Sob a Mesma Chuva


O bar no centro da cidade estava movimentado, mas para Lucas, o mundo pareceu desacelerar no momento em que a porta de entrada se abriu. Julian entrou sacudindo a chuva da jaqueta de couro, os olhos varrendo o ambiente até encontrarem os de Lucas. Um sorriso lento e irremediavelmente charmoso surgiu no rosto de Julian, o mesmo sorriso que costumava desarmar Lucas em questão de segundos.
Eles se conheciam há quase dois anos, mas a tensão entre eles sempre flutuou no ar como uma promessa não dita. Naquela noite, a atmosfera parecia diferente. Quando Julian se aproximou e sentou no banco vago ao lado de Lucas, a proximidade física trouxe um calor instantâneo que dissipou o frio que vinha da rua.
"Você demorou", disse Lucas, tentando manter a voz firme enquanto Julian pedia um drink.
"O trânsito estava impossível, mas eu não deixaria de vir", respondeu Julian, inclinando-se um pouco mais perto. Seus ombros se roçaram, e o toque elétrico fez o pulso de Lucas acelerar.
A conversa fluiu com a facilidade habitual, recheada de risadas baixas, olhares demorados e toques sutis — uma mão que se apoiava no joelho sob a mesa, um roçar de dedos ao pegar o copo. No entanto, o subtexto entre cada palavra tornara-se denso demais para ser ignorado.
Quando o bar finalmente começou a esvaziar, Julian olhou fixamente para Lucas, seus olhos castanhos brilhando sob a iluminação meia-luz do ambiente. "Minha casa fica a poucos blocos daqui. Quer ir até lá para fugir dessa chuva?"
Lucas assentiu, o coração batendo forte contra as costelas. Eles caminhara sob o mesmo guarda-chuva, ombro a ombro, os passos sincronizados no asfalto molhado. Ao entrarem no apartamento de Julian, o silêncio do espaço privado só fez aumentar a eletricidade entre os dois.
Julian nem sequer acendeu as luzes principais, apenas a luminária de tom quente no canto da sala. Ele se virou para Lucas e, sem dizer uma única palavra, deu um passo à frente, encurtando a distância final. Sua mão subiu devagar, os dedos roçando a linha do maxilar de Lucas antes de se fixarem na sua nuca.
O primeiro beijo foi hesitante, um reconhecimento urgente de algo longamente esperado. Mas logo a hesitação deu lugar à intensidade. Lucas puxou Julian pela cintura, colando seus corpos enquanto o beijo se aprofundava, quente e exigente. A sensação das mãos de Julian traçando suas costas, o calor da respiração compartilhada e o som dos suspiros sussurrados no escuro transformaram a noite em um momento inesquecível, onde todas as dúvidas finalmente deram lugar ao desejo.


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Ficha do conto

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Mendes22soda

Nome do conto:
Sob a Mesma Chuva

Codigo do conto:
272182

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
14/09/2026

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