A minha começou no Instagram.
Eu tinha uma página onde narrava contos eróticos para mulheres. Minha voz sempre foi grave, e eu gostava de brincar com as pausas, com o ritmo e principalmente com a imaginação de quem estava do outro lado da tela.
As mensagens não paravam.
"Narra outro."
"Sua voz é uma puta tentação."
"Quero ouvir um conto só para mim."
Eu recebia de tudo. Algumas mensagens eram engraçadas, outras descaradas. Mas uma mulher começou a chamar minha atenção.
O nome dela era Laura.
Ela não queria apenas ler os contos. Queria ouvi-los.
Primeiro foram mensagens. Depois, ligações de voz.
As nossas conversas começaram inocentes, mas rapidamente passaram daquele limite confortável entre um narrador e uma seguidora. Às vezes ficávamos horas conversando, principalmente à noite.
E havia um detalhe que tornava tudo mais complicado:
Laura era casada.
Eu sabia.
Ela sabia que eu sabia.
Talvez fosse justamente isso que tornasse tudo tão perigoso.
Certa noite, depois de uma ligação particularmente intensa, ela perguntou:
— Você teria coragem de me encontrar?
Fiquei alguns segundos em silêncio.
— Você teria?
Ela riu baixinho.
— Perguntei primeiro.
— Então acho que sim.
Marcamos para uma sexta-feira, em um bar discreto, longe de onde qualquer um pudesse nos reconhecer.
Quando ela entrou, confesso que fiquei sem reação.
Eu já tinha imaginado aquele encontro dezenas de vezes, mas a realidade era muito mais perturbadora.
Ela estava linda.
Vestido escuro, cabelos soltos e um olhar que parecia saber exatamente o efeito que causava em mim.
— Então você é o homem da voz — ela disse, aproximando-se.
Eu me levantei.
— E você é a mulher que nunca se contentava com um conto só.
Ela sorriu.
— Talvez eu ainda não esteja satisfeita.
Sentei novamente, tentando parecer tranquilo.
Não estava.
Durante o jantar, conversamos sobre coisas banais, mas nenhum dos dois estava realmente prestando atenção. Nossos joelhos se encostavam debaixo da mesa. Nossas mãos se tocavam por acaso — ou fingindo ser por acaso.
A cada minuto, eu tinha mais certeza de que aquela noite terminaria longe daquele bar.
Quando me inclinei para falar alguma coisa perto do ouvido dela, senti Laura prender a respiração.
— Não fala desse jeito comigo — ela sussurrou.
— Desse jeito como?
Ela me encarou.
— Como se soubesse exatamente o que está fazendo.
Sorri.
— E se eu souber?
Ela respirou fundo.
— Então para de brincar.
Saímos do bar pouco depois.
No estacionamento, caminhamos em silêncio até o carro.
Assim que entramos, a tensão que tínhamos segurado durante horas simplesmente desapareceu.
Laura me puxou pela camisa e me beijou.
Foi intenso, urgente, completamente diferente de qualquer coisa que tivéssemos vivido através do telefone.
Eu a abracei, sentindo finalmente a proximidade daquela mulher que, durante semanas, tinha existido apenas através de uma voz do outro lado da ligação.
— Você é louca — murmurei.
Ela sorriu.
— E você é um desgraçado.
— Ainda dá tempo de ir embora.
Ela segurou meu rosto.
— Cala a boca.
Eu ri.
O carro continuou parado enquanto nos entregávamos àquele momento, entre beijos, abraços, respirações aceleradas e palavras sussurradas.
Tudo aquilo que durante semanas tinha sido fantasia agora estava acontecendo.
E talvez justamente por sabermos que era errado, nenhum dos dois queria ser o primeiro a parar.
Quando finalmente chegamos ao motel, Laura saiu do carro tentando ajeitar os cabelos e recuperar a compostura.
Olhei para ela e comecei a rir.
— Que foi? — perguntou.
— Nada.
— Fala.
— Você está com a mesma cara que fazia quando me pedia aqueles contos.
Ela se aproximou de mim.
— E você está com a mesma voz.
Passei o braço pela cintura dela.
— Quer que eu narre mais um?
Ela sorriu.
— Só se for baixinho.
A porta do quarto se fechou atrás de nós.
E naquela noite, pela primeira vez, as fantasias que durante semanas tinham existido apenas na minha voz deixaram de ser histórias.
Tornaram-se segredo.
Um segredo que eu sabia que deveria esquecer.
Mas que, até hoje, consigo ouvir quando lembro daquela voz me dizendo, antes de entrar no quarto:
— Continua narrando.
E eu respondi:
— Agora você vai ter que descobrir o final sozinha.
