A gente sempre brincou muito entre quatro paredes. O nosso tesão vinha dessa provocação verbal, desse jogo psicológico. Eu chegava a provocá-la no meio da transa, falava no ouvido dela: "Olha, amor, eu não te como mesmo..." ou "Nossa, dá até um dózinho da sua pepeca". Ela ficava louca com isso. Reagia me desafiando: "Não tem dó nada, você não tem dó de nada!". E ali, naquele ambiente seguro só nosso, eu soltava que poderia deixar outro homem comer ela. Ela achava o máximo, o tesão ia no teto. Era o nosso fetiche perfeito, mas trancado a sete chaves na nossa intimidade.
Até que a casa caiu, meu amigo.
O erro foi meu. Conheço um rapaz novo, bonito, simpático, que trabalha no supermercado aqui perto. Um dia, a ideia acabou saindo do meu pensamento. Comentei com ele sobre essa história. Não demorou muito e, em uma das nossas transas, tomada pela empolgação do momento, cometi a besteira de contar para a Magali o que eu tinha falado para esse rapaz.
A reação dela foi um balde de água gelada. Magali ficou puta da vida comigo, virou um bicho. Me xingou de tudo quanto foi nome, falou que eu estava completamente errado e que nunca deveria ter feito isso. Deixou bem claro: "Isso é só uma brincadeira entre nós, Marcos! Você não podia ter levado isso para fora!". Ali eu vi que tinha pisado feio na bola.
Passaram-se alguns dias e o clima deu uma amaciada. A raiva mais pesada foi passando, a coisa ficou um pouco mais maleável. Aí, sem querer, comecei a tentar quebrar o gelo. Levei umas frutas para ela e ela me disse: "Pica um pouco de melancia lá para mim". Eu fui para a cozinha e caprichei. Piquei tudo bem bonitinho, fatias perfeitas em formato de triângulo, e levei para ela.
Quando ela viu, achou o máximo. Aproveitei a brecha para brincar, bem de leve:
— Você me xinga, mas eu faço o que eu posso por você...
Ela me olhou, já sem aquela agressividade do dia da briga, mas do jeito dela, mantendo a firmeza:
— Não, mas você sabe que você está errado, né?
Sabe, falado de um jeito não tão agressivo, mas que fechou a conta para mim. O recado foi dado, só que agora o resultado é que fiquei castrado. Tenho até medo de brincar com ela na cama do jeito que a gente brincava antes. A provocação que antes alimentava nosso tesão hoje me faz sentir pisando em ovos.



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