Doutora

Eu o vi pela primeira vez em uma manhã abafada no fórum criminal.
Os corredores estavam lotados como sempre — policiais encostados nas paredes, famílias ansiosas nos bancos estreitos e advogados atravessando o prédio às pressas com pilhas de processos debaixo do braço.
Mais um dia comum.
Pelo menos era o que eu imaginava.
Eu caminhava pelo corredor usando uma saia social preta ajustada ao corpo, camisa clara de tecido fino e salto alto. Postura impecável. Olhar firme. A aparência séria que normalmente intimidava qualquer cliente logo no primeiro contato.
Mas naquela manhã, quem pareceu ignorar completamente minha presença foi justamente o homem que mais chamou minha atenção.
Sandro.
Sandro era um traficante pouco conhecido que ia testemunhar a favor de um cliente, em uma audiência de trafico de drogas.
Muito mais novo do que eu esperava. Bonito de um jeito perigosamente errado.
A camisa escura marcava o corpo malhado. Os braços tatuados contrastavam com a tranquilidade exagerada de alguém prestes a mentir diante de um juiz criminal.
Respirei fundo antes de me aproximar.
— Você que é o Sandro?
Ele ergueu os olhos devagar.
— Sou eu.
A voz grave não combinava com a pouca idade.
Estendi a mão profissionalmente.
Mas Sandro segurou minha mão e me puxou para um abraço rápido, firme, natural demais para um primeiro encontro.
— Cumprimento mulher assim, doutora.
A frase foi dita perto demais do meu ouvido.
Senti imediatamente o perfume amadeirado, o calor do corpo dele e a calma absurda daquele gesto.
Quando nos afastamos, percebi o leve sorriso no canto da boca dele, como se tivesse notado meu desconcerto.
Ajeitei a postura.
— Vamos conversar antes da audiência.
Seguimos até a pequena sala reservada da OAB. Fechei a porta, abri a pasta do processo e fui direto ao ponto.
O cliente precisava ser absolvido. E Sandro precisaria sustentar uma versão falsa dos fatos.
Expliquei horários, perguntas possíveis, postura diante do juiz.
Ele ouviu tudo em silêncio.
— Então eu só confirmo que ele tava comigo naquele dia?
— Não é “só”. Você precisa convencer.
Ele sorriu de leve.
— Convencer eu sei.
A resposta me arrepiou mais do que deveria.
Durante quase uma hora conversamos naquela sala abafada. Em vários momentos percebi que me distraía observando detalhes ridículos: os dedos tatuados batendo na mesa, a calma com que ele sustentava meu olhar, a inteligência escondida atrás das respostas simples.
Ele aprendia rápido.
Rápido demais.
Na audiência, Sandro contou a história com uma naturalidade assustadora. Respondeu ao promotor sem hesitar, acrescentou detalhes espontâneos e sustentou tudo olhando nos olhos do juiz.
Quando a audiência terminou, o cliente saiu praticamente absolvido.
Encontrei Sandro no corredor.
— Você é perigosamente convincente.
O sorriso apareceu imediatamente.
— Fiz direitinho?
Ri baixo.
— Melhor do que eu imaginava.
E percebi, irritada comigo mesma, que estava curiosa demais sobre aquele rapaz.
— Quer tomar um café antes de ir embora?
Ele arqueou a sobrancelha.
— Naquela salinha de novo?
— Só um café.
— Claro, doutora.
Voltamos para a sala reservada.
Dessa vez o silêncio parecia diferente.
Mais íntimo.
Servi café tentando ignorar a sensação estranha crescendo dentro daquela sala pequena. Algumas gotas caíram no pires sem que eu percebesse.
Sandro notou imediatamente.
— Tá nervosa, doutora?
— Claro que não.
— Tá sim.
O silêncio seguinte veio carregado de provocação.
— Quantos anos você tem? — perguntei.
— Vinte e um.
Novo demais.
— E você?
Sorri de canto.
— Isso não se pergunta pra uma mulher.
— Então vou descobrir sozinho.
Ri baixo, mas senti o coração acelerar.
Sandro se aproximou devagar.
— Sabe o que eu achei engraçado?
— O quê?
— Você me olhando durante a audiência.
— Eu estava avaliando a testemunha.
— Mentira.
O ar da sala ficou mais pesado.
Ele apoiou as mãos na mesa, perto o suficiente para que eu sentisse o calor do corpo dele.
— Cê ficou curiosa comigo, né?
Demorei alguns segundos para responder.
— Talvez.
— Curiosa com o quê?
Observei Sandro em silêncio.
A inteligência. A calma. O perigo silencioso por trás daquela aparência bonita demais.
— Com a facilidade que você tem pra inventar histórias.
Ele sorriu devagar.
— Quem cresce onde eu cresci aprende cedo.
Pela primeira vez enxerguei algo além do rapaz provocador.
Havia profundidade ali.
Instinto.
Inteligência crua.
— Você podia ter sido muita coisa.
— E quem disse que eu ainda não posso?
O silêncio seguinte pareceu longo demais.
Então percebi.
Ele estava perto demais.
Sandro segurou uma mecha do meu cabelo entre os dedos.
— Cabelo bonito.
A voz saiu baixa. Rouca.
Eu sabia exatamente o momento em que deveria encerrar aquilo.
Levantar.
Abrir a porta.
Voltar a ser apenas a advogada respeitada do fórum criminal.
Mas não consegui.
Porque fazia muito tempo que ninguém me olhava daquele jeito.
Como mulher.
Devagar, deixei a cabeça repousar contra a mão áspera de Sandro.
Ele percebeu imediatamente.
Os dedos deslizaram pelos meus cabelos, desceram pelos meus ombros até alcançarem minhas coxas.
Tudo sem desviar os olhos dos meus.
Fiquei imóvel.
O silêncio daquela sala parecia quente demais.
Sandro apertou levemente minha perna enquanto aproximava o corpo devagar. A outra mão subiu pela lateral da minha cintura.
Então seus dedos começaram a deslizar lentamente pela parte interna da minha coxa.
Prendi a respiração.
— O que você está fazendo? — perguntei baixo.
Sandro sorriu de canto.
— Tentando entender até onde a doutora consegue fingir que não quer isso.
A frase percorreu meu corpo inteiro.
— Isso é uma péssima ideia.
— Pode ser.
A mão dele continuava ali. Firme. Provocando.
— Mas você não mandou eu parar.
Desviei os olhos por apenas um segundo.
Erro suficiente para Sandro perceber que estava vencendo aquela disputa silenciosa.
Ele se aproximou outra vez, devagar, me dando tempo suficiente para recuar.
Mas eu não recuei.
E quando os lábios dele tocaram os meus pela primeira vez, o resto do mundo desapareceu.
O beijo perdeu qualquer calma quase imediatamente.
Quente. Intenso. Desorganizado.
As mãos dele percorriam meu corpo sem paciência suficiente para esconder a urgência que existia ali.
E o risco deixava tudo ainda pior.
Ou melhor.
Qualquer pessoa poderia abrir aquela porta.
Qualquer servidor, advogado ou policial poderia interromper tudo.
Mas nenhum de nós parecia disposto a parar.
Sandro segurou minha cintura com força e me puxou para cima da mesa em um movimento rápido, fazendo alguns papéis escorregarem pelo chão.
Minha postura impecável já tinha desaparecido completamente.
A saia preta subiu lentamente pelas minhas pernas enquanto ele voltava a me beijar sem me dar espaço para recuperar o controle.
Ele parecia gostar da forma como eu estremecia.
Gostava ainda mais de me ver perder a compostura.
As mãos dele deslizaram devagar por minhas coxas até alcançarem a renda vermelha escondida sob minha saia social preta.
Ele ergueu os olhos para mim.
Senti o corpo inteiro arrepiar sob aquele olhar carregado de provocação.
Então Sandro afastou delicadamente o tecido rendado, tocando-me com uma lentidão quase cruel. O contraste entre a aspereza dos dedos tatuados e a delicadeza do toque fez minha respiração falhar imediatamente.
Sandro percebeu.
E gostou.
O sorriso de canto surgiu devagar enquanto ele observava a forma como eu já não conseguia esconder o quanto estava entregue naquele momento.
— Sandro…
O nome dele escapou quase como um pedido.
Ele sorriu ainda mais.
— Agora cê fala meu nome diferente, doutora.
Sandro me tocava lentamente quando sentiu escorrer entre os seus dedos a materialização do meu desejo.
Instantaneamente levou os dedos a boca, chupando-os com apetite insaciável:
_ Que buceta gostosa ce tem doutora!
Sem hesitar a sua boca foi de encontro aos meus delicados e molhados lábios e com um desejo avassalador ele me chupou todinha, ali mesmo.
Eu nunca havia sentido um tesão tão grande. Uma mistura de perigo e desejo.
A minha carreira estava em risco, a minha reputação estava em risco e eu só queria sentir o que aquele homem era capaz de fazer.
Em poucos minutos eu estava gozando em cima da mesa do fórum, me contorcendo em silencio para não levantar suspeitas.
Naquele momento ele se levantou e falou bem firme no meu ouvido:
_ Se quiser mais você sabe onde me achar.

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Comentários


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lucasemarcia Comentou em 08/05/2026

Excitante




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Ficha do conto

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Nome do conto:
Doutora

Codigo do conto:
261566

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
07/05/2026

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