As Posições da Missionária - parte I: o fauno.



PRÓLOGO

O Instituto de Kisharografia e História pediu-me um depoimento pessoal sobre erotismo entre humanos e soans. Como cronista e filha de historiador, sei como as questões mais prementes e óbvias para uma geração podem soar incompreensíveis para as seguintes. Por isso, resumo as circunstâncias para quem vier a ler estas linhas no futuro.

Um ano antes do meu nascimento, meu país foi dividido por uma guerra civil. Na Capital, venceram os revolucionários. Apesar de teoricamente continuar a ser vassala do Casal Imperial, na prática nossa Comuna se tornou uma cidade livre que impôs novas leis e aboliu a escravidão dentro de seus limites. A convulsão social causada pela libertação dos escravos foi superada e a maioria deles e de seus descendentes assimilada em nosso corpo cívico, mas não os nossos soans, os humanos-animais de Atlântida.

A origem dos soans, dos quais conhecemos treze espécies e quarenta estirpes, não vem ao caso. O importante é que na maioria foram escravos antes da Revolução, como ainda o são nos domínios imperiais. Desamparados durante o difícil processo de reconstrução, muitos não sabiam ganhar o sustento em liberdade e suas aparências e hábitos dificultavam a integração. A maioria foi morar no pobre Bairro da Sarna, porque ali viviam os poucos soans livres de antes da Revolução e é mais barato. Ali a Comuna lhes garantiu um teto e o mínimo necessário para comer, mas pouco mais. Quase toda a população humana deixou o bairro e logo ele se transformou num foco de doenças, sujeira e criminalidade miúda, alvo de preconceitos e nicho de movimentos separatistas.

Minha família teve um papel importante na Revolução, continua influente e considera a integração dos soans uma questão de vida ou morte para o futuro da nossa democracia. Quando eu chegava à maioridade, a maioria dos outros problemas políticos internos e externos pareciam mais ou menos equacionados e conseguimos aprovar na Assembleia um plano de reurbanização e promoção social que fazia da Sarna a prioridade máxima.

Nessa época, eu me tornara devota de Chiuknawat, deusa da liberdade e padroeira da Comuna, e resolvera lhe dedicar alguns anos como noviça de seu culto. Meus pais, embora tenham ótimas relações com a deusa, não aprovaram inteiramente essa decisão, que implicava suspender os laços de casa e família para viver da hospitalidade dos adeptos, mas a aceitaram. E como eu compartilhava de suas preocupações com a Sarna, ali eu me dediquei a exercer minha vocação em cooperação com a Comuna.

Bem, como pessoa de magia potente, o sexo é para mim quase uma necessidade básica. Toda magia desperta sensações sexuais proporcionais a seu poder. As magias receptivas, como minha telepatia, são como seduzir os fluxos da natureza e se abrir a ser penetrada por eles. As emissivas, como minha psicocinese, manifestada por tentáculos invisíveis, são como persuadir a realidade a se entregar ao seu desejo. A viagem astral é como parir a si mesma, sem falar das entidades libidinosas que se pode encontrar no caminho. Por isso, a maioria dos magos, mulheres ou homens, tem uma libido desmedida e eclética. Conhecê-la e controlá-la é o primeiro passo do aprendizado.

Convivi com soans em casa e na escola e cedo partilhei de sua intimidade, inclusive sexual. Viver num bairro habitado quase só por eles me levou a mais experiências, ricas e variadas. Assim, sinto-me preparada para esclarecer e orientar os interessados.

Aproveito para afastar falsos boatos repercutidos pela imprensa tradicionalista e pelos demagogos anti-integracionistas. Não é verdade que soans podem emprenhar mulheres humanas. Em séculos de história atlante, não há um só caso comprovado. As velhas histórias, se não foram inventadas para assustar, podem ter-se originado de bebês com malformações congênitas vagamente parecidas com características animais, o que infelizmente pode acontecer mesmo se a mãe jamais viu um soan em toda a vida.

Soans não são animais, nem marionetes dos instintos. São tão inteligentes, curiosos e afetivos quanto nós, embora não tenham casamentos (exceto, de certo modo, os harpianos) nem redes complexas de parentesco. Assim como sua aparência e seus genitais, suas pulsões são mistas de animal e humano. Alguns soans machos têm potência sexual muito superior a um humano e a controlam melhor do que os homens. Sereias e pitecinas à parte, a maioria das fêmeas têm pouco ou nenhum interesse sexual fora de alguns dias de cio por mês, mas nestes podem ser insaciáveis (literalmente, no caso das panterinas).

Demasiado alarde se faz de estupros de humanas por soans, mas desde que me tenho por gente, houve apenas dois casos na Capital, ante mais de vinte de soans sexualmente atacados por humanos. Os amuletos mágicos pekenan usados contra o estupro por homens são inócuos contra eles, mas um mínimo de cautela e decisão basta para substituí-los. É raríssimo um soan tomar uma fêmea, humana ou não, pela violência.

Não é verdade que os soans descendam, em geral, de bandidos. Outrora, como ainda se faz nas terras sob domínio imperial, certos criminosos humanos eram punidos com a transformação em soans. Principalmente os magos, pois isso nos anula os poderes de maneira irreversível. A grande maioria dos soans vem, porém, de linhagens anteriores à própria Atlântida. Com certeza, há proporcionalmente muito mais delinquentes e seus descendentes entre nós, humanos. Não que importe. Os feitos dos antepassados nada dizem sobre nós, quer nos envergonhem, quer nos orgulhem.

Trepar com soans não é um “vício” capaz de fazer alguém perder o desejo por humanos. Há casos de paixão e amor duradouro entre humanos e soans, mas essa é outra história. Comi muitos soans de ambos os sexos e de várias espécies e continuo a sentir tesão por homens e mulheres, como muitos conhecidos e conhecidas com experiências semelhantes. Aliás, aproveito a calmaria do final da gravidez para escrever este artigo e tenho muito prazer com o pai de meus filhos e a sua esposa , sem me limitar a eles. Fodas carinhosas a três são hoje meu pão de cada dia, mas reencontros e aventuras são a mistura e o tempero da vida.

Se você sente atração por um soan específico com o qual criou amizade e intimidade, converse com ele ou ela a sós. Se for inexperiente, você terá de explicitar claramente seu desejo, porque muitos deles e delas compreendem mal nossos códigos de linguagem corporal, tons de voz, insinuações e subentendidos. O pior que pode acontecer é uma negativa assustada. Não conheço mulher ou homem agredido por um soan a quem tenha oferecido amor. Mas se ele aceitar e nenhum de vocês tiver experiência em sexo interespécies, tenham calma e entendam antes a anatomia e as pulsões um do outro. Espero que este texto ajude, mas talvez não baste.

Agora, se você quer apenas novas sensações ou a satisfação de uma fantasia, procure um soan acostumado ao sexo com humanos. Admito ter quebrado essa regra mais de uma vez, mas pelo amor de Chiuknawat, faça o que eu digo e não faça o que eu faço, a menos que tenha poderes mágicos, treinamento físico e safadeza comparáveis aos meus.

Caso você queira me imaginar nas situações que descreverei para se divertir, não se acanhe, pois eu faria o mesmo. Se aceita uma ajuda, sou cor de bronze, olhos rasgados, cabelos negros lisos e compridos, curvilínea, atlética, quadril mais largo que o busto, estatura média, peitos pequenos e redondos de bicos negros, umbigo amendoado, mãos de dedos longos e unhas curtas. Tenho um rosto sapeca, simétrico e um pouco andrógino, nariz suave, maçãs proeminentes, lábios grandes e carnudos – tanto os de cima quanto os de baixo –, sobrancelhas e pentelhos selvagens, boceta e grelo salientes. Meus amores gostam de meus olhos muito negros e brilhantes, minha voz quente e minha bunda firme. Quando têm visão mágica, também apreciam minha aura intensa, de raios cor de turquesa. Uso, de preferência, sandálias de couro e um saiote vermelho ou das cores da Comuna, vermelho, branco e negro. Quando o tempo ou a ocasião pedem, uso calças e talvez um poncho das mesmas cores. Quando a ocasião pede, me desfaço disso num piscar de olhos, seja qual for o tempo.

CAPÍTULO I: O MELHOR AMIGO DA MULHER

Jauans, pecorinos ou faunos, ou pelo menos seus machos, são os soans mais acostumados a foder humanos, principalmente mulheres. Nas montanhas, onde essa prática nunca causou grande escândalo, dizem que o cão é o melhor amigo do homem, mas o melhor amigo da mulher é o fauno.

Alguns deles acham as mulheres mais excitantes que as faunas, não tão entusiásticas quanto algumas de nós e propensas só no cio. Embora hoje muitos dispensem o disfarce, na Capital, muitas mulheres (e alguns homens) ainda preferem ir a encontros noturnos na Sarna em pequenos grupos e de rosto coberto com um lenço ou capuz, a imagem clássica da jauxin, amante de faunos. Se você quer se iniciar, sugiro procurar pelo menos duas mulheres experientes dispostas a levá-la a uma tertúlia com um fauno delas conhecido.

Também como nos velhos tempos, há nos domínios imperiais mulheres poderosas que os mantêm como escravos. Em geral são bem tratados, mas mencionar sua existência ou finalidade na presença da dama, mais que uma gafe, pode ser uma ofensa grave.

O macho é troncudo, em geral alguns dedos mais baixos que uma mulher atlante e com chifres majestosos, cujo formato depende da estirpe. Há pelo menos quatro: Pã (caprinos), Amon (ovinos), Belenos (cervos) e Moloc (gnus). Há mestiços com quatro chifres, um par de cada origem. O rosto pode ser quase animal ou um meio termo entre animal e humano, geralmente triangular e de testa larga, coberto de pelos macios e com barbas longas nos machos. Os olhos têm pupilas horizontais. Braços e mãos são quase humanos. A pelagem longa ou curta, crespa ou sedosa, escura ou clara, cobre todo o corpo. Eles têm uma cauda curta e as pernas têm cascos fendidos como os de bodes e carneiros.

As faunas são menores e mais delicadas, têm chifres pequenos e não têm barbas. Se você se sentir atraído por uma delas e ela corresponder, não seja tímido, mas seja paciente. Elas gostam de flertar e brincar, de serem provocadas e de longas preliminares. Querem-nos para relações lúcidas, meigas e prolongadas, que as excitam pouco a pouco, mas culminam em orgasmos mais profundos e satisfatórios do que aqueles que conseguem com seus machos. Paradoxos da vida. Os homens não precisam ter medo de ter sua potência comparada à de um fauno, desde que a penetração seja carinhosa, profunda e demorada.

Elas gostam especialmente de beijos, chupadas e carícias nas orelhas, nos chifres, na cauda, nas tetas e nos longos mamilos (são deliciosos). A xoxota é parecida com a nossa, exceto por um pormenor: o grelo fica mais para dentro e embora seja fácil encontrá-lo e acariciá-lo com o dedo, é mais difícil usar a língua. Elas retribuem tudo de muito, muito boa vontade. Convém mostrar-lhes como nossas pernas e pés também são sensíveis, pois os delas não o são tanto.

A maioria das mulheres humanas quer, porém, os machos. A maior parte do segredo é o cheiro. Faunos não têm o bodum fedorento dos machos caprinos e sim um aroma agradável, pelo menos às mulheres. Com o que se parece? Bem, eu me lembro da minha primeira experiência com um fauno a cada vez que passo pela barraca das trufas no mercado. Quando eles se excitam para valer, essa fragrância, concentrada atrás dos chifres, se torna mais embriagante para a maioria das mulheres do que para as próprias faunas no cio, embora tenha pouco ou nenhum efeito na maioria dos homens (nem em cabras). Viramos bacantes doidas e desinibidas. É difícil de explicar para quem sente apenas um odor peculiar, às vezes descrito como sulfuroso.

Assim como ao se entregar ao encanto do fauno você não se importará se ele não for a epítome dos padrões de beleza de sua espécie, pouco se lhes dá se você é gorda ou magra, jovem ou velha, feia ou bonita pelos padrões humanos. Na verdade, poucos se incomodarão se você for homem, mas não recomendo se você não for dos poucos machos sensíveis ao aroma do fauno. Por mais que goste de ser enrabado, provavelmente vai achar demais se não estiver sob o feitiço do seu perfume. De toda forma, leve muito óleo de coco, seiva de babosa, nuru ou qual seja o lubrificante de sua preferência. Uma mulher jovem e lúbrica talvez não precise, mas você, sim!

Seus caralhos são um pouco maiores que os humanos, com glandes mais compridas. As bolas são maiores que ovos de galinha e podem esporrar mais de dez vezes seguidas. Alguns homens conseguem várias fodas num só dia (seis é o padrão para trabalhar num bordel atlante), mas a técnica exige calma, concentração e adiamento da ejaculação. Com um fauno, o sexo é furioso. Não preciso explicar como lhe dar prazer, ele cuidará disso. Você fará com tesão o que quer que ele queira e tudo parecerá maravilhoso. O problema será lidar no dia seguinte com um corpo contundido e assado e uma autoimagem em frangalhos. Se tiver vergonha na cara, terá vontade de implorar para a terra se abrir e lhe engolir. Se for como eu e não tiver, vai rir muito de si mesma.

Para ilustrar, conto-lhe minha primeira vez com um fauno. Eu trabalhava de dia com adeptos e ativistas em projetos de revitalização e organização e à noite procurava conversar com os indiferentes para entendê-los melhor e descobrir como motivá-los. Na Sarna daquela época não havia circos, casas de espetáculos ou feiras de diversões. O único lazer noturno eram as tavernas e embora eu não seja de comer ou beber muito, lá os encontrava. Eu já acompanhara meu mestre Anpu, um homem-chacal, em tavernas carnívoras, mas agora queria conhecer mais herbívoros. Não é que herbívoros e carnívoros necessariamente se deem mal, mas não suportam o cheiro das comidas uns dos outros. Se você encontrar os dois tipos na mesma taverna, algo fora do comum, provavelmente político, está acontecendo.

Fui sozinha, então, à Taverna da Hortelã, uma das maiores e mais simpáticas tavernas herbívoras do bairro. Eu não tinha dinheiro, mas o gerente, um velho minotauro chamado Zinden, era adepto e como diz o ditado, quem dá à sacerdotisa, empresta à deusa. Sentada sozinha à beira de uma mesa grande, com uma cuia de marçó pela metade e frustrada pelas barreiras de desconfiança, ia desistir por aquela noite e dormir nos fundos da casa do gerente, que me oferecera abrigo, quando um fauno mestiço trouxe sua cuia e veio puxar conversa.

Li sua mente. Um grupo de mulheres costumava encontrá-lo ali naquele dia do mês, mas não aparecera. Ao me ver, teve esperanças de não desperdiçar a noite, mas minha atitude era diferente das humanas que conhecera e com as quais me comparava, intrigado. Seu desejo, superficial, mas sincero, não me desagradou. Chamava-se Kernun e tinha uma rara combinação de chifres de cervo de Belenos e de carneiro de Amon, menores que os dos não mestiços. Faunos com chifres pequenos ou estranhos são pouco considerados pelos pares e pelas faunas, atraídas por cornos grandes e clássicos. Por isso, são os mais propensos a procurar humanas e hábeis em lidar com elas.

Para mim, seus chifrinhos exóticos eram bonitos, seu rosto agradável e ele era mais alto e elegante que o comum. Trazia uma sacola bordada a tiracolo e uma tanga longa de tecido fino preso com um grande broche que, como suas pulseiras e braçadeiras, era de falso oricalco. Cheirava muito bem para meu gosto e parecia ter-se dado ao trabalho de banhar-se e escovar o pelo castanho-avermelhado e suave. Pelos padrões da espécie, era um dândi.

– É a primeira vez que você vem aqui? – Perguntou ele, como quem não quer nada.

– Nesta taverna? Sim. – Fiz-me de desentendida.

– E o que procura?

– Conhecer, conversar, fazer amigos. Sou noviça de Chiuknawat e vim ajudar a fortalecer o culto e o projeto de revitalização da Comuna, você já ouviu falar? – Gesticulei, animada.

–Hã, acho que sim... Religião e política não me interessam, mas se nossas relações com os humanos melhorarem, eu ficarei feliz. Gosto de conhecer humanas, especialmente.

– Entendo. Por mim, tudo bem, agora não é hora de debate e trabalho, mas de prazer. – Decidi-me a espicaçá-lo, sua elegância e franqueza eram interessantes.

– Você já se divertiu... com alguém como eu? – Perguntou, animado, fantasias agitadas passando pela imaginação. Muito rápido e vago para sentir pormenores, mas sem sinais das atitudes que me secam, como crueldade, grosseria, hipocrisia ou cinismo. Havia muita safadeza de esteta excêntrico, mas quem sou eu para reclamar? Éramos dois.

– Não assim, mas sempre tem uma primeira vez. – Segurei-lhe a mão e o encarei com um sorriso. O aroma ficou mais forte, fiquei levemente lânguida e mais do que levemente excitada. Ela percebeu e também sorriu.

– Você sabe a diferença entre clima e tempo? – Eu ri muito. Essa cantada é mais velha do que a Atlântida, mas quando o contexto é adequado, não faço questão de originalidade.

– O clima é o que está acontecendo entre nós e o tempo é o que estamos perdendo, Kernun-xin. – Tratei-o como amante, beijei-o e saímos juntos. Era uma noite clara, com as duas luas no céu e os olhos dele as refletiam como lanternas. Eu já estava acostumada com isso, mas sempre me dava um arrepiozinho agradável. Sem a mistura de cheiros da taverna, a fragrância ficou ainda mais provocante. Eu ouvira histórias das jauxin, mas sentir na carne é outra coisa. É querer fazer tudo para agradar, apaixonar-se de forma totalmente carnal. Arrepiei-me ao me perguntar se qualquer fauno faria comigo como quisesse se me fizesse cheirá-lo. Se eu o rejeitasse e ele insistisse e exalasse mais intensamente, eu teria resistido? Não tinha certeza.

– Tlalpan-xin... Você é diferente, não se esconde! – Como de costume, eu usava só o saiote, as sandálias, a cara e a coragem. – Não tem medo de ser falada?

– Quem, eu? Olhe bem para mim! – Brinquei. – Para ser franca, tanto melhor se fofocarem. Derrubar tabus entre humanos e soans é parte da minha missão.

– Ah, minha gostosa, nessa parte do trabalho missionário eu tenho prazer em ajudá-la. – Abraçou-me e nos beijamos profundamente. Minhas tetas roçaram seu pelo macio e os mamilos ficaram durinhos. Ele babava um pouco, como acontece com muitos soans excitados. Eu também, só que pela boca de baixo. Encostei-me a ele e senti a ereção por baixo da tanga. Sem ligar para os transeuntes, esfreguei-me nele, agarrei-o pelos chifres para cheirar sua cabeça e tive um primeiro orgasmo. Muitas mulheres reagem assim e eles adoram, pois lhes dá prazer e é a confirmação de estarmos na palma de sua mão.

– Aqui, não. Venha comigo. – Conteve-me, apertou o passo e me conduziu feito uma cabrita obediente. Eu o teria seguido para o matadouro e foi exatamente para onde ele me levou.

CAPÍTULO II: O LABIRINTO DO FAUNO

– O que é isso? – Perguntei, frente a um conjunto de paredes e colunas arruinadas e marcadas pelas intempéries, com mais que o dobro da minha altura. O teto que um dia tinham sustentado desaparecera há muito. Ele passou o braço pela minha cintura e explicou.

– Chamam de “Labirinto”. São os restos de um antigo abatedouro. Nos dias da Revolução, os soldados de Odu Arpá trancaram aqui e queimaram vivos um grande grupo de rebeldes, tanto humanos quanto soans. Quando a guerra acabou, a Comuna quis mantê-lo como um memorial. O povo acha esse lugar mal-assombrado e não entra nem de dia, quanto mais à noite. Mas nós não somos supersticiosos, não é? Acho esse lugar... inspirador. É um monumento à amizade entre nós e vocês.
Eu as teria reconhecido se não estivesse tão zonza. Mas isso era metade da verdade, captei-lhe nos pensamentos. A outra metade é que vivia num porão malcheiroso, tinha vergonha de me levar para lá e não podia pagar uma hospedaria. De qualquer modo, fiquei comovida.

– Com você, eu topo tudo!

– Feche os olhos e me deixe levá-la.

Obedeci e ele me vendou e me carregou para dentro das ruínas. Ficou animado, sua fragrância ficou um pouco mais forte e minha sensatez um pouco mais fraca.
Ele me largou suavemente de bruços sobre grama alta e macia. Senti a coceirinha das folhas e ouvi um coro de grilos, mas o perfume me dominava cada vez mais os sentidos.

– Tire a venda e abra os olhos. – Ouvi.

Obedeci, ergui-me sobre os cotovelos e me vi em um espaço largo cercado de paredes escuras, com as estrelas por cima. À minha frente Kernun, os olhos como faróis, sentado sobre uma coluna caída. Ele me deixara na postura de uma escrava frente ao seu amo. Normalmente, meu lado político e religioso teria se rebelado. Na Comuna ninguém é escravizado! Não brinque com isso! Muito menos com uma noviça de Chiuknawat, a deusa da liberdade! Mas naquele estado, só queria agradá-lo. O povo dele foi humilhado pelo meu por milênios, tem o direito a inverter as coisas por troça, justifiquei para mim mesma. Beijei-lhe amorosamente os cascos, como faria uma boa escrava.

Ele tirou calmamente a tanga e me exibiu o pau duro de pouco menos de um palmo. Uma gota como de orvalho cintilou ao luar ao se derramar da ponta, feita uma estrela cadente. Eu tive vontade de chupá-lo, mas ele tinha outros planos.

– Fique de pé, Tlalpan-xin. Quero te ver melhor. Dê uma voltinha. Assim... fique de costas. Uau, você é uma cabrona! Dance pra mim! – Tirou da sacola uma flauta de Pã e começou a tocar com bastante habilidade uma música alegre e sensual.

Ondulei quadris, tronco, braços e mãos ao som da melodia distante de maneira tão lasciva quanto podia. Não é pouca coisa, modéstia à parte. Senti sua satisfação e tomei a iniciativa de soltar o cabelo e tirar o saiote e as sandálias ao dançar. Curvei-me para trás até conseguir olhá-lo enquanto dançava e mexia os peitos e os braços e depois continuei a dançar enquanto descia até deitar-me de costas. Depois dancei de joelhos e me levantei com movimentos serpenteantes do ventre e tremidinhas. Satisfazer seus caprichos com fervor e criatividade me dava um prazer inexplicável. Ele se eriçava por saber disso e eu me excitava por saber que ele sabia e por sentir seu cheiro mais forte. Quando ele bateu palmas, estremeci e quase gozei.

– Agora toque-se, eu quero ver! – Pediu e passou a uma música mais lenta.

Acariciei-me nos seios, no ventre, na bunda, no grelo e na boceta enquanto o olhava, rebolava, girava e quase me sentava no seu colo. Ele gostava, mas era bobo, fácil demais. Para me exibir, deitei-me com as costas em arco para trás, plantei bananeira, fiz estrela, folha seca, macaco, meia-lua e mais, sem deixar de me tocar e balançar ao som da melodia.

Quando eu era pequena, adorava artes circenses, principalmente prestidigitação, artes marciais, malabarismo, acrobacia, ginástica artística, equilibrismo, arremesso de facas, engolir espadas e contorcionismo. Meu pai me incentivou e virei a alegria das festas, o circo de uma menina só. Na adolescência fiquei ainda melhor, percebi como algumas dessas artes excitavam rapazes e moças de quem gostava e acrescentei ao repertório algumas variações para demonstrações privadas. Como me dobrar até lamber a minha própria boceta e o meu cu. Ele pôde verificar como eu continuo flexível.

Estupefato, ele perdeu uma ou duas notas, mudou o ritmo e ficou visivelmente, audivelmente e cheiravelmente exaltado. Num movimento único e elástico, voltei a me desdobrar e me pôr de pé, levantei uma perna num espacate vertical de mais de cento e oitenta graus, penetrei a xoxota encharcada com dois dedos quase na cara dele e fui recompensada com mais um sobressalto. Ondeando para frente e para trás, meti três, quatro dedos e por fim o punho inteiro, enquanto meus néctares escorriam perna abaixo. Eu tinha feito isso uma só vez na vida, pela mão de outra mulher e em posição mais confortável. Não tinha gostado e jamais voltara a tentar, mas dessa vez foi quase fácil e prazeroso. Para você ver como eu estava louca.

Kernun parou e ficou boquiaberto. Aproveitei a atrapalhação dele e meti na cara dele minha mão toda melada. Ele largou a flauta, agarrou a mão e a lambeu e chupou, dedo por dedo. Acredite se quiser, mas tive um orgasmo na mão, além da euforia por lhe dar prazer com minhas secreções. Deitei-me na coluna caída e ele foi à fonte com entusiasmo. Agarrei-me a seus chifres, torci-me como doida e gozei com sua língua.

Com isso, ele deu meu aquecimento por encerrado e se pôs de quatro.

– Vem, Tlalpan-xin, beija meu cu!

Eles são bem sensíveis no traseiro, incluído o rabo propriamente dito, que fica empinadinho como um segundo pinto. Massageá-lo com uma mão enquanto se mete a língua no cuzinho e se acaricia a piroca com a outra é levá-los às portas do Paraíso. Satisfeito, ele deu uma cambalhota, agarrou-me pela cintura, encaixou-se e meteu até o fundo na minha boceta melada, feito ferro quente em cera de abelha. As bolas peludas me bateram na xoxota e soltei uma longa e aberta exclamação de desafogo.
Dar de quatro no mato não é o ideal, mas na minha ansiedade por comê-lo, senti-me na glória. Ele parou um momento para desfrutar da minha tremedeira, saiu devagarinho e entrou de novo com mais força. E repetiu e retumbou e reverberou com ferocidade. Eu era um bumbo percutido por uma baqueta bem pesada e exclamava a cada impacto. Meu gozo me sacudiu como um desses trovões que nos caem quase em cima. Ainda estava perdida nos meus espasmos quando vieram os dele, pulsantes e vibrantes, com um esguicho de arrepiar.

Caímos de lado. Ele me envolveu e me acariciou os seios, sem sair de dentro. Deixei-me relaxar, mole como uma boneca de trapos, em seu abraço de pelúcia. Viajei em sonhos semilúcidos e no aroma gostoso. Quando o tônus me voltou, procurei retribuir massageando a piroca afrouxada com a vagina. Eu estava molenga demais para fazer direito, mas o efeito foi imediato. A pica ficou de novo dura pra cacete e ele estremeceu e se pôs em movimento. A posição em concha tornava a experiência mais doce e apimentada, porque ele me massageava os peitos e eu me tocava uma siririca. Após mais um intervalo, me sentei sobre ele virada para os cascos e mãos no chão, ainda sem ele tirar o pau de mim um só momento. Tentei de novo lhe dar uma boa espremida, mas ele corcoveou como um cavalo chucro e tive de me concentrar em não ser jogada para longe. Foi mais divertido do que sensual.

Cansada de ficar de costas, eu pedi para me virar de frente para ele. Ele se sentou, com um sorriso travesso.

– Você quer morder mais do que pode mastigar!

Ingenuamente, aceitei o desafio. Montei no pau duro de novo, abracei-o e arregalei os olhos. O eflúvio superexcitado me pegou em cheio. Meu arfar me fez aspirar ainda mais e ter um orgasmo de me deixar de olhos perdidos e língua de fora, agarrada a seu pescoço, antes de ele se mexer.

Malicioso, ele passou dois dedos na cabeça, no ponto detrás dos chifres de onde vem a secreção mais forte e os meteu na minha boca aberta de retardada. Fiquei alucinada. Não é maneira de dizer. Vi mil rostos coloridos de Kernun, senti mil mãos me agarrarem mil bundas, mil bocas me chuparem mil tetas e mil línguas, mil dedos e mil caralhos fosforescentes e serpenteantes me penetrarem mil bocetas e mil bocas, me banharem de porra aos baldes. Todo o universo sempre fora e sempre seria só aquilo por toda a eternidade.

CAPÍTULO III: DONA DO MEU NARIZ

Voltei a mim deitada, pelada, sozinha e toda melecada de esporro de fauno, largada em um canto qualquer das ruínas e fula da vida. Como assim? O cafajeste me deixou aqui?

– Kernun! – Gritei, quase chorando de indignação.

Ouvi um assobio e um chamado:

– Vem me pegar! Quem tocar a bunda do outro primeiro faz com ele o que quiser até o fim!

Ah, ele queria brincar de esconde-esconde? Isso era diferente. Sorri e fui atrás,mas estava grogue demais para me orientar no labirinto escuro. Paredes e pilares me pareciam todos iguais. Então eu o ouvi atrás de mim, fugi e me perdi. Cada sombra, cada ruído me sobressaltava. Afligia-me quando pisei em um lugar de onde manava água e dei-me conta de estar agoniada de sede. Prostrei-me no chão e pus-me a beber da poça feita uma cadela, disposta a deixar Kernun me tomar como quisesse. Nada aconteceu, mas a água fresca me clareou as ideias e a joguei no rosto e cabeça para me desanuviar. Voltei a mim e me lembrei quem era, o que queria e do que era capaz.

Estiquei-me, firmei os dedos nas fendas entre as pedras, escalei a parede e me pus de pé em cima do muro. Olhei ao redor, caminhei e saltei sobre os muros de pedra, silenciosa como uma pantera ao caçar um veado, até ver os chifrinhos. Ele não me percebera e olhava por uma esquina à minha procura. Desci devagar, saltei por trás e o derrubei.

– Peguei! – Proclamei, excitada. Enquanto ele estava atordoado, fiz o que ele pretendia fazer se me surpreendesse. Enquanto lhe segurava a coxa com a direita, melei os dedos da mão esquerda na minha xereca ensopada e meti o indicador até o talo. Ele se contraiu de susto como para me expulsar, mas era pôr tranca depois da porta arrombada. Fiquei firme.

– Relaxe e aproveite, gostosão, eu ganhei!

Ele foi um bom perdedor. Abriu as pernas, afrouxou o aperto e me deixou fodê-lo à vontade. Meti dois dedos da mão melada no cuzinho, outra na pica e lhe dei umas mordidinhas no rabo. Quando eu o achei pronto, criei um tentáculo mágico de boa espessura e fui no fundo. Começou a dar estocadas bruscas e involuntárias no ar e eu tive de acompanhá-lo. O jogo ficou um pouco bruto, mas ele não reclamou até esporrar longe, com um balido estridente.

Enquanto tremia, eu o abracei e acolhi por trás, como ele me fizera antes e respirei com cuidado para dosar o quanto aspirava da sua emanação estonteante. O suficiente para me embriagar e ter meus próprios estremecimentos de prazer sem perder o juízo.

– Deite-se de costas – Sussurrei, quando o senti pronto para outra. – Vou te chupar o pau e trate de me lamber essa xoxota cheia da sua porra.

Fiz bom uso de minha habilidade de engolidora de espadas, na variante reservada para exibições íntimas. Traguei-o inteiro, enquanto ele fazia sua parte. Como das outras vezes, a brincadeira logo ficou agitada, mas consegui levá-la até o fim sem largá-lo nem o morder. Poderia ter engolido, mas dividi o brinde com um beijo. Ele parecia gostar da novidade de receber ordens, talvez nunca tivesse experimentado.

– Agora de frente, sem truques e quieto! – Sentei-me outra vez na pica, ele sentado, de pernas esticadas, segurando minha bunda. Segurei seus ombros a uma distância medida. Com machos, é a minha posição favorita. Consigo ordenhar, sugar e expelir o pau à vontade com a vagina, é gostoso para os dois e vejo as caras que fazem. Quando ele não pôde mais se segurar, eu estava pronta. Dei uma boa espremida no pau, senti o latejar e gozei junto com ele. Espirrei porrinha e ele ficou surpreso, pois nunca vira uma fêmea fazer isso. Gostei de saber que eu era tão bizarra para ele quanto ele para mim.

– Como você se portou bem, vou deixar você me enrabar. Não é o que você queria? Mas primeiro vai lamber direitinho como fiz com você e me atiçar com o dedinho.

Na verdade, eu estava com a xoxota cansada e dolorida e queria variar. Claro, dar o cu na posição de cachorrinho é para principiantes. Mandei-o ajoelhar e me suspender as pernas para o ar, por cima dos ombros e me fazer de galinha assada para me lamber. Depois eu mesma segurei as pernas para ele brincar no meu furico com dedos lambuzados em meus próprios fluidos. Quando me dei por satisfeita, melequei o pau dele com minhas secreções, apontei-o para o meu cuzinho, convidei-o a entrar e me segurei nas coxas dele. Forçou um pouquinho, mas depois correu tudo muito bem. Toquei outra siririca enquanto ele se divertia e gozei bem, mas já me sentia cansada e lhe disse para pararmos.

– Por favor, só mais uma, depois descansamos! – Suplicou ele.

Uma artista amável volta ao palco se a plateia pede bis. Fizemos uma variação anal da minha posição favorita, sentada sobre as coxas dele e de frente para ele, desta vez segurando nos cascos e não nos ombros. Não sou tão hábil atrás quanto na frente, mas ele não se queixou.

Pedi trégua. Enquanto eu me esticava, ele deu um pulo aonde deixáramos nossas coisas e me trouxe as sandálias, o saiote e um pote de água fresca, da qual eu estava mesmo precisando. Deitei de lado e ele me aconchegou. Senti o pau ainda duro e propus:

– Estou cansada para colaborar muito, mas se quiser, pode me pôr atrás de novo.
Não foi preciso dizer duas vezes. Dessa vez, eu apenas me entreguei. Deixei-o regalar-se e caí no sono após o orgasmo, com o pau dele ainda no cu. Sonhei passear entre flores em forma de caralhos e ver bocetas voadoras a procurá-los como borboletas, mas dessa vez não foi alucinação, apenas minha imaginação fértil.

Acordei com a aurora, ainda aquecida pelo corpo peludo de Kernun. Lembrei-me do compromisso no meio da manhã. Precisava de um banho, com urgência. Quando fui me levantar, tudo doía. Deixei escapar um gemido.

– Você está bem? – Perguntou ele, genuinamente apreensivo, ao fazer o nó da tanga.
– Sinto-me como quem levou uma surra de vara. – Parei de amarrar as sandálias para rir de meu próprio trocadilho. – Mas estou inteira. Vou sobreviver.

– Desculpe-me se exagerei, mas nunca uma fêmea me excitou tanto. E você estava sozinha. Sempre me procuram em três ou quatro, pelo menos.

– Tudo bem, eu sabia no que estava me metendo. Bom, mais ou menos. Da próxima vez, não tente me baratinar. Topo quase qualquer parada, mas quero saber o que faço.

Fui ao banho público e me lavei bem, mas não me livraria tão logo do cheiro de fauno. Não entre soans, cujo olfato é bem mais sensível que o nosso. Não me surpreendi quando a reunião acabou e meu mestre, o homem-chacal Anpu, me perguntou:

– Como vai Kernun-pu? – O tratamento indicava que o conhecia, mas não o tinha como amigo.

– Vai bem. – Sorri. – Melhor do que ontem, quero crer. Então você não só sabe o que fiz, mas com quem?

– O rastro dele é inconfundível. Bem, é uma boa escolha para uma humana atraída por eles, suponho. Um sujeito solitário, mas decente.

– “Decente” não é a palavra que eu usaria, mas é gentil e tem bom coração. Será que não o conseguiríamos trazer para nosso grupo?

– Se quiser tentar, esteja à vontade. Ele é arredio a cooperar com outros soans e se acostumou a não precisar deles, faz artesanato em latão para vender a humanos. Mas talvez se interesse por alguma atividade se isso lhe der mais oportunidades de contato com humanas...

Pela primeira vez, senti ciúme e tesão reprimidos em Anpu e fiquei admirada. Como ele sabia que eu sou telepata, tentava não pensar nisso, o que, é claro, só tornava seu conflito mais perturbador para ele e mais evidente para mim.

Dias depois, um Pã de chifres longos que estivera na reunião me abordou na taverna. Anpu não fora o único a farejar minha aventura e usar a imaginação. Esse fauno apostara com amigos que me faria esquecer Kernun, mas não gostei dele. Quando eu me levantei, ele me segurou e esfregou a mão carregada de cheiro nas minhas fuças. Fiquei zonza e melada, mas furiosa. Agarrei-o pelo braço e atirei-o sobre meu ombro para cair de costas sobre a mesa mais próxima, divertindo a clientela. Ele nunca mais me apareceu e fiquei feliz comigo mesma. Afinal, eu ainda era dona do meu nariz.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
As Posições da Missionária - parte I: o fauno.

Codigo do conto:
271382

Categoria:
Zoofilia

Data da Publicação:
03/09/2026

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