Foi nesse período que algo inesperado aconteceu. Anna acabou se encantando por um dos médicos. No meio de tanta tensão, aquele sentimento surgiu como uma espécie de fuga, algo que trazia leveza aos dias difíceis. Sem esconder nada, ela ligava para André e contava tudo — quando o via, quando cruzavam pelos corredores, ou até quando ficava na janela esperando ele sair, só para poder vê-lo mais uma vez.
Com o tempo, aquele encanto foi se tornando mais intenso. Anna falava com uma entrega emocional cada vez maior, deixando claro o quanto aquilo mexia com ela. Mesmo assim, André nunca a repreendeu. Pelo contrário, ele sempre a incentivava a continuar, como se entendesse que aquilo fazia parte do momento que ela estava vivendo.
Dentro dele, porém, os sentimentos eram complexos. Havia ciúmes, sim — inevitáveis — mas também uma atração estranha pela situação, uma curiosidade que o envolvia. Durante o dia, ele carregava essa mistura de emoções, esperando a noite chegar.
Era à noite que tudo ganhava vida. O telefone tocava, e André se prendia a cada palavra de Anna, ouvindo suas histórias sobre o médico, os encontros rápidos, os olhares trocados. Aquela dinâmica, incomum e intensa, criava entre eles uma conexão diferente — feita de confiança, tensão e sentimentos difíceis de explicar, mas que, de alguma forma, mantinham os dois profundamente ligados.
andreanna