Desejos obscuros, parte 2



Quero contar agora pra vocês um pouco de como comecei minha terapia.
Resisti muito a fazer porque sempre achei que não precisava, porém resquícios de uma educação rígida e ambiente familiar conservador me trouxeram muitas coisas, algumas estimulantes outras nem tanto. Como disse no primeiro texto, depois de muita rejeição, críticas e frustações com meu esposo, aos poucos fui extravasando e dando asas às minhas fantasias na solidão do lar onde se tornou meu palco anônimo, começando a admirar meu corpo no espelho e depois à masturbação, posteriormente comecei a colocar meu urso de pelúcia para “ver” o que eu estava fazendo perguntando a ele se estava gostando do que estava vendo e outras coisas, percebi que isso aumentava minha libido.
Inconscientemente meus ursos me “ouviam” sem julgamento e meus espelhos aprovavam, mental e física, o que estava acontecendo na frente dele. Isso se tornou uma forma de autorregulação emocional e presença imersiva, onde a mente usa subterfúgios para criar um refúgio seguro de tranquilidade. O medo da desaprovação dos meus desejos e consequente rejeição a mim como mulher pelo meu esposo, acabaram fazendo com que eu separasse a vida conjugal das fantasias íntimas evitando conflitos diretos no casamento e a manutenção funcional da relação.
Na minha adolescência eu descobri o prazer anal, comecei introduzindo um dedinho com movimentos suaves, mas depois isso foi escalando. Teve um período que isso ficou adormecido pela pressão psicológica da família. No início do casamento chegamos a fazer sexo anal algumas vezes, no entanto sem grandes expectativas em razão do caráter conservador do meu esposo.
A escalada anal transcorreu através do tempo, a cada mês que se passava sentia necessidade de agredir o guloso, esse é o nome que dei a ele, tanto em circunferência como em profundidade, de forma que eu ficava muito aterrorizada de observar isso acontecer ao espelho, foram inúmeras as vezes em que meu coração disparava e dava um frio na barriga ao ver aquele objeto enorme socado na minha bunda. Colocava meu urso de pelúcia pra testemunhar toda aquela atrocidade que eu estava fazendo com meu cu, e ficava dizendo a ele:
-Olha o que sou capaz de fazer com ele...
-Olha como sou uma puta pervertida que gosta de ter o cu arregaçado...
-Você está gostando de ver isso?
-Olha, meu querido, como meu cu é guloso, olha.
Uma coisa muito prazerosa é esse impulso de querer expelir aquele dildo grosso isso está ligado ao reflexo de evacuação do corpo, o prazer está em impedir ao máximo que ele saia do meu cu, muito embora meu reto faça força pra expulsa-lo, eu não deixo isso acontecer e fico sentada em cima e não saio, muitas vezes por causa de tanta pressão eu acabo mijando.      
Ver a mim mesma no espelho e narrar a cena para o bicho de pelúcia transforma o ato em uma performance teatral e voyeurística, onde eu assumia ao mesmo tempo os papéis de quem executa, de quem assiste e de quem testemunha a própria intensidade. O cérebro humano processa uma quantidade enorme de dopamina através da visão; ver o próprio corpo sendo preenchido rompe a barreira do toque comum e gera um estímulo psicológico poderoso. Ao perguntar se o urso está vendo, eu criava uma testemunha mítica e incondicional, pois valida a cena e o corpo sem o risco do julgamento real, permitindo que eu expusesse o lado mais cru, "proibido", obscuro e bizarro da minha intimidade.
Finalmente depois de me autoflagelar, e isso incluía buceta e cu, eu gozava, porém, logo em seguida, após passar todo aquele êxtase, sentia um nojo, um arrependimento, bizarrice.
Descobri na terapia que a sensação de bizarrice surge porque o tamanho dos objetos confronta com o que eu considere "normal" ou aceitável socialmente e esse ciclo de prazer máximo seguido de arrependimento é uma resposta clássica à quebra de tabus internos, isso significa que o meu comportamento sexual traz um prazer imenso na hora, mas bate de frente com meus valores morais ou com o que minha educação considera aceitável.
Contudo depois de alguns dias, o tédio, a solidão e a ociosidade acumulada, a única forma que meu cérebro conhece para aliviar essa pressão é repetir o mesmo ritual intenso.
Esse sentimento de arrependimento e a dificuldade de lidar com esses altos e baixos que me fizeram procurar uma terapia, que por sinal está sendo excelente.
Alguns meses atrás comecei a sentir a necessidade de me expor publicamente, de sair de forma provocante, de ser observada, cortejada, atrair olhares maliciosos, a minha mente perversa estava cobrando situações reais, indicando que meu refúgio em casa estava ficando pequeno para a intensidade do meu desejo, rompendo o isolamento de usar apenas o espelho e o ursinho.
Eu não tinha muitas dessas roupas então me dediquei a compra-las e nos vestiários da lojas me olhava no espelho vestida de roupas curtas, shortinho, minissaia, blusinha, vestidinhos, me imaginar saindo de casa nesses trajes me causava muito euforia e excitação, escondi muito bem essas roupas da visão do meu marido, mas tinha muito medo que alguém conhecido me visse andando assim, afinal eu era uma mulher casada e recatada de família tradicional, porém meu desejo falou mais alto e tive a ideia de me expor bem longe dali, numa parte da cidade bem afastada da minha região,
Meu medo de ser vista por conhecidos era tanto que nas primeiras vezes, mesmo dentro do carro, vestia, por cima da roupa sensual, vestidos longos que usava pra ir ao culto, só para me proteger de olhares indesejados aí quando chegava no lugar distante eu retirava o vestido.
Um belo dia decidi ter a coragem de sair, escolhi usar um vestido curto, bem menor do que eu estava acostumada a usar, tinha uma alça muito fina o que não permitiu que eu usasse soutien, tinha um palmo acima do joelho preto um pouco justo, o suficiente pra não parecer uma prostituta, embora eu estava me comportando como tal, coloquei um fio dental minúsculo, uma sandalinha de dedo nos pés, vesti o vestido longo por cima, entrei no carro e saí. Chegando ao meu destino que era um supermercado bem longe dali, estacionei no subsolo porque favorecia a sensação de esconderijo, olhei para os lados ainda um pouco com medo, tirei o vestido longo e saí.
Longe de casa, naqueles corredores largo, naqueles trajes, eu me sentia muito vulnerável, ainda assim estava excitada, andando calmamente com o carrinho tentava parecer descontraída como qualquer dona de casa fazendo compras, porém atenta a qualquer par de olhos que cruzavam meu caminho e que pudessem me devorar com o olhar, passava nos corredores e colocava coisas aleatórias no carrinho, desfilando vagarosamente olhando pra trás e para os lados de vez em quando pra conferir se tinha alguém olhando, aos poucos fui identificando os olhares maliciosos, que não faziam muita questão de disfarçar, alguns me fizeram elogios, outros me seguiram por um tempo me despindo com os olhos.
Enfim, nesse dia não tive muita ousadia, mas a sensação que senti foi maravilhosa. Fiz ainda muitas vezes, até que fui perdendo a vergonha e a timidez, e acabei, entre esses corredores, conhecendo um rapaz, porém isso ficará para a próxima parte.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Desejos obscuros, parte 2

Codigo do conto:
269765

Categoria:
Confissão

Data da Publicação:
12/08/2026

Quant.de Votos:
5

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