Depois que a loja fecha

Capítulo 1 — O cheiro do chocolate

Esta é a primeira história do universo "Depois que a Loja Fecha". Ricardo e Lúcia inauguram uma série de encontros marcados pela confiança, pela liberdade e pela intimidade construída entre duas pessoas adultas. Outras histórias poderão apresentar novos personagens, mas todas compartilharão a mesma essência.

Ricardo buscava apenas um novo começo em um bairro tranquilo. Mas bastaram algumas visitas à pequena chocolataria de Lúcia para que olhares discretos, conversas leves e o aroma de chocolate despertassem uma atração impossível de ignorar. Entre sedução, cumplicidade e desejo crescente, os dois descobrem que algumas noites mudam uma vida inteira.

Meu nome é Ricardo. Tenho quarenta e cinco anos. Cheguei ao bairro há pouco mais de um mês. Aluguei um apartamento pequeno, bem iluminado, a três quarteirões da praça. Nada de extraordinário. Só precisava de silêncio e de um lugar onde pudesse trabalhar sem interrupção. Arquitetura de interiores exige concentração e, às vezes, distância.
Logo nos primeiros dias conheci alguns vizinhos. Gente tranquila. Dois deles, um casal que morava logo na esquina da chocolataria, me convidaram para um café na varanda. Foi ali que ouvi falar dela pela primeira vez. “A Lúcia”, disseram. “Faz o melhor chocolate quente da região. Mulher direita, trabalhadora. Já criou os filhos sozinha.” Falaram bem. Com respeito. Sem exagero.
Na semana seguinte passei pela frente da loja. A vitrine bem arrumada, bom gosto: caixas marrons, fitas creme, um vaso com flores, mesas pra sentar, tudo muito aconchegante. Entrei. Comprei um tablete de chocolate com avelã. Ela estava atrás do balcão, cabelo preso, blusa branca. Atendeu com educação, cobrou, embrulhou. Nossos olhares se cruzaram por dois segundos. Nada mais. Eu saí. Ela voltou ao trabalho.
Voltei na semana seguinte. Comprei outro tablete. Dessa vez fiquei um pouco mais. Troquei duas frases com ela. Ela sorriu de canto, como quem já esperava me ver de novo. Os olhares duraram mais. Nada demais. Só o suficiente para eu perceber que ela reparava em mim também.
Na terceira vez já era quase rotina. Entrava, ela levantava os olhos do balcão e o sorriso vinha mais fácil. Conversa curta sobre o tempo, sobre o chocolate do dia, sobre o outono. Uma vez ela comentou que o movimento diminuía depois das dezenove. Eu respondi que gostava de lugares quietos. Ela olhou para mim um segundo a mais do que o necessário.
Na quarta visita o clima já estava diferente. Ela estava sozinha, arrumando as prateleiras. Quando me viu, limpou as mãos no avental e veio até o balcão sem pressa. Falamos de coisas sem importância, mas o silêncio entre as frases era gostoso. Eu reparava nela e ela em mim. Ninguém se apressava... Aparecia uma confiança no olhar dos dois.. como se já nos conhecêssemos.
Na quinta vez eu já sabia o que queria.
Tomei um banho, fiz a barba, vesti uma camisa nova, casual, calça escura, relógio discreto no pulso. Passei o perfume — aquele amadeirado que costumo usar à noite. Parei o carro na frente e caminhei até a porta de vidro.
Eu sabia que ela já tinha ouvido meu nome. Os mesmos vizinhos que falaram bem dela para mim também tinham falado de mim para ela. “O arquiteto novo no bairro. Gente boa. Confiável.” Algo assim.
Senti o cheiro de chocolate quente antes mesmo de eu empurrar a porta de vidro.
Lúcia estava atrás do balcão, de costas, mexendo alguma coisa numa tigela de inox. Cabelo preto com alguns fios prateados presos num rabo de cavalo alto e limpo. Blusa branca, abotoada até o meio do peito. Saia bege. Postura reta. Quando se virou e me viu, não se assustou. Só ergueu uma sobrancelha e sorriu de canto.
— Fecha em dez minutos, viu?
— Eu sei. Queria só um tablete de chocolate com morango. O último estava bom demais.
Ela riu baixinho…
— Você voltou só por causa do chocolate?
— Voltei por causa do chocolate e da mulher que faz o chocolate.
Ela parou de mexer a tigela. O sorriso ficou, mas os olhos pararam. Ficou interessada naquele comentário... Limpou as mãos no avental e veio até o balcão. O decote, nada oferecido, se abriu o suficiente para eu ver a curva dos seios, a pele clara. Só o que o movimento mostrava.
— Como é seu nome? E um sorriso de encanto....
Eu com um sorriso no rosto...
— Ricardo, prazer... (esticando a mão pra cumprimentar).
— Sim. Você é ousado, hein.
— Sou honesto. Tem diferença.
Ela tirou um tablete da prateleira, embrulhou em papel craft e me entregou. Nossos dedos se tocaram.. Eu segurei um segundo a mais. Ela não puxou a mão na hora.
— Vai querer mais alguma coisa?
— Quero saber se você fecha sozinha todo dia.
Lúcia inclinou a cabeça, avaliando..
— Quase todo dia. Meus filhos já não moram mais aqui. A casa fica quieta. Às vezes eu fico mexendo massa só para não ir embora cedo.
— Então fica. Eu espero você fechar
Ela riu de novo, desta vez com mais gosto.
— Você é insistente.
— Sou. E você está gostando. (Não era pergunta).
— Hum, casado, filhos?
— Não.
Ela passou a língua no lábio inferior. Foi até a porta, virou a placa, puxou a tranca e apagou a luz da vitrine. A chocolataria ficou só com a iluminação interna, quente, íntima. Quando voltou, parou do outro lado do balcão, as mãos apoiadas na madeira, o corpo ligeiramente inclinado.
— Café? Ou você prefere chocolate quente de verdade?
— Prefiro você falando.
Ela soltou uma risadinha baixa, quase safada.
— Nossa! Direto.
— Sem tempo a perder, Lúcia. (O nome saiu fácil).
Ela piscou, surpresa por um segundo, depois sorriu de verdade. Foi até o fundo, preparou duas xícaras de chocolate quente, com chantilly e um fio de caramelo — e voltou. Sentamos em dois bancos altos atrás do balcão. O cheiro dela agora estava mais perto: chocolate, perfume muito agradável e parecia mais a vontade....
— Você trabalha com o quê? — perguntou, soprando a xícara.
— Arquitetura de interiores. Reformo casas de gente que tem dinheiro e não sabe o que quer.
— E você sabe o que quer?
Olhei direto para ela. Para a boca. Para o decote. Para os olhos.
— Agora sei.
Lúcia sentiu o olhar. Não desviou. Bebeu um gole, deixou um pouco de chantilly no lábio superior e limpou com o dedo. Depois chupou o dedo sem pensar. Eu vi. Ela viu que eu vi. E não parou.
— Você fica me olhando assim e eu acabo esquecendo que sou uma senhora de quase cinquenta anos que vende chocolate.
— Você não é senhora de quase cinquenta. Você é uma mulher gostosa que vende chocolate e que está molhada só de eu estar aqui...
A frase saiu limpa, sem agressividade. Só fato. Lúcia abriu a boca, depois riu, corada, e bateu de leve na minha coxa com a mão aberta.
— Que ousadia, meu Deus!!. Você fala essas coisas assim, de boa?
— Falo. E você gostou.
Ela não negou. Cruzou as pernas no banco. A saia subiu um pouco. Eu vi a linha da meia-calça fina. O joelho. O começo da coxa. Meu pau já estava dando sinais dentro da calça. Eu não disfarcei.
Lúcia seguiu meu olhar até o volume e depois voltou para meus olhos. O sorriso dela ficou mais lento, mais sujo, safado....
— Você está assim só de conversar comigo?
— Esta dando sinais desde que você chupou o dedo com chantilly e eu vi o seu decote e imaginei o que tem debaixo.
Ela soltou o ar pela boca, deu uma engasgada, um riso baixo e descrente, e passou a mão no próprio pescoço, nervosa e excitada ao mesmo tempo.
— Eu não deveria estar gostando tanto disso.
— Mas está.
— Está — admitiu, baixo, quase para si. Depois ergueu o olhar de novo. — E agora, o que você vai fazer sabendo disso?
Eu terminei o chocolate, deixei a xícara de lado e me inclinei para a frente. Aproximei o rosto do dela. O cheiro da sua pele, um perfume gostoso lá no fundo. Não beijei ainda. Só falei perto da boca:
— Agora eu vou te beijar. E você vai deixar. E depois a gente vê até onde essa boca aguenta.
Lúcia não recuou. Seus olhos brilharam, sua respiração aumentou... Eu toquei o queixo dela com dois dedos, inclinei o rosto e beijei. Aí, o tempo parou... A boca dela abriu na hora. Língua quente, gosto de chocolate e desejo. Ela gemeu baixo dentro do beijo, a mão subindo até minha nuca, puxando. Eu aprofundei. A outra mão desceu até a coxa dela, por cima da saia, e apertei, era suave, macia e quente. Ela abriu um pouco as pernas no banco, o suficiente para eu sentir o calor subindo.
Quando parei o beijo, os lábios dela estavam vermelhos, brilhantes. O rabo de cavalo um pouco desalinhado.
— Porra — sussurrou ela, rindo ofegante. — Que beijo, hein!!
— Tem mais.
— Eu sei que tem. E eu quero. Mas se a gente continuar aqui eu vou te comer em cima desse balcão e amanhã não consigo olhar para a vitrine sem ficar molhada.
Eu ri baixo. Passei o polegar no lábio inferior dela.
— Então a gente marca. Amanhã. Depois que você fechar. Eu venho. E dessa vez não vai ser só beijo.
Lúcia olhou para mim, os olhos de admiração, o peito ainda agitado. Depois sorriu, safado e leve ao mesmo tempo.
— Você é perigoso, Ricardo...
— E você está gostando do perigo.
Ela não negou. Só se levantou, ajeitou a saia e a blusa, voltou a ser a mulher composta da chocolataria por dois segundos. Depois me olhou de novo e falou, baixo, com um brilho gostoso nos olhos:
— Amanhã. Nove da noite. Porta dos fundos. E vem com fome...

Continua no Capítulo 2 — "A Porta dos Fundos".

Foto 1 do Conto erotico: Depois que a loja fecha


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Depois que a loja fecha

Codigo do conto:
268590

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
29/07/2026

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