A clínica já estava praticamente vazia quando fechei a porta do consultório.
O movimento tinha diminuído, a recepção estava em silêncio e o corredor parecia ainda mais comprido àquela hora. Dentro da sala, só o som baixo do ar-condicionado quebrava o silêncio.
Foi quando reparei nela.
Ela estava usando um vestido preto que acompanhava perfeitamente o corpo, coberto por um jaleco branco aberto. O contraste chamava atenção imediatamente. Os cabelos claros, a pele branca e aquele jeito naturalmente provocante faziam parecer que ela nem precisava tentar.
Mas o que mais prendia meu olhar era a forma como o vestido marcava sua bunda.
Redonda, firme, perfeitamente desenhada.
Ela se inclinou sobre a bancada para guardar alguns materiais e, por alguns segundos, fiquei apenas olhando.
Até perceber que ela sabia.
Quando se virou, havia um sorriso discreto no rosto.
— Você sempre olha assim? — perguntou.
Não respondi imediatamente.
Só continuei encarando.
Ela caminhou até a porta e, ao invés de trancá-la, deixou apenas encostada.
Aquilo mudou completamente o clima.
O corredor continuava do outro lado.
Qualquer pessoa poderia passar.
Ela voltou para perto de mim, parando a poucos centímetros.
— Talvez eu goste de saber que alguém pode perceber — disse baixinho.
Não sei se foi a frase, a proximidade ou aquele sorriso, mas naquele momento ficou impossível fingir que aquilo era apenas brincadeira.
Ela se sentou na borda da mesa de atendimento.
O jaleco branco ficou aberto sobre o vestido preto.
Fiquei diante dela.
Ela não disse nada.
Apenas me observou aproximar.
Comecei beijando seu pescoço, sentindo a respiração dela mudar lentamente. Minha boca foi descendo, sem pressa, enquanto ela passava os dedos pelos meus cabelos.
Quando me ajoelhei diante dela, percebi que o sorriso provocante tinha desaparecido.
Agora ela apenas me olhava.
Mordendo o lábio.
O silêncio daquele consultório tornava tudo ainda mais intenso.
Ela olhou rapidamente para a porta entreaberta.
Depois voltou os olhos para mim.
— Não para.
A voz saiu baixa.
Continuei ali, entre suas pernas, enquanto uma das mãos dela segurava a borda da mesa e a outra permanecia nos meus cabelos.
Eu conseguia sentir a tensão crescendo.
E havia algo especialmente excitante no fato de a porta continuar aberta.
Qualquer barulho no corredor fazia ela olhar naquela direção.
Não parecia medo.
Parecia exatamente o contrário.
Em determinado momento, escutamos passos.
Ela ficou imóvel.
Eu também.
Uma sombra apareceu rapidamente do outro lado da porta.
Passou pelo corredor.
E desapareceu.
Ficamos alguns segundos em silêncio.
Ela então olhou para mim.
Aquele sorriso voltou.
Mais atrevido do que antes.
— Continua.
E eu continuei.
Dessa vez, ela já não tentava disfarçar tanto o efeito que eu causava.
Alguns minutos depois, ela desceu da mesa tentando recuperar a postura profissional.
Arrumou o vestido preto.
Fechou um pouco o jaleco branco.
Passou as mãos pelos cabelos.
Por alguns segundos, parecia novamente apenas a veterinária impecável que qualquer pessoa encontraria durante um atendimento normal.
Só que eu sabia exatamente o que tinha acabado de acontecer naquele consultório.
Quando foi sair, ela passou por mim e parou na porta.
Virou o rosto.
— Amanhã eu fico até mais tarde.
Fez uma pausa, olhando primeiro para mim e depois para a porta.
— E acho que vou deixar ela aberta de novo.
Então saiu pelo corredor como se absolutamente nada tivesse acontecido.