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Osom do respiradouro artificial no teto do canil era o único ruído que competia com a respiração ofegante de Camila. O chão de cimento, frio e poroso, sugava o calor do seu corpo nu, enquanto os restos do vestido de látex preto jaziam rasgados a seus pés como uma pele morta de cobra. Cada músculo em suas pernas tremia, espasmos involuntários que ecoavam a brutalidade da penetração que sofrera minutos antes. Alexia permanecia de pé, uma estátua de poder e crueldade, o vibrador de silicone negro ainda pendurado entre as pernas, reluzindo sob a luz neon impiedosa.
Alexia curvou-se, atraindo o ar com um chiado suave, e retirou da mala aberta um objeto que brilhou ao refletir a luz pálida. Era um colar de couro preto, grosso e rígido, com uma argola de metal pesada na frente. Sem dizer uma palavra, ela agarrou Camila pelos cabelos sujos de suor, forçando a cabeça da mulher para cima. O couro frio roçou o pescoço quente e úmido de Camila, provocando um arrepio que percorreu sua coluna. O clack da fivela ao fechar foi seco e definitivo, um som que reverberou nas paredes de metal como um veredito final. Camila tentou afastar as mãos, mas seus braços pesavam como chumbo; seus dedos apenas arranharão inutilmente o chão de cimento enquanto a argola de metal batia contra o seu osso hióide.
— O nosso convidado está a chegar — disse Alexia, a voz calma, desprovida de qualquer calor, como se estivesse a comentar o tempo. — E eu quero que ele veja exatamente o que te tornaste.
Uma buzina grave soou do lado de fora da porta reforçada, seguida pelo som de mecanismos hidráulicos a deslizarem. A porta de metal abriu-se com um zumbido grave, revelando a figura do Colecionador. Ele entrou no canil com passos lentos, medindo o espaço com os olhos, o seu terno cinza impecável criando um contraste violento com a sujeira e o erotismo brutal do ambiente. O seu olhar pousou primeiro em Alexia, reconhecendo a postura ereta, a cinta peniana, a autoridade que emanava de cada poro da sua pele pálida. Depois, desceu para Camila, encolhida no chão, o colar apertado no pescoço, marcada como propriedade.
O Colecionador parou a meio da sala, ajustando os óculos com um movimento lento e deliberado. Não houve choque no seu rosto, apenas uma curiosidade clínica, a apreciação de um curador que vê uma peça rara ser reposicionada numa exposição. Ele observou as marcas vermelhas nas coxas de Camila, o vestido de látex destruído, a vibração de humilhação que emanava da ex-dominadora.
— Uma correção notável — comentou o Colecionador, a voz ecoando no espaço vazio. — A hierarquia... ajustou-se.
Alexia sorriu, um movimento sutil dos lábios que não chegava aos seus olhos negros. Ela estendeu a mão, indicando uma pequena mesa de metal num canto onde garrafas de vidro e copos estavam preparados.
— A Camila vai servir-nos — ordenou Alexia, olhando para baixo, para a mulher aos seus pés. — Levanta-te. De quatro.
Camila engoliu em seco, a garganta a roçar no couro do colar. O seu corpo protestava, a dor lombar a irradiar-se em ondas pulsantes, mas o medo de uma nova punição foi mais forte. Ela colocou as palmas das mãos no chão frio, forçando os joelhos a obedecerem. O movimento foi lento, desajeitado, a sua nudez exposta sob o olhar analítico do visitante. Sentia-se como um animal a ser exibido num leilão, cada falha da sua postura a ser notada e catalogada.
— Não te esqueças de quem és — sussurrou Alexia, dando um toque leve com a ponta do bico de silicone no ombro de Camila.
Camila engatinhou até à mesa. As suas mãos tremiam ao agarrar a garrafa de whisky escuro. O vidro estava frio, mas não tanto quanto o olhar do Colecionador. Ela deitou o líquido âmbar em dois copos, o som do líquido a cair parecendo absurdamente alto no silêncio do canil. Com os copos nas mãos, voltou a engatinhar em direção a Alexia, sentindo o peso da sua própria submissão a esmagar-lhe a coluna. O chão de cimento abrasava-lhe os joelhos, uma dor constante e aguda que servia como lembrete físico da sua queda.
Alexia aceitou o copo sem olhar para Camila, os seus olhos fixos no Colecionador como se estivessem a selar um pacto silencioso. Camila, a seguir, engatinhou até ao homem. Ele não estendeu a mão para apanhar o copo imediatamente. Em vez disso, deixou que ela o segurasse ali, suspenso no ar, enquanto observava o colar de couro e o modo como a respiração de Camila acelerava, o peito a subir e descer num ritmo frenético.
— Ela tem boa forma — observou o Colecionador, finalmente apanhando o copo. Os seus dedos roçaram acidentalmente nos de Camila, um toque seco e breve que fez a mulher recuar como se tivesse sido queimada. — Mas falta-lhe... elegância no serviço.
— A elegância ensina-se — respondeu Alexia, dando um gole longo da bebida. — E ela vai ter todo o tempo do mundo para aprender.
Camila ficou ali, de joelhos no chão nu, as mãos pousadas nas coxas, a cabeça baixa. O som do gelo a bater no vidro do copo do Colecionador era como um metrónomo a marcar o tempo da sua nova existência. O vestido de látex, outrora símbolo do seu poder absoluto, agora era apenas lixo no chão, e o colar apertado no pescoço era a única realidade que lhe restava. Alexia olhou para ela de cima a baixo, e pela primeira vez, Camila não viu uma submissa nos olhos da outra mulher, mas sim um espelho distorcido da sua própria crueldade anterior, refletida de volta para ela com uma precisão aterrorizante.
— Podes beber água da tigela, se tiveres sede — disse Alexia, apontando para um canto onde um recipiente de metal estava estrategicamente colocado. — Mas não te atreves a levantar-te sem permissão.
O Colecionador riu, um som seco e curto. Ergueu o copo num brinde a Alexia.
— Parabéns, Alexia. A peça está... muito mais interessante nesta perspetiva.
Camila fechou os olhos, sentindo as lágrimas de humilhação a queimarem-lhe as pálpebras, mas não as deixou cair. O seu lugar estava definido, gravado a ferro no chão de cimento do canil, sob o olhar atento da sua nova dona e do seu testemunho