - Ela amarrou seu longo cabelo num rabo-de-cavalo.

- N-não, não vou. - Disse, baixinho. Nesse momento, minhas faculdades pensantes já estavam falhando.

  Ágata abaixou o quadril, pondo o meio de suas pernas bem na minha boca, boca que abri recebendo tudo de doce e lindo que era a porta do interior de seu corpo.    Gemidos doces e excitantes dela pairavam no vento que por nós passava, conforme Ágata fazia movimentos de serpente com seu quadril e cintura, deslizando aquela fonte de mel por minha boca.
  Ela aumentou a velocidade, a força e a intensidade dos movimentos, de tal modo que minha cabeça ficou presa entre suas coxas e o chão, com toda a pressão do corpo dela.
Comecei a perder o pouco ar que tinha, conforme os movimentos ficavam loucos e violentos. Então ela deu um gritinho, e todos aqueles músculos de seu abdômen se contraíram, eu arregalei meus olhos igual uma coruja surpresa à medida que todo aquele néctar branco inundava a minha boca, muito morno, enchendo minhas bochechas. Não consegui cuspir, então todo aquele líquido correu pela minha garganta, pela laringe, finalizando sua longa e quente viagem até o meu estômago.
Finalmente ela aliviou a pressão, me permitindo respirar e tossir um bocado.
  Ela me sorria.

- Tadinha dela... Se engasgou com leite, bebê?... - Ela disse, enquanto eu tossia e ria.

  Tenho vergonha de te contar, diário, tudo o que fizemos, apenas se lembre daquele pepino... Daquele pepino que ela trouxe, daquele ENORME e GROSSO pepino que se quebrou no meio devido a uma intensa atividade na minha e na porta dela ao mesmo tempo...

    Ágata me levou - como uma criança é levada - na corcunda, em suas costas. Isso é meio cômico, mas pude sentir todo o seu perfume em nossa caminhada na trilha larga até a minha casa, e descansar coladinha n'ela.
Ela me deixou no portão, eram umas cinco e meia, ou seis e meia.

  Ela me beijou outra vez, um selinho rápido. Fiquei com medo de meus pais ou algum empregado verem, mas não havia ninguém.
Então ela me disse que voltaria naquela noite para me dar dois presentes.

Ela saiu, quase agora. Não sei por onde entrou, mas do nada ela estava aqui. Escreveu uma cartinha fofa para mim.

Não sei o que pensar,  mas... acho que a amo. Estamos nos conhecendo ainda, mas... Paixão, é paixão o que sinto, e não outra coisa. Minha alma baila pelas hostes celestes do amor, Ágata... Esse nome, somente ele, faz bater meu coração.

Ela havia me dito, que me daria outro presente, enquanto eu estiver dormindo, mas não imagino o que possa ser.

Juiz Ferreira, jurisdição do sul, ao delegado Fernando do condado montanhês. 29/02/1980

O caráter desta carta minha é, sobretudo, do mesmo calibre de amigos.

  Pude averiguar seu estado de espírito, e meu zelo no cumprimento do dever atiçou-me a tomar as medidas devidas, sem lhe informar previamente. Temo por sua saúde, já fragilizada pela pneumonia. Veja bem, quis lhe prevenir das dores de cabeça, tomando o auxílio de uma rede de investigação particular.

Expedi o mandado referido, e enviei os melhores homens para revistarem as casas. A princípio, as buscas foram infrutíferas e os donos atuais dessas residências, ao que pude notar, gostam muito de xingar.

Entretanto, encontramos, oculto em assoalho no quarto da Vine Claustraz, duas coisas que me levam a crer, juntando ainda o conteúdo do anexo de sua carta, que Ágata Prados, além de deter algum tipo de distúrbio mental - sabe que sou formado em psicanálise - possa ter cometido um crime inominável.

Primeiro, uma cartinha, deteriorada pelo tempo, que continha a seguinte mensagem:

"Um anjo não deveria chorar. Você é uma anja, que enviarei para um campo florido, onde jamais irá chorar, iremos brincar e nos amar eternamente".

Tal cartinha continha assinatura de Ágata Prados, e seu conteúdo me leva a crer no pior.

A outra coisa, era um gênero de luva de couro, finamente bordada. Essa luva, tinha na sua lateral uma lâmina inoxidável, costurada mui hábil, afiada como um bisturi. Ela faz uma curva e, essa curvatura acompanha o pescoço humano.
Há pele humana nela, enviei o seu conteúdo para um laboratório especializado, para comparar ao DNA da avó, já muito enterrada, de Vine Claustraz. Estou a esperar o resultado.

Devo dizer, que não tenho medo das desgraças do mundo, mas senti medo daquela luva. Era como se, todo o mal do mundo, o próprio demônio, não viesse a mim em sua forma física, ou numa imagem horrível, mas sim, numa luva de couro bem feita.

                                              Juiz Ferreira, ao delegado do condado montanhês.


Nota da autora:

Essa foi minha primeira tentativa de escrita erótica, ainda estou aprendendo.
Costumo, vez por outra, escrever histórias de terror, horror e mistério, sabe? Vibes góticas.


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Nome do conto:
Corte Cardíaco

Codigo do conto:
255884

Categoria:
Lésbicas

Data da Publicação:
27/02/2026

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