Por que ele?
Os anos passam, e a pergunta sempre volta:
“Por que ele, dentre todos os outros?”
E eu sorrio, pois a resposta está nos mínimos gestos
que ninguém mais conseguia ver.
Ele não me completa — eu já era inteira.
Mas ele me transborda.
Transborda em cada mensagem que chega,
perguntando se cheguei bem.
Transborda no jeito que ajusta o meu lugar na cama, sem nem acordar.
Transborda no sorriso quando prova minha comida,
mesmo que eu tenha exagerado no sal.
Ele ouve minha voz e sabe se estou triste só pela entonação.
Ele sente minha alma mesmo quando estamos longe.
Ele é farol nos dias de tempestade e colo nos dias de calma.
Sabe quando preciso ser menina — sentar aos seus pés e ouvir histórias.
Sabe quando preciso ser mulher — amada, desejada, toda minha.
Não faz promessas grandes, mas cumpre cada pequeno acordo.
Não busca ser o centro, mas se torna o meu porto seguro.
Por que ele?
Porque ele me faz ser eu — toda intensa, toda exagerada, toda eu.
Porque ele recebe tudo, sem perguntar nada.
Porque ele é Dom Gravata — o meu hoje, o meu ontem, o meu sempre.
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