A conversa com ele sempre fluía fácil, falávamos sobre nova york do seu tempo e do meu, ele morou naquela cidade cerca de 15 anos antes de mim. Falávamos sobre filmes e música, tínhamos gosto similar pras artes. Falávamos de problemas e alegrias corriqueiras do dia a dia. Depois de tanto encontra-lo acabei conhecendo boa parte de sua família. Ele era casado há mais de 30 anos com sua esposa, ela atualmente tem 53 anos e ele 64. Tem dois filhos juntos e ele tem mais um no casamento anterior.
Sou gay. Do alto dos meus 34 anos não tenho mais nenhum problema com isso. Antunes, meu amigo, sabe disso muito bem. Minhas idas semanais a uma cidade pacata de pouco mais de 80 mil habitantes me fizeram o centro de conversas por ser novidade. Tive um outro caso rápido nesse período, nada muito importante e nem problemático. Ficamos, curtimos, vida que segue. Estou em uma fase muito boa profissional e queria focar nisso. Mas o fato é que era sabido na cidade que o engenheiro da fabrica que vem uma vez por semana e que atualmente pode ser encontrado todas quintas feiras bebendo numa mesa de bar com o antigo dono do restaurante do centro é gay. Antunes nunca tinha me perguntado sobre isso diretamente, na verdade esse era um dos poucos assuntos sobre o qual que nunca tratávamos, ele nunca me fez aquelas velhas pergunta que a gente ouve uma vez ou outra na vida “ e as namoradinhas, como tão ? “ “ namorando muito ?” era como se ele não tivesse interesse em entrar nessa seara comigo. Eu não me importava nenhum pouco. Mas tudo mudou naquela ultima quinta-feira.
Same old, same old: cheguei cedo, fiquei até umas 18:00 no trabalho, ligação protocolar pro meu amigo, meia hora no nosso bar ? meia hora nosso bar ! Mas algo na voz dele naquele dia estava diferente. Cheguei no bar ele já estava lá com uma cerveja aberta. O cumprimentei e me sentei ao seu lado, ele serviu minha cerveja, erguemos os copos pra brindar e pela primeira vez na noite pude ver ser olhos. Estavam vermelhos como se tivesse chorando há pouco tempo. Ele era a ultima pessoa do mundo em quem você esperava ver aqueles olhos.
Antunes é um homem de 64 anos que saiu do brasil ao 18 pra fazer uma viagem a passeio com retorno previsto pra um mês e acabou ficando por lá 20 anos. trabalhou de engraxate, lavador de prato, garçom, motorista, mordomo e tudo mais o que pôde pra conseguir juntar patrimônio e voltar 20 anos depois pra montar um restaurante em sua cidade natal. Restaurante esse que ficou funcionando por 25 dias até ser vendido por um valor considerável garantindo sua tranquilidade. É um homem com quem a vida foi dura, o obrigando a ser ainda mais. Não é alto, eu tenho 1,90 e ele se ergue abaixo dos meus ombros então deve ter algo em torno de 1,70. Sua família tem ascendência espanhola, é o tipo de pessoa que de tão branco quando ri fica vermelho, hoje tem cabelos grisalho e um par de olhos bem azuis. Os anos de trabalho braçal os premiaram com uma estrutura física bem robusta e um par de pernas bem forte. Forte é com certeza a palavra que o melhor descreve. Por isso que aqueles olhos marejados de lagrima me desarmaram imediatamente.
- Tá tudo bem, bicho ? o questionei preocupado
- Na medida do possível. Ele respondeu tentando forcar uma alegria que não era compatível com o seu semblante. Imediatamente me veio uma preocupação com sua família, esposa, filhos. Ao que perguntei institivamente
- Tá tudo bem com Sandra ? algo com os meninos ?
- Deve tá tudo bem com ela sim. Ela saiu de casa antes de ontem e desde então não tenho ouvido dela. Mas deve tá bem. Ele respondeu imediatamente virando o copo de cerveja.
Percebi que já tinha tomado duas garrafas de cerveja completas antes de eu chegar lá.
- mas o que aconteceu ? o que você fez ? perguntei tentando vasculhar algo nas ultimas semanas que conversamos que poderia dar alguma pista que o casamento deles não ia bem.
- Fiz merda bicho, fiz merda. Ele respondeu suspirando e me contou o que aconteceu enquanto pedia uma outra cerveja.
Pra resumir a história, sua esposa ficaria fora de casa por esses dias pra passear com umas amigas na capital, não era a primeira vez que isso acontecia. Acontece que dessa vez, segundo ele, ela fez de armação porque estava desconfiando dele. E acabou que a desconfiança se provou certa, ela o flagrou com outra na casa deles. já foi lá com o irmão dela que a ajudou no mesmo dia a pegar as roupas dela e sair de casa, não sem antes avisar que estava tudo acabado.
- E quem era essa mulher que tava contigo? perguntei sem conseguir esconder a surpresa e o mix de sentimentos que estava sentindo. Não era necessariamente raiva, não seria a primeira história de algum amigo meu sendo pego traindo a esposa. Era algo mais visceral, algo estava me incomodando muito naquilo tudo. Como se eu tivesse de alguma forma sido traído também.
- Você não conhece. Ele respondeu seco, sem olhar pra mim.
Nas próximas horas a gente conversou sobre implicações práticas daquela situação. “você acha que ela volta ?” “da forma como aconteceu, acredito que não” “ como seus filhos reagiram?” “ não contei pra eles ainda” “ onde ele está agora ?” e por ai vai. Conforme iam passando-se as horas e mais a gente bebia eu tentava entender aquele sentimento que estava sentindo. Até que depois de muito pensar a resposta me atingiu, era ciúmes. Eu queria estar no lugar daquela mulher na cama com ele. Sempre tive muito tesão nele, o respeitava por saber que era hetero e por conhecer parte de sua família, mas varias vezes durante nossos encontros eu não conseguia tirar meus olhos daquelas pernas grossas, das vezes que ele me convidou pra sua casa e me recebia sem camisa tinha momentos difíceis admirando seu tronco peludo. Nas conversas mais intimas na mesa do bar, seus olhos bem azuis me prendiam de forma que as vezes perdia o fio da miada e pedia pra ele repetir algo, só pra poder chegar mais perto e sentir seu perfume amadeirado.
- Você já namorou alguma vez ? meu fluxo de raciocínio foi interrompido por essa pergunta. Era a primeira vez que Antunes tinha me questionado algo voltado a minha sexualidade.
- sim, namorei por 4 anos. Respondi.
- e como ele era. Ele me perguntou demonstrando genuíno interesse.
- era um professor da universidade onde eu me formei, eu tinha 24 anos na época, ele tinha uns 60. Foi meu primeiro e único namorado.
- quase minha idade. Ele disse, quase como se fosse um pensamento que ele acabou falando em voz alta sem querer.
- quase da sua idade. Eu concordei. Mas você tá muito melhor do que ele estava na época. Respondi falando a verdade. Ele riu pela primeira vez naquela noite.
- você tá querendo me animar, isso sim. E porque terminaram ? perguntou enquanto pedia mais uma cerveja.
- Eu era jovem e burro, acabei o traindo, ele não perdoou e foi isso. Respondi já me arrependo, deveria ter inventado uma desculpa pra não retornarmos ao assunto da traição. Mas agora já era tarde demais. Ele acenou com a cabeça e me disse que ia ao banheiro. Quando ele se levantou da mesa, o garçom se aproximou e disse. “Jorge, seria bom você levar ele pra casa, ele tá bebendo desde cedo ai pela rua e já tá ficando tarde.” Concordei me dando conta que realmente ele já estava bem bêbado. O problema seria convence-lo a dar um fim na noite. Ele conseguia ser bem cabeça dura as vezes, se eu não soubesse falar direito, era capaz dele não querer ir só de birra. Ao retornar, ele praticamente bebeu o copo cheio de cerveja de uma vez e disse:
- quer ir tomar a saideira lá em casa? As cervejas daqui estão começando a vir quente.
Realmente aquela noite eu não parava de ser surpreendido. As cervejas continuavam vindo estupidamente geladas como sempre vinham. Mas eu não entraria em nenhum argumento.
- claro, bicho. Vou pedir a conta aqui e a gente vai.
- já paguei. Ele respondeu já se levantando.
15 minutos depois estávamos em sua casa. Ela continuava impecável como todas vezes que eu fui lá. Ele perguntou se eu me importava se ele tomasse uma banho, disse que estava na rua desde cedo. Claro que eu não importaria, comentei que ia ajustando o som enquanto ele estivesse no banho. Não era incomum eu ser convidado por Sandra pra tomar uns vinhos com ela nas minhas vindas, então eu conhecia bem o ambiente. É uma casa de andar, que tem uma varanda muito agradável com um sofá de dois lugares e um jogo de mesas e cadeira que a gente sempre fica. Lá também tem a cervejeira que ele mantem abastecida e uma tv pra colocarmos música. Estava encostado na varanda aproveitando a brisa fresca que aliviava um pouco do calor daquela noite de outubro. Quando ouvi sons de passo de dentro da casa e o vi se aproximando. Ele estava usando apenas esses shorts de seda que usa-se pra dormir. Os cabelos molhados estavam penteados pra trás. Meus olhos foram imediatamente atraídos pra os shorts, que a cada passo que dava em minha direção deixava claro que não usava cueca.
- vai vestir uma roupa, porra. Falei em tom de brincadeira, enquanto ele chegava na varanda, passava por mim e se dirigia a cervejeira.
- você tem sorte de eu não tá nu. Respondeu rindo.
Eu sentei no sofá e fiquei admirando aquele coroa por quem eu sempre tive desejo alí a poucos passos de mim, semi nu, pegando a cerveja e dois copos pra nos servir. A visão dele e as cervejas que já tínhamos tomado estavam me deixando excitado e fui sentar no sofá pra tentar disfarçar. Ele colocou alguma musica pra tocar, john denver como sempre, e sentou ao meu lado no sofá com os dois copos na mão. Me entregou um copo e propôs um brinde a nossa saúde.
Quando começou os primeiros acordes da musica ele se distraiu com a canção e eu pude olhar com mais calma pra ele, estava sentado ao meu lado com as pernas abertas como era de costume, seus pés batiam no chão no ritmo da música enquanto ele cantava. Suavemente, até naturalmente eu diria, ele deu uma ajeitada na sua rola sob os shorts, deixando ela muito marcada, podia ser notado claramente o volume daquele pau deitado sobre a coxa esquerda, eu poderia jurar que tinha notado um leve pulsar no short quando ouço ele falar:
- Não era uma mulher. Minha atenção é desviada da sua rola que agora eu já tinha certeza absoluta estava ficando dura e encontro seu olhar. Ele estava com os olhos fixos em mim, então com certeza tinha notado meu olhar fixo em seus shorts.
- não entendi. Respondi institivamente a ele. Enquanto lutava pra manter o olhar fixo em seus olhos e não em seu pau.
- Não era uma mulher a pessoa com quem Sandra me flagrou na cama. Eu definitivamente não estava esperando por isso. Minha cabeça entrou em parafuso: como eu nunca tinha notado? Não soube o que responder, ele gentilmente pegou o copo de cerveja da minha mão e apoiou os dois na mesa a nossa frente e continuou.
- ela me pegou com um GP que eu contrato quando ela viaja pra curtir. Ele tem 35 anos. ele prosseguiu enquanto uma mão dele agora pousava na parte interna da minha coxa e ele se aproximava lentamente.
- quase da minha idade. Respondi, quase como se fosse um pensamento alto que falei sem querer.
- quase da sua idade. Ele respondeu se aproximando pra me beijar.
jorgeengheiro