O Condomínio Plaisir era pequeno e quieto, escondido numa rua estreita da zona oeste de São Paulo. Cinco casas apenas. As de número 1 e 2 ficavam coladas do lado direito, já ocupadas há anos por gente mais velha e discreta. Do lado esquerdo, as casas 3 e 4 se encostavam uma na outra. Nos fundos, isolada, ficava a casa 5, a de Mário — o dono, o porteiro, o homem de bigode grosso e peito peludo que sempre andava de camisa de botão aberta até o umbigo.
Enzo e Márcio tinham chegado havia exatamente uma semana. Primos, ambos do interior. Enzo, de dezenove anos, loiro, pele rosada e um pouco gordinho, usava óculos redondos e falava baixo. Ia estudar Odontologia no período noturno. Márcio, vinte e um, moreno claro, cabelos pretos escorridos até o ombro com o corte afunilado na nuca, tinha entrado no seminário e estudava pela manhã. Os pais dos dois conheciam Mário de longa data e só aceitaram a mudança porque “com o Mário ali, os meninos ficam mais seguros”.
Eduardo morava na casa 4 havia três meses. Trinta anos, corpo bombado de academia, peito largo, braços grossos, sempre de bermuda justa e camiseta colada. Não trabalhava. Vivia do dinheiro que o pai mandava todo mês. Passava as tardes na varanda fumando e conversando com Mário, que às vezes vinha tomar uma cerveja.
— Mulher gosta é de homem bruto, Mário — dizia Eduardo, rindo com o canto da boca. — Tem que tratar igual objeto. Elas falam que não, mas gozam mais quando a gente manda e não pergunta nada.
Mário só balançava a cabeça, o bigode se mexendo, e mudava de assunto.
Desde o dia em que os primos chegaram, Eduardo não tirou os olhos deles. Notou logo a timidez, o jeito reservado, os olhares baixos. Enzo especialmente. Aquele corpo macio, as coxas grossas, a bunda redonda apertada na calça de moletom, os óculos escorregando no nariz quando ele carregava as caixas. Eduardo batia várias punhetas por dia pensando nos dois. Imaginava o loiro de joelhos, a boca pequena se abrindo, o moreno de cabelo comprido olhando sem saber o que fazer. Decidiu que ia comer os dois. Mas com calma. Separados. Um de cada vez.
Naquela terça-feira, por volta das quatro da tarde, Márcio ainda estava no seminário. Enzo estava sozinho na casa 3, deitado no sofá com um livro de anatomia aberta no colo. A campainha tocou.
Ele abriu a porta e encontrou Eduardo ali, só de short cinza bem curto e uma toalha branca jogada no ombro. O peito peitoral saltava, o abdômen marcado, a bermuda marcada na frente por um volume grosso.
— E aí, Enzo… — a voz de Eduardo saiu baixa, confiante. — Meu chuveiro queimou. Tá escorrendo água quente pra caralho. Dá pra eu tomar um banho rápido aí? Não vou demorar.
Enzo ficou corado na hora. As orelhas esquentaram. Ajeitou os óculos com o dedo e desviou o olhar para o peito peludo do outro.
— A… ah… pode. É… o banheiro é logo ali.
Eduardo entrou sem esperar segunda resposta. Passou perto demais, o cheiro de perfume barato e suor batendo no nariz de Enzo. Fechou a porta do banheiro. O barulho da água começou.
Enzo ficou parado na sala, o livro esquecido. Ouviu o chuveiro desligar. Alguns minutos depois a porta se abriu.
Eduardo saiu se secando. Estava só de cueca preta justa. O tecido molhado colava no pau semirrígido, marcando o formato grosso e a cabeça. Ele se secava o peito com a toalha, os músculos se movendo, e olhava direto para Enzo.
— Você tá me olhando, né?
Enzo engoliu em seco, o rosto vermelho até o pescoço.
— N-não… eu só…
Eduardo jogou a toalha no sofá e avançou. Em dois passos estava na frente do loiro. Agarrados os dois lados da cintura de Enzo com as mãos grandes e o puxou para perto. O volume duro da cueca pressionou a barriga macia do mais novo.
— Fica quieto — murmurou, a voz grossa perto do ouvido. — Você tá excitado, eu vi.
Enzo tentou recuar, mas as costas bateram na parede. O coração batia forte. O pau dele já estava duro dentro da calça de moletom, traído. Eduardo riu baixo, agarrou o cabelo loiro na nuca e empurrou a cabeça para baixo.
— Ajoelha.
Enzo resiste um segundo, as mãos no peito largo do outro, mas a força era demais. Caiu de joelhos no chão frio. Eduardo puxou a cueca para o lado. O pau grosso saltou para fora, veias saltadas, a cabeça rosada e já brilhando de pré-gozo. Sem jeito, Enzo abriu a boca. Eduardo enfiou de uma vez, o peso da pica enchendo a boca pequena, batendo no fundo da garganta.
— Isso… engole direito — rosnou, segurando a cabeça do loiro com as duas mãos e metendo forte.
Enzo engasgou, os óculos tortos, lágrimas escorrendo. O som molhado de engolir enchia a sala. Eduardo fodia a boca com força, as bolas batendo no queixo rosado, o corpo bombado tensionado. Não demorou. Com um gemido rouco ele enterrou até o fundo e gozou, jatos quentes descendo a garganta de Enzo, que engoliu sem escolha, tossindo.
Eduardo puxou o pau ainda pulsando, deu um tapa seco no rosto do loiro — o barulho ecoou — e enfiou a cueca de volta.
— Não conta pra ninguém. Nem pro seu primo. Entendeu?
Enzo, ajoelhado, a boca inchada e o queixo sujo de porra, só conseguiu acenar com a cabeça, os olhos marejados atrás dos óculos tortos.
Eduardo pegou a toalha, abriu a porta e saiu sem olhar para trás, o short ainda marcado. A porta bateu.
Enzo ficou ali, no chão, o corpo tremendo, a calça molhada por dentro e a cabeça uma confusão completa de vergonha, medo… e um ardor estranho que não conseguia nomear.
