Me chamo Marcelo. Se você me visse cruzando a avenida em um fim de tarde, provavelmente não diria que já dobrei a esquina dos quarenta anos. Enquanto a maioria dos meus conhecidos reclama das dores nas costas e do cansaço crônico, meu dia a dia é ditado por uma disciplina quase militar. Acordo antes do sol. Minha rotina envolve treinos pesados de musculação, quilômetros rodados de corrida e uma alimentação estritamente limpa e saudável. Não faço isso por pura vaidade; faço porque meu corpo é meu templo e minha ferramenta de sobrevivência. O reflexo disso no espelho, mesmo aos quarenta e poucos anos, é um porte atlético, forte e uma disposição que deixa muito garoto de vinte anos para trás.
Para sustentar a casa, visto o terno e mergulho no universo burocrático de apólices, sinistros e contratos de seguros. É um trabalho mentalmente exaustivo, que exige atenção a cada linha miúda. Talvez por isso, para espairecer a cabeça e não pirar entre quatro paredes, decidi usar o meu carro nas horas vagas para fazer corridas por aplicativo. Rodar pela cidade à noite, ouvindo as histórias dos passageiros e vendo o vaivém das luzes urbanas, tornou-se uma espécie de terapia que ainda complementa a minha renda.
No entanto, toda essa armadura física e a rotina cheia servem também para preencher um vazio antigo. Sou viúvo. A vida me deu o golpe mais duro de todos quando perdi minha esposa no parto da nossa única filha. O momento que deveria ser o mais feliz da minha história se transformou na minha maior tragédia. Fiquei sozinho com um frágil pacote nos braços e um medo gigante no peito.
Criei aquela menina com cada gota do meu suor. E hoje, o nó na garganta aperta de um jeito diferente, misturado com um orgulho que mal cabe no peito: minha pequena Melody está completando 21 anos. Uma mulher feita, que carrega o sorriso da mãe e a mesma determinação que me fez seguir em frente todos esses anos.
Olho para o bolo na mesa da cozinha, as velas esperando para serem acesas, e percebo que, apesar de todas as tempestades, nós vencemos.
As luzes da sala se apagaram, restando apenas o brilho trêmulo das velas de 21 anos sobre o bolo. Ao redor da mesa, os amigos mais próximos de Melody e alguns poucos parentes começaram a puxar o coro de "Parabéns a Você", enchendo o ambiente com palmas e sorrisos legítimos.
Olhando para ela ali, no centro das atenções, era impossível não notar como o meu estilo de vida influenciou quem ela se tornou. Melody cresceu me acompanhando na pista de corrida e me vendo treinar, e acabou adotando a mesma paixão pelo esporte. Embora seja bem menor que eu na estatura, ela herdou essa mesma estrutura atlética, com uma postura firme e braços tonificados de quem não foge de um bom treino. O contraste ficava por conta dos longos cabelos loiros, que caíam em ondas pelos ombros e brilhavam sob a luz dourada das velas, emoldurando um sorriso idêntico ao que um dia me fez o homem mais feliz do mundo.
Quando a música terminou e todos gritaram pelo primeiro pedaço, ela olhou diretamente para mim, com os olhos brilhando.
—O primeiro pedaço vai para o meu maior parceiro de treino, de corrida e da vida— disse Melody, estendendo o prato na minha direção sob os aplausos e as brincadeiras do pessoal.
Aproximei-me e dei um abraço apertado nela, sentindo aquele orgulho silencioso que só um pai que criou a filha sozinho conhece. Enquanto os convidados se serviam e conversavam alto pela sala, embalados por uma música ambiente, o clima de celebração tomava conta da nossa casa.
Mais tarde, quando a festa começou a diminuir e os amigos dela se despediam na porta, Melody veio até mim na cozinha, onde eu já começava a organizar os copos vazios.
—Pai, a galera está querendo ir para um barzinho no centro para esticar a comemoração. Você não quer ir com a gente? — ela perguntou, ajeitando uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha.
Olhei para o relógio na parede: quase onze da noite. Pensei na minha rotina de treino do dia seguinte e na escala de seguros que precisava revisar logo cedo. Além disso, o celular no meu bolso vibrou com uma notificação do aplicativo de corridas, mostrando que a cidade estava movimentada e com tarifa dinâmica por causa daquela sexta-feira.
—Vá e divirta-se, filha. O aniversário é seu— respondi com um sorriso, dando um beijo no topo da cabeça dela. —Eu vou aproveitar que a noite está agitada para rodar umas duas horinhas no aplicativo e depois venho direto para casa.
—Tá bem papai— ela me disse, quase se afastando —Juízo nas ruas, hein, seu Marcelo? E nada de pular o treino de amanhã por causa do cansaço!— ela brincou, devolvendo o meu eterno puxão de orelha sobre disciplina.
Nos despedimos e, poucos minutos depois, eu já estava no banco do motorista, ajustando o retrovisor. Liguei o aplicativo e o primeiro chamado não demorou a tocar. Enquanto acelerava pelas ruas iluminadas da cidade, pensava em Melody... 21 anos já...Eu vi essa menina crescer, e como cresceu... Melody se tornou uma grande mulher. Linda, esperta e atraente... Tão atraente.
Já faz um tempo em que não fico com ninguém. Depois da mãe da Melody, é claro que teve uma ou outra, mas nada que fosse muito duradouro. Até porque estava ocupado demais.. o trabalho, as mudanças, a Melody ainda pequena... Tudo era uma bagunça.
Por um tempo, fiquei com uma das professoras de Melody fo ensino fundamental. Tudo começou com uma reunião de pais, onde ela pediu meu número com a desculpa de falar sobre o desempenho da minha filha, mas logo a conversa ganhou outros rumos.
Ah, sim, aquela mulher era uma deusa na rua e uma cachorra na cama. Ela era um pouco mais nova, na época eu tinha 36 e ela 32. Ainda assim, extremamente experiente.
Infelizmente, não durou muito. Minha rotina não batia com a dela, acabamos nos afastado...
Embora eu até hoje lembre de como ela gemia é implorava por mais. Sempre mais e mais. Ela era insaciável, e gulosa... As vezes vejo um story ou outro dela no Instagram, ela casou recentemente e o cara parece feliz (quem não estaria?) Ainda olho aquela carinha de putinha dela, ainda luto para não mandar mensagem.
Mas enfim, após essa não teve mais ninguém. Até porque não tenho saído muito mais, e minha atenção se voltou toda pra Melody nos últimos tempos.
A noite nas ruas foi produtiva. Fiz quatro ou cinco corridas seguidas, aproveitando o movimento do centro, mas a mente já começava a cobrar o cansaço do dia longo. Por volta das duas da manhã, decidi desligar o aplicativo e voltar para casa.
Ao girar a chave na fechadura e empurrar a porta com cuidado para não fazer barulho, o silêncio me recebeu. A casa estava completamente escura, com exceção de um reflexo azulado e trêmulo que vinha da sala: a televisão estava ligada no mudo, iluminando fracamente o ambiente.
Aproximei-me devagar e vi Melody. Ela não devia ter aguentado o pique do barzinho por muito tempo. Estava deitada de lado no sofá, encolhida sob uma manta leve, totalmente adormecida.
Sorri sozinho, sentindo aquela velha sensação de proteção que me acompanhava desde que ela era um bebê. Peguei o controle remoto sobre a mesa de centro, desliguei a TV, mas liguei a luz do abajur ao lado. Fiz menção de chamá-la baixinho para que fosse para a cama, ela murmurou alguma coisa, parecia muito bêbada.
Sorri de canto e tirei sua coberta, pronto para carregá-la até seu quarto, quando parei por um segundo. Ela usava seu pijaminha habitual: uma relativa cinza colada ao corpo e um shortinho de malha. Observei aquele corpinho sexy e jovem por alguns segundos. A pele macia, os cabelos loiros, a clavícula marcada, os seios pequenos e durinhos... A barriguda chamapada, a bundinha empinada...
Rapidamente, senti algo crescer em mim. Mas que merda, era minha filha, que porra eu estava pensando?
Tentei chamá-la outra vez. Ela se virou e reclamou algo, virando-se para o sofá, movendo aquela bundinha redonda pra mim e deixando que um de seus seios quase saia pra fora da regata colada.
Ah... eu estava ficando louco, salivando... segurei meu pau, o agarrei como se tentasse conter um bicho faminto entre minhas calças.
(CONTINUA EM BREVE)