Um professor viajante

O calor da tarde em Marabá não dava tréguas. Mesmo com as janelas de madeira do antigo prédio do campus da universidade escancaradas para a mata, o ar parecia parado, denso e carregado de um perfume úmido de terra e chuva prestes a cair.
?Heitor terminou de organizar seus papéis sobre a mesa. Aos trinta e oito anos, o professor de Literatura Regional carregava um charme discreto, com suas camisas de linho dobradas até os cotovelos e a barba sempre por fazer. Naquela sexta-feira abafada, a biblioteca do centro de estudos avançados estava praticamente vazia, exceto por uma pessoa.
?Do outro lado do corredor, entre as estantes de aço de obras raras, Elena folheava um volume antigo de botânica amazônica. Professora de Biologia e recém-chegada ao campus do interior paraense, ela trazia o olhar curioso de quem tentava decifrar a floresta e uma elegância natural que não passava despercebida. Suas curvas suaves eram delineadas por um vestido verde-folha de tecido leve, cujos botões frontais pareciam pedir socorro diante do abafado daquele fim de tarde.
?— Procurando por alguma espécie em extinção, professora? — a voz grave de Heitor ressoou suave no silêncio da sala, quebrando a monotonia do zumbido dos ventiladores de teto.
?Elena olhou por cima do ombro, sorrindo de lado, um sorriso levemente provocante.
?— Procurando entender como a flora daqui resiste a tanto calor, Heitor. É quase insuportável — disse ela, passando a mão pelo pescoço, erguendo os cabelos castanhos para refrescar a nuca. O gesto revelou a curva delicada de sua saboneteira, onde uma pérola fina de suor brilhava.
?Heitor se aproximou devagar, os passos firmes no piso de tacos de madeira. Ele parou a poucos centímetros dela, sentindo o aroma de jasmim e pele quente que exalava de Elena.
?— A resposta é simples — ele murmura, a voz baixinha, quase um segredo. — Tudo nesta terra aprendeu a se entregar à intensidade. Quem tenta resistir... se queima.
?Elena prendeu a respiração. O olhar de Heitor desceu devagar pelos lábios dela até o decote do vestido. A tensão que há meses crescia nas reuniões de departamento, nos encontros casuais no café e nas trocas de olhares nos corredores parecia ter atingido o ponto de ebulição.
?— E você, professor? — ela provocou, dando um passo discreto na direção dele, a respiração já um pouco mais acelerada. — Costuma se entregar ou resiste?
?Em vez de responder com palavras, Heitor levou a mão à cintura de Elena, puxando-a para si sem hesitar. O contraste do calor dos corpos fez Elena soltar um suspiro audível. A primeira gota da tempestade amazônica caiu ruidosa no telhado de telhas de barro, seguida por uma enxurrada pesada que isolou completamente o mundo exterior.
?Ele a ergueu levemente, sentando-a na mesa de madeira maciça que ocupava o centro da sala, entre pilhas de livros e relatórios acadêmicos. Elena abriu as pernas para acomodá-lo entre elas, envolvendo a cintura dele com as coxas macias.
?— Você não tem ideia de há quanto tempo venho pensando nisso — confessou ele, com os lábios a milímetros dos dela.
?— Mostre-me, então — sussurrou ela, selando a frase com um beijo faminto e profundo.
?As línguas se encontraram em um ritmo quente e urgente. A sobriedade dos títulos acadêmicos ruiu em segundos. As mãos habilidosas de Heitor desceram pelos botões do vestido de Elena, abrindo um a um até expor o sutiã de renda preta e os seios fartos, que arfavam em ritmo acelerado. Ele baixou a cabeça, devorando o pescoço dela com beijos úmidos e mordes suaves, descendo até a ponta de um dos seios, abocanhando-o por cima da renda até senti-lo enrijecer.
?Elena erqueu a cabeça, soltando um gemido abafado que ecoou pela biblioteca vazia. Suas mãos agarraram os cabelos escuros de Heitor, puxando-o para mais perto. Ela desabotoou a camisa de linho dele com pressa, querendo sentir a pele quente e o peito largo contra o seu.
?O som da chuva forte lá fora abafava os ruídos da paixão que tomava conta da sala. Heitor deslizou as mãos pela coxa de Elena, subindo por baixo do tecido leve do vestido até alcançar a calcinha de seda. Dedos ágeis afastaram o tecido fino, encontrando-a completamente molhada, quente e pronta.
?Quando ele a tocou, Elena curvou as costas, soltando um suspiro entrecortado.
?— Heitor... meu Deus...
?Ele começou um movimento ritmado e preciso com os dedos, sentindo a pulsação do prazer dela aumentar. Ao mesmo tempo, usou a outra mão para desatar o próprio cinto, libertando seu membro ereto e pulsante. Elena olhou para baixo, os olhos nus de desejo, e puxou-o pela cintura.
?— Agora — pediu ela, a voz embargada pela excitação.
?Heitor a ergueu um pouco mais, alinhando-se a ela, e se guiou até a entrada quente. Ele entrou devagar, sentindo a pressão deliciosa do corpo dela acolhendo-o por inteiro. Um gemido uníssono escapou dos dois. O encaixe era perfeito, denso, correspondendo a meses de expectativa reprimida.
?Ele começou a se mover com investidas profundas e ritmadas. Elena segurou firme nos ombros dele, cravando as unhas na pele morena das costas do professor. A mesa de madeira rangia suavemente a cada impulso, misturando-se ao som ritmado da tempestade caindo lá fora. O calor era absurdo, o suor colava seus corpos, tornando cada deslize ainda mais sensorial e intenso.
?— Você é incrível, Elena... — sussurrou ele no ouvido dela, acelerando o ritmo, estocando com mais força e precisão.
?— Mais forte, Heitor... não para — ela suplicava, entregue ao ritmo alucinante que ele impunha.
?O prazer se acumulava no centro do corpo de Elena como a própria tempestade que desabava sobre o Pará. Heitor inclinou-se, beijando-a com paixão enquanto desferia golpes certeiros que a levavam ao limite. Sentindo os músculos dela se contraírem ao redor do seu membro, ele soube que ela estava prestes a explodir.
?Elena soltou um grito abafado no ombro dele quando o orgasmo a atingiu em cheio, uma onda violenta e deliciosa de espasmos que fez seu corpo inteiro tremer. A reação dela foi o gatilho final para Heitor. Ele deu mais duas investidas profundas, atingindo o fundo, e se liberou completamente dentro dela, soltando um gemido rouco e demorado enquanto se derramava.
?Eles permaneceram abraçados por longos minutos, as respirações descompassadas aos poucos voltando ao normal. O ar na sala parecia finalmente mais leve, purificado pela chuva que começava a diminuir lá fora e pelo desejo finalmente consumado.
?Heitor beijou a testa de Elena carinhosamente, ainda mantendo-se colado a ela. Ela sorriu, os olhos brilhando com uma satisfação preguiçosa, e ajeitou uma mecha do cabelo dele.
?— Acho que vou precisar de muito mais aulas sobre a intensidade deste lugar, professor — disse ela, com uma piscadela cúmplice.
?Ele riu baixo, selando os lábios dela mais uma vez.
?— A universidade nunca esteve tão interessante.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Um professor viajante

Codigo do conto:
268245

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
25/07/2026

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