Em uma tarde Heitor saiu ao quintal para molhar as plantas. Do outro lado da cerca viva, ele avistou o vulto de Clara estendendo algumas roupas no varal. Ele fechou a torneira e aproximou-se da folhagem, com uma pasta de couro debaixo do braço.
Heitor: — Boa tarde, Clara. Trabalhando até essa hora?
Clara: (Sobressaltada, ela ajeita rapidamente a alça do vestido e abaixa o olhar, sentindo as bochechas esquentarem) — Ah, boa tarde, Senhor Heitor. O senhor me deu um susto. Sabe como é... o Carlos viajou de madrugada e a casa fica vazia, um silêncio que chega a dar agonia. Se eu não inventar uma faxina ou uma costura para fazer, a cabeça da gente começa a voar longe... É o único jeito de o tempo passar mais rápido até ele voltar.
O que Heitor não mencionou naquele diálogo polido era o verdadeiro motivo de Carlinhos passar tanto tempo engolindo asfalto. A vida financeira do jovem casal andava na corda bamba. As contas não fechavam, a manutenção do caminhão cobrava caro e, por diversas vezes, o desespero fez Carlinhos bater discretamente na porta da casa grande. Humilde e morrendo de vergonha, o motorista acabou recorrendo ao bolso de Heitor, pegando dinheiro emprestado para tapar os buracos do orçamento — e sempre implorando por segredo absoluto, com medo de que o falatório do bairro destruísse o pouco de orgulho que lhe restava.
Para ajudar a pagar as contas e não deixar o lar afundar, Clara também fazia o que podia, prestando serviços domésticos e lavando roupas para algumas famílias da vizinhança. Havia, porém, uma regra rígida na vida do casal: Carlinhos a proibia terminantemente de lavar as cuecas de outros homens. Para o motorista e para a doutrina da igreja deles, aquilo era contra a religião, uma quebra de respeito e um pecado que ele não tolerava dentro do seu lar. Clara obedecia cegamente. Foi justamente por intermédio de Monica, a esposa aeromoça de Heitor, que Clara acabou sendo contratada para fazer faxinas pesadas e passar roupas na casa grande antes das longas viagens da patroa.
Monica viajava tranquila, achando que deixava a casa em mãos limpas e religiosas. Mas foi exatamente ali, vendo Clara circular de avental pelos cômodos, tímida, recatada e de olhos baixos, que Heitor colocou os olhos na esposa do caminhoneiro. Ele entendeu toda a fragilidade daquela estrutura: a necessidade do dinheiro, a ausência de Carlos e a carência silenciosa que emanava da jovem.
Heitor: — Eu entendo bem como é o silêncio de uma casa..., mas na verdade, eu queria falar com você sobre algo que vi hoje. Estava revisando os documentos financeiros da paróquia da cidade vizinha e vi seu nome na lista de presença das reuniões de sábado. Eu não sabia que você frequentava aquela comunidade especificamente.
Clara: (Surpresa, aproxima-se um pouco mais da cerca) — O senhor cuida de lá também? Sim, eu fui criada naquela igreja. Faço questão de ir todo sábado, mesmo sendo longe. Vou de ônibus, é uma viagem cansativa, mas vale a pena.
Heitor: — Duas horas de ônibus de linha não é brincadeira, Clara. É muito chão. Coincidência ou não, eu preciso ir até lá todo sábado de manhã para fechar o caixa da semana com o pastor.
Clara: — Sério? O mundo é pequeno mesmo...
Heitor: — Bem pequeno. Eu vou sozinho, Clara. O carro vai vazio. Não faz sentido você se cansar em um ônibus quente enquanto eu saio daqui no mesmo horário. Você quer ir comigo de agora em diante? Se sim eu te busco aí na porta amanhã.
Clara: (Fica vermelha, as mãos inquietas no tecido do vestido) — Ora, Senhor Heitor... eu não queria incomodar. O que o povo vai falar? E o senhor é um homem ocupado.
Heitor: — O povo não tem que falar nada de um ato de gentileza entre vizinhos. E você é uma pessoa que eu respeito muito. Aceite, por favor. Será um prazer ter companhia no caminho.
Clara: (Dá um pequeno sorriso, mordendo o lábio inferior) — Se o senhor insiste... eu aceito. Mas vou falar com o Carlos antes, vai ser uma bênção fugir daquela poeira do ônibus.
O sábado amanheceu com o céu aberto, típico de Goiânia. Clara pediu permissão ao marido pra ela pegar a carona com Heitor e ele permitiu, Heitor era uma pessoa de respeito por toda vizinhança.
Mônica, impecável em seu uniforme de aeromoça, terminava de fechar a mala no carro de Heitor; ele a levaria ao aeroporto antes de seguir viagem com Clara.
Na calçada, Clara esperava com uma bíblia nas mãos e um vestido floral que ia até os tornozelos. Ao ver o carro encostar, ela sentiu um aperto no peito ao notar Mônica no banco do passageiro.
Mônica: — Bom dia, Clara! O Heitor me contou que vocês vão para o mesmo rumo. Que bom que ele pode te levar, assim ele não vai falando sozinho as duas horas de estrada.
Clara: — Bom dia, Dona Mônica. Deus a acompanhe no seu voo. Eu fico até sem jeito, não queria causar transtorno pro Senhor Heitor.
Heitor: — Transtorno nenhum, Clara. Já combinamos.
Após deixarem Mônica no aeroporto, o silêncio se instalou no carro. Heitor sinalizou para que Clara passasse para o banco da frente. Ela hesitou por cinco segundos, mas obedeceu, sentando-se de forma rígida, mantendo o máximo de distância possível da alavanca de câmbio e do braço dele.
Na Primeira viagem dos dois juntos as primeiras horas foram marcadas pela formalidade. O som do ar-condicionado era o barulho mais alto entre eles. Clara mantinha os olhos fixos na rodovia, as mãos apertando a bolsa sobre o colo.
Heitor: — Pode relaxar um pouco, Clara. O banco é confortável, não precisa ir tão tensa.
Clara: — Está ótimo, Senhor Heitor. É que eu não estou acostumada. O caminhão do Carlinhos pula muito, e o ônibus é sempre barulhento... aqui é tudo tão silencioso. Dá até medo de falar alto.
Heitor: — Não tenha medo. Comigo você vai poder falar o que quiser. Gosto de ouvir sua voz, faz a viagem passar mais rápido.
Clara: — O senhor é muito culto, Senhor Heitor. Eu sou simples, tenho medo de falar algo que não esteja à altura das suas conversas.
Heitor: (Dando um sorriso de canto, sem tirar os olhos da estrada) — Eu lido com números a semana inteira, Clara. No sábado, tudo o que eu mais quero são conversas simples. Quero falar de coisas reais. Podemos falar de você, da sua vida, do que você gosta.
Clara apenas assentiu, sentindo o rosto esquentar. Ela ainda o tratava como uma autoridade distante, mas a forma como ele reduzia a velocidade nos buracos para não a sacudir no banco não passava despercebida. Durante as duas horas de ida e as duas de volta, as conversas foram breves e seguras: clima, a plantação na beira da estrada e a liturgia do dia.
Depois de 6 messes de viagens todos os sábados os dois tinham adquirido uma confiança e amizade um com o outro, falavam de tudo, até um sábado onde Clara começou a ser mais íntima de Heitor. Nesse dia ela estava com o olhar perdido na paisagem, remoendo o segredo que nunca teve coragem de tirar do peito.
Clara: — Sabe, Senhor Heitor... o Carlinhos é um homem muito bom. Ele é manso, me trata com um cuidado que às vezes até me agonia. Parece que ele tem medo de me tocar, sabe? A igreja o ensinou a ser assim, todo delicado.
Heitor: — Ser gentil é uma virtude, Clara.
Clara: — Pois é. Só que tem coisas que a gente não aprende na igreja. Teve uma vez que eu tentei... sabe, fazer aquilo que as mulheres fazem com a boca. Meu deus que vergonha... Eu vi num vídeo de uma amiga da igreja, sei que não deveria estar assistindo algo assim, mas eu senti curiosidade, ela me mostrou, parecia tão natural. Eu tentei fazer no meu marido..., mas não consegui, aquilo não é pra mim mesmo.
Heitor: — O que aconteceu?
Clara: (Ela suspira, demonstrando um cansaço emocional) — Ele tem o pênis diferente do homem do vídeo... a ponta não aparece, eu não sei explicar. E ele não se cuida sabe Heitor. Ele chega da estrada, mal toma um banho direito, tenho que ficar insistindo com ele... ele tinha um pouco de cheiro de... urina. Eu tentei, juro que tentei, mas me deu um enjoo tão grande que eu tive que parar. Ele não brigou comigo, ele é calmo demais pra isso, só ficou sem jeito e a gente nunca mais falou no assunto.
Heitor: — Entendo. É complicado quando a higiene é deixada de lado. Isso acaba com qualquer vontade. Eu prezo muito por isso, Clara. Acho que faz parte do respeito com a mulher que está com a gente.
Clara: — E tem também o fato do Carlinhos me tratar como se eu fosse de porcelana.
Heitor: (Ele diminui a velocidade e olha para ela por um breve segundo) — Aí Clara, se o Carlinhos não consegue te mostrar o lado bom dessas coisas por falta de cuidado ou por esse jeito manso demais dele... é uma pena.
Clara: — É... é uma pena mesmo.
O silêncio que se seguiu não era mais desconfortável. Era um silêncio de reconhecimento. Heitor percebeu que a barreira da "santidade" de Clara tinha uma rachadura: a necessidade de ser desejada por um homem que fosse, acima de tudo, asseado e presente.
Clara: — É... eu só precisava falar isso pra alguém que não fosse me julgar. O senhor é um homem de Deus, lida com as coisas da igreja, achei que entenderia. Desculpa se eu passei do ponto.
Heitor: — Não passou. Fica tranquila. Como eu disse, o que você fala aqui dentro, não sai daqui.
O carro deslizava macio pelo asfalto. Clara olhava as fazendas passando, sentindo-se à vontade com o silêncio de Heitor, que nunca a pressionava a falar.
Clara: — Sabe, Senhor Heitor... às vezes eu fico pensando nos meus namoradinhos de antes do meu casamento. Coisa de menina, né? Mas eu lembro de um deles, o Tiago, esse era custoso comigo rsrs.
Heitor: — É mesmo? Ele era muito atirado?
Clara: — Demais. Ele tinha uma "mão boba" que me dava um trabalho... A gente sentava no banco da praça e ele já vinha querendo subir a mão pela minha coxa, por baixo do vestido. Eu tinha que ficar firme, dando tapa na mão dele e dizendo que aquilo era pecado, que a gente não podia, a gente era novo, acho que eu tinha uns 16 anos.
Heitor: (Dando um sorriso discreto) — Imagino. Naquela idade os hormônios ficam à flor da pele.
Clara: — Pois é, mas o que eu lembro mesmo era do asseio dele. Ele vivia com cheiro de banho tomado, mascando chiclete de hortelã. Dava gosto de ficar perto, sabe? O beijo dele era... bom. Um beijo molhado, que me deixava até tonta. Eu nunca deixei passar disso, mas eu sentia que ele me desejava de um jeito que me deixava feliz.
Heitor: — E o Carlinhos? Ele não é assim?
Clara: (Ela suspira, olhando para as próprias mãos) — O meu marido é um santo, Senhor Heitor. É um homem manso, de uma delicadeza que chega a me agoniar. Ele me beija como se eu fosse um vidro que vai quebrar. Um selinho seco, rápido... e depois vira pro lado. E tem aquilo que eu te falei: o cheiro dele.
Heitor: — É um contraste grande. Um homem que te trata como porcelana e outro que te fazia sentir esse frio na barriga.
Clara: — Exatamente isso Senhor Heitor. Eu me sinto mal por lembrar dessas coisas, porque sou fiel e amo meu marido. Mas sinto falta de me sentir assim. O senhor não imagina o quanto é difícil querer ser uma boa esposa quando o que eu recebo em casa é só essa calmaria sem graça e... aquele descuido todo.
Heitor: — Você não precisa se sentir mal por ser sincera, Clara.
Clara: — O senhor entende tudo tão bem... parece que lê meus pensamentos.
Heitor apenas assentiu, mantendo o olhar na estrada.
O carro seguia em velocidade cruzeiro, e Heitor percebeu que o terreno estava preparado. A vulnerabilidade de Clara, somada à imagem de "homem de confiança" que ele construiu, permitia que ele desse um passo além.
Heitor: — Sabe, Clara... ouvindo você falar dessas suas dificuldades, eu me sinto confortável para te contar uma coisa também. Eu gostei muito de você falando assim tão abertamente das coisas que pensa, então vou te contar algo sobre mim, que quase ninguém sabe, algo que até me incomoda fisicamente nessas viagens longas.
Ele tinha que contar a mentira com convicção pro plano dar certo, o sorriso de canto dele sumiu, dando lugar a uma expressão séria, quase sofrida, feita sob medida para ativar o instinto de preocupação e submissão da jovem vizinha. Ele soltou um suspiro pesado, levando a mão discretamente à virilha por cima da calça.
Clara: — O que foi, Senhor Heitor? Algum problema de saúde?
Heitor: — É uma condição que eu tenho. Vou falar com palavras simples, mas sendo direto, espero que não se envergonhe, meus testículos... minhas bolas... elas produzem esperma muito rápido. Ficam cheias em pouco tempo. É uma pressão que chega a doer a virilha se eu não tiver um alívio.
Clara: (Arregala os olhos, mas mantém a seriedade, acreditando piamente na explicação "médica") — Nossa... eu não sabia que isso existia Senhor Heitor. E dói?
Heitor: — Incomoda bastante Clara. A Mônica sempre me ajuda com isso antes de viajar, ela cuida para que eu não sinta essa dor. Mas como ela está fora há dias, eu costumo usar um aparelho, um Egg. O problema é que, com a pressa de te buscar, eu acabei esquecendo de trazer. Já estou sentindo aquela pressão chata agora.
Clara ficou em silêncio por alguns instantes, processando a informação. Na cabeça dela, Heitor era um homem tão asseado e correto que aquilo parecia apenas uma fatalidade biológica.
Clara: (Com a voz bem baixa, quase num impulso de curiosidade) — E a Dona Mônica... ela ajuda o senhor do jeito que eu vi naquele vídeo? Ela... ela usa a boca no senhor para tirar esse ‘acúmulo’?
No mesmo segundo em que a frase saiu, o rosto de Clara atingiu um tom de vermelho carmesim. Ela cobriu a boca com a mão, horrorizada com a própria audácia.
Clara: — Meu Deus! Senhor Heitor, me perdoe! Eu não sei onde eu estava com a cabeça para perguntar uma coisa dessas... que falta de respeito a minha, por favor, esqueça que eu disse isso! Eu sou uma mulher casada, eu não devia...
Heitor: (Mantendo a voz mais calma e compreensiva do mundo) — Ei, calma. Não precisa pedir perdão. Somos amigos, não somos? Você me contou seus segredos mais íntimos, é natural que tenha curiosidade sobre como um casal que se cuida resolve essas coisas.
Clara: — É que... eu fico pensando que se até o senhor, que é tão perfeito, sofre com essas coisas, o mundo é muito difícil mesmo.
Heitor: — Pois é. Mas a Mônica faz sim, Clara. Com todo o carinho. É um ato de cuidado, sabe? É algo limpo, entre um homem e uma mulher que se respeitam.
Clara assentiu, ainda envergonhada, mas a imagem de Heitor — um homem limpo, cheiroso e agora "sofrendo" com uma dor que ela entendia ser quase uma necessidade médica — ficou martelando na sua cabeça.
Faltavam poucos quilômetros para chegarem ao destino. Heitor dirigia com uma expressão mais fechada, mudando levemente de posição no banco de couro a cada minuto, fingindo um desconforto crescente.
Heitor: — Clara... eu vou te confessar uma coisa. Eu estou preocupado com essa noite. Essa pressão que eu te contei, essa dor por causa do acúmulo do meu esperma está começando a latejar forte.
Clara: (Olha para ele com preocupação genuína) — O senhor está sentindo agora, Senhor Heitor? Nossa, e a gente ainda tem as reuniões hoje...
Heitor: — Pois é. E o pior é que, como eu te disse, eu não tenho o meu aparelho e não tenho o costume de usar minhas próprias mãos. Eu não sei como fazer, parece que não resolve. Eu fico agoniado, sem saber como aliviar.
Clara: — Mas o senhor não pode tentar? Pra não ficar sofrendo?
Heitor: — Eu já tentei em outras vezes e não funciona, Clara. É um bloqueio meu. Mas eu estive pensando... já que vamos estar no hotel, um do lado do outro, e somos amigos de tanta confiança... eu queria saber se você não poderia me dar uma ajuda com isso hoje à noite?
Clara: (O coração dela dispara, ela aperta a bíblia contra o peito) — Como assim, Senhor Heitor? O senhor sabe que eu... eu nunca fiz isso com nenhum homem. Nem pro meu marido eu fiz isso! Eu não acho certo, é uma intimidade que eu não tenho.
Heitor: — Mas veja bem, Clara... não é uma questão de "safadeza". É uma ajuda, uma questão de saúde e consideração. Eu não estou te pedindo para ser infiel, estou pedindo um auxílio de amiga. Você não disse que o Carlinhos é descuidado? Pois então, comigo é o oposto. Eu estou limpo, sou asseado. Seria um segredo só nosso, para que eu consiga dormir sem essa dor.
Clara: — Eu tenho muito medo, Senhor Heitor. Medo... medo de alguém descobrir. E eu nem sei como faz, eu ia acabar passando vergonha.
Heitor: — Ninguém vai descobrir. Deus sabe que sua intenção é ajudar um amigo que te respeita e que cuida de você nessas estradas. E sobre não saber fazer... eu te ensino, eu te guio. É só um carinho, uma massagem para o esperma sair e a dor passar. Se existe um pouco de amizade entre nós, você não vai me deixar nesse estado, vai?
Clara: (Ela morde o lábio, dividida entre o dogma religioso e a gratidão que sente por ele) — Eu... eu vou pensar, Senhor Heitor. É muito sério o que o senhor está pedindo.
Heitor: — Pense com carinho. Eu estarei no quarto ao lado. Se você decidir me ajudar, é só bater na porta depois que as luzes do corredor se apagarem.
Heitor percebeu que a mentira tinha funcionado e que a barreira da timidez dela estava prestes a ruir por completo.
Eles entraram na cidadezinha sob um silêncio carregado. Heitor sabia que o "não" dela não tinha sido definitivo, e que a curiosidade de Clara, misturada ao seu senso de dever, a levaria até aquela porta.
Para o leitor se situar: as viagens de sábado não são apenas "bate e volta". Devido às reuniões extensas na paróquia e à distância de duas horas de Goiânia, Heitor e Clara costumam pernoitar em um hotel na cidade vizinha, retornando apenas no domingo de manhã. Naquela cidadezinha pacata, eles ficam em quartos adjacentes. É nesse contexto de isolamento, longe dos olhos dos vizinhos de Goiânia, que a conversa no carro toma um rumo definitivo.
Após o longo dia de reuniões na paróquia, o silêncio da pequena cidade do interior foi interrompido apenas pelo som dos grilos. No hotel, Clara estava em seu quarto, mas sua mente não descansava. Ela olhava para a parede que a separava de Heitor, sentindo o peso da "obrigação" moral de ajudar aquele homem que tanto fazia por ela. Na cabeça dela, Heitor era um cavalheiro solitário sofrendo de uma dor física real. Para aplacar a culpa e manter a distância que sua religião exigia, ela abriu o kit de primeiros socorros que encontrou na gaveta do hotel. Lá, encontrou um par de luvas de látex descartáveis. "Assim eu não toco de verdade", pensou ela, tentando convencer a própria consciência. "É como uma enfermeira ajudando um paciente."
Ela atravessou o corredor em passos rápidos e silenciosos. A porta de Heitor, como prometido, estava apenas encostada.
Ao entrar no quarto de Heitor, o ambiente estava na penumbra. O cheiro de banho tomado de Heitor era tão forte e agradável que, por um momento, Clara se sentiu tonta. Ele estava deitado sobre a cama, vestindo apenas um roupão de cetim azul-marinho, com uma expressão de quem suportava uma dor latente.
Clara: — Senhor Heitor? Eu... eu vim. Mas eu trouxe isso aqui. (Ela mostra as luvas, já calçando-as com as mãos trêmulas). Não quero que seja nada sujo. Vou te ajudar como amiga.
Heitor: (Com a voz suave e grata) — Você não imagina o alívio que me dá só de te ver entrar por essa porta, Clara. Eu estava quase perdendo o sono de tanta dor. Não se preocupe com as luvas, se isso te faz sentir mais segura, por mim tudo bem. O importante é o gesto que você está fazendo por mim.
Clara: — Eu nunca fiz isso, senhor sabe... estou com o coração saindo pela boca. Mas o senhor é meu único amigo, o único que me ouve. Eu não podia te deixar sofrendo.
Heitor: — E eu valorizo muito isso. Você é a única pessoa em quem eu confiaria para mostrar minha fragilidade. Senta aqui na beira da cama, perto de mim.
Clara obedeceu, sentando-se com a coluna rígida. Heitor, com movimentos lentos para não a assustar, desamarrou o cordão do roupão, deixando a peça se abrir levemente. Clara desviou o olhar para o teto, a respiração ficando curta ao perceber que, embora estivesse de luvas, estava prestes a cruzar uma linha que mudaria tudo.
Heitor: — Não precisa ter medo de olhar, Clara. Lembra do que conversamos? Tudo que acontecer aqui é nosso segredo, e isso é apenas uma ajuda. O que você vai ver e tocar é bem daquela imagem ruim que você tem na cabeça, de quando tentou ter mais intimidade com seu marido.
Clara: — O senhor tem certeza que o seu... esperma vai sair só com o carinho das mãos?
Heitor: — Vai sim. Mas você precisa estar calma. Se você ficar tensa, eu fico tenso e a dor não passa. Confia em mim?
Clara: — Confio... eu confio no senhor.
Ele pegou a mão enluvada dela e a conduziu para perto de sua coxa, deixando que ela sentisse o calor que emanava dali. Ele sabia que a inocência de Clara era o seu maior trunfo: ela não via aquilo como o início de um ato erótico, mas como o cumprimento de uma promessa de amizade.
Heitor fechou os olhos e soltou um suspiro pesado, guiando os dedos dela para que ela começasse a entender o volume do que precisava ser "tratado".
O quarto estava em silêncio, quebrado apenas pelo som da chuva no vidro e pela respiração ofegante de Clara. Quando Heitor afastou completamente o roupão, Clara sentiu o mundo girar por um segundo. Aquilo não era apenas "anatomia"; era uma revelação que confrontava tudo o que ela conhecia.
Pela primeira vez, ela via um homem de verdade, sob a luz clara do abajur, sem a pressa ou o desleixo. O que estava diante dela era imponente: um membro grosso, reto e de uma brancura que contrastava com a base depilada e impecável. A cabeça era o que mais a assustava e fascinava ao mesmo tempo; era grande, de um tom entre o rosa e o roxo, desenhada sob uma pele tão fina e transparente que deixava transparecer cada detalhe da sua forma. As bolas eram, de fato, grandes, lisas e pareciam pesadas, dando à mentira de Heitor uma aparência de verdade biológica indiscutível.
Clara: (Com a voz trêmula, os olhos arregalados) — Meu Deus... Senhor Heitor... é muito diferente. É... é muito grande. Eu nunca vi nada assim. Aquele vídeo não mostrava direito...
Ele pegou a mão enluvada dela e a colocou sobre a haste grossa. O látex da luva rangeu levemente contra a pele quente e firme de Heitor. Clara estremeceu, mas não desviou o olhar; a curiosidade da mulher estava vencendo o medo da santa.
Heitor: — Isso... agora, presta atenção no que eu vou te ensinar, porque só você pode tirar essa dor de mim agora. Segura com firmeza, mas com carinho.
Clara: — Assim, senhor? (Ela fecha a mão em volta da base, sentindo a grossura que seus dedos mal conseguiam circundar totalmente).
Heitor: — Isso, perfeita. Agora, com a outra mão, eu quero que você envolva minhas bolas Clarinha. Sinta o peso delas. Você precisa dar um apoio por baixo, massageando de leve, para empurrar a goza lá de trás para cima. Elas estão cheias, Clara... sinta como estão tensas.
Clara obedeceu, acomodando a palma da mão por baixo dos testículos dele. A textura lisa e o calor que emanava dali a deixavam em transe, ela mantinha a boca um pouco aberta como em formato de ‘o’ e prestava total atenção no tato de suas mãos mesmo com luvas, sentindo a temperatura.
Heitor: — Agora, o movimento principal. Com a mão que está no meio, você vai subir devagar. Sente a pele subindo junto? Eu quero que você leve essa pele até o topo, fazendo com que a cabeça apareça totalmente quando você puxar. Isso... agora, quando chegar lá na ponta, você aperta de leve a cabeça, como se estivesse ordenhando, e puxa a goza pra fora.
Clara começou o movimento, guiada pela voz hipnótica de Heitor. Ela subia a mão, vendo a pele fina se retrair e revelar uma glande gigante, arroxeada e brilhante de mel ela a primeira vez que ela via algo assim, ela sentiu a excitação naquele momento, mesmo levando tudo a sério era impossível não se sentir excitada, e depois descia até a base, sentindo a pulsação do sangue ali dentro.
Heitor: — Isso, Clara... mais devagar. Sinta o desenho da cabeça com o polegar. Massageia essa parte roxa. Puxa lá das bolas e traz até a ponta. Você sente como está ficando mais firme? É o sinal de que está você está indo muito bem, você é bem carinhosa.
Clara: (Concentrada, quase sem piscar) — Eu estou sentindo... parece que está querendo saltar da minha mão. A dor está melhorando?
Heitor: — Esta... ah, você não faz ideia. Continua, Clara. Não para. Aperta a base e sobe deslizando até a cabeça. Faz esse movimento detalhado, sem pressa. Eu quero sentir sua mão.
Clara, agora mais confiante pelo papel de "enfermeira" do amigo, acelerou minimamente o ritmo, observando fascinada como a cabeça mudava de cor a cada deslize e como aquele membro de respeito reagia ao seu toque, algo que ela nunca imaginou ser capaz de provocar em um homem como Heitor.
O movimento rítmico da mão de Clara já estava deixando a pele de Heitor levemente avermelhada pelo atrito. Ele soltou um gemido baixo, inclinando a cabeça para trás, e falou com a voz carregada:
Heitor: — Está ficando seco, Clara... a luva está começando a prender. Precisa de algo para deslizar, senão a goza não sai e vai acabar machucando. Use sua saliva.
Nesse momento, Clara teve um estalo de compreensão. O vídeo que a amiga mostrou pra ela, a mulher "mundana" usando a boca pra chupar o pênis do homem, a boca... tudo fez sentido. Era para isso que servia a saliva: para lubrificar.
Clara: — Então também serve pra isso Senhor Heitor? Para escorregar melhor... — Ela parou por um segundo, olhando fixamente para a cabeça grande e pulsante. — Mas eu não vou pôr na boca, Senhor Heitor. Isso eu não faço. Chupar já é traição, é coisa de quem não tem temor. Eu vou só molhar com a mão.
Heitor: — Eu entendo Clara, pode ser assim mesmo, mas antes de continuar... cheira aqui. Sinta como o cheiro é diferente do que você conhece.
Clara, em transe pela situação, inclinou o rosto e obedeceu. Ela aproximou o nariz da cabeçona, sentindo o calor e o aroma de limpeza misturado ao cheiro natural e forte do desejo de Heitor. Chegou a encostar a ponta do nariz na pele macia da coroa, fechando os olhos por um breve segundo e se afastando.
Ela juntou um pouco de saliva e cuspiu diretamente sobre a cabeça roxa. O brilho da umidade sobre a pele sensível a deixou fascinada. Ela adorava o movimento de arregaçar a pele, vendo a cabeça se revelar inteira, brilhante e imponente sob seu toque.
Ela retomou o movimento com mais vontade, agora que a saliva deixava tudo escorregadio. No esforço da punheta, a alça da blusa escorregou pelo ombro, revelando seu seio direito, firme e com o bico aceso pelo nervosismo.
Heitor, ao ver o seio dela balançando conforme ela movia o braço, perdeu completamente o controle. Heitor era um homem sexualmente experiente, tinha planejado demorar a gozar naquele momento e aproveitar ao máximo o toque da pobre e inocente Clara, mas ver aquilo tirou a sanidade dele e ele acabou perdendo o controle, o corpo dele deu um solavanco, os músculos da coxa travaram e, sem qualquer aviso, ele disparou.
Heitor: — Ah... Clara!
Os jatos foram fortes, quente e volumosos, quase 100 ml de esperma quente e grosso, Heitor de fato gozava muito. A goza que ela tanto buscou saltou da cabeça, atingindo em cheio o colo de Clara, sujando seu pescoço e se espalhando pelos seus longos cabelos, que normalmente caíam até o bumbum e estavam jogados para frente.
Clara: (Espantada, sentindo o líquido grudento e quente na pele) — Meu Deus! O que é isso? Senhor Heitor! Sujou tudo! Sujou meu cabelo!
Clara nunca tinha passado por uma experiencia assim antes, a irritação e o choque a tiraram do transe. Ela olhou para o próprio corpo, vendo o estrago, e o peso da realidade caiu sobre seus ombros. Sem dizer mais uma palavra, ela se levantou num salto, só aí percebeu o peito a mostra, ajeitou a alça da roupa com as mãos trêmulas e, ao notar que o corredor estava deserto, abriu a porta e saiu correndo em direção ao seu quarto, com o coração parecendo que ia rasgar o peito.
Heitor ficou deitado, a respiração voltando ao normal aos poucos, com um sorriso de satisfação nos lábios. Ele tinha conseguido quebrar a primeira barreira, e sabia que, depois daquela noite, o caminho para o resto estava traçado se Clara não estivesse traumatizada pela forma como tudo aconteceu.
A manhã de domingo na cidade pequena era silenciosa, com o cheiro de café passado vindo do café da manhã do hotel. Heitor colocava as malas no porta-malas quando Clara se aproximou, segurando a Bíblia com as duas mãos, o rosto baixo, mas a postura menos rígida do que no dia anterior.
Clara: — Senhor Heitor... eu queria pedir perdão. Eu saí correndo daquele jeito, sem falar nada... é que eu nunca passei por aquilo, eu nem sabia que podia voar daquele jeito. Eu fiquei assustada, não sabia o que fazer com aquela “sujeira” toda no meu cabelo. Só pensei em me lavar logo.
Heitor: (Com um sorriso compreensivo, a voz bem calma) — Não precisa pedir desculpas, Clara. Eu é que agradeço. Você não faz ideia do alívio que me deu. O que aconteceu foi natural, o corpo reage quando a pressão é muito grande e o alívio vem. Fique tranquila, você agiu como uma amiga de verdade.
Ele abriu a porta para ela com a fidalguia de sempre. Clara entrou, sentindo o cheiro do carro.
Assim que pegaram a estrada de volta para Goiânia, o sol forte do Centro-Oeste começou a bater no para-brisa. Heitor, percebendo que Clara estava mergulhada em pensamentos e querendo testar o novo terreno, ligou o ar-condicionado no máximo, direcionando as palhetas centrais propositalmente para as pernas dela.
Heitor: — Está esquentando rápido hoje, né? Vou deixar o ar bem forte para a gente não sofrer nesse trecho.
Em poucos minutos, o vestido leve de Clara não era suficiente para protegê-la do vento gelado. Ela começou a esfregar as mãos nas coxas, tentando se aquecer.
Clara: — Nossa, Senhor Heitor... agora esfriou demais. Minhas pernas estão até arrepiadas com esse vento.
Heitor: — É? Deixa eu ver...
Sem tirar os olhos da pista, ele estendeu a mão direita. Ele não a colocou apenas por cima do joelho; ele pousou a mão espalmada no meio da coxa de Clara, sentindo a pele gelada através do tecido fino.
Clara: — Senhor Heitor! (Ela dá um leve sobressalto, mas as pernas não se movem para longe do toque).
Heitor: — Realmente, Clara. Você está gelada. Não quero que pegue um resfriado por causa do meu carro. Deixa eu aquecer um pouco a sua perna...
Ele começou a fazer um movimento lento, o polegar subindo e descendo, criando um calor que contrastava com o ar gelado do painel.
Clara: — O senhor não devia... a gente está na estrada, alguém pode ver pelo vidro.
Heitor: — Os vidros têm película, Clara. Ninguém vê nada aqui dentro. E depois de ontem, você ainda tem medo do meu toque? Eu só estou cuidando de você. Sabe, eu passei a noite pensando em como você foi corajosa.
Clara: — Eu fiquei com muita vergonha... o senhor sabe que eu não faço essas coisas. Nem pro meu marido eu nunca fiz.
Heitor: — Eu sei. E é por isso que foi tão especial. Você viu como a porra saiu com força? Aquilo é sinal de que o corpo estava precisando muito da sua ajuda.
Ele deslizou a mão um pouco mais para cima, fazendo o tecido do vestido subir alguns centímetros. Clara fechou os olhos, sentindo um conflito interno: a mente dizia para ela ser a "Clara" da igreja, mas o corpo estava adorando aquela mão firme, cheirosa e decidida que o Carlinhos nunca tinha coragem de usar.
Clara: — O senhor está me deixando confusa... o senhor é um homem respeitador, um exemplo na igreja...
Heitor: — E continuo sendo, Clara. Respeito tanto você que sei exatamente do que você sente falta. Eu vi seu seio ontem... você é uma mulher linda.
Ele deu um aperto um pouco mais firme na carne da coxa dela antes de voltar a mão para o volante, deixando o silêncio do carro ser preenchido apenas pelo barulho do motor, enquanto Clara sentia o lugar onde ele tocou queimando, desejando secretamente que a viagem para Goiânia demorasse muito mais do que duas horas.
Para quem a vê de longe na igreja, Clara é apenas uma jovem discreta, mas de perto, ela possui uma beleza terrosa e exuberante que suas roupas largas tentam esconder. Com apenas 1,55m de altura, ela parece uma boneca, mas com curvas que revelam uma maturidade que sua fala recatada esconde. Seus olhos são negros como jabuticaba, profundos, emoldurados por cílios longos que ela costuma baixar por timidez. Os lábios são naturalmente carnudos, uma herança que dá ao seu rosto uma sensualidade que ela tenta anular com a seriedade. O traço mais marcante são os cabelos pretos, lisos e pesados, que descem como uma cascata até o bumbum. Clara sempre se sentiu "desproporcional". Seus peitos são pequenos, o que a faz usar sutiãs com enchimento por achar que não é feminina o suficiente. No entanto, são firmes e empinados, com bicos de um tom marrom claro, um pouco mais escuro que sua pele morena. O que mais a aflige é o seu quadril. Ela tem a cintura fina, mas um quadril enorme, largo e potente, com pernas grossas onde a gordura se distribui de um jeito que a faz se sentir "gorda", embora, para qualquer homem, aquilo seja o desenho da fertilidade e do desejo.
Heitor, um homem que lida com estética e detalhes, percebia cada uma dessas inseguranças e as usava a seu favor. Enquanto ele voltou a tocar ela, sua mão subia pela coxa grossa de Clara, ele sentia a maciez daquela pele que ela tanto desprezava. Eles já estavam fazendo essa pequena viagem juntos a 6 messes, Heitor sempre olhava as pernas dela, sempre teve vontade de tocar, mais sempre respeitou até aquele dia, o toque foi uma aposta, ele poderia jogar tudo que tinha construído até ali fora, mas também poderia aumentar a intimidade entre eles com esse toque.
Heitor: — Você está muito quieta, Clara. Está pensando no que aconteceu no hotel?
Clara: — Estou pensando que eu não devia ter deixado o senhor me ver daquele jeito, não percebi a alça da blusa descendo. Eu não sou como a Dona Monica Senhor Heitor, sou baixa, gorda, tenho esse quadril largo demais que parece que não combina comigo... e meus peitos... infelizmente o senhor viu, não tenho quase nada.
Heitor deu uma risada curta, mas carregada de uma admiração que pareceu sincera aos ouvidos dela. Ele diminuiu a marcha, mantendo a mão firme na coxa dela, sentindo como o músculo da perna dela era farto e macio.
Heitor: — Você não faz ideia do que está dizendo. Você tem o corpo que qualquer homem sonha. Esse seu quadril... (ele aperta levemente a lateral da perna dela, sentindo a fartura da carne) ...isso aqui não é gordura, é corpo de mulher de verdade. Com todo respeito, mas isso é delicioso.
Clara: (O rosto queima) — O senhor está brincando. Eu me sinto gorda, sinto que as pessoas olham e acham feio tanto exagero aqui embaixo.
Heitor: — Elas olham porque têm inveja ou desejo. E sobre os seus peitos... eu vi ontem. Eles são perfeitos. Firmes, pequenos como joias. Eu prefiro mil vezes a sua firmeza do que algo grande e caído. Quando a alça do seu vestido caiu, eu não consegui segurar, por isso gozei naquele momento.
Clara: — O senhor achou bonito? Mesmo sendo pequeno? Pode ser sincero...
Heitor: — Achei a coisa mais linda que já vi. E o seu cabelo... — ele esticou a mão e tocou uma mecha que caía pelo ombro dela — ...esse cabelo que vai até o bumbum é um convite ao pecado, Clara. Você é uma morena de parar o trânsito.
Clara sentiu uma validação que nunca tinha vindo de Carlinhos. O marido a tratava como uma "santa" porque talvez não soubesse lidar com aquela exuberância toda, mas Heitor a olhava como se estivesse diante de um banquete.
A mão dele, que antes estava apenas aquecendo a perna dela, agora deslizou com mais autoridade para a parte interna da coxa, onde a pele é mais sensível e a gordura das pernas as tornava mais próxima uma da outra.
Clara: — Senhor Heitor, para... o senhor está fazendo algo errado. A gente é vizinho, lembra? A Mônica, o Carlinhos... — Aqui ela já segurava a mão dele, tentando não deixar ele avançar de mais.
Heitor: — Eu lembro de tudo, Clara. Mas lembro principalmente que ontem você me ajudou a gozar, e eu nunca me senti tão bem. Deixa eu só sentir o calor desse seu quadril que você tanto reclama. Quero te provar que você é perfeita.
Ele não subiu a mão para a intimidade, mas apertou com força a lateral daquela coxa grossa, fazendo Clara soltar um suspiro longo que ela tentou abafar com a mão na boca. Ela tirou a mão de segurança de cima da mão dele, e deixou ele tocar da forma que queria. O conflito entre a "irmã Clara" e a mulher que Heitor estava despertando nunca esteve tão vivo.
Heitor percebeu o tremor na perna de Clara e, como um estrategista que conhece o valor da paciência, não avançou. Ele manteve a mão ali, firme, mas sem subir para a intimidade, apenas apertando a carne farta da coxa dela com uma pressão que era, ao mesmo tempo, possessiva e protetora.
Heitor: — Calma, Clara. Eu não vou passar daqui. É só um carinho de amigo, um reconhecimento por você ser essa mulher tão especial. É mais um segredo nosso, está bem? Eu confesso que, desde que você começou a vir nas caronas comigo, eu sempre tive vontade de sentir o calor dessas suas coxas. Você não tem ideia de como elas são macias.
Clara: (Respirando fundo, tentando controlar o batimento cardíaco) — O senhor não devia ter essas vontades, Senhor Heitor... é perigoso. Mas o senhor fala com tanta calma que eu acabo acreditando que não é por mal.
Heitor: — E não é. Mas tem um problema... você é tão linda, e o que você fez ontem e o jeito que você está hoje, com esse cabelo solto e esse corpo... Clara, eu estou sentindo aquela pressão de novo. Acho que meu corpo não entendeu como um alívio total ontem e já produziu tudo de novo. A porra está acumulada aqui, latejando.
Clara olhou para o volume entre as pernas de Heitor, que já se destacava sob a calça social. Ela sentiu um misto de culpa e orgulho por ter esse "poder" sobre um homem como ele.
Clara: — Mas Senhor Heitor, agora não tem como! Estamos no carro, no meio da estrada. E eu não tenho as luvas... eu não vou tocar o senhor direto com a minha mão, eu não tenho coragem.
Heitor: — Eu entendo o seu receio com o toque direto. Eu respeito a sua pureza. Mas, por sorte, eu lembrei de uma coisa.
Ele abriu o porta-luvas com a mão esquerda, sem soltar a coxa dela com a direita. Mexeu em alguns papéis e tirou um pequeno envelope laminado, discreto e quadrado.
Heitor: — Eu tenho essa camisinha aqui. Se você usar, vai ser como a luva do hotel. Não vai ter o toque da sua pele na minha. É só uma barreira para você me ajudar a me aliviar sem se sujar e sem o toque direto.
Clara olhou para o pequeno objeto na mão dele. Ela nunca tinha segurado uma camisinha na vida; Carlinhos, com seu jeito manso e religioso, nunca usara isso com ela. Para ela, aquilo parecia um instrumento quase cirúrgico agora.
Clara: — O senhor tem certeza que isso protege do toque?
Heitor: — Tenho. É uma proteção, Clara. Me ajuda? Eu não sei se aguento as duas horas de estrada até Goiânia com essa dor. Você já fez uma vez, já sabe o caminho. Por favor... como amiga.
Clara mordeu o lábio inferior, os olhos negros fixos no horizonte da estrada. O pensamento de que já tinha feito uma vez e de que Heitor era seu único e melhor amigo pesou na balança. Se ela já tinha cruzado o rio ontem, molhar os pés hoje parecia menos assustador.
Clara: — Está bem... eu ajudo. Mas só com isso aí. O senhor coloca e eu faço o movimento, mas sem pressa e sem me sujar de novo, por favor.
Heitor sorriu internamente. Ele sabia que a resistência dela estava desmoronando, tijolo por tijolo, sob o peso daquela falsa necessidade médica e da segurança de um pedaço de látex.
Heitor: — Obrigado, Clara. Você é um anjo. Eu vou encostar o carro naquele recuo ali na frente, onde tem aquelas árvores. Vai ser rápido dessa vez.
Ele começou a reduzir a velocidade, procurando a sombra das árvores na beira da rodovia, enquanto Clara, com as mãos trêmulas, pegava o envelope da mão dele.
Sob a sombra densa da mangueira, o silêncio do interior de Goiás foi interrompido apenas pelo estalo do zíper. Quando Heitor abriu a calça, Clara sentiu o fôlego escapar. Do ponto de vista dela, parecia que aquele membro de respeito tinha ganhado vida própria; estava tão tenso pela pressão do tecido que saltou para fora com um vigor assustador.
A cabeça roxa e grande pulsava sob a luz filtrada pelas folhas, e o corpo do pinto parecia ainda mais grosso e reto que na noite anterior. Ela notou as veias saltadas, como se o esperma estivesse realmente forçando cada milímetro daquela pele branca e impecável.
Heitor: — Olha como está, Clara... está latejando. Eu não consigo nem colocar a proteção sozinho de tanto que dói. Segura para mim, por favor.
Clara, em transe, estendeu a mão. Ao envolver o corpo do pênis dele ela acabou tocando nele pela primeira vez sem nem perceber, ela só pensou em ajudar a desenrolar o látex, ela sentiu a firmeza. O contraste da sua mão morena e pequena com a brancura imponente dele a fazia se sentir minúscula e poderosa ao mesmo tempo. Com a camisinha no lugar, ela iniciou o movimento rítmico, o látex deslizando suavemente sobre a cabeça sensível.
Enquanto ela se concentrava na "missão", Heitor começou a agir. Com as mãos grandes e firmes, ele alcançou os ombros dela.
Heitor: — Você é tão magnífica, Clara... a mulher mais linda que já entrou neste carro. Deixa eu ver um pouco mais de você, assim eu gozo mais fácil.
Ele deslizou a alça do vestido floral e, logo em seguida, a do sutiã. Clara teve um sobressalto, mas os elogios de Heitor agiam como um bálsamo para sua insegurança.
Heitor: — Olha para isso... que perfeição. Seus peitos são firmes, cor de mel. Esse bico marronzinho é a coisa mais delicada que eu já vi. Não tenha vergonha nunca de mim, Clara. Você é linda.
Pela primeira vez na vida, Clara não se sentiu "pequena" ou "desproporcional". Ao ver o olhar de devoção de Heitor sobre seu seio exposto, ela se sentiu desejada. Ela continuou a punheta, observando como a pele marrom de seus mamilos contrastava com o ambiente e com a pele dele. O ritmo acelerou. Heitor travou o maxilar, os olhos fixos naquele peitinho firme pulando. No momento do ápice, ele soltou um gemido abafado. O jato foi tão potente que a camisinha, que já estava ressecada pelo tempo guardada no calor do porta-luvas, não aguentou. O látex rasgou na ponta com um estalo seco.
Clara: — Ohhh! Senhor Heitor!
Ela sentiu o calor imediato. O líquido, extremamente quente e espesso, derramou por entre seus dedos, sujando a palma da sua mão. No entanto, como a maior parte ficou contida na base do látex, não houve o desastre da noite anterior.
Heitor: (Respirando pesadamente, com os olhos fechados) — Deu... deu certo. saiu. Me desculpe, a proteção deve ter falhado pela pressão..., mas veja como você me ajudou.
Clara ficou olhando para a própria mão, sentindo a viscosidade quente. Ela não sentiu nojo dessa vez; sentiu uma estranha satisfação. Olhou para os próprios seios ainda expostos e depois para Heitor, percebendo que a relação entre o "Senhor Heitor" e a "Clara da Igreja" tinha morrido ali, debaixo daquela mangueira, dando lugar a algo que ela ainda não sabia nomear.
Ela limpou a mão em um lenço de papel que ele ofereceu, ajeitou o vestido com calma e voltou a olhar para a estrada. O caminho para Goiânia agora parecia muito mais curto, e o segredo deles, muito mais pesado. Heitor, com as mãos de volta ao volante e um sorriso de satisfação contido, acreditava ter fisgado Clara de vez, criando um vínculo de culpa e dependência.
Porém, o que a mente calculista dele não previu foi a resiliência prática daquela mulher. Diferente do que ele imaginava, Clara não estava em crise existencial. Para ela, aquilo tinha sido uma experiência de fim de semana. Ela guardou o evento na mesma gaveta mental onde guardava as memórias dos namoradinhos da juventude — algo que aconteceu, foi intenso, mas que não definia quem ela era diante de Deus ou do marido. Ela se sentia leve, quase curiosa, sem o peso da tragédia que ele esperava que ela sentisse. Essa leveza deu a ela a coragem de perguntar algo que a intrigava desde que viu a cabeça do pênis de Heitor totalmente exposta, limpa e imponente.
Clara: — Senhor Heitor... eu posso te perguntar uma coisa? É que eu fiquei encafifada com uma coisa.
Heitor: — Claro, Clara. Pode perguntar o que quiser. Não temos mais segredos, não é?
Clara: — O senhor viu como o seu... o seu pênis... ele arregaça todinho? A pele desce e a cabeça fica ali, toda à mostra, sem nada prendendo. O do meu marido não faz isso. Ele diz que dói, que a pele é muito apertada e não sai do lugar. Eu achei que a maioria dos homens eram assim, meio "fechado". Como o do senhor consegue ficar daquele jeito tão bonito, tão... aberto?
Heitor, percebendo a dúvida genuína e a inocência dela em relação à anatomia, aproveitou para reforçar sua superioridade física, usando a verdade médica como ferramenta de manipulação.
Heitor: — É uma dúvida justa, Clara. O que o Carlinhos tem se chama fimose. É quando aquela pele da ponta é estreita demais e não deixa a cabeça sair. Isso causa dor, acumula sujeira e, como você mesma sentiu, impede que o homem tenha um prazer completo e que a mulher sinta o que deveria sentir.
Clara: — E tem jeito?
Heitor: — O jeito é uma pequena cirurgia, ou muita massagem e cuidado desde cedo. O meu é assim porque eu sempre me cuidei. Eu não tenho nenhuma trava, a pele desliza livremente. Por isso que você conseguiu fazer aquele movimento ontem e hoje sem me machucar. Se fosse no Carlinhos, ele estaria berrando de dor.
Clara: — Entendi.
Clara assentiu, satisfeita com a explicação. Ela olhava para a paisagem de Goiânia surgindo no horizonte, sentindo-se agora uma mulher mais "sabida". Para Heitor, aquela conversa era o combustível para o seu plano de longo prazo; para Clara, era apenas o fim de uma viagem instrutiva que ela pretendia esquecer assim que cruzasse o portão de casa.
Eles entraram na cidade. O asfalto urbano substituiu a terra da estrada, e a rotina de vizinhos estava prestes a recomeçar, mas com um detalhe: agora, cada vez que Clara olhasse para o Senhor Heitor através da cerca de hortelã, ela saberia o que eles tinham feito juntos naquele final de semana.
À medida que as luzes de Goiânia ficavam mais nítidas, a realidade do cotidiano voltava a se impor. Heitor, sempre calculista, precisava garantir que o que aconteceu no final de semana não fosse um evento isolado, mas o início de uma rotina.
Heitor: — Clara, me lembre de uma coisa... quando é mesmo que o Carlinhos volta dessa viagem?
Clara: — Só daqui a catorze dias, Senhor Heitor. Ele pegou um trecho longo para o Sul.
Heitor: — Que coincidência... é o mesmo tempo da escala da Mônica. Vamos ficar os dois sozinhos nessas casas grandes por duas semanas. — Ele voltou a pousar a mão na coxa dela, sentindo a firmeza do quadril largo através do vestido. — Você sabe que meu "problema" não vai sumir, não é? Vou precisar da sua ajuda de novo nos próximos dias.
Clara sentiu um frio na barriga. Ela sabia que, sem o marido em casa, a tentação de atravessar a cerca de hortelã seria constante.
Heitor: — E quem sabe, na próxima vez, você não usa suas mãos? Ia ser mais rápido, mais natural... e o alívio para a minha dor seria muito maior.
Clara: (O rosto queima instantaneamente, ela sente as mãos suarem) — Senhor Heitor! O senhor não diga uma coisa dessas! Eu não tive coragem de encostar minha pele na sua sem proteção, eu nunca faria isso, é sujo, é... é errado demais!
Mas, enquanto ela protestava verbalmente, seu corpo a traía. No momento em que ele disse "usar as mãos", a mente de Clara — aquela parte que ela tentava manter casta — instantaneamente projetou a imagem daquela cabeça grande, rosa e latejante que ela tinha acabado de segurar. Ela sentiu sua boca salivar, uma reação involuntária que a deixou em pânico. O desejo físico estava começando a falar mais alto que a doutrina.
Heitor estacionou o carro na porta da casa dela. O bairro estava calmo, o sol de domingo preguiçoso. Ele saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para ela como o cavalheiro que fingia ser. Antes de deixá-la entrar, ele a puxou para um abraço de despedida, mas um abraço diferente.
Ele não a apertou de forma rude. Foi um toque aconchegante. Ele enterrou o rosto no vão do pescoço dela, sentindo o cheiro do shampoo e da pele morena.
Heitor: — Obrigado por tudo, Clara. Você é uma mulher de ouro. Se você se sentir sozinha esses dias, ou se quiser apenas conversar, sabe onde eu estou.
Clara entrou em casa com as pernas bambas. Pensando no perigo que correu ao fazer isso na porta da sua casa. Ela era uma mulher que entendia o amor e o afeto através do toque, e Carlinhos, com sua "mansidão de igreja", raramente a tocava daquela forma.
Ao fechar o portão, ela olhou para a casa ao lado. Heitor não era apenas o vizinho ou o homem da igreja; para ela, ele tinha se tornado o seu grande e único amigo. Alguém que a via como mulher, que elogiava seu corpo e que, acima de tudo, parecia precisar dela de um jeito que ninguém jamais precisou. A armadilha do manipulador estava armada.