O ar condicionado do escritório em São Paulo zumbia como um inseto metálico e insistente, tentando em vão combater o calor úmido que se infiltrava pelos vidros. Eu, Fábio, estava imerso em planilhas quando a porta do meu gabinete se abriu suavemente.
Era Nice. Loiros platinados caídos sobre os ombros, vestido justo de linho branco – uma visão que, em qualquer contexto, aceleraria qualquer coração. Mas naquele momento, seus olhos azuis, normalmente tão vivos, estavam inchados e avermelhados, nadando em lágrimas contidas.
“Doutor… posso falar com o senhor? É… particular.”
A voz dela trêmula cortou o silêncio burocrático. “Claro, Nice. Entre. Fecha a porta.”
Ela entrou, e o perfume suave dela – algo floral e doce – preencheu o espaço antes mesmo das palavras. Sentou-se na cadeira de frente para minha mesa, as mãos apertando a bolsa com uma força que deixava os nós dos dedos brancos.
“Não aguento mais, Fábio,” ela soltou, rompendo o formalismo num suspiro carregado de desespero. “O Téo… foi a última gota.”
Eu suspirei profundamente. Téo. Meu “melhor” amigo. O cara com quem eu dividia churrascos, cervejas e confidências de homem. E também o canalha que eu sabia que traía a esposa com a vizinha. Já tinha até tentado falar, uma vez, num tom de brincadeira que não era brincadeira: “Cara, a Nice não merece isso.” A resposta dele havia sido um encolher de ombros e um sorriso debochado: “Então fica com ela.”
“O que aconteceu, Nice? Conte pra mim.” Minha voz soou mais suave do que eu pretendia.
Ela engoliu seco, as lágrimas finalmente rompendo as barragens e escorrendo pelo rosto perfeito. “Cheguei em casa mais cedo… Eles estavam no meu quarto. Na minha cama.” Um tremor percorreu seu corpo. “Ele… ele não parou. Olhou pra mim e disse: ‘Senta aí, amor. Aprende como se faz.’ E eu… eu fiquei paralisada. Vi tudo. Até o fim.”
Um nojo profundo e frio se instalou no meu estômago. A imagem era vil. “Nice, isso é… inacreditável. Você não pode voltar pra lá.”
“Eu não vou,” ela disse, a voz ganhando um fio de determinação por baixo do choro. “É o fim. Acabou.”
Foi então que ela se levantou. Não para sair, mas para se aproximar da minha lateral da mesa. O cheiro dela ficou mais intenso, misturado ao sal das lágrimas. “Você é tão bom, Fábio. Sua noiva é a mulher mais sortuda do mundo. Ter um homem como você… leal, decente…”
“Nice, não fala assim,” eu disse, mas a voz falhou. Ela estava perto demais. Eu podia ver a textura dos lábios dela, ligeiramente entreabertos, e o decote do vestido que revelava a curva suave dos seios. Um calor perigoso começou a se espalhar pela minha nuca.
“Vamos,” eu disse, levantando-me abruptamente, a racionalidade tentando retomar o controle. “Vou te levar pra casa. Você precisa descansar.”
“Agora, Doutor?” Ela pareceu surpresa, mas não resistiu.
No carro, o silêncio era espesso, carregado de tudo que não era dito. Ela olhava pela janela, o perfil dela iluminado pelos faróis da cidade. Quando parei em frente ao prédio dela, um condomínio de alto padrão que o Téo insistia em ostentar, ela virou-se para mim.
“Desce… por favor. Entra um pouco. Vou fazer um café. Não quero ficar sozinha agora.”
Hesitei. Cada fibra do meu ser que ainda era sensato gritava que era uma péssima ideia. “Melhor não, Nice. Você precisa descansar. Amanhã temos…”
O toque do celular dela cortou minha frase. Ela olhou para a tela e seu rosto se contraiu de dor e raiva. Sem dizer uma palavra, atendeu e colocou no viva-voz.
“Oi, amor. Vou me atrasar, tá? A Carol (a vizinha) quer dar uma volta, tomar um chopp. Não espere.” A voz do Téo era despreocupada, quase alegre.
Nice não disse nada. Desligou. E então, o choro veio de novo, um soluço profundo e abafado que parecia sair das entranhas. Naquele momento, qualquer resquício de racionalidade evaporou.
“Tá bom,” eu disse, desligando o carro. “Vou entrar. Só um café.”
O apartamento era impecável e frio, como uma mostra de revista. Ela, ainda trêmula, disse: “Vou só trocar de roupa, ficar mais confortável. A cozinha é ali à direita.”
Enquanto eu mexia na máquina de café, ouvindo o som distante dela no quarto, um ruído me fez olhar para o corredor. A porta do quarto estava entreaberta. E lá estava ela. De costas para mim, completamente nua sob a luz suave do abajur. A curva da sua coluna, a plenitude das suas nádegas, a cintura fina que se alargava nos quadris… Era uma visão de uma beleza brutal, crua. Meu corpo reagiu antes do meu cérebro. Um aperto forte na virilha, o sangue pulsando lá embaixo, fazendo o tecido da minha calça social ficar repentinamente apertado e desconfortável. *Merda*, pensei, virando rapidamente para a cozinha, o coração batendo no peito como um tambor.
Quando voltei para a sala com as duas xícaras, ela já estava lá. Mas não como eu esperava. Usava apenas uma camisola de seda curta, cor de pérola, que mal cobria a metade das suas coxas. E sob o tecido fino e fluidificado… não havia nada. A silhueta dos seios, a sombra suave do triângulo púbico. Tudo estava lá, oferecido sem qualquer disfarce.
Eu parei, as xícaras tremendo levemente nos pratos. Ela me olhou, e seus olhos não eram mais de tristeza. Eram escuros, intensos, e desceram sem cerimônia até a protuberância óbvia na minha calça. Um sorriso pequeno, carregado de uma luxúria triste, tocou seus lábios.
“Só um beijo, Fábio,” ela sussurrou, a voz um fio de seda áspera. “Por favor. Só um beijo pra eu sentir que ainda sou desejada.”
Foi a centelha. Joguei o que estava nas mãos na mesa de centro, com um ruído de porcelana se chocando, e a agarrei. Meus lábios encontraram os dela não com delicadeza, mas com uma fome acumulada de anos de admiração secreta e de repulsa pelo que ele fazia com ela. Foi um beijo profundo, molhado, desesperado. Nossas línguas se encontraram e dançaram uma guerra doce e salgada, misturada ao sabor de lágrimas e batom.
Viramos um de frente para o outro, e o volume no meu terno era uma declaração obscena. Ela não hesitou. Suas mãos, antes trêmulas, agora eram firmes e ávidas. Desceu os dedos pelo meu peito, abriu meu paletó, empurrou-o para trás dos meus ombros. Os botões da minha camisa social pareciam se abrir sozinhos sob seus dedos. Em segundos, eu estava apenas de calça, gravata e sapatos, o torso exposto ao ar frio do ar-condicionado e ao calor do olhar dela.
“Você é lindo,” ela murmurou, baixando-se e prendendo um dos meus mamilos entre os dentes, suavemente, enquanto as mãos abriam o meu cinto e o zíper.
Caímos no sofá grande de couro, um em cima do outro, numa luta doce por pele. As roupas restantes voaram. E então, estávamos nus. Ela se posicionou sobre mim, e antes que eu pudesse pensar, nossas bocas se encontraram de novo, não apenas nos lábios. Ela desceu, beijando meu pescoço, meu peito, meu abdômen, e então… sua boca quente e úmida me envolveu completamente.
Era um boquete não de novata, mas de quem conhece o poder da demora. Ela me lambeu da base à ponta, lentamente, como se estivesse saboreando um sorvete caro. Envolveu as bolas com a boca, uma de cada vez, com uma sucção suave que me fez gemer baixo. Depois, voltou ao membro principal, tomando-o fundo na garganta, numa massagem úmida e perfeita que fazia meus dedos se enterrarem no couro do sofá. “Assim… você gosta?” ela sussurrou, ofegante, olhando para cima com os olhos cheios de água e desejo.
“Caralho, Nice… assim… devagar…” eu grunhi, a cabeça jogada para trás.
Quando ela sentiu que eu estava perto do limite, parou. Subiu, e se posicionou de joelhos ao meu lado. “Minha vez,” ela disse, e então se deitou de costas no sofá, abrindo as pernas numa oferta gloriosa e úmida.
Eu desci. O cheiro dela era intoxicante, um aroma musgoso e doce que era puramente Nice. Não fui direto ao ponto. Beijei a face interna de suas coxas, lambendo a pele macia, provocando. Ela gemeu, seus quadris se arqueando levemente. “Por favor, Fábio… lambe minha buceta… preciso tanto…”
Eu obedeci. Coloquei os lábios sobre sua vulpa inchada e molhada e mergulhei a língua. Era um banquete. Eu a lambi de cima a baixo, focando no clitóris inchado, circulando-o, sugando-o com uma pressão que a fazia gritar e se contorcer. “Ai, meu Deus… assim… não para… tua língua é gostosa demais…” Ela tangenciava a beira do orgasmo, e eu a puxava de volta, prolongando o tormento delicioso. Depois, desci mais, passando levemente pelo períneo tenso, até encontrar seu cuzinho, rosado e apertado. Apenas a ponta da língua, uma lambida suave e circular. Ela deu um salto. “Lá…? Ah… nunca… ninguém nunca…”
“Hoje tem,” eu disse, a voz rouca, e dediquei um tempo ali, lambendo e beijando aquele portão estreito, enquanto meus dedos continuavam a brincar com sua buceta, que já estava escorrendo.
“Não aguento mais… me come, Fábio. Por favor, me fode. Quero você dentro de mim,” ela implorou, os cabelos colados no rosto suado.
Eu levantei sobre ela, o membro latejante e duro como pedra. Encostei a cabeça em sua entrada, já inundada. “Não tão rápido,” eu sussurrei, malicioso. “Você vai ter que merecer cada centímetro.”
E então, entrei. Foi uma penetração lenta, agonizantemente lenta, enquanto eu a fitava nos olhos. Ela arregalou os olhos, a boca aberta num “o” silencioso. “Ai… caralho… como é grande… e grosso… tá me abrindo toda…” ela gemeu, as unhas cravando nas minhas costas.
Comecei a mover, uma bombada profunda e constante, cada entrada uma afirmação de posse, cada saída uma promessa de retorno. O som úmido da nossa união enchia a sala. Mudamos de posição, ela por cima, cavalgando com uma fúria contida, os seios balançando. Depois, ela de quatro no sofá. Foi aí que eu, com a mão ensopada do próprio suco dela, massageei seu cuzinho novamente.
“Quero,” ela disse, olhando por cima do ombro, os olhos vidrados. “Quero tudo de você. Até lá.”
Fui cuidadoso. Deliberado. Usei mais lubrificante natural dela, e comecei a pressionar, metendo e tirando a ponta, constantemente, até que, com um gemido longo e profundo dela, entrei completamente. Era uma sensação de calor e aperto inacreditáveis. “Meu Deus… você tá no meu cuzinho… é tão bom… fode devagar…” ela guiava.
E eu fodi. Devagar, profundo, prazeroso. Metendo e tirando do cuzinho apertado, depois alternando com sua buceta já faminta, que me puxava com cada contração. Foi uma sinfonia de gemidos, de palavrões sussurrados (“Enche meu rabo, seu gostoso!” “Essa buceta é minha agora, seu puta!”), de suor e de fluidos.
Quando senti a onda incontrolável do meu orgasmo se aproximando, ela também estava à beira. “Vou gozar… dentro de você,” eu grunhi.
Ela então se virou rapidamente, empurrando-me para sentar no sofá, e ajoelhou-se entre minhas pernas. “Na minha boca,” ela ordenou, e levou-me novamente entre seus lábios. Dessa vez, foi uma mamada ainda mais profunda, mais devoradora. E quando a minha explosão veio, ela não se afastou. Tomou tudo, engoliu com um olhar de triunfo e submissão total.
Estávamos assim, ofegantes, cobertos do nosso próprio prazer, quando a chave girou na porta.
O Téo entrou, e o cheiro no ar era tão óbvio quanto a nossa nudez. Nice, com uma calma sobrenatural, levantou-se, pegou um roupão e o vestiu. Eu fiz o mesmo, vestindo a calça e a camisa abertas.
“Téo,” ela disse, a voz clara como cristal, sem uma lágrima. “Quero a separação. Já.”
Ele olhou de mim para ela, o entendimento lentamente apagando a expressão despreocupada do seu rosto, substituindo-a por fúria. “O que? Você tá doida, mulher? Por causa desse merda?” Ele apontou para mim.
Antes que ele pudesse se mover em direção a ela, eu me interpus. “Ela disse que quer a separação. E a partir de agora,” eu disse, e as palavras saíram com uma convicção que nem eu sabia que tinha, “você não vai tocar mais um dedo nela. Nem pra um aperto de mão.”
Ele deu um passo à frente, o rosto congestionado. “O que você pensa que é pra falar uma merda dessas?”
Eu olhei nos olhos dele, o ex-amigo, e depois olhei para Nice, que estava ao meu lado, sua mão encontrando a minha. “A partir de hoje,” declarei, a voz ecoando na sala silenciosa, “eu sou o marido dela. Acabamos de fazer amor. E ela é minha.”
A expressão no rosto do Téo foi de pura incredulidade, seguida por um ódio cego. Mas ele viu algo em nossos olhos – a cumplicidade, a posse, a verdade do que havia acontecido – que o derrotou antes de qualquer luta. Ele cuspiu no chão, um gesto baixo e raivoso, pegou o casaco que tinha acabado de tirar e saiu, batendo a porta com uma força que fez as paredes tremerem.
Nice se virou para mim, e agora as lágrimas eram de alívio, de uma libertação profunda. “Ninguém… ninguém nunca fez por mim o que você fez hoje. Nem de longe.”
Eu a puxei para um beijo, longo e doce, diferente de todos os outros daquela noite. “Então arruma suas coisas,” eu disse contra seus lábios. “Vamos pra minha casa. O que eu disse é verdade. Eu te quero pra sempre.”
“E a sua noiva?” ela perguntou, um frio passando por seus olhos.
“Acabo com isso hoje mesmo.”
E assim foi.
Isso foi há mais de três anos. Agora, ela não é mais minha secretária, mas minha sócia, em tudo. E minha esposa. Enquanto eu digito estas linhas finais, no conforto do nosso home office, ela está aqui. Deitada no sofá aos meus pés, lendo um livro. E, de vez em quando, ela se inclina e coloca a boca quente em mim, me chupando com a mesma devoção luxuriosa e demorada daquele primeiro dia. Nos amamos. Transamos no escritório que agora é nosso, em casa, no carro, em qualquer lugar onde estejamos sós. E toda vez, é com a mesma fome, a mesma luxúria de palavras sujas e beijos molhados, com lambidas de buceta demoradas e deliciosas, com a entrega total do corpo e da alma. Foi uma putaria que começou num desespero e se transformou no amor mais profundo e prazeroso que já conheci. E caralho, como é bom.




