Resolvi escrever este relato depois de ser incentivada por várias colegas que também vivem o universo hotwife. Segundo elas, contar como tudo começou poderia ajudar outras mulheres que sentem curiosidade, mas ainda têm dúvidas, receios ou simplesmente não sabem por onde começar. Por isso, decidi colocar nossa história no papel. Tudo o que vou narrar aconteceu de verdade. Para preservar nossa intimidade, naturalmente, alguns nomes e pequenos detalhes serão modificados, mas os acontecimentos que formam a nossa história são reais. Meu nome, aqui, será Luciana. Tenho cabelos castanhos-claros, embora atualmente os mantenha pintados de loiro. Sou magra, tenho seios médios para grandes e, apesar da idade, sempre ouvi comentários sobre minha bunda. Digamos que a minha famosa “bundinha arrebitada” acabou se tornando uma espécie de cartão de visitas involuntário. Sou psicóloga de formação e tenho meu próprio consultório, onde costumo atender durante a tarde. Sempre fui uma mulher bastante segura de mim, independente e acostumada a conversar abertamente sobre praticamente qualquer assunto. Meu marido será chamado de Marcos. Ele é cinco anos mais velho do que eu, tem aproximadamente 1,72 m de altura e um corpo comum: não é gordo, mas também nunca foi daqueles homens que vivem dentro da academia. Eu costumo parecer um pouco mais alta do que ele quando estou de salto, o que, confesso, sempre achei divertido. Marcos é proprietário de uma pequena empresa de transportes. É um homem reservado, trabalhador e, principalmente, muito ligado à família. Quanto à nossa vida sexual, desde o início do namoro havia uma característica que eu já conhecia: Marcos raramente procurava uma segunda relação na mesma noite. Normalmente, uma vez era suficiente para ele. No começo, confesso que estranhei. Eu já havia namorado homens mais fogosos e que pareciam ter muito mais disposição. Mas relacionamento não é apenas sexo. Com o passar do tempo, fomos construindo nossa vida juntos, aprendendo a respeitar nossas diferenças e, principalmente, desenvolvendo um carinho e uma cumplicidade que sempre foram muito fortes. Nós nos casamos jovens. Eu tinha 22 anos e ele, 27. Quando completamos doze anos de casamento, já tínhamos dois filhos e uma rotina completamente diferente daquela dos primeiros anos. Trabalho, casa, crianças, contas, responsabilidades e o cansaço cotidiano foram ocupando espaços que antes pertenciam à espontaneidade. Nosso casamento não estava ruim. Longe disso. Continuávamos apaixonados, amigos e parceiros. Gostávamos de conversar, sair juntos e passar tempo um com o outro. Mas a intimidade havia perdido um pouco daquela novidade que existia no começo. Foi nessa época que Marcos começou a enfrentar problemas relacionados à ansiedade. Isso acabou refletindo também na nossa vida sexual. Em determinados períodos, ele apresentava ejaculação precoce, principalmente quando estava preocupado ou passando por alguma situação de estresse. Ele procurou tratamento, mas sua resposta variava bastante. Havia noites em que tudo transcorria normalmente. Em outras, ele se mostrava tão ansioso que terminava muito rapidamente. Por conta disso, nossa posição mais frequente acabou sendo a tradicional, com ele por cima. Era a posição em que conseguia controlar melhor o ritmo e interromper quando percebia que estava chegando perto demais. Acabamos entrando em uma espécie de rotina. Poucas variações, muita previsibilidade e, de certa maneira, uma vida sexual que já não tinha a mesma intensidade de antes. Mas havia uma coisa sobre a qual nunca tivemos dúvida: nós nos amávamos. E talvez tenha sido justamente esse sentimento de segurança que permitiu que, anos depois, conversássemos sobre coisas que jamais havíamos imaginado revelar um ao outro. Tudo começou durante uma conversa absolutamente banal. Estávamos comentando sobre um casal conhecido nosso. O casamento deles havia terminado depois que a esposa se envolvera com outro homem. Marcos, então, soltou uma frase que me chamou imediatamente a atenção: — Acho que ele foi idiota em terminar só porque ela saiu com outro uma vez. Você poderia sair com dez homens e eu não me separaria de você. Eu fiquei alguns segundos em silêncio. Aquilo me pareceu estranho. Naquele momento, minha primeira reação foi pensar que talvez ele estivesse tentando medir minha reação. Quem sabe estivesse preparando terreno para falar sobre alguma vontade própria ou até mesmo tentando justificar alguma possível traição. Mas eu conhecia meu marido. Em vez de confrontá-lo, simplesmente ri, dei-lhe um beijo e mudei de assunto. Por dentro, porém, aquela frase ficou martelando. No dia seguinte, minha curiosidade falou mais alto. Comecei a procurar sinais. Olhei suas redes sociais, mensagens, computador e tudo aquilo que uma mulher desconfiada normalmente procura quando uma frase aparentemente inocente começa a fazer sentido demais. Mas não encontrei absolutamente nada. Nenhuma conversa suspeita. Nenhuma fotografia comprometedora. Nenhuma mulher desconhecida aparecendo insistentemente. Marcos sequer tinha o hábito de ficar curtindo fotografias de outras mulheres. Nada. A única coisa que ainda não havia verificado era o telefone que ele utilizava para trabalhar. Naquela noite, ele saiu para comprar comida e deixou o aparelho carregando em casa. Foi então que resolvi olhar. Mais uma vez, nada. Até que encontrei algo que me surpreendeu. Havia instalado naquele telefone um aplicativo do X, antigo Twitter. Eu sequer sabia que Marcos tinha uma conta. Abri o aplicativo esperando encontrar alguma coisa que finalmente explicasse aquela frase. E encontrei. Só que não era exatamente o que eu imaginava. Marcos possuía uma conta falsa. Não publicava nada. Não conversava com mulheres. Não marcava encontros. Ele simplesmente acompanhava dezenas de casais liberais. E havia algo em comum entre praticamente todos eles: eram casais que viviam a dinâmica cuckold, com a esposa assumindo uma posição de hotwife e o marido participando da fantasia. Aquilo me deixou surpresa. Eu conhecia o termo apenas superficialmente. Sabia que existiam casais que praticavam esse tipo de relação, mas nunca havia imaginado que meu próprio marido acompanhasse aquele universo havia anos. Como sou curiosa por natureza e, além disso, psicóloga, resolvi pesquisar. Li blogs, entrevistas, relatos de mulheres que se identificavam como hotwives e diversos contos publicados na internet. Quanto mais eu entendia a dinâmica, mais percebia que aquilo não se resumia simplesmente a “trair” ou “ser traído”. Havia casais que estabeleciam regras, limites e acordos muito específicos. E uma coisa, em particular, começou a chamar minha atenção: a ideia do marido continuar completamente fiel à esposa enquanto participava, de maneira consensual, das experiências dela com outros homens. Confesso que aquilo despertou minha curiosidade de uma forma que eu mesma não esperava. Depois de algum tempo pesquisando, resolvi conversar com Marcos. Não queria fazer acusações. Queria entender. Quando perguntei se aquilo era apenas uma fantasia ou se ele realmente tinha vontade de viver aquela experiência, ele finalmente abriu o jogo. Disse que pensava muito em sexo e que acompanhava aquele universo havia anos. Admitiu que sempre tivera curiosidade sobre a dinâmica cuckold, mas que nunca havia encontrado coragem para falar comigo. E então veio uma revelação que mudou completamente a maneira como eu enxergava aquela conversa. Ele não queria sair com outras mulheres. O que o excitava era justamente o contrário: a ideia de permanecer fiel a mim enquanto eu, com o conhecimento e a concordância dele, pudesse viver experiências com outros homens. Olhei para ele e perguntei: — Amor, por que você nunca me contou isso? Ele ficou constrangido. — Como eu ia falar uma coisa dessas para você? Você sempre foi uma psicóloga tão centrada, tão segura de si... Eu tinha medo de você pensar que eu era fraco ou estranho por querer ser corno. A resposta dele me surpreendeu. Eu me aproximei e falei: — Eu jamais vou achar que alguém é fraco por querer conversar sobre os próprios desejos. Se isso é uma fantasia sua e se nós dois estivermos de acordo, podemos pelo menos conversar sobre ela. Foi nesse momento que percebi algo diferente nos olhos dele. Ele estava nervoso, mas também parecia aliviado. Pela primeira vez, aquela fantasia deixava de existir apenas na cabeça dele e passava a ser uma possibilidade que nós dois poderíamos discutir. Começamos devagar. Conversamos muito sobre ciúme, confiança, limites e sobre aquilo que cada um gostaria ou não gostaria de experimentar. Eu não queria simplesmente entrar em uma casa de swing ou começar a conversar com desconhecidos em redes liberais. Para mim, seria uma mudança grande demais. Talvez os homens consigam separar fantasia e realidade com mais facilidade. Eu, particularmente, precisava sentir segurança. Foi então que tive uma ideia. Eu frequentava uma academia e conhecia um dos instrutores, chamado Rogério. Ele era alto, aproximadamente 1,80 m, negro, forte, careca e usava cavanhaque. Era simpático, comunicativo e tinha fama entre algumas mulheres da academia de ser bastante ousado e de gostar de mulheres casadas. Eu já havia percebido alguns olhares. Nada havia acontecido entre nós, mas eu sabia exatamente que tipo de homem ele era. E, quando voltei a pensar nas páginas que havia encontrado no perfil secreto de Marcos, uma coisa me chamou atenção: muitos daqueles relatos envolviam justamente mulheres casadas tendo experiências com homens negros. Foi aí que uma ideia começou a tomar forma na minha cabeça. Talvez nossa primeira experiência não precisasse acontecer com desconhecidos da internet. Talvez pudesse acontecer com alguém que eu já conhecia, alguém que eu sabia quem era e com quem eu poderia conversar antes. Olhei para Marcos e pensei que aquela conversa poderia mudar definitivamente a nossa relação. Só que, naquele momento, eu ainda não fazia ideia de até onde aquela primeira experiência nos levaria. A nossa história estava apenas começando. Continua no próximo conto.
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