— Abre essa porra de porta logo, Manuel. Eu não aguento mais esperar.
Manuel sorriu, a respiração já pesada. Ele não precisou de segunda chamada. Quando abriu a porta do quarto, Neusa já o esperava com um olhar faminto, a amargura que ela carregava durante o dia no ginásio evaporada, substituída por uma luxúria animal. Ela era quinze anos mais velha, com curvas que desafiavam a gravidade e um corpo que Manuel considerava divino.
Ele a prensou contra a parede, a diferença de idade sumindo diante da urgência dos corpos. O beijo foi violento, úmido, com línguas que se disputavam a posse do outro. Manuel sentia o perfume dela misturado ao cheiro de desejo.
— Você não tem ideia do quanto eu quis te foder hoje... — ela sussurrou, a voz rouca, deslizando as mãos pelos músculos definidos do corpo dele.
— E eu só pensava em como ia te deixar louca, Neusa. — Ele respondeu, a voz grave, enquanto descia os beijos pelo pescoço, lambendo a pele macia com uma lentidão torturante.
Ele a levou até a cama, despindo-a com pressa, mas com a precisão de quem conhece cada centímetro daquele território. Quando ela ficou nua, Manuel ajoelhou-se entre as pernas dela. Ele queria cada gota de prazer dela. Mergulhou o rosto naquela intimidade, começando por beijos suaves nas coxas, subindo lentamente até encontrar o clitóris pulsante.
— Ah, porra, Manuel... sim, bem aí! — ela gemeu, arqueando as costas.
Ele não teve pressa. Lambeu a buceta dela com uma entrega total, a língua trabalhando com vigor, alternando entre sucções profundas e lambidas rápidas e úmidas no clitóris. Neusa gritava, as mãos enterradas nos cabelos dele, enquanto ele explorava cada dobra, cada gota de lubrificação. Sem parar, ele desceu um pouco mais, a língua explorando a entrada do cuzinho dela, provocando-a com lambidas atrevidas que a faziam estremecer.
— Agora eu... — ela ofegou, puxando-o para cima.
Neusa ajoelhou-se diante dele. O boquete foi demorado, delicioso. Ela usava a boca com uma técnica que o deixava zonzo, sugando o pênis dele com profundidade, a língua dançando no topo da glande, enquanto olhava nos olhos dele com um desejo quase doentio.
No auge da excitação, eles se entregaram ao 69. Era um banquete de carne, línguas e prazer. Ele sentia o gosto dela, ela sentia a força dele. O ritmo aumentou, os gemidos tornaram-se gritos de prazer.
— Eu quero sentir você dentro de tudo, Manuel. Tudo! — ela pediu, a voz embargada.
Ele a posicionou, preparando-a com cuidado. Com um beijo apaixonado e profundo, ele a penetrou. Primeiro, a buceta, sentindo a pressão deliciosa, e depois, com um movimento lento e cuidadoso, ele entrou no cuzinho dela. Pela primeira vez, Neusa sentiu a profundidade do prazer analmente.
— Porra... que sensação... — ela gemeu, a voz sumindo.
Manuel ametia e tirava, constante, alternando a penetração entre a buceta e o cuzinho, um ritmo frenético e luxurioso. O sexo era a única linguagem que eles tinham no momento. Cada estalo de pele, cada gemido intenso era como um grito de verdade.
Depois do orgasmo explosivo, enquanto a respção voltava ao normal e o suor esfriava, Manuel se levantou para buscar água. Foi então que, ao lado da cama, viu um livro de diário abertomente. Curiosidade. Ele abriu a página e viu uma foto: a foto de um bebê. Abaixo, a letra de Neusa: *"Meu filho. O menino que tive que entregar para sobreviver, o menino que nunca esqueci."*
O mundo parou. Olhou para a foto, depois para a mulher que dormia exausta ao lado. A amargura dela, a obsessão, a forma como ela o desejava... não era apenas luxúria. Era a saudade transformada em desejo, a culpa transformada em desejo carnal. A conexão não era aleatória; era sanguínea.
Neusa acordou e viu Manuel com a foto na mão.
Não houve choro, nem pedido de perdão imediato. Houve apenas um silêncio espesso, carregado pela eletricidade que ainda emanava de seus corpos suados. Neusa sentou-se lentamente, os cabelos desgrenhados, observando o filho — o homem que ela acabara de possuir com uma voracidade animal — segurando o fragmento de sua vida mais devastadora.
O choque não veio como uma repulsa, mas como a peça final de um quebra-cabeça cruel. Manuel olhou para as próprias mãos, sentindo a pele dela ainda quente em sua memória, e sentiu um abismo se abrir sob seus pés. A luxúria, que minutos antes era o único guia, agora se transformava em algo visceral, quase proibido, mas estranhamente familiar.
— Por que não me contou? — a voz de Manuel saiu como um sussurro quebrado.
Neusa soltou um riso seco, desprovido de humor, enquanto se levantava da cama sem se preocupar com a nudez. Ela caminhou até ele, a pele marcada pelas mãos dele, e parou a centímetros de seu rosto.
— E o que eu diria, Manuel? Que a mulher que te treina no ginásio, que te observa desejar a própria carne, é a mãe que te abandonou para que você pudesse ter um futuro longe da miséria? — Ela estendeu a mão, tocando o rosto dele com uma ternura agonizante. — Eu te procurei. Eu te encontrei. E passei meses observando você, sentindo esse magnetismo doentio, sabendo que cada toque nosso era um pecado contra a natureza, mas um acalento para a minha alma.
Manuel sentiu um arrepio percorrer a espinha. A revelação não apagava o prazer; pelo contrário, ela dava ao desejo uma dimensão trágica. O fato de serem sangue do mesmo sangue tornava a tensão sexual anterior algo quase místico, um reconhecimento ancestral que a carne não conseguiu esconder.
Ele a olhou nos olhos e viu, além da luxúria, a solidão de uma mulher que tentou preencher um vazio de décadas com a pele do único ser que ela realmente amou. A atração não havia sumido; ela apenas mudara de nome. Agora era obsessão.
— Você sabia... — Manuel começou, a voz recuperando a força, — você sabia quem eu era desde o primeiro dia. E deixou que chegássemos a isso.
— Sim — ela respondeu, a voz voltando a ficar rouca, deslizando a mão pelo peito dele, descendo lentamente para onde o desejo ainda pulsava. — Eu queria ver se o sangue reconheceria a carne antes da mente. E, Manuel... olha para nós.
Ela o puxou para perto, colando seus corpos nu e suados mais uma vez. Não havia mais a máscara do ginásio, nem a mentira da idade. Havia apenas a verdade nua e crua. O beijo que se seguiu não foi de paixão, mas de reconhecimento. Foi lento, desesperado e carregado de uma melancolia profunda.
Eles sabiam que tinham cruzado uma linha sem retorno. Mas, enquanto Manuel a apertava contra si, sentindo o coração dela bater contra o seu, ele percebeu que a verdade, por mais terrível que fosse, era a única coisa capaz de dar a eles aquele tipo de êxtase: a sensação de pertencer a alguém, mesmo que fosse através do proibido.
" Segunda parte"
A revelação pairava no quarto como uma névoa densa, transformando o ar em algo pesado, quase sólido. Manuel olhou para Neusa e, por um instante, a imagem da mulher amante foi substituída pela sombra da mãe que nunca conhecera. Mas a mente, incapaz de processar a magnitude daquele tabu, entrou em curto-circuito. O horror e o desejo, agora fundidos, criaram uma tensão elétrica que exigia a única resposta que eles conheciam: a aniquilação do pensamento através do corpo.
— Eu não consigo... — Manuel começou a dizer, mas as palavras morreram quando Neusa o puxou pela nuca, forçando-o a beijá-la.
Não foi um beijo de carinho, mas um ato de negação. Eles decidiram, em um acordo silencioso e desesperado, que a realidade era um detalhe irrelevante diante da fome que os consumia. Eles queriam apagar a genealogia com o suor, enterrar a verdade sob camadas de prazer frenético.
Neusa o empurrou contra a cama com uma força nova, quase violenta. Ela não queria mais a lentidão da sedução; ela queria o excesso. Manuel a tomou com uma urgência devastadora, cada estocada era uma tentativa de esquecer quem ela era, de transformá-la novamente napenas em carne, em curvas, no objeto de seu desejo.
— Não pensa, Manuel... não pensa em nada! — ela gritou no ouvido dele, as unhas cravando-se profundamente em suas costas, deixando rastros de sangue que se misturavam ao suor.
Eles mergulharam em uma maratona de sexo visceral. Mudaram de posição obsessivamente, como se a geometria do corpo pudesse esconder a verdade. Ele a virou de costas, sentindo a firmeza de suas coxas contra seus quadris, e a penetrou com vigor, enquanto ela arqueava o corpo, soltando gemidos que beiravam o choro. Era um erotismo melancólico; cada toque era carregado de uma saudade ancestral que eles não sabiam nomear, transformando a luxúria em algo quase sagrado e profano ao mesmo tempo.
Ele explorou cada centímetro dela com uma voracidade nova. Lambeu seus seios, mordeu seus ombros, buscou o fundo de sua alma através da carne. A cada toque proibido, eles tentavam descobrir onde terminava a mãe e onde começava a amante. A linha era tênue, invisível, e a busca por ela tornou o sexo mais intenso, mais perigoso.
— Você é minha... — ele sussurrou, a voz rouca de quem já não sabe mais quem é.
— Eu sou tudo o que você tem... — ela respondeu, envolvente, sufocante.
O ritmo tornou-se frenético. O som da carne batendo contra a carne ecoava pelo quarto, abafando a voz da razão. Eles se entregaram ao excesso de estímulos, buscando o orgasmo como quem busca a inconsciência. Quando o ápice finalmente veio, foi como uma explosão de luz branca que cegou ambos, um clímax que não trouxe paz, mas uma exaustão profunda e devastadora.
Caíram abraçados, os corações batendo descompassados, a respiração pesada. O silêncio retornou, mas agora era diferente. A carne havia falado, e a verdade, embora ignorada por algumas horas de frenesi, continuava ali, nua, esperando por eles no amanhecer.
O sol da manhã entrou pelas frestas da persiana, cortando o quarto em tiras de luz que revelavam a poeira suspensa e o rastro de destruição deixado pela noite. Os lençóis, agora um emaranhado de seda e suor, mal cobriam a nudez de Neusa. Ela observava Manuel dormir; a expressão dele, em repouso, tinha a suavidade de quem ainda não precisava carregar o peso do mundo.
sentindo cada músculo do corpo latejar. A satisfação carnal era imensa, mas trazia consigo uma melancolia corrosiva. Ela sabia que, para o mundo exterior,e para Familiares eles eram o exemplo de sucesso e harmonia: os donos do ginásio, o casal dinâmico que inspirava todos ao redor. Ninguém suspeitava que, sob a pele bronzeada e os sorrisos sociais, pulsava um segredo que faria a sociedade local recuar com horror.
Manuel despertou com o toque dos dedos dela em seu ombro. Ele abriu os olhos e, por um segundo, a confusão reinou. Depois, a memória do diário, da foto e do sexo visceral retornou. Ele não se afastou. Pelo contrário, puxou-a para baixo de novo, querendo enterrar o rosto na curva do pescoço dela, buscando aquele cheiro que, agora ele sabia, era o cheiro da sua própria origem.
Passados três anos eram pais de duas meninas.
As meninas, frutos de um relacionamento que desafiava a lógica e a biologia, eram a prova viva de que eles haviam decidido ignorar as regras do mundo para criar a sua própria verdade. Para as filhas, eles eram apenas "pai e mãe". A complexidade do parentesco era um labirinto onde apenas Neusa e Manuel caminhavam.
Ele se levantou, a nudez agora banalizada, e caminhou até o espelho. Olhou para o próprio reflexo e viu, nos traços do rosto, a sombra de Neusa. A genética era implacável; a carne não escondia a verdade, apenas a mascarava.
— Eu sinto que, a cada vez que te toco, estou cometendo um crime... e, ao mesmo tempo, sinto que estou finalmente voltando para casa. — Manuel confessou, sentindo um aperto no peito.
Neusa aproximou-se, abraçando-o por trás. Ela encostou a testa nas costas dele, fechando os olhos.
— O mundo é feito de regras para quem tem medo de viver, meu querido. Nós não temos medo. Nós temos a nós mesmos.
Eles se vestiram em silêncio, transformando-se novamente nos personagens que a cidade admirava. Manuel ajustou o relógio de luxo, Neusa passou o batom vermelho vibrante. Quando saíram do quarto e desceram as escadas, as vozes das filhas chamando por eles ecoavam pela casa.
Eles trocaram um último olhar — um olhar que carregava o peso de um pecado e a leveza de uma libertação. Sorriram um para o outro, deram as mãos e caminharam em direção à luz do dia, prontos para interpretar, mais uma vez, a peça perfeita de uma felicidade construída sobre o proibido.
Fim
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