Amanda abriu a porta devagar,
como quem saboreia o instante antes do inevitável.
Os olhos dela diziam mais do que qualquer palavra —
e ele entendeu tudo.
Não houve pressa.
Só aquela aproximação carregada,
onde cada passo parecia acender o ar.
Quando ficaram frente a frente,
o mundo perdeu contorno.
Restaram apenas os dois,
e o espaço mínimo entre seus corpos,
vibrando.
Ele tocou o rosto dela
como quem reconhece um desejo antigo.
Ela respondeu com um suspiro contido,
desses que nascem no fundo
e escapam sem permissão.
As mãos começaram tímidas,
mas logo encontraram coragem —
desenhando caminhos,
descobrindo limites que não queriam mais existir.
Amanda se inclinou,
e naquele gesto havia urgência,
havia saudade,
havia tudo o que foi guardado
até não caber mais.
Marcos a puxou para perto
como se o tempo pudesse fugir,
como se aquele instante
precisasse ser vivido inteiro, agora.
E então…
não eram mais dois.
Eram calor,
respiração descompassada,
e um silêncio preenchido de sentidos.
A noite seguiu lá fora, indiferente.
Mas ali dentro,
cada segundo queimava devagar —
como um segredo
que só existe
quando dois corpos decidem não se afastar.