Chave de Cadeia e de Buceta

O sol de meio-dia castigava o pátio de concreto do Presídio Feminino de Sant’Ana, mas dentro dos corredores da ala de segurança máxima o clima era de uma umidade sufocante, densa de suor, desinfetante barato e testosterona reprimida. Lívia Mendes ajustou o blazer estruturado, respirando fundo enquanto o cinegrafista, Marcos, checava o balanço de branco da câmera. Famosa por seu estômago de ferro em coberturas policiais de grande repercussão, Lívia achava que nada mais a surpreenderia. Estava enganada.
Assim que os pesados portões de ferro bateram atrás de si, o som ecoou como um gongo de início de partida. A presença da repórter — loira, impecavelmente maquiada, vestindo roupas que exalavam o perfume caro que contrastava com o odor do confinamento — disparou um alvoroço imediato nas galerias.
— Ei, gostosa! Deixa a TV de lado e vem cobrir a minha cela! — gritou uma voz rouca do segundo andar.
— Que avião! Se eu pego do lado de fora, não sobra nada! — assobiou outra, batendo uma caneca de alumínio contra as grades.
Lívia manteve o olhar fixo à frente, a postura profissional ereta, mas sentia o calor subir pelo pescoço. Conforme avançava pelo corredor estreito, os rostos colados às grades se multiplicavam. No meio do caminho, uma detenta de cabelos raspados nas laterais e regata branca colada ao corpo bloqueou visualmente a passagem. Fixando os olhos castanhos diretamente nos de Lívia, a mulher sorriu de lado. Sem desviar o olhar por um segundo, ela enfiou a mão direita por dentro do calção de moletom cinza.
O movimento era explícito. Lívia congelou por uma fração de segundo enquanto a câmera de Marcos apontava para o teto a pedido discreto da produção. A detenta começou a se masturbar com os dedos ritmados, os gemidos baixos ecoando por cima do barulho geral. O atrito molhado e a audácia daquela exibição pública, feita exclusivamente para ela, atingiram Lívia como um choque elétrico. O estômago da repórter revirou, não de repulsa, mas de um calor súbito que se instalou na boca do seu estômago e desceu rapidamente entre suas pernas. Ela engoliu em seco e apressou o passo, o coração martelando no peito.
O ápice do choque estético e sensorial, contudo, aguardava na última cela do corredor, um espaço mais isolado e mal iluminado.
Ao se aproximar para registrar as condições estruturais do local, Lívia olhou através das grades e perdeu o fôlego. Ali dentro, alheias ao barulho do pavilhão, duas mulheres estavam entregues a um ato de puro instinto. Marta, uma mulher de cinquenta anos, com os braços cobertos por tatuagens antigas e desbotadas, os cabelos curtos cinzentos e o porte robusto de caminhoneira, dominava a cena. Ela estava sentada na beirada da beliche inferior, segurando com firmeza as coxas de uma jovem detenta de vinte e cinco anos, de traços delicados e pele alva, que estava de joelhos no chão, com o rosto afundado entre as pernas da mais velha.
O som dos lábios trabalhando na carne úmida preenchia o cubículo. Marta soltou um rosnado grave, puxando os cabelos longos da jovem com força, forçando o rosto dela ainda mais contra seu sexo, enquanto sua outra mão, calejada e ágil, descia para os seios fartos da garota, apertando-os com violência e desejo. A jovem gemia alto, o corpo tremendo a cada estocada da língua de Marta, as unhas cravadas na panturrilha tatuada da companheira.
Lívia sentiu a boca secar completamente. O mormaço da cela parecia carregar o cheiro de sexo e suor diretamente para as suas narinas. Suas pupilas dilataram. O microfone em sua mão tremeu visivelmente. Quando Marcos se posicionou para gravar o plano geral do corredor, Lívia tentou proferir seu texto de passagem, mas a voz saiu trêmula, falha, carregada de uma respiração curta e ofegante que ela mal conseguia controlar. A imagem daquela entrega selvagem ficara gravada a ferro e fogo em sua mente.
O trajeto de volta para a emissora foi um tormento silencioso. Sentada no banco de trás do carro utilitário, com os vidros fumê totalmente fechados e o ar-condicionado no máximo, Lívia não conseguia se acalmar. O motorista e o cinegrafista conversavam na frente sobre futebol, alheios à ebulição que ocorria no banco traseiro.
Lívia cruzou as pernas, sentindo o tecido da calça jeans apertar contra sua intimidade, que já estava completamente empapada. O pulsar entre suas pernas era insuportável. Cedendo ao impulso, ela deslizou a mão direita por baixo da bolsa que repousava em seu colo, escondendo o movimento. Abriu o zíper da calça com o máximo de cuidado para não fazer ruído.
Assim que seus dedos tocaram a calcinha de renda, encontrou-a encharcada. Ela deslizou o dedo indicador pelo fecho do clitóris, pressionando com força. Um arrepio violento percorreu sua espinha. Lívia fechou os olhos, mordendo o lábio inferior até quase sangrar para abafar qualquer som. A cada solavanco do carro na avenida, ela empurrava os dedos mais fundo, revivendo a cena de Marta e da jovem, a imagem da detenta se tocando na grade, os olhares de predadoras que a haviam despido no corredor. O clímax veio rápido, uma onda de espasmos quentes que fez seu corpo enrijecer contra o banco de couro do carro. Ela limpou a mão discretamente no lenço de papel, o peito subindo e descendo, tomada por uma culpa excitante.
No dia seguinte, a justificativa técnica foi perfeita: "Houve um problema no áudio da passagem principal, precisamos refazer a gravação no local". Lívia sabia que era mentira. Seu próprio corpo a estava arrastando de volta para aquele caldeirão.
Quando cruzou o mesmo corredor, o ambiente parecia estrategicamente mais silencioso. A diretora da ala, subornada pelo magnetismo e pela influência da repórter, permitiu que Lívia entrasse na última cela sozinha por alguns minutos para "entrevistar as fontes em ambiente controlado", enquanto a equipe de filmagem aguardava na portaria do pavilhão.
A porta de ferro da cela de Marta rangeu ao se fechar atrás de Lívia.
Lá dentro, Marta e a jovem de vinte e cinco anos, cujo nome era Camila, já a esperavam. Não houve introduções formais. O magnetismo era palpável. Marta levantou-se lentamente de sua beliche, medindo Lívia de cima a baixo com um sorriso predatório.
— Sabia que você ia voltar, doutora. Teu olho ontem entregou o que você queria — disse Marta, a voz ríspida e segura.
Camila aproximou-se por trás de Lívia com passos de felino. Suas mãos jovens e macias deslizaram pelos ombros cobertos pelo blazer da repórter, massageando o pescoço tenso antes de descerem com rapidez para os botões da camisa social de Lívia. A repórter tentou segurar o ar, mas quando as mãos de Camila tocaram seus seios por cima do sutiã, seus joelhos vacilaram.
Marta deu um passo à frente, agarrando Lívia pela cintura com seus braços fortes e tatuados, colando o corpo massivo contra o da jornalista. O cheiro de sabonete barato misturado com o suor da pele de Marta agiu como um narcótico. Marta prendeu os lábios de Lívia em um beijo brutal, faminto, invadindo sua boca com uma língua firme que exigia submissão. Lívia soltou um gemido abafado, entregando-se completamente, os braços envolvendo o pescoço da mulher mais velha.
Enquanto Marta a devorava no beijo, Camila ajoelhou-se rapidamente. Com agilidade experiente, despiu a calça e a calcinha de Lívia, deixando as pernas da repórter nuas no meio da cela escura. Camila abriu as coxas de Lívia e afundou o rosto em seu sexo já completamente lubrificado. A língua ágil da jovem começou a lamber de baixo para cima, sugando o clitóris intumescido de Lívia com vigor.
— Ah Deus... — arquejou Lívia, jogando a cabeça para trás, as mãos cravando-se nos cabelos cinzentos de Marta para não cair.
Marta sorriu contra o pescoço de Lívia, mordendo a pele macia da repórter enquanto descia suas próprias mãos calejadas para as nádegas de Lívia, erguendo-a levemente do chão. Com um movimento bruto, Marta empurrou Lívia de bruços na beliche de cimento. Camila subiu logo em seguida, posicionando-se de quatro sobre a repórter, oferecendo seu próprio corpo.
Marta não perdeu tempo. Usando os dedos cobertos pelo próprio suor e pela lubrificação das duas, começou a penetrar Lívia por trás com força e ritmo cadenciado, enquanto Camila se esfregava contra o rosto de Lívia, forçando a jornalista a lambê-la e mordê-la. O ambiente da cela transformou-se em um emaranhado de corpos, suor, tapinhas estalados na carne e gemidos ecoando contra as paredes de pedra. Lívia estava completamente perdida no prazer primitivo daquele submundo, esquecendo-se do microfone, da carreira e do perigo, inteiramente dominada pelas chaves daquela cadeia de luxúria.
Foto 1 do Conto erotico: Chave de Cadeia e de Buceta

Foto 2 do Conto erotico: Chave de Cadeia e de Buceta


Faca o seu login para poder votar neste conto.


Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.


Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.


Twitter Facebook



Atenção! Faca o seu login para poder comentar este conto.


Contos enviados pelo mesmo autor


267033 - FINAL FELIZ - Categoria: Lésbicas - Votos: 1
266758 - Aladina - Parte 2 - Categoria: Lésbicas - Votos: 1
219653 - ALADINA (Parte 1) - Categoria: Lésbicas - Votos: 5
207585 - A DEPUTADA E A ELEITORA - Corpo a Corpo - Categoria: Lésbicas - Votos: 14
207526 - CORNISMO LÉSBICO - Categoria: Lésbicas - Votos: 9
207497 - A VERDADE QUE EU DESCOBRI - Categoria: Poesias/Poemas - Votos: 2
207457 - A RICARDONA - Categoria: Lésbicas - Votos: 7
207416 - FESTA DE DIVÓRCIO - Categoria: Lésbicas - Votos: 6
207352 - A REVOLTA DAS ODALISCAS - Categoria: Lésbicas - Votos: 5
207302 - TROCADO POR OUTRA - PARTE 2 - Categoria: Lésbicas - Votos: 7
206989 - TROCADO POR OUTRA - PARTE 1 - Categoria: Lésbicas - Votos: 7
206780 - COLÔNIA DE FÉRIAS PARA ESPOSAS CANSADAS - Categoria: Lésbicas - Votos: 14
206480 - O JANTAR - Categoria: Lésbicas - Votos: 10
206304 - DEPOIS DO MENAGE - Categoria: Fetiches - Votos: 13
206042 - CIÊNCIA DA PUTARIA - Categoria: Lésbicas - Votos: 5
205501 - FESTA DAS CAMPEÃS - Categoria: Lésbicas - Votos: 3
205176 - DEIXA EU BATER UMA PUNHETA PRA VOCÊ - Categoria: Fetiches - Votos: 2
204359 - UM TRATAMENTO EFICAZ - Categoria: Lésbicas - Votos: 5
203945 - DISPUTA ERÓTICA - Categoria: Lésbicas - Votos: 2
203882 - A MÁQUINA - Categoria: Fetiches - Votos: 1
203660 - EU ACEITO SEU LESBIANISMO, MEU AMOR - Categoria: Lésbicas - Votos: 6
203204 - EU SOU CORNO E MINHA MULHER É BISSEXUAL - Parte 2 - Confirmação no swing - Categoria: Lésbicas - Votos: 13
202342 - POR FAVOR, COME MINHA MULHER - Categoria: Lésbicas - Votos: 2
201218 - PLD – PARTIDO LÉSBICO DEMOCRÁTICO - Categoria: Lésbicas - Votos: 3
197991 - DIPLOMACIA DA PUTARIA – Um jeito erótico de acabar com guerras - Categoria: Lésbicas - Votos: 3
197556 - HOMENAGEM DE UM HOMEM AO SEXO ENTRE DUAS MULHERES - Categoria: Poesias/Poemas - Votos: 1
197551 - EU SOU CORNO E MINHA MULHER É BISSEXUAL - Parte 1 - Iniciação - Categoria: Traição/Corno - Votos: 23

Ficha do conto

Foto Perfil escritordeputaria
escritordeputaria

Nome do conto:
Chave de Cadeia e de Buceta

Codigo do conto:
267465

Categoria:
Lésbicas

Data da Publicação:
17/07/2026

Quant.de Votos:
1

Quant.de Fotos:
2