Primeira parte Suas unhas carmesim cravaram-se nos lençóis da minha cama enquanto Jessica enterrava o rosto no colchão para abafar o grito ao gozar pela terceira vez. Ela empurrava seus quadris generosos contra a minha virilha, recebendo cada estocada agressiva com igual fervor. Sua trança longa estava enrolada na minha mão como uma corda, e eu a usava como uma rédea, aplicando força constante a cada estocada na tentativa de penetrar o mais fundo possível minha namorada de sete meses. Um sorriso surgiu em meu rosto enquanto eu apreciava o contraste de tê-la forçada contra a cama: uma mão pressionando firmemente suas costas enquanto a outra puxava seu cabelo. Jessica retribuiu meu olhar, com a boca entreaberta, buscando ar entre gemidos. “Me fode… Marcus… ah, porra… não para…” “Porra, isso! Goza pra mim! Goza no meu pau, sua vadia!”, rosnei, com os dentes cerrados. Ela virou a cabeça e gritou novamente contra o colchão; senti seu corpo estremecer sob a palma da minha mão enquanto seus fluidos cobriam meu membro. Saber que ela tivera um orgasmo tão intenso me excitou ainda mais, e continuei as estocadas, aproximando-me do momento crítico. Meus olhos percorreram um dos melhores atributos de Jessica: sua pele impecável. Como alguém que passava a maior parte do tempo em casa lendo e mantendo uma rotina rigorosa de cuidados, ela tinha uma pele quase translúcida e perfeita, digna de estudo por alguma organização científica. Suas costas, seus ombros, sua bunda… tudo nela era uma obra de arte impecável. Inclinei-me para a frente enquanto a penetrava, deliciando-me com a sensação de seu corpo tremendo sob o meu, enquanto ela ainda sentia os espasmos finais do orgasmo. Estendi a mão por baixo dela e envolvi um de seus seios pesados, apertando-o com força enquanto eu estava prestes a explodir dentro dela. Pressionando meus lábios contra o ouvido dela, murmurei: “Isso, gata… sinta esse pau bem fundo em você. Eu vou gozar. Vou gozar dentro de você, Jess. Eu vou… ah, eu vou gozar…” Cravei os dentes no ombro dela e segurei o seio com firmeza, soltando um gemido alto. Meu pau pulsava, e nós dois sentíamos jatos quentes de sêmen cobrindo as paredes da buceta dela. Estendi a outra mão e a envolvi em volta do pescoço dela. Com as duas mãos ocupadas, meu peso a empurrou totalmente contra o colchão enquanto eu continuava estocando contra a bunda farta dela, deliciando-me com a forma como sua buceta parecia virar uma sopa com a mistura dos nossos fluidos. Apertei mais o pescoço dela e mordi seu ombro com mais força, querendo deixar marcas de dentes que levariam dias para desaparecer. Jessica adorou. “Mmmm, gata… faz de mim sua puta maldita”, ela gritou, rouca, quase sem voz. “Faz de mim seu brinquedo sexual maldito! Droga! Porra, Marcus, eu sou toda sua!” Meu orgasmo começou a passar, assim como minhas estocadas. Jessica pressionou a bunda farta contra a minha virilha, ajudando-me a enterrar o pau nela enquanto o último resto de sêmen escapava da ponta. Eu conseguia sentir a mistura dos nossos fluidos escorrendo pela junção dos nossos órgãos sexuais. Estávamos encharcados ali embaixo, e eu só conseguia imaginar como estaria o lençol sob nós. Soltei a mão do pescoço dela e a apoiei em um lado do seu rosto. Minhas mordidas transformaram-se em beijos enquanto eu percorria suavemente sua pele branca, descendo da escápula em direção à coluna vertebral. Sincronizamos o movimento de nossos quadris, e ela virou o rosto para prender meu polegar entre seus lábios macios e carmesim. A sensação de sua língua envolvendo meu dedo fez meu pau estremecer, com um pouco mais de sêmen escorrendo pela ponta. Deixei um rastro de beijos em suas costas, maravilhando-me com aquela tela impecável enquanto a pintava com a língua e os lábios, saboreando o gosto salgado do nosso suor misturado. Desfrutei de explorar seu corpo, sentindo-a gemer enquanto mantinha meu polegar na boca, imersa no prazer pós-orgasmo. Por fim, rendendo-me à realidade de que precisava encerrar aquele momento, subi pelas costas dela e depositei mais alguns beijos em sua nuca antes de rolar para o lado e ficar de barriga para cima. O ar ficou impregnado com o cheiro de sexo e o som da respiração ofegante enquanto recuperávamos o fôlego. Olhei para ela. Ela me observava com um olho só, com metade do rosto afundada no colchão, e me presenteou com um sorriso discreto. Virei-me de lado, apoiei a mão em suas costas e deixei meus dedos deslizarem por sua pele enquanto me inclinava para a frente e pressionava meus lábios contra os dela em um beijo doce. Ela não retribuiu de imediato, mas logo depois correspondeu. Senti seus lábios cederem, permitindo que minha língua entrasse para encontrar a dela, forçando-as a dançar juntas de uma maneira que eu havia aperfeiçoado ao longo daquela semana em que ela estava ali. Depois de dois minutos de beijos, ela interrompeu o contato e se afastou, deitando-se de barriga para cima. Fisicamente, dois de seus traços mais marcantes eram o rosto e a pele. Com lábios naturalmente carmesim, olhos brilhantes cor de avelã e covinhas adoráveis nas bochechas ao sorrir, ela parecia uma princesa de desenho animado, embora com um porte físico um pouco diferente. Jessica era encorpada, mas isso significava que ela aguentava o tranco quando as coisas esquentavam na cama — algo de que nós dois gostávamos. Ela era pervertida e tinha um lado sombrio; pouca coisa a chocava. Nos sete meses que passamos juntos, ela chegou a usar plug anal. Gostávamos de nos amarrar e passar todo tipo de coisa no corpo um do outro, de cera quente a mel. Ela contava as palmadas enquanto eu a castigava, se submetia quando eu colocava uma coleira em seu pescoço perfeito, corava graciosamente quando eu a chamava de “boa garota” e lambia meus dedos até limpá-los quando eu gozava na minha mão. Ela era criativa, imaginativa e excitante… tudo o que um homem poderia desejar em uma namorada. Olhei para o despertador e disse: “Uma hora e meia. Nada mal, se é que posso dizer isso.” A única resposta que recebi foi um suspiro enquanto ela olhava para o teto. Depois, murmurou algo baixinho. “O que foi?”, perguntei. Ela hesitou por um momento, depois olhou para mim, e vi seus olhos se encherem de lágrimas. “Eu disse que… que vou sentir falta disso”, falou, com a voz embargada pela emoção. Ver o quanto ela sentiria minha falta me comoveu, e senti culpa por não ter derramado algumas lágrimas também diante da nossa iminente separação. “Ah… eu também, querida”, respondi, com um nó na garganta. Jess morava no Kansas. Eu morava em Nova York. Nós nos conhecemos pela internet, nos demos bem e acabamos viajando regularmente para transar sem parar durante o último ano e meio, antes de oficializarmos o namoro, cerca de sete meses atrás. Estávamos considerando a ideia de ela se mudar para Nova York para ficarmos mais perto; era um passo importante rumo a algo mais permanente entre nós. Ela estava voltando para casa depois de uma semana procurando apartamento e transando. Vimos apenas alguns apartamentos nos dois primeiros dias em que ela esteve na cidade, mas ela disse que era o suficiente, alegando ter informações bastantes para tomar uma decisão. Não reclamei, já que isso significava mais tempo com meu pau dentro dela. “Mas a distância não vai ser problema por muito mais tempo, amor”, continuei, enquanto me inclinava para beijar um de seus mamilos pálidos e rosados. Ele ficou imediatamente ereto sob meus lábios. “Não…”, disse Jessica, colocando a mão em minha bochecha e me afastando de seu peito para que pudéssemos nos olhar. “Não é isso que eu quero dizer.” Eu não tinha certeza de onde ela queria chegar. “O que você quer dizer, então?” “Acho que não vou me mudar”, respondeu ela, quase num sussurro. Endireitei o corpo. “Não vai? Por quê?” Ela balançou a cabeça negativamente. “Não. Vou ficar no Kansas.” “Por quê?”, repeti. Ela desviou o olhar e disse: “Conheci alguém”. Senti um calafrio e, de repente, tive de me lembrar de respirar. A informação era difícil de processar. “Por quê?”, repeti a pergunta, dando-lhe um significado completamente diferente. “Sinto muito, Marcus”, disse ela. Baixou o olhar para o colchão, de modo que eu já não conseguia vê-la diretamente, mas podia sentir o quanto ela estava transtornada. Senti minha mandíbula doer e a travei. Ela ainda não tinha respondido à minha única pergunta. “Fala sério, Jess. Por quê?”, perguntei novamente, com a voz já começando a falhar. “Fui um namorado incrível. Fui incrivelmente paciente. Paguei para você vir, e metade das nossas visitas foi para te ver. Conheci sua família, pelo amor de Deus!” Esperei que ela dissesse algo, qualquer coisa, mas ela nem sequer olhou para mim ou pareceu notar o que eu dizia. “Jess”, falei, num tom que se suavizou até virar puro desespero. Inclinei-me para a frente, tentando fazer contato visual com ela. “Por favor… por favor, me diz que você está brincando.” “Sinto muito.” Finalmente ela olhou para mim, com lágrimas escorrendo pelo rosto, e eu soube que aquilo não era uma maldita brincadeira. “É só que…” “Há quanto tempo?”, perguntei. A raiva começava a superar a surpresa. Quando começamos, tudo não passava de luxúria mútua e diversão. Com o tempo, aquilo havia se transformado em afeto, cuidado e amor verdadeiros. Pelo menos para mim. Achei que para ela também. Será que os sorrisos, as risadas e as conversas longas e profundas não tinham significado nada? Tinha sido apenas um bom momento até surgir outra coisa? Será que o meu amor tinha sido um maldito substituto? Um soluço escapou dela quando disse: “Marcus…” “Há quanto tempo?”, repeti, mais alto. Que se danassem as lágrimas dela. Eu tinha sido bom com ela. Ela ficou me encarando, chorando em silêncio enquanto os segundos se arrastavam. Finalmente, respondeu: “Um mês”. Levantei-me da cama num salto e me afastei dela. Um maldito mês inteiro? Eu estava saindo com essa mulher há meses, ignorando outras oportunidades e mantendo a fidelidade, mas ela vinha fazendo isso pelas minhas costas havia um mês. Peguei minhas calças e comecei a vesti-las, tentando não sentir nada novamente. Era isso ou raiva, dor e vergonha. “Marcus. Olha, eu…” “Não posso ficar aqui agora”, eu disse, pegando minha camisa, com a voz trêmula. “Achei que estivéssemos bem. Droga, melhor do que bem!” “Estávamos. Isso simplesmente… aconteceu. Você está longe demais, e… simplesmente aconteceu. Eu não…” Virei-me e apontei para ela, com a camisa na mão. “Não! Você estava de mudança! Você estava de mudança, e eu ia te pedir em casamento quando você chegasse! Jesus, Jess! Que merda é essa?” Fez-se silêncio, e aproveitei a oportunidade para vestir a camisa, processando o que ela acabara de me dizer e as implicações. Ela estava saindo com outra pessoa havia um maldito mês; eu não precisava nem perguntar até onde eles tinham ido. É claro que faziam sexo. Jessica era uma pessoa muito sexual. A distância era o maior problema entre nós, e tinha passado pouco mais de um mês desde a última vez que nos vimos. Assim que ela encontrou alguém mais próximo que pudesse satisfazê-la com mais frequência, provavelmente não demorou muito para irem para a cama juntos. O fato de ter acontecido apenas uma semana depois da nossa última visita tornou a dor da traição ainda mais intensa. “Você ia me pedir?”, ela sussurrou. “Em casamento, sim”, eu disse, calçando as meias e os sapatos. “Eu não sabia…” “Isso não importa!”, resmunguei enquanto pegava minha carteira e as chaves. Talvez eu pudesse ter perdoado algo que aconteceu uma única vez, mas um maldito mês? “Saí pela porta e, por acaso, você encontrou o cara no mesmo dia? Ou você o conheceu antes da nossa última visita? O quê? Você pulou do meu pau para o dele?” “Aonde você vai?” Jessica se ajoelhou enquanto me observava, com lágrimas escorrendo pelas bochechas. Ela ainda estava nua. Seu cabelo ruivo bagunçado caía em cascata sobre o peito e um dos ombros, escondendo um de seus seios fartos. Ela parecia alarmada por eu ter me vestido tão rápido e, por algum motivo, sua confusão alimentava ainda mais a minha raiva. Ela realmente esperava que eu ficasse em casa com ela depois do que tinha acabado de ouvir? Como diabos ela podia estar confusa com qualquer parte da minha reação? E por que ela tinha que parecer tão linda, ajoelhada na minha cama, nua e tão vulnerável? “Não posso ficar aqui”, eu disse. “Pegue suas coisas e vá embora.” O plano era comer antes de levá-la ao aeroporto. Agora, não havia a menor chance de eu fazer nenhuma das duas coisas. “Como vou chegar lá?”, ela perguntou, com um tom tímido. Jessica estava sem um tostão. Ela trabalhava como assistente administrativa em uma fábrica de caixas no Kansas, mas o emprego não pagava muito bem. Além disso, ela não era exatamente a pessoa mais sensata com finanças; basicamente, vivia um dia de cada vez. Eu, por outro lado, era analista em Nova York e ganhava muito bem. Não pretendia comprar uma casa tão cedo, mas estava indo muito bem financeiramente. Jess dependia de mim para arcar com a maior parte dos custos do nosso namoro à distância. “Não sei, Jess! Chame um carro por aplicativo!”, disparei enquanto caminhava em direção à porta. “Tem uns sessenta e poucos dólares na gaveta lateral. Pegue o dinheiro. Estou pouco me lixando!” “Marcus!”, ela gritou para mim, a voz quebrada. “Podemos conversar sobre isso? Por favor!” Parei na porta e me virei para olhá-la. “Você andou saindo com alguém no último mês, enquanto a gente estava junto?” “Tecnicamente… não estamos namorando.” Isso bastou para mim. “Vocês transaram?” Ela hesitou na resposta — o que também era um sim. Então era isso que eu era para ela: uma opção. “Quando você disse que ia sentir falta disso, estava se referindo ao próximo mês, enquanto voltava para o Kansas para fazer as malas e se mudar para cá, ou estava falando porque era a última vez?” Ela hesitou. “Eu…” “Já chega”, eu disse, engolindo a voz que ameaçava me trair. “Tenha uma boa vida, Jessica. Feche a porta ao sair.” Virei-me e vi Jack, meu gato, sentado na bancada. Ele piscou lentamente para mim e depois voltou a olhar para Jessica. Jack preferia ficar de fora dos assuntos humanos, pois achava que nossas coisas estavam abaixo dele. Provavelmente tinha razão. “Jack”, eu disse, “não deixa ela roubar nada caro”. Sem dizer mais nada, abri a porta da frente e saí. “Marcus!”, Jessica gritou atrás de mim. Ignorei-a e bati a porta com força. Eu não queria ouvir mais nada do que ela tivesse a dizer. Comecei a caminhar pelo corredor em direção ao elevador quando uma cabeça surgiu na porta do apartamento da frente, quase esbarrando em mim. Com um suspiro de surpresa, a cabeça de Phoebe Lucas desapareceu atrás da porta para evitar a colisão. Desviei para não bater nela ao mesmo tempo e, um instante depois, ela reapareceu, com os olhos arregalados enquanto me observava parado na porta. “Está tudo bem?” “Está tudo bem, Sra. Lucas”, respondi, meio contrariado. “Jessica e eu acabamos de terminar. Ela ainda está lá dentro, mas vai embora logo.” Phoebe Lucas era uma mulher de uns quarenta e poucos anos que trabalhava como agente de empréstimos bancários em Nova York. Eu a conhecia havia três anos e nos dávamos bem. Era uma mulher encantadora e de temperamento doce que, por acaso, era casada com um operário siderúrgico que, quando não estava batendo em metal, fazia de bater na mulher um passatempo. Pelo menos, era o que eu suspeitava. Jim e Phoebe tinham um menino de dois anos muito bonito, e eu apostaria qualquer coisa que ele gostava do pai tanto quanto eu. “Ah!”, disse a Sra. Lucas. “Sinto… muito?” “É”, eu disse. “Eu também.” “Você está bem? Precisa conversar?” Balancei a cabeça negativamente e disse: “Não, mas vou tomar um café com uma amiga”. Tentei sorrir para ela com indiferença. “Precisa de alguma coisa enquanto estou fora?” Ela retribuiu o sorriso, muito mais sincero que o meu. Apesar da situação conjugal, ela sorria com frequência, o que deixava umas leves linhas de expressão ao redor da boca e dos olhos. Para ser justo, poderiam facilmente ser rugas de preocupação com o idiota do marido. “Não, obrigada. Jim provavelmente estará em casa. Ele…” Ela não terminou a frase, mas não precisava. “Entendo”, eu disse, com a voz mais baixa. “Tem mais alguma coisa que eu possa fazer?” Ela balançou a cabeça. “Não, obrigada. Estou bem.” Olhei fixamente para os olhos dela, castanho-escuros, avaliando sua situação enquanto o cadáver do meu relacionamento continuava esfriando no meu apartamento. Era uma loucura a rapidez com que alguém podia esquecer seus próprios problemas quando estava preocupado com outra pessoa — até mesmo com a infidelidade da namorada. “Tudo bem”, eu disse finalmente, “mas você sabe que estou aqui se precisar de qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo.” “Claro”, ela disse, com um sorriso agradecido. “O mesmo vale para você.” “Eu sei. Obrigado, Sra. Lucas.” “Continuo dizendo”, disse ela, “pode me chamar de Phoebe.” Assenti e dei um sorriso fraco. “Vou tentar.” Virei-me e fui em direção ao elevador; depois, hesitei e voltei. Phoebe estava começando a entrar no apartamento dela novamente. “Ah”, chamei. Ela hesitou e olhou para mim. “Você poderia me fazer um favor e garantir que a minha porta fique trancada depois que aquela vadia mentirosa for embora?” Sexta-feira, 19 de julho, 10h52 “Pedido para o Marcus!” Peguei meu café no balcão e fui para o meu lugar habitual, no fundo do salão da Strange Mudd, uma cafeteria local de Nova York. Eu costumava ir bem cedo, antes do trabalho, quando havia menos clientes. Raramente a via tão cheia àquela hora e tive sorte de encontrar lugar — um pequeno milagre. O burburinho da cafeteria lotada transformou-se em ruído de fundo enquanto eu tomava meu café, olhava para o nada e processava o fim do meu relacionamento. Minha história não é tão incomum. Cresci em uma família de classe média no interior do estado de Nova York; fui um dos quatro filhos de uma mãe arquiteta e de um pai músico (bem, padrasto). Meu pai biológico abandonou minha mãe assim que o teste ficou azul. Ou rosa… ou qualquer cor que indicasse que minha mãe estava grávida. Foi uma boa infância. Minha mãe me amava e, depois que nasci, ela terminou a faculdade contando com a ajuda dos pais para me criar, enquanto se desdobrava para construir uma vida para nós. Um ano depois de se formar e conseguir um emprego, ela se casou com Henry, e nossa família passou de duas para quatro pessoas, já que Henry tinha uma filha um ano mais velha que eu. Depois de passar pela infância, ganhar mais dois meio-irmãos e concluir a faculdade, vi-me em Nova York trabalhando como analista financeiro em uma empresa. Lá, construí uma vida muito boa. Um gato chamado Jack, um apartamento de um quarto, alguns relacionamentos e um pequeno grupo de amigos, incluindo… “E aí, nerd?” Dillon se deixou cair na cadeira à minha frente, na minha mesinha, com um sorriso de orelha a orelha enquanto limpava as mãos no avental. Ele era um aspirante a ator que tentara a sorte em Los Angeles antes de voltar para sua cidade natal e dedicar-se aos palcos. Gostava bastante, mas Nova York não era barata, e ele precisava trabalhar em cafeterias para complementar a renda até finalmente triunfar. “O que você está fazendo aqui?”, perguntou. “Pensei que estaria completamente apaixonado pela Jessica agora mesmo.” Ele olhou para o celular e depois percorreu o ambiente com o olhar. “Não era para você ir ao aeroporto daqui a pouco? Ela está aqui?” Tomei um gole de café e o encarei enquanto pousava a xícara na mesa, sem saber como explicar a situação para o Dillon, já que eu ainda estava assimilando o que tinha acontecido. “Oi. Tudo bem?”, perguntou ele, num tom preocupado. Dillon era o menos sério dos meus amigos, mas também o mais empático do grupo. Balancei a cabeça negativamente e olhei para ele, tentando não parecer tão triste quanto me sentia. “O que aconteceu?”, perguntou.
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