Entre nós evangélicos, muitos que conhecem a pornografia e a masturbação o fazem antes de ser convertidos. Esses carregam para a nova vida os velhos hábitos, os velhos comportamentos e os velhos prazeres, e não são poucos os que acabam tendo dificuldade em lidar com isso. Muitos outros conhecem a putaria quando já fazem parte do ambiente da igreja, na maioria dos casos na adolescência ou pré-adolescência, enquanto frequentam os cultos com seus pais. Esse foi o meu caso.
Mas, independentemente da forma como a pessoa venha a conhecer esse mundo, a relação entre um crente e a putaria é, naturalmente, um "namoro" bastante complicado. Envolve muito desejo, mas também muita culpa. No começo, as duas coisas são equivalentes. O desejo é satisfeito e gera um prazer enorme, mas também um arrependimento profundo. Isso costuma levar a períodos de pausa, uma repressão auto-imposta. Mas com o tempo, quanto mais a pessoa cede, mais a balança fica desproporcional. O desejo só aumenta, a culpa começa a diminuir. O desejo se torna um fogo que arde, o arrependimento se torna remorso. É como ir tirando o pé do freio, e aí você experimenta coisas que antes não tinha coragem, você sente tesão com coisas que jamais imaginou. E é gostoso... é muito gostoso!
Todos sabem que as palavras "sexo" e "proibido", na mesma frase, significam o dobro do prazer. É a mistura do tesão com a adrenalina. E quando um evangélico está realmente viciado, quando ele já alimentou muito esse vício, é aí que ele consegue sentir prazer em níveis inimagináveis. É quando o crente chega ao ponto de satisfazer o seu desejo já pensando no que aquilo representa, no peso daquilo. E mesmo assim faz, e sente prazer com aquela sua transgressão. Quantas outras coisas conseguem ser mais proibidas do que isso?
A diferença já começa pela antecipação. É a adrenalina do possível flagrante. É o medo constante de ser pego por alguém que te olharia com desprezo, que te julgaria como uma farsa. Durante o ato, a respiração muda. É uma respiração de quem está tentando fazer silêncio. É uma respiração de quem ouve atentamente cada rangido da casa, cada passo no corredor, cada carro que passa na rua. E o gemido? O gemido não sai. Ele fica preso na garganta. Porque gemer seria chamar atenção. Seria admitir para o mundo – ou para a mãe no quarto ao lado, ou para o cônjuge dormindo – que você está fazendo algo indecente, que não deveria. E enquanto as carícias acontecem, enquanto a mão sobe e desce, o cérebro faz uma varredura rápida: 'Isso é pecado? Sim. Você vai se arrepender depois? Sim. Quer parar? Não...' E essa negociação silenciosa, esse tribunal instalado dentro da própria cabeça, é capaz de fazer arrepiar cada parte do corpo.
Mas o que acontece quando se encontra uma alma com o mesmo tipo de corrupção? Uma pessoa que não te julga pelo seu pecado, porque carrega a mesma coisa dentro de si. Aí o negócio muda de figura. O freio, nesse ponto, já nem existe mais. É trocado por uma mão dada. E essa mão, por mais perversa que pareça, é a mão de um irmão. Da mesma fé, da mesma queda. Então vocês dois estão ali. Nus. Não apenas de corpo – nus de alma. Porque não há mais máscara que sustente. A irmã que canta no louvor, o líder de jovens, o diácono, o próprio pastor... tudo isso fica do lado de fora da porta. Dentro do quarto, dentro do motel, dentro do carro estacionado numa rua escura, só existem dois crentes que decidiram, por aquela noite, dividir a mesma perdição. Cada orgasmo em conjunto é uma declaração: "Eu também fiz. Eu estou aqui com você. Nós fizemos de novo. Eu também não quis parar."
E sabe o que é mais gostoso nisso tudo? É que você não precisa explicar nada, mas vocês gostam de falar sobre o que fazem. Vocês gostam de exaltar essa putaria secreta que vocês têm, e que ninguém mais imagina. Esse conhecimento compartilhado é tão íntimo que parece sagrado. É uma intimidade que nenhum casamento casto vai alcançar. Porque o casamento casto esconde o pecado. Vocês dois, juntos na putaria, estão expostos. Não há mais esconderijo. E nessa nudez total – que é muito mais do que tirar a roupa – há um prazer que desafia qualquer descrição. É errado. E é exatamente por ser errado que é gostoso. O círculo se fecha, e vocês dois, dentro dele, giram juntos. Até o dia em que um dos dois resolve parar. Ou até o dia em que, quem sabe, o perdão que nunca pediram chega de algum lugar que eles já não acreditam mais. Mas até lá, tem o toque. Tem o gemido. Tem o segredo. Tem o prazer de dois crentes pervertidos que se encontraram.
Se você é evangélico e está lendo isso, talvez você esteja com vergonha. Talvez esteja com raiva. Talvez esteja com tesão. Não se preocupe. Qualquer uma dessas reações é esperada. O que não é normal é fingir que isso não existe. Fingir que no grupinho de jovens todo mundo é puro. Fingir que o irmão que levanta a mão no culto não vive limpando o histórico de navegador. Fingir que você não está aqui. A igreja também está cheia de viciados. A diferença é que a maioria nunca vai admitir.
Delícia de conto. Votadoooooo! Bjos, Ma &. Lu
casadosafado007