Sou uma submissa desprezível



"Há sentimentos bons e há sentimentos ruins, quem decide o caminho sentimental a trilhar é apenas você, mais ninguém". Eu lembro de ter lido isso em algum lugar. Não sei se ditado de algum lugar ermo ou livro. Só me recordo que li, e achei bem lógico.

Mas a vida nos reserva surpresas que nos fazem testar o óbvio. E uma delas ocorreu comigo.

Sem aviso, sem alarde, sem um motivo específico. Simplesmente aconteceu. Um sentimento muito bom. Envolto em carinho, preocupação, disposição. Algo que já tinha vivido antes, que conhecia bem, mas que não imaginava ser possível voltar a sentir.

A cada contato, cada fala, o desejo era de me envolver mais e mais naquele sentimento. Abrir o coração, a mente, ser conduzida, se entregar totalmente. E assim fiz. Enquanto éramos duas, nada mais abalava.

Mas, a inveja, o medo, o receio. Coisas mal resolvidas da minha vida. Sentimentos ruins que me rodeiam, passaram a disputar espaço com os momentos bons.

A confiança, a honestidade e a compreensão passaram a ter uma queda de braço com mil e um sentimentos ruins.

Eis que a minha covardia apareceu. Me fez lembrar o mesmo que aconteceu anos atrás, quando perdi uma das pessoas que mais amei nesta vida. Ela tinha meu coração e minha mente. Me conduzia, me protegia. Mas não quis ver. Eu não tinha coragem.

Então acontecimentos ruins rolaram, coisa que fugiu de minha alçada. Eu podia voltar a me reconectar, a ouvir quem amava, a dar a oportunidade para que ela me desse o apoio. Não fiz. Já era mais velha, achava que tinha perdido tudo, mas a verdade é que senti o peso do preconceito. E em vez de dar um grito na cara da hipocrisia e me libertar, me deitei com ela. Deixei de ser quem eu era.

E por quase dois anos eu achei que estava tudo bem. Até chegar ao ponto atual. Quando tudo aconteceu de novo. Uma nova pessoa, novos sentimentos bons, um jardim fértil a florescer. Uma nova chance.

Mas eu tinha que colocar tudo a perder. De novo. Em resposta à honestidade, escondi meus receios. Em resposta ao carinho, deixei de dizer sobre meus medos. Fiz crer que estava tudo bem. E até estava entre eu e ela. Não estava entre eu e eu mesma. E nunca vai estar.

Sou medrosa. Assumo. Sou covarde. Assumo. Não mereço a atenção de quem merece o mundo. Me dói reconhecer. Mas a verdade é essa. O que posso fazer?

Seguir sendo hipócrita ao ponto de me castrar ao prazer. Apenas para não causar revolta às pessoas que nem são tão chegadas. Apenas para não bater de frente com o preconceito? Fazer o que sinto vontade escondida? Ser feliz e assumir que sou uma mulher submissa de forma definitiva?

A hipocrisia se revela, portanto, em um cenário da falsa tranquilidade. Aquela que seguindo seus trilhos, teria uma vida tranquila. Afinal, não estaria transgredindo nada e nem ofendendo ninguém. Mas e a felicidade? E os meus desejos? O meu lugar aos pés de um ser supremo?

Errei uma vez anos atrás. Com quem me colocava em meu devido lugar, era suprema e me fazia feliz, mesmo eu não dando o braço a torcer. Tinha o mundo em minhas mãos.

Errei de novo, anos depois, em nova oportunidade. E pelo visto nunca vou acertar, mas machucar quem me faz bem. Que merda é essa?

Seria meu castigo por ser hipócrita? Ou mais que castigo, minha eterna punição?

Se era difícil errando uma. Quem dirá errando duas. Sou uma submissa sem valor, desprezível.

Pelo visto a maior punição será ter que aprender a conviver com isso sozinha, pelo visto. Sem jamais sentir a honra de ser punida como uma verdadeira submissa.

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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico angelabaixinha

Nome do conto:
Sou uma submissa desprezível

Codigo do conto:
266347

Categoria:
Sadomasoquismo

Data da Publicação:
06/07/2026

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