Eu narro contos eróticos em chamadas de áudio

Aos 41 anos, eu já tinha aprendido que algumas fantasias começavam muito antes de qualquer toque.

A minha começou no Instagram.

Eu tinha uma página onde narrava contos eróticos para mulheres. Minha voz sempre foi grave, e eu gostava de brincar com as pausas, com o ritmo e principalmente com a imaginação de quem estava do outro lado da tela.

As mensagens não paravam.

"Narra outro."

"Sua voz é uma puta tentação."

"Quero ouvir um conto só para mim."

Eu recebia de tudo. Algumas mensagens eram engraçadas, outras descaradas. Mas uma mulher começou a chamar minha atenção.

O nome dela era Laura.

Ela não queria apenas ler os contos. Queria ouvi-los.

Primeiro foram mensagens. Depois, ligações de voz.

As nossas conversas começaram inocentes, mas rapidamente passaram daquele limite confortável entre um narrador e uma seguidora. Às vezes ficávamos horas conversando, principalmente à noite.

E havia um detalhe que tornava tudo mais complicado:

Laura era casada.

Eu sabia.

Ela sabia que eu sabia.

Talvez fosse justamente isso que tornasse tudo tão perigoso.

Certa noite, depois de uma ligação particularmente intensa, ela perguntou:

— Você teria coragem de me encontrar?

Fiquei alguns segundos em silêncio.

— Você teria?

Ela riu baixinho.

— Perguntei primeiro.

— Então acho que sim.

Marcamos para uma sexta-feira, em um bar discreto, longe de onde qualquer um pudesse nos reconhecer.

Quando ela entrou, confesso que fiquei sem reação.

Eu já tinha imaginado aquele encontro dezenas de vezes, mas a realidade era muito mais perturbadora.

Ela estava linda.

Vestido escuro, cabelos soltos e um olhar que parecia saber exatamente o efeito que causava em mim.

— Então você é o homem da voz — ela disse, aproximando-se.

Eu me levantei.

— E você é a mulher que nunca se contentava com um conto só.

Ela sorriu.

— Talvez eu ainda não esteja satisfeita.

Sentei novamente, tentando parecer tranquilo.

Não estava.

Durante o jantar, conversamos sobre coisas banais, mas nenhum dos dois estava realmente prestando atenção. Nossos joelhos se encostavam debaixo da mesa. Nossas mãos se tocavam por acaso — ou fingindo ser por acaso.

A cada minuto, eu tinha mais certeza de que aquela noite terminaria longe daquele bar.

Quando me inclinei para falar alguma coisa perto do ouvido dela, senti Laura prender a respiração.

— Não fala desse jeito comigo — ela sussurrou.

— Desse jeito como?

Ela me encarou.

— Como se soubesse exatamente o que está fazendo.

Sorri.

— E se eu souber?

Ela respirou fundo.

— Então para de brincar.

Saímos do bar pouco depois.

No estacionamento, caminhamos em silêncio até o carro.

Assim que entramos, a tensão que tínhamos segurado durante horas simplesmente desapareceu.

Laura me puxou pela camisa e me beijou.

Foi intenso, urgente, completamente diferente de qualquer coisa que tivéssemos vivido através do telefone.

Eu a abracei, sentindo finalmente a proximidade daquela mulher que, durante semanas, tinha existido apenas através de uma voz do outro lado da ligação.

— Você é louca — murmurei.

Ela sorriu.

— E você é um desgraçado.

— Ainda dá tempo de ir embora.

Ela segurou meu rosto.

— Cala a boca.

Eu ri.

O carro continuou parado enquanto nos entregávamos àquele momento, entre beijos, abraços, respirações aceleradas e palavras sussurradas.

Tudo aquilo que durante semanas tinha sido fantasia agora estava acontecendo.

E talvez justamente por sabermos que era errado, nenhum dos dois queria ser o primeiro a parar.

Quando finalmente chegamos ao motel, Laura saiu do carro tentando ajeitar os cabelos e recuperar a compostura.

Olhei para ela e comecei a rir.

— Que foi? — perguntou.

— Nada.

— Fala.

— Você está com a mesma cara que fazia quando me pedia aqueles contos.

Ela se aproximou de mim.

— E você está com a mesma voz.

Passei o braço pela cintura dela.

— Quer que eu narre mais um?

Ela sorriu.

— Só se for baixinho.

A porta do quarto se fechou atrás de nós.

E naquela noite, pela primeira vez, as fantasias que durante semanas tinham existido apenas na minha voz deixaram de ser histórias.

Tornaram-se segredo.

Um segredo que eu sabia que deveria esquecer.

Mas que, até hoje, consigo ouvir quando lembro daquela voz me dizendo, antes de entrar no quarto:

— Continua narrando.

E eu respondi:

— Agora você vai ter que descobrir o final sozinha.
                                

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Nome do conto:
Eu narro contos eróticos em chamadas de áudio

Codigo do conto:
271743

Categoria:
Confissão

Data da Publicação:
07/09/2026

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