A Carne do "Fluxo"



Edson tinha a mania peculiar de colecionar relógios antigos que não funcionavam, organizando-os por marca e época em uma prateleira de carvalho no corredor do apartamento. Ele gostava da ideia de que o tempo pudesse ser domesticado, parado em engrenagens enferrujadas, enquanto a vida lá fora continuava a correr em um ritmo frenético e indiferente. Para ele, o silêncio daqueles ponteiros imóveis era a única coisa que realmente trazia paz ao caos de sua rotina como divorciado em uma cidade que nunca dormia.

Naquela terça-feira, porém, o silêncio do apartamento pareceu sufocante. Eram três da manhã e ele estava vestido com uma calça de sarja escura e uma camisa polo, sentindo uma inquietação que não conseguia nomear. Sem destino certo, ele trancou a porta e desceu para as ruas do centro de São Paulo. O asfalto ainda exalava o calor do dia anterior e a luz amarelada dos postes criava sombras longas e distorcidas nas calçadas largas, onde poucos pedestres ousavam caminhar naquele horário.

Enquanto caminhava sem pressa, Edson observava a coreografia estranha da madrugada: os garis limpando a sujeira do dia e os grupos de pessoas que pareciam habitar um plano paralelo, movendo-se em círculos lentos. Ele entrou na região do fluxo, onde o ar ficava mais pesado e o cheiro de fumaça e desinfetante se misturava. Foi ali que ele viu Tânia: Uma menina, que não devia ter mais de vinte anos, com os olhos fundos e a pele pálida, vestindo um casaco três vezes maior que o seu tamanho, encostada em um muro descascado.

Tânia se aproximou dele com passos vacilantes, as mãos inquietas mexendo na barra do casaco. Ela não pediu dinheiro de imediato; apenas olhou para ele com uma curiosidade cansada, como se estivesse tentando decifrar se aquele homem era perigoso ou apenas mais um turista do caos:

— Você tem um cigarro, moço? — ela perguntou, a voz rouca, mas com uma doçura residual que contrastava com a crueza do cenário ao redor.

— Não tenho, mas tenho um lugar quente e comida se você quiser sair desse frio — Edson respondeu, surpreendendo a si mesmo com a naturalidade da proposta. Ele não sabia por que estava fazendo aquilo, mas a fragilidade de Tânia exercia um magnetismo estranho, algo que mexia com seu ego e com sua solidão.

Tânia hesitou, olhando para trás, para a massa de gente e fumaça que formava o fluxo. Ela nunca tinha saído daquela bolha de miséria desde que chegara à capital, meses atrás. A promessa de um banho e de um teto era um luxo quase inimaginável.

— Você não é maluco, né? — ela indagou, com um sorriso tímido que revelava dentes ligeiramente amarelados.

— Sou a pessoa mais normal que você vai encontrar por aqui agora. — Edson riu, sentindo-se no controle da situação. — Vem comigo...

A caminhada até o prédio foi feita em um silêncio cúmplice. No elevador, Tânia olhava para o próprio reflexo no espelho, tocando o rosto sujo com as pontas dos dedos. Quando entraram no apartamento, ela ficou fascinada com a luz branca e o cheiro de amaciante. Edson a conduziu direto para o banheiro, onde a água quente já começava a embaçar o espelho. Ele a ajudou a tirar as roupas encardidas, sentindo a pele dela arrepiar com o choque térmico. Enquanto ela entrava no box, ele pegou uma lâmina nova e um creme de barbear. "Vou te ajudar a limpar tudo, Tânia", disse ele, enquanto passava a mão suavemente pelas pernas dela, removendo os pelos com cuidado, um gesto que misturava carinho com uma possessão silenciosa.

No banheiro, a tensão começou a se transformar em desejo. Tânia, sentindo-se limpa e cuidada pela primeira vez em muito tempo, deixou que Edson a tocasse. Ele começou com beijos lentos no pescoço, descendo para os seios, enquanto ela soltava gemidos baixos, ainda incerta de como reagir ao prazer. O clima esquentou rapidamente; Edson a prensou contra a pia, e as mãos dele desceram para a xoxotinha dela, que já estava encharcada. "Nossa, você é tão apertadinha...", ele sussurrou, enquanto passeava com seus dedos, explorando cada centímetro daquela bucetinha suavemente, fazendo-a arquear as costas e soltar um gemido abafado de prazer.

— Vem, vamos para o quarto — Edson sussurrou, a voz rouca de desejo, enquanto a guiava pelo corredor, passando pelos relógios imóveis que agora pareciam ignorar a pressa do momento. Tânia caminhava descalça, sentindo a maciez do tapete sob os pés, ainda zonza com a sensação de ser desejada. Ele a conduziu até a cama de lençóis egípcios, onde a luz do abajur criava um ambiente âmbar e acolhedor. Assim que ela se deitou, ele a beijou com urgência, as mãos explorando as curvas daquela menina que, apesar da vida dura nas ruas, possuía uma pele surpreendentemente macia.

Edson deslizou seu corpo para baixo, concentrando-se na bucetinha dela com a língua, fazendo Tânia tremer e cravar as unhas nos ombros dele. "Ai, moço... que coisa gostosa...", ela arfou, perdendo a noção de onde estava. O prazer era algo novo e avassalador para ela, um êxtase que silenciava a abstinência e o medo. Sentindo que ela estava no ápice, Edson subiu o corpo, libertando o pau latejante e duro, que contrastava com a fragilidade da garota. Ele a olhou nos olhos, vendo a entrega total naquelas pupilas dilatadas, e, com um movimento firme, deslizou seu pau para dentro da xoxota dela, preenchendo-a completamente.

O ritmo tornou-se frenético. Tânia soltava gemidos altos, entregando-se ao movimento rítmico que a fazia flutuar. Em um momento de audácia, Edson a virou de costas, elevando o quadril dela. Ele posicionou o pau na entrada de seu cuzinho e empurrou lentamente. Tânia deu um sobressalto, sentindo uma pontada aguda de dor que a fez morder o lábio inferior. "Calma, relaxa para mim, menina... Relaxa que você vai curtir", ele murmurou no ouvido dela. Com paciência e algumas carícias no clitóris para distraí-la, ele conseguiu penetrar totalmente. A dor inicial foi substituída por uma pressão intensa e prazerosa, e Tânia, agora totalmente solta, começou a rebolar no ritmo dele, gritando enquanto o prazer se ser fodida em seu cuzinho enquanto seu grelinho ia sendo estimulado se fundiam em uma única explosão de sensações.

O ápice veio em um espasmo conjunto. Edson sentiu a bucetinha dela apertar seu pau em contrações violentas, enquanto ele descarregava tudo dentro dela, sentindo o calor do corpo da menina envolver cada centímetro de sua pica. Eles ficaram ali, em silêncio, apenas com o som da respiração pesada ecoando no quarto. Tânia estava exausta, mas com um sorriso bobo no rosto, sentindo-se, pela primeira vez em meses, pertencente a algum lugar, mesmo que fosse apenas por algumas horas em uma cama que não era dela.

Edson permaneceu sobre ela por alguns segundos, sentindo o peso do próprio corpo e a pulsação lenta do coração contra as costas de Tânia. O silêncio que se seguiu não era o vazio do apartamento de antes, mas um silêncio preenchido por uma satisfação carnal e primitiva. Ele se afastou devagar, observando a menina desmoronar nos lençóis, com a pele rosada e o olhar perdido no teto. Tânia soltou um suspiro longo, quase um ronronar, e se encolheu, buscando o calor que emanava do corpo dele. Ela parecia menor agora, mais vulnerável, como se a entrega sexual tivesse removido a última camada de armadura que ela carregava nas ruas.

— Você é maravilhosa, Tânia — ele disse, beijando a testa dela enquanto a puxava para perto. — Nunca imaginei que encontraria algo assim naquela rua.

Ela riu baixo, um som cristalino que contrastava com a rouquidão de antes. "Eu achei que você ia me bater ou me roubar, moço. Ninguém nunca me tratou assim", confessou ela, a voz carregada de uma ingenuidade que chegava a ser dolorosa. Edson sentiu um formigamento de poder percorrer sua espinha. Ele gostava daquela sensação: a de ser o salvador, o provedor, aquele que detinha as chaves de um mundo de luxo e prazer que ela sequer conseguia imaginar. A fragilidade dela não era apenas um detalhe; era o tempero que tornava a experiência excitante.

Ele se levantou da cama com calma e caminhou até a janela, observando a luz cinzenta da manhã começar a tingir o horizonte de São Paulo. Enquanto via a cidade despertar, Edson sentiu que algo havia mudado dentro dele. A monotonia do divórcio e a rigidez de sua vida organizada haviam sido rompidas por aquela aventura improvisada. Ele olhou para Tânia, que ainda dormitava, e percebeu que a dinâmica de poder ali era absoluta. Ela não tinha para onde ir, não tinha ninguém a quem recorrer, e a gratidão dela era a moeda de troca perfeita para seus desejos.

Edson voltou-se para a cama e observou Tânia, que se mexia vagamente entre os lençóis, como se estivesse tentando processar a transição entre o sonho e a realidade. A menina parecia ter encolhido; sem as roupas largas e a sujeira da rua, ela era apenas uma adolescente perdida em um corpo que já conhecia a dureza do mundo. Ele sentiu uma onda de satisfação que ia além do prazer físico; era a sensação de ter encontrado um atalho para a excitação, um território onde ele não precisava de jogos de conquista ou de negociações emocionais desgastantes. Ali, a vulnerabilidade dela era o combustível para a sua própria libido.

— Você quer tomar um café? — ele perguntou, a voz recuperando a calma e a autoridade.

Tânia abriu os olhos devagar, piscando para a luz do abajur. "Eu queria... eu queria ficar mais um pouco aqui", ela respondeu, a voz pequena, quase suplicante. Ela esticou a mão para tocar o lençol, sentindo a textura do tecido que, para ela, parecia vindo de outro planeta. Edson sorriu, mas não era um sorriso de caridade; era o sorriso de quem acabara de descobrir um recurso valioso e renovável. Ele imaginou outras meninas como ela, orbitando o centro da cidade, esperando por um gesto de bondade para entregar tudo o que tinham em troca de um teto e um banho.

Ele se afastou da cama e foi até o banheiro, deixando Tânia envolta no silêncio do quarto. Enquanto lavava as mãos, Edson olhou-se no espelho e percebeu que a expressão de tédio que o acompanhara nos últimos anos havia desaparecido. Havia um brilho novo em seus olhos, uma fome de experimentação. A ideia de que poderia repetir aquilo, de que poderia transformar as madrugadas de São Paulo em sua própria caça a tesouros humanos, tornou-se instantaneamente sedutora. A fragilidade de Tânia era a chave que abria portas que ele nem sabia que existiam.

— O café está quase pronto — Edson anunciou, voltando ao quarto com a voz suave, mas com uma firmeza que não deixava dúvidas sobre quem comandava aquele espaço. Ele a observou sentar-se na beira da cama, a pele nua contrastando com o branco imaculado dos lençóis. Tânia parecia desorientada, como se tivesse acordado de um coma profundo, olhando para as próprias mãos limpas com uma expressão de incredulidade. Ela tentou se cobrir com o lençol, um instinto residual de proteção que já não fazia sentido ali, mas Edson gentilmente afastou o tecido, querendo apreciar cada curva daquela menina que ele havia "resgatado".

— Você é muito bonita, Tânia. Sabia disso? — ele perguntou, sentando-se ao lado dela e passando a mão por sua cintura. Tânia encostou a cabeça no ombro dele, soltando um suspiro longo. "Eu não lembro a última vez que alguém me disse isso", ela sussurrou, a voz ainda rouca. Edson sorriu, sentindo o calor da pele dela contra a sua. Ele percebeu que a entrega de Tânia não era apenas sexual, mas emocional; ela estava depositando nele toda a sua esperança, e essa dependência era intoxicante. Era um tipo de poder que ele nunca experimentara em seus casamento fracassado ou mesmo em relacionamentos anteriores, onde tudo era negociado e equilibrado. Aqui, ele era o deus de um pequeno universo de luxo.

Enquanto tomavam o café na cozinha, o silêncio era preenchido apenas pelo som da máquina de espresso. Tânia comia a torrada com uma voracidade contida, os olhos fixos em Edson, buscando qualquer sinal de que ele pudesse mandá-la embora. Edson, por sua vez, observava a fragilidade dela com um olhar clínico, quase como se estivesse avaliando uma peça de arte que acabara de adquirir. Ele começou a falar sobre a cidade, sobre as ruas que ela habitava, e a cada palavra, Tânia se sentia mais distante daquela realidade cruel. "Eu não quero voltar para lá, moço", ela confessou, as lágrimas começando a preencher seus olhos. "Lá é tudo escuro, e frio... e as pessoas nem olham pra gente."

Edson sentiu uma pontada de prazer ao ver a vulnerabilidade dela exposta. Ele não sentia a urgência de salvá-la de forma definitiva — não queria a responsabilidade de um lar ou de um futuro para aquela garota —, mas a ideia de ser o porto seguro ocasional dela era extremamente atraente. Ele imaginou a facilidade com que poderia trazê-la de volta, ou quem sabe, encontrar outras como ela. A cracolândia, que antes era apenas um cenário de degradação urbana, agora se apresentava a ele como um catálogo de experiências sensoriais intensas e desprovidas de complexidade emocional.

— Você pode ficar mais um pouco, se quiser — Edson disse, deslizando a mão pelas costas de Tânia, sentindo a pele lisa e quente. — Mas agora eu preciso me arrumar para o trabalho.

Tânia olhou para ele com uma esperança quase infantil, os olhos brilhando sob a luz da cozinha. "Você me deixa voltar, moço? Quando você chegar?", ela perguntou, a voz trêmula. Edson sentiu um formigamento de satisfação. A dependência dela era palpável, um fio invisível que ele agora controlava. Ele não precisava de promessas vazias; bastava a sugestão de um retorno para mantê-la anexa à sua vontade. "Veremos.. Se você for boazinha, eu te busco", respondeu ele, com um sorriso enigmático que não chegava aos olhos.

Ele a conduziu de volta ao quarto para que ela se vestisse. Enquanto ela lutava com o casaco imenso e as roupas encardidas, Edson observava a transformação: a menina que horas antes era uma divindade de pele macia nos seus lençóis, voltava a ser a "usuária do fluxo", envolta em trapos e cheiro de rua. Essa dualidade o excitava. Ele gostava de saber que podia transformar aquela miséria em prazer puro com apenas alguns gestos de generosidade calculada. Ele deu a ela algumas notas de cinco reais, vendo-a apertar o dinheiro contra o peito como se fosse um tesouro sagrado.

A despedida na porta do prédio foi rápida. Tânia o abraçou com força, o rosto enterrado em seu peito, soltando um soluço baixo de gratidão. Edson retribuiu o abraço, mas sua mente já estava longe, processando a logística daquela nova descoberta. Enquanto ele a via se afastar pela calçada, caminhando em direção ao centro, ele notou que a menina não olhava para trás com medo, mas com uma expectativa ansiosa. Ela agora era parte de seu mundo secreto, um brinquedo humano que ele poderia convocar conforme a solidão ou o tédio apertassem.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Carne do "Fluxo"

Codigo do conto:
270143

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
18/08/2026

Quant.de Votos:
3

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