Eu chego como beija-flor faminto,
o bico trêmulo, a língua pronta,
o desejo arfando nas asas.
Desço devagar, colhendo teu néctar quente,
beijando pétala por pétala,
até encontrar o centro onde tua seiva pulsa.
Meu toque te abre,
minha boca te recolhe.
Teu gemido é o bater rápido das minhas asas.
Tua pele, o jardim onde me perco.
Teus lábios, o mel que escorre quando me chupa fundo.
Sou o beija-flor que suga sem pressa,
que retorna sempre ao mesmo ponto,
porque ali, entre tuas pernas,
há um doce que vicia,
um sabor que prende,
um calor que me domina.
E quando teu corpo treme,
quando tua flor se desmancha em ondas,
é aí que eu me afundo inteira,
bebendo tudo o que escorre de ti,
até deixar teu caule cansado
e minha boca embebida do teu gozo.
No final, descanso no teu peito,
asas mansas, boca molhada,
sabendo que amanhã
serei beija-flor de novo,
porque teu néctar
é o único jardim onde quero morrer de prazer.