Comecei a prestar atenção em coisa que antes passava batido. O jeito que meu pai olhava pra ele quando achava que eu não via. O tapa no rabo que Lucão dava quando meu velho ia pra cozinha. A porta do quarto do fundo que agora quase nunca fechava direito de noite.
Na segunda eu finjo que dormi cedo. Fiquei deitado no escuro escutando. Depois de um tempo ouvi o sofá ranger e passos leves passando pela sala. Esperei uns minutos e saí descalço. A televisão estava desligada. A coberta dobrada num canto. A porta do quarto do meu pai entreaberta de novo.
Dessa vez eles estavam mais devagar. Lucão deitado de barriga pra cima, meu pai por cima cavalgando com a mão no peito dele pra se apoiar. Quase não falavam. Só gemido baixo e o barulho molhado do cu descendo e subindo. De vez em quando meu pai inclinava e beijava a boca dele, daquele jeito comprido que eu nunca tinha visto o velho beijar mulher nenhuma.
— Devagar, tio — Lucão falou quase no ouvido. — O moleque tá no outro quarto.
— Tá dormindo. Eu vi ele apagar a luz.
— Mesmo assim. Não geme alto.
Meu pai riu baixo, aquele riso safado que eu não conhecia.
— Depois de tanto tempo você ainda tem medo do seu amigo acordar?
— Medo não. Só não quero estragar agora.
Eu estava agachado no mesmo lugar de antes, pau duríssimo pra fora da cueca, punhetando bem devagar pra não fazer barulho. Queria saber desde quando. Queria saber quem tinha começado. Queria saber se meu pai já mamava pau antes de eu nascer ou se o Lucão que tinha virado a cabeça dele.
Eles gozaram quietos. Lucão segurou a cintura do meu pai e enfiou até o fundo quando gozou. Meu velho mordeu o ombro dele pra não gritar. Depois os dois ficaram um tempo abraçados, suados, o pau do Lucão ainda dentro. Eu gozei na minha mão e voltei pro quarto rastejando, o coração na boca.
Na quarta quase me pegaram.
Eu tinha ido na cozinha de madrugada de novo, dessa vez de propósito. Quando virei o corredor o Lucão estava saindo do quarto só de cueca, o pau ainda meio duro marcado no tecido. A gente se encara no escuro por dois segundos.
— Porra, acordei com sede — eu falei rápido.
Ele passou a mão no cabelo, natural pra caralho.
— Eu também. Teu pai ronca pra porra hoje.
Fomos os dois até a geladeira. Ele pegou uma água, eu outra. Nem um comentário. Mas quando ele virou pra voltar eu vi a marca vermelha no pescoço, bem embaixo, escondida pela barba. Beijo chupado. Meu pai tinha feito aquilo.
Deitei de novo e bati mais uma pensando nisso.
Sexta-feira eu ouvi a conversa que eu queria.
Estavam na cozinha de manhã cedo, acharam que eu ainda dormia. Eu deixei a porta do quarto só encostada e fiquei escutando.
— Ele tá estranho esses dias — meu pai falou baixo.
— O seu filho?
— É. Anda mais quieto. Fica me olhando.
— Será que viu alguma coisa?
Silêncio. Só o barulho da cafeteira.
— Acho que não — meu pai respondeu. — Se tivesse visto, ele não ia ficar. Ia embora e nunca mais aparecia.
— Ou ia ficar justamente por isso.
Meu pai riu daquele jeito baixo de novo.
— Não fala merda. O moleque gosta de mulher. Sempre gostou.
— E você também gostava, tio. Até eu meter o dedo na primeira vez.
Outro silêncio. Mais longo.
— Cala a boca, Lucão. Ele pode acordar.
— Relaxa. Tô brincando. Mas se um dia ele descobrir… você ia parar?
Meu pai demorou pra responder.
— Não sei. Acho que não conseguia mais.
Eu apertei o pau por cima do short até doer. Não saí do quarto. Fiquei ali escutando eles mudarem de assunto, falarem de futebol, de mercado, de merda qualquer, como se nada tivesse acontecido.
Naquele sábado depois do jogo eu voltei com eles de propósito. Tomei banho primeiro e deixei a porta do banheiro entreaberta mais do que o normal. Queria ver se alguém entrava. Ninguém entrou. Mas quando saí de toalha meu pai estava na sala de short e o Lucão passou a mão nas costas dele na frente de mim, rápido, como quem tira um fio de cabelo. Meu velho nem se mexeu.
De noite eu falei que ia dormir cedo de novo. Apaguei a luz. Esperei.
Dessa vez demorou mais. Quase uma hora. Depois ouvi o colchão do sofá e os passos. Esperei o tempo certo e fui.
A porta estava mais fechada que das outras vezes. Tive que encostar o rosto na fresta. Meu pai estava de quatro no meio da cama, rosto no travesseiro pra abafar o gemido. Lucão atrás, segurando a cintura dele com as duas mãos, metendo gostoso, o saco batendo. A luz da rua de novo, só o bastante pra eu ver o cu do meu velho engolindo aquele pau grosso que eu media quando a gente era moleque.
— Isso… isso, moleque… mais fundo.
— Calado, tio. Seu filho tá do outro lado da casa.
— Então mete calado, porra. Mas mete.
Lucão segurou o cabelo dele e puxou a cabeça pra trás.
— Você viciou nessa pica, né? Fala.
— Viciei. Não aguento mais ficar sem. Quando ele viaja eu quero você aqui todo dia.
— E se ele não viajar?
Meu pai gemeu no travesseiro.
— Aí a gente se vira. Sempre se virou.
Eu estava tremendo. A mão no pau, a outra na parede pra não cair. Queria entrar. Queria perguntar. Queria chupar o mesmo lugar que o Lucão estava metendo. Mas fiquei. Gozei escorrendo pelos dedos escutando meu pai pedir pra levar porra dentro outra vez.
— Joga tudo, Lucão. Enche. Quero sentir escorrendo depois.
Ele gozou fundo, segurou lá dentro uns segundos e saiu devagar. Vi a porra branca descendo pela bola do meu pai. Lucão passou o dedo, recolheu e meteu o dedo na boca do velho. Meu pai chupou sem nojo.
Eu voltei pro quarto no escuro, deitei de bruços e gozei de novo no lençol, a cara no travesseiro pra não fazer barulho.
Na manhã seguinte meu pai bateu na porta igual sempre.
— Café tá na mesa, filhão. Abre essa janela, tá com cheiro de porra de novo nesse quarto.
— Tô de saco cheio, pai.
Ele riu do outro lado da porta.
— Então lava essa pica, moleque. E desce.
Lucão já estava na mesa, cabelo molhado, camiseta do time. Me olhou por um segundo a mais que o normal e depois sorriu daquele jeito de sempre.
— Dormiu bem?
— Dormi.
— Mentira. Seu olho tá fundo. Bateu uma a noite toda, né?
Meu pai riu alto.
— Deixa o menino, Lucão. Sem namorada o cara se vira como pode.
Os dois se olharam por cima da mesa. Rápido. Eu vi.
Puxei a cadeira, peguei o pão e fiquei quieto. Por dentro eu já sabia que não ia embora no domingo. Ia inventar outra desculpa. Ia ficar. Ia continuar escutando a porta, o gemido, o “tio” e o “moleque” até o dia em que um dos dois deixasse a porta aberta demais — ou até o dia em que eu não aguentasse mais só olhar.