Dezoito anos. Era hoje. A tarde reservava o altar, o Sr. Radcliffe — um barão viúvo, rico, com o triplo de sua idade — e uma vida de submissão absoluta.
Alice olhou para o próprio reflexo no espelho embaçado. Sua pele, normalmente pálida, estava manchada de vermelho pela tensão. O vestido de noiva pendia sobre o biombo como uma sentença branca e inútil.
Ela tocou o próprio corpo nu. O frio do banheiro fez os mamilos se endurecerem. Uma necessidade física, quase animal, de se sentir segura a atingiu.
Envolveu-se num roupão de seda e caminhou em silêncio até o antigo quarto de infância.
Precisava ficar um tempo isolada daquele caos que as famílias decidiram por ela.
Quando abriu a porta, viu que estava exatamente como ela o deixara. Cheirava a poeira antiga e segredos guardados.
Abriu o armário de mogno. No fundo, dobrado, estava ele: o vestido azul celeste, avental branco engomado, gola Peter Pan.
Sentiu falta do tempo que tudo era mais simples, mais fácil e não havia preocupações.
Queria sentir um pouco daquela segurança do passado.
Deslizou o roupão. Ficou completamente nua. Sem camisola. Sem espartilho. Sem nada. Descalça. O chão frio sob os pés fez seus joelhos tremerem, não de frio, mas de expectativa.
Puxou o vestido pela cabeça. Não era fácil.
O tecido, feito para há 11 anos, subiu pelo corpo de mulher de dezoito. O corpete de botões brancos cedeu, mas não rasgou. Moldou-se aos seios cheios, os botões cravando-se na carne sensível. A faixa azul apertava logo abaixo dos seios, forçando-os para cima. A saia rodada subiu indecentemente, terminando no meio das coxas. O avental branco acentuava a curva das nádegas nuas por baixo.
Se alguém visse, diria que estava ridícula ou louca por usar isso que não cabia no seu corpo.
Alice correu até o espelho de corpo inteiro.
O reflexo a fez ofegar.
Era uma jovem mulher de dezoito anos espremida numa casca de infância. O tecido fino marcava os mamilos duros. Cada movimento prometia um estalo.
Um calor novo e rastejante subiu da base da espinha. Ela não sabia o nome daquilo. Só sabia que algo latia fundo entre as pernas, quente e insistente.
Mas foi quando o espelho mudou que tudo se distorceu.
O reflexo não moveu-se com ela.
Alice parou de andar, mas a imagem no vidro continuou. O sorriso no reflexo se alargou, lento, felino, perverso. A mão espelhada não imitou a postura de Alice; em vez disso, subiu pela própria saia curta do reflexo.
Os dedos pálidos puxaram o tecido azul para cima, revelando a nudez interna com uma intimidade obscena. O reflexo mostrou o sexo, úmido e brilhante, para o mundo real, erguendo a cabeça com um gesto de desafio.
Com a outra mão, o reflexo estendeu o dedo indicador, apontando para Alice. Os lábios da imagem se moveram, sem som, mas Alice leu a silabarão com clareza cristalina:
“Não quer tocar?”
O calor entre as pernas explodiu. Uma pulsação quente, molhada, que escorria devagar pela parte interna da coxa. O vestido apertado virou uma carícia abrasadora. Cada centímetro de tecido contra a pele nua era demais.
Ela se aproximou, sentia algo, era forte e intenso.
Quando chegou a um palmo do reflexo, a imagem que se tocava, saltou, segurando sua cabeça, o reflexo beijou seus lábios. Era quente, molhado e intenso.
Aos poucos o reflexo a puxou para dentro.
A superfície do espelho se desfez em mercúrio azul. A voz do reflexo, agora vinda da própria boca dela, sussurrou:
— Bem-vinda, Alice. Ou melhor… bem-vinda ao Pais do Desejo.
Alice caiu no vazio, o vestido azul esvoaçando alto demais, revelando tudo.
Ela não sabia o que era cima ou baixo, rodava, rodava até que finalmente chegou no chão.
Alice não aterrissou de leve.
O impacto foi um choque ginecológico. Ela desabou sobre folhagem úmida e quente, folhas grossas e cerosas estalando contra a pele sensível de seus glúteos. O céu acima era um redemoinho de roxo e carmesim, girando devagar, como tinta em água.
Não estava mais em casa.
A primeira sensação não foi medo, angustia ou solidão. A primeira coisa que sentiu foi a tensão.
O vestido tinha encolhido ainda mais na queda. O corpete gemia. Os botões pareciam prestes a saltar. A faixa azul apertava as costelas, forçando os seios a se projetarem. A saia, já curta, embolava-se nas coxas. Sem nada por baixo, o algodão áspero roçava diretamente na pele macia. Cada movimento era uma fricção crua.
Ela tentou se levantar, empurrando o chão com as mãos. O movimento de extensão das pernas fez a saia curta subir ainda mais, e o ângulo da queda deixou o bumbum de Alice totalmente exposto ao ar livre, a carne branca e suave contrastando com o verde escuro da vegetação.
— Ora, ora…
A voz aveludada e suja veio de cima.
Ela se movimentou assustada, tentando se cobrir. O rosto ficou rubro e ela começou a procurar de onde veio a voz.
Sobre uma folha de lótus gigante, o Gato de Cheshire a observava, deitado de lado numa pose obscena. Seus olhos semicerrados desceram pelo corpete aberto, pela saia curta, e pararam, fixando-se no bumbum exposto de Alice.
— A nossa Alice cresceu — ronronou ele, a voz vibrando de malícia.
— E olhe só para essa apresentação. Você caiu de costas, mas levantou de frente para o mundo. Que vergonha. Que espetáculo.
— Realmente tem uma bela carne.
Alice ofegou, corando violentamente. O ar frio tocou a carne exposta de seus glúteos e o calor intenso entre as pernas. Ela sentiu a umidade escorrer devagar pela coxa interna, quente e traiçoeira. O cheiro doce e salgado subiu até o nariz dela.
— Quem… quem é você? — a voz dela saiu rouca.
— O mestre deste jardim. E você é o prato principal.
O Gato esticou a pata, as garras afiadas puxando levemente a bainha da saia, não para cobri-la, mas para expor mais. Ele inclinou a cabeça, inspirando fundo.
— Medo e tesão — disse o Gato, os olhos brilhando.
— Tem muito, mas você ainda não sabe o nome disso, não é? Mas o corpo sabe. Está escorrendo por ele. E esse bumbum… tão exposto. Tão pronto para ser mordido.
Alice se afastou do Gato, coxas roçando uma na outra a cada passo. O algodão áspero raspava a carne sensível. A pele interna das coxas já ardia. A umidade escorria mais a cada passo, deixando um rastro quente e brilhante.
Ela correu ficando cada vez mais longe de onde caiu até finalmente parar.
Ela chegou no centro de uma clareira de cogumelos fálicos, a Lagarta a esperava, enrolada sobre um cogumelo roxo. Na boca, um narguilé estranho, de onde saía uma fumaça espessa, com cheiro de tabaco, especiarias pesadas e algo floral, adocicado, que cheirava a mel fermentado.
— Horrível, não é? — zumbiu a Lagarta, a voz arrastada e hipnótica.
Depois um sorriso lascivo dela:
— Ou delicioso. A casca se partindo. A mulher saindo. E você molhada por isso. Sinta o cheiro. É o seu.
A Lagarta soprou uma nuvem de fumaça diretamente para o rosto de Alice.
O perfume não era apenas aroma; era invasão. A fumaça era espessa, com cheiro de tabaco e especiarias pesadas. Ao inalar, Alice sentiu um calor líquido descer pela garganta, acumulando-se no estômago e irradiando para baixo, para o útero. O mundo ao redor começou a ondular. As bordas dos cogumelos derreteram. O ar ficou denso, viscoso.
— Como você se sente, querida? — perguntou a Lagarta, os olhos brilhando através do véu de fumaça.
— Respire fundo. Sinta o veneno subir.
Alice tentou se cobrir, mas suas mãos pareciam pertencer a outra pessoa. A fumaça desfocava a noção de pudor. Ela sentiu uma zumbido na cabeça, uma névoa de prazer que apagava a lógica. Instintivamente, movida pela euforia alucinógena, ela não se cobriu. Pelo contrário.
A Lagarta reparou no estado de Alice. Depois de uma nova baforada na direção dela falou:
— Então...como se sente?
Com um movimento lento, quase sonâmbulo, Alice levantou a saia curta, expondo totalmente o sexo nu, úmido e brilhante, ao ar quente do jardim. Ela não estava fazendo isso por vergonha, mas por uma necessidade física de alívio.
— Sente… — Alice murmurou, os olhos semicerrados, a voz distorcida pela fumaça.
— Sente aqui… quente. Tão quente. Lateja.
A Lagarta sorriu, satisfeita, saboreando o momento. Apreciando aquele momento sem pudor da visitante.
— Exatamente. As roupas maltratam você, não é? Não deixam essa energia sair.
— O tecido não aguenta quem você é hoje. Mas você aguenta. Por enquanto.
O Mudo em volta de Alice girou, girou, girou. Quando finalmente cessou não estava mais na presença da lagarta.
O cheiro de chá e tabaco a guiou até a longa mesa sob a árvore.
O Chapeleiro Louco e a Lebre de Março pararam no meio da discussão quando a viram. Alice estava zonza, a fumaça ainda em sua mente, o corpo trêmulo e excessivamente sensível.
O Chapeleiro parou. Seus olhos percorreram o corpo dela com uma avaliação quase científica, mas cheia de desejo. Ele viu a saia curta, o tecido que mal segurava os seios, a nudez interna brilhando.
— Que calor — disse o Chapeleiro, a voz suave, mas com tom quente.
— Você está em chamas, Alice. Sinto o calor vindo do seu corpo.
Ele levantou-se e caminhou até ela. Com um gesto delicado, mas firme, ele levantou a saia dela um pouco mais, expondo completamente o sexo e as coxas internas ao ar.
— Se não pegar ar, o calor não vai embora — sussurrou ele, aproximando o rosto do pescoço dela, lambendo a pele, sentindo o sal e o suor.
— Você está cozinhar, querida. Deixa o ar tocar.
A Lebre inclinou-se, óculos escorregando, olhos brilhando de lascívia pura.
— O pouco pano não cobri a Alice de hoje — sibilou a Lebre, a voz vibrando de excitação.
— Olha a visão. Olha o quanto ela está aberta. A boceta dela está respirando. Ela está esperando para ser preenchida, não é, Alice? O ar está entrando nela. Sente o ar frio na carne quente?
Alice tentou se cobrir, mas o toque do Chapeleiro nos seios, apertando a carne macia, fez um gemido escapar dos lábios dela. A dor do apertão foi misturada ao prazer.
— Você não pode se esconder agora — disse o Chapeleiro, roçando o nariz na orelha dela.
— O Seu noivo ia ter um ataque se visse a noiva assim… nua, molhada, se esfregando num louco. Mas nós? Nós gostamos do que vemos. Olha como ela se abre.
Alice recuou, tropeçando. As mãos tremiam. O calor entre as pernas latejava tão forte que doía. Ela sentia a umidade escorrendo mais rápido agora, quente, traiçoeira, descendo pela coxa. O cheiro dela mesma subia, doce e sujo.
— Tome o chá querida Alice. Deixe ele te guiar.
Ela com vergonha, começou a beber. Os olhos ficaram pesados, muito pesados até não conseguir mantê-los abertos.
Quando abriu, sentiu braços que a erguiam, estava em um castelo. Ela tinha sido presa.
O corredor de Cartas de Baralho a observava em silêncio. Lanças erguidas. Olhos pintados fixos no corpo semi-nu.
No trono de corações sangrentos, a Rainha de Copas a esperava.
— Cortem-lhe a cabeça! — gritou.
— Por favor, ainda não minha rainha — Então o Valete se aproximou e sussurrou algo no ouvido dela. A Rainha sorriu devagar, maliciosa.
Desceu do trono. Parou a centímetros de Alice.
— Uma noiva fugitiva… o vestido que não lhe cabe há 11 anos… e completamente nua por baixo. Que delícia.
— Deixe eu ver o que o tempo lhe fez Alice.
Ergueu o cetro. Uma luz vermelha tocou o que restava do vestido.
O tecido não rasgou. Ele se desintegrou.
Pó azul caiu como neve instantânea.
Alice ficou completamente nua.
A sensação foi de um frio súbito, como se a pele tivesse sido queimada por gelo, seguido imediatamente por uma onda de calor intenso que a fez estremecer. Ela estava exposta. Não havia mais tecido, não havia mais barreira. Ela estava nua diante de todo o País das Maravilhas, que havia comparecido à ordem da Rainha.
Centenas de olhos a devoravam. Ela sentia cada olhar como um toque físico. Nos seios pesados que escapavam dos dedos. Na curva das nádegas. Na umidade que continuava escorrendo, agora sem nenhum tecido para esconder, descendo pela coxa interna até o joelho, brilhando à luz vermelha do tribunal.
A Rainha andou em volta de Alice, devagar, como quem examina uma peça de caça.
— Horrível? Não. Deliciosamente exposta. Você é o troféu mais gostoso que este tribunal já viu. Nua. Molhada. Tremendo de tesão e vergonha ao mesmo tempo.
—Você fugiu uma vez, mas agora voltou. O castigo que pretendo lhe infligir será mais demorado e prazeroso agora que me atrais.
Ela se aproximou do ouvido de Alice e sussurou:
— Irá desejar que tivesse cortado sua cabeça há 11 anos, ou irá enloquecer aos pés da minha cama.
O Valete inclinou-se, voz baixa e suja:
— Olhem as coxas. Está escorrendo até o chão. E o cheiro… doce e podre de desejo.
Uma Carta de Baralho murmurou alto o bastante para ser ouvido:
— Nem calçola. Nem meias. Nada. Só pele.
Outra:
— Os seios dela são pesados demais. E a intimidade dela… já está aberta.
A Rainha parou na frente dela. Segurou o queixo de Alice, forçando-a a levantar o rosto.
— Diga-me, minha cara… o que você sente agora?
Alice engasgou. A voz saiu rouca, quebrada:
— Eu… eu não sei. Está quente. Por dentro. Lateja. Escorre. E eu… eu odeio. Odeio gostar. Odeio o quanto meu corpo pede mais.
A Rainha sorriu, satisfeita, quase orgásmica.
— Exato. O tecido não rasgou só porque era pequeno. Rasgou porque você desejava. Quanto mais você queria, menos ele aguentava te proteger. Você se desnudou sozinha, Alice. E agora todos veem o que você realmente é.
A Rainha a puxou para um beijo.
O beijo foi frio, possessivo, dominante. Língua invadindo, dentes arranhando. Uma mão desceu e apertou o seio nu de Alice com força, polegar girando o mamilo até ela gemer contra a boca da Rainha. A outra mão deslizou pela barriga, parando logo acima do sexo, sem tocar de verdade, só pairando, sentindo o calor que subia.
— Você será minha. Meu bichinho nu. Para sempre.
Alice empurrou a Rainha com força desesperada.
Correu.
— Peguem-na. Não a deixem escapar. Quero ela ainda hoje presa nos meus aposentos.
Nua. Descalça. Seios batendo. O ar quente lambendo cada centímetro de pele. A umidade escorrendo livre pelas coxas. O tesão latejando tão forte que quase a fez cair a cada passo.
Ela conseguiu chegar até o estábulo.
Montou num corcel branco que pastava entre as rosas. O pelo do animal contra a pele crua das coxas e das nádegas foi uma carícia elétrica, áspera e quente. Ela gemeu alto, sem conseguir se conter, sentindo a fricção roçar exatamente onde latejava.
— Para o Jardim do Lótus!
Alice aterrissou no centro da clareira de lótus. Completamente nua. Ofegante. O corpo inteiro latejando.
Lá estava novamente o espelho.
O reflexo surgiu na poça de mercúrio azul. Mas não era apenas o reflexo dela. A imagem ondulou, mudando de forma. Por um instante, eram os olhos da Rainha; por outro, o sorriso do Gato; por outro, a lascívia do Chapeleiro. Antes de voltar a ser Alice, o reflexo sorriu — um sorriso que era de todos eles.
— Olha só você. Tão exposta. Tão livre. Você fugiu do casamento. Fugiu da Rainha. E agora está aqui… nua, molhada, dominada por algo que finalmente sabe nomear.
— Você sabe que essa é seu eu verdadeiro. Aqui nesse reino você pode ser quem quiser?
O reflexo falou de uma forma sensual e ao mesmo tempo com um tom de sarcasmo.
Alice olhou para o próprio corpo. Para os seios marcados pelos dedos da Rainha. Para as coxas brilhantes de umidade. Para o sexo que ainda pulsava, aberto, exposto.
O calor — o tesão — não era mais estranho. Era dela.
— Eu não quero ser a esposa fiel — disse ela, a voz firme pela primeira vez.
— Então o que será? Falou o reflexo.
— E não vou ser o bichinho de ninguém.
Passou as mãos pelo próprio corpo, sentindo a pele quente, a umidade escorrendo entre os dedos, o desejo puro e sujo.
— Você não é mais Alice, quem você é? Falou o reflexo.
— Eu sou o Desejo.
Montou no cavalo nua. O pelo roçando a carne sensível fez um gemido escapar dos lábios. Ela apertou as coxas, sentindo a fricção exatamente onde precisava, e sorriu — um sorriso que era quase o do Gato.
Desapareceu na névoa do Jardim de Lótus, nua, livre e completamente tomada pelo fogo que ela mesma tinha acendido.
Para sempre.
Afinal ela cresceu e não acreditava mais em contos de fadas.




