“Agora levas o carro discretamente até fora da cidade. Andas três quilómetros e páras. Alguém vai ligar.”
Fez o que eu disse e encostámos numa sombra ao lado da estrada.
“Sabes que a sombra não me faz bem. Estou a recolher energia e tu estás à espera do rendimento máxima. Avança uns metros para o Sol-pai.”
Antes de acabarmos o cigarro de erva, o telefone acorda-nos.
“Atende.”
“Sim.” Calou-se e ouviu. Pousou o telefone.
“É para ir.”
“Então vamos.”
Anoitecera. Eu cheirava o nervosismo controlado do Patrão, enquanto nos encaminhávamos para a entrada do prédio. Era a nossa noite de estreia, na modalidade “vai buscar”, depois de uma vida inteira a “esperar que viesse”.
Tirou as chaves do bolso. Perguntou:
“Como é?”
“O nome é Mércia. Dorme nua e cheia de medo. Um par de médias, que começam a murchar. Os filhos vivem fora e muito trabalho me aguarda à entrada do canal, do primeiro pelo menos. Precisamos de óleo, muito óleo para lubrificar o serão.”
A porta de baixo abriu sem ruído. Ele nisso era mesmo bom.
Agora subíamos as escadas, comigo à frente. Entrámos no apartamento e parámos junto à porta do quarto.
“Toma lorazepam e trazodona.”
Empurrou a porta. Silêncio e uma mistura de cheiros nocturnos.
“Nem para os perfumes tem gosto.”
O Patrão, comigo à sua frente, levantou o lençol. O corpo era branco.
“Não estou a gostar nada disto.”
Debruçou-se sobre a mulher, tocou-lhe no pescoço e abriu-lhe a boca.
“A tua Mércia está morta.”
Ficara pálido e os músculos tremiam-lhe.
Puxei-o para o corpo e procurei o tesouro da velha. Eu queria ser o último e, de certa forma, o primeiro a explorar os canais perdidos da morta.
“Não! Não, por favor.“
Abri-lhe os lábios finos da vulva e entrei, oh se entrei, e deixei de ter donos, o espaço infinito fazia-me crescer até ao fundo dos restos abandonados da velha descomposta. O Patrão caiu nas minhas costas como se o coração tivesse parado de repulsa. Empurrei-o para o chão e a satisfação invadiu-me ao saber que era o último vivo, o único a acreditar. Toquei-lhe as mamas frias, excitei-lhe os mamilos com o desejo passado e vomitei-lhe sobre o peito.
“Ninguém vos poderá contar a verdade. Excepto eu, meio morto.
Eu… o caralho do Patrão.”