— Um brinde à nossa liberdade, Thiago — disse ela, batendo a taça de gim na minha.
Foi nesse momento que eles se aproximaram. Beatriz e Marcos. Eles tinham uma aura diferente, algo que exalava experiência e uma malícia elegante. O que começou como um papo trivial sobre as praias da região logo se transformou em um flerte pesado, regado a várias rodadas de drinks coloridos e fortes. Eu percebi o modo como Beatriz olhava para Thalita; era um olhar de fome, e o que mais me excitava era ver que minha esposa correspondia com sorrisos furtivos.
Quando o convite para subir até a suíte deles foi feito, o silêncio entre eu e Thalita durou apenas um segundo. O consentimento estava nos nossos olhos.
O quarto era amplo, com cheiro de sais marinhos e luxo. Marcos me serviu um uísque e apontou para a poltrona ao lado da dele.
— Relaxa, Thiago — ele sussurrou. — Hoje o show é delas. Nós só temos o melhor lugar da plateia.
Senti meu sangue latejar quando Beatriz segurou o rosto de Thalita e a beijou. Não foi um beijo tímido. Foi profundo, dominante. Minha esposa soltou um gemido que eu conhecia bem, mas que soava diferente ali, naquele contexto. Elas foram para a cama enquanto nós, os maridos, apenas observávamos, sentindo a tensão erótica eletrificar o ar.
Ver Thalita ser despida por outra mulher foi a imagem mais forte que já presenciei. Beatriz sabia exatamente o que estava fazendo. Ela guiava as mãos de Thalita pelo próprio corpo, ensinando-a a explorar novas texturas.
Beatriz deslizava a língua pelo pescoço de Thalita, descendo lentamente até os seios, enquanto minha esposa arqueava as costas, buscando mais.
Elas se entrelaçaram no centro da cama. Ver o contraste da pele de Beatriz com a de Thalita, os movimentos rítmicos e os sussurros que elas trocavam, era hipnotizante.
Thalita, geralmente mais contida, estava entregue. Ela explorava Beatriz com uma curiosidade voraz, as duas se esfregando, sentindo o calor mútuo aumentar a cada segundo.
Eu mal conseguia segurar o copo de uísque. Ver minha mulher naquele estado de êxtase, sendo levada ao limite por Beatriz sob o meu olhar, era o ápice da minha própria fantasia.
Beatriz se posicionou, usando os dedos com uma maestria que fez Thalita revirar os olhos. O som dos corpos se tocando e a respiração ofegante preencheram o quarto. Thalita travou as pernas ao redor da cintura de Beatriz, o rosto corado, os lábios entreabertos. Quando o orgasmo a atingiu, ela gritou meu nome, mas seus olhos estavam fixos nos de Beatriz. Logo em seguida, foi a vez de Beatriz desabar sobre ela, ambas pulsando em um prazer compartilhado que parecia não ter fim.
Elas ficaram ali, ofegantes, os corpos brilhando de suor sob a luz fraca. Marcos e eu nos olhamos, ambos compartilhando o mesmo sentimento de choque e satisfação. Aquela lua de mel no Nordeste tinha acabado de quebrar todas as regras, e eu mal podia esperar pelo que viria a seguir
O silêncio do corredor do hotel parecia amplificar o som dos nossos passos e o latejar do meu sangue. Quando a porta do nosso quarto finalmente se fechou, o estalo da tranca soou como o início de um novo capítulo. Thalita se encostou na madeira, ainda um pouco descabelada, com as bochechas coradas e o brilho daquela experiência refletido nos olhos.
Eu parei a um passo dela, sentindo o calor que emanava do seu corpo.
— Caramba, Thalita… — comecei, a voz saindo mais rouca do que eu planejava. — Eu não conseguia tirar os olhos de você.
Ela soltou um riso curto, soprado, e deu um passo à frente, segurando a gola da minha camisa.
— E você acha que eu não sentia o seu olhar? — ela perguntou, a voz vibrando. — Thiago, eu nunca imaginei que seria assim. O jeito que a Beatriz me tocava... era como se ela soubesse exatamente onde eu queria, mas de um jeito que eu nem sabia que existia.
— Eu vi — respondi, passando a mão pela cintura dela, puxando-a para mais perto. — Vi você se entregando, vi o jeito que você olhava para ela. Confesso que, por um segundo, achei que ia perder o fôlego só de assistir.
Thalita inclinou a cabeça, me encarando com uma intensidade que eu nunca tinha visto antes.
— Você ficou com ciúmes? — Ela deslizou a mão pelo meu peito, sentindo meu coração disparado.
— Estranhamente? Não. Foi o oposto. Ver você daquele jeito, sendo desejada por outra mulher e retribuindo… foi a coisa mais excitante que já vi na vida. Você estava… poderosa.
— Eu me senti assim — ela confessou, a voz baixinha, quase um segredo. — Mas o tempo todo, Thiago, mesmo quando ela estava em cima de mim, eu pensava em você me vendo. Eu queria que você visse o que eu era capaz de fazer. Eu queria que você soubesse que, no final, eu voltaria para cá com você.
Ela se aproximou do meu ouvido, o hálito quente causando um arrepio que desceu por toda a minha coluna.
— Aquilo foi só o começo da nossa noite, não foi?
— Com certeza — respondi, selando nossos lábios em um beijo que carregava toda a urgência e o desejo acumulado naquela suíte.
O Nordeste lá fora era só mar e brisa, mas dentro daquele quarto, o clima estava prestes a incendiar de vez.
kasaltahethi