Existem milhões de histórias sobre amor, romance e separação. E essa é apenas mais uma delas.
Se não me engano era outono, fazia muito frio naquela manhã cinzenta. E eu estava aguardando o trem na plataforma de uma estação do metrô qualquer.
Aquela parecia ser apenas mais uma manhã triste, em meio a tantas outras. Pois o recente divórcio, me fazia sentir um vazio insuportável, como um naufrágo perdido tentando não se afogar nas próprias lágrimas. A estação só não estava totalmente vazia, por conta de mim e de uma silhueta feminina a alguns metros de distância de onde eu estava. Esta silhueta se encontrava a beira da borda da plataforma e seus pés pisavam na faixa amarela de segurança, ela mantinha o olhar fixo nos trilhos e no trem, que se aproximava rapidamente, como se estivesse calculando a hora certa de pular.
Um calafrio congelante e desesperador me tomou e me fez caminhar silenciosamente em direção aquela silhueta feminina, que ao chegar ao seu lado, demonstrou tratar-se de uma belíssima mulher com traços orientais, pele alva, olhos amendoados, lábios tentadores e lindos cabelos castanhos emoldurando tudo, em uma perfeita simetria corporal atlética.
De imediato toquei-lhe o ombro e ela olhou pra mim surpesa e com os seus lindos olhos amendoados marejados de lágrimas.
Continuei segurando seu ombro firmemente e perguntei: - Dia ruim???
- Talvez! - respondeu ela de forma rispida, vendo que o trem havia parado e tomado toda plataforma impedindo a de pular.
As portas do trem se abriram e os passageiros saiam e entravam no trem, e nós dois a beira da plataforma. - perguntei:
- Não vai embarcar?
- Não vim aqui para embarcar! - respondeu ela ansiosa para que o trem deixasse logo a estação. - eu percebi estão que ela queria embarcar no trem do além se jogando nos trilhos.
- Olha eu sei que a vida as vezes nos deixa muito tristes, mas não devia tentar tirar sua vida. Por pior que seja a dor. Se te conforta eu também estou passando alguns momentos difíceis. Que tal sair daqui e encher a cara comigo em algum bar para brindar a nossa dor existencial? - disse eu sorrindo tentando a fazer sorrir.
- Oque você entende sobre a vida e a morte?
- Deve haver algum tipo de castigo para quem faz o que você que fazer mocinha! E deve haver algum prêmio para quem aguenta até o final a dor existencial. - disse eu, continuando:
- Olha só se você reparar bem, todos ao seu redor de alguma forma também estão com algum tipo de dor, não existe ninguém neste mundo que não tenha sua parte de dor. Olhe as expressões faciais nesta estação! Estão todos nós limite! Se te confirta estamos todos nós mesmo barco!
- Será que percebi um leve sorriso em meio às lágrimas? Olha só vamos sair da beira deste precipício e conversar. Porque se voce tentar se jogar novamente eu tentarei lhe impedir e cairemos os dois juntos! Será se voce aguentará o peso de ter me assassinado juntamente com você? - disse eu observando um sorriso descuidado em seus lindo lábios.
Ela então tirou minha mão de seu ombro e disse:
- Você é persuasivo e até um pouco engraçado, vou te dar uma chance debsalvar a minha vida! Mas se você não conseguir, não me verá nunca mais. - disse ela se afastando da borda da plataforma, enxugando as lágrimas.
Eu realmente nao sabia oque fazer nem onde ir com ela. Tudo que eu queria era faze-la rir se divertir, esquecer toda a tristeza. Nem percebemos que começamos juntos lado a lado andar e conversar sobre nossas dores. Pelo caminho comemos hot-dogs, pipoca doce. Sentamos no banco da praça, observamos pássaros deitados na grama. Jogamos pedras no lago.
Ela era linda, uma perfeita beleza oriental exótica. Com muito sacrifício consegui faze-la sorrir! Acredita que andamos de mãos dadas pela cidade.
Aquele foi o dia mais louco de todos, abandonei todos os compromissos e o trabalho, para estar ao lado dela. Era como se houvesse algo entre a gente. O dia passou e nos nem percebemos. O fim da tarde e o inicio da noite já revelava sua face mostrando a lua cheia desproporcional em tamanho e luz. Foi quando nos abraçamos e nos beijamos profundamente a ponto de perder a percepção de tudo.
Passei meu telefone para ela. Disse para manter contato, pois temia uma recaída ou algo assim. Disse precisava muito vê-la denovo. Disse que aquele foi o melhor dia de todos. O que ela concordou de imediato.
Os seus olhos ja não pareciam tristes e o belo sorriso dela quase me fez chorar de alegria. Eu disse a ela que se ela desparecer, será eu quem estarei a beira da plataforma esperando o trem passar para me jogar! Sendo assim espero que esteja lá para me salvar, pois será a sua vez.
Hoje fazem dois meses após este maravilhoso dia. E o meu telefone nunca tocou sendo ela do outro lado da linha...
As vezes vou aquela estação, mas ela nunca esta lá. As vezes fico a borda da plataforma, com os pés sobre a linha amarela, mas ela não apareceu. Fui a todos os lugares, que fomos aquele dia, mas ela também nao estava lá.
O tempo passou tao rápido, que um dia em uma manha fria e cinzenta e triste, naquela mesma estação qualquer, no meio da multidão triste. Eu encontrei, eu encontrei uma única pessoa que estava sorrindo olhando fixamente para mim.
Eu fechei os meus olhos deixando escorrer as lágrimas pela face. Ao abrir novamente. Ela estava bem a minha frente!
Eu disse que nunca mais, sairia de perto dela, nem por um minuto se quer.
Naquela noite a lua voltou a ter um brilho e um tamanho desproporcional a realidade.
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Que lindo! Muito diferente das coisas que lemos aqui. Parabéns. Bjos, Ma & Lu