— Tem certeza? — perguntei. Minha mão repousava sobre a alavanca de câmbio. O motor mantinha um ronco constante, à espera.
Ela soltou uma risada baixa, vinda do fundo da garganta, e puxou a alavanca para reclinar o banco. — Você passou o último mês inteiro encarando a minha bunda. Não venha se fazer de tímido agora.
— Não estou me fazendo de tímido.
— Ótimo. — Ela esticou a mão e a pousou na minha coxa. Suas unhas, curtas e sem esmalte, cravaram-se na minha pele com a força exata para me fazer prender a respiração. — Porque eu não vou a um motel. Câmeras demais. Recibos demais. Entende?
Eu entendia. Ela tinha 20 anos e já havia se juntado com um rapaz de 28 que ela conheceu a 4 meses atrás, estava morando na casa dele interior onde pouco se viam pela distância dos trabalhos e, agora, estava estagiando em um emprego que conseguiu por meio de um primo. Cada passo que ela dava era monitorado. Aquele carro era o único lugar no mundo que lhe pertencia.
A mão dela subiu um pouco mais. Segurei seu pulso.
— Ana. Olhe para mim.
Ela virou o rosto. Ela era pequena — pouco mais de um metro e cinquenta —, tinha um corpo de modelo. Os seios redondinhos pressionavam uma blusa branca; a cintura era bem marcada, abrindo-se para um quadril que fazia até o pessoal do escritório esquecer as metas. Apenas vinte anos, só três meses morando junto com um homem e ela já me olhava como se eu fosse a saída de emergência de um casamento de 20 anos.
— Eu quero você. Agora — disse ela. Simples. Direta. Sem joguinhos.
Inclinei-me sobre o console e a beijei.
Sua boca se abriu de imediato; sua língua deslizou contra a minha, ainda com um gosto de caipirinha. Ela soltou um som — um gemido baixo, de surpresa, como se não esperasse que a sensação fosse tão boa. A mão dela encontrou a minha nuca e me puxou para mais perto; a alavanca de câmbio pressionava minhas costelas, mas eu não me importei.
A chuva castigava o teto. Os vidros embaçaram.
Interrompi o beijo e me afastei o suficiente para ver o rosto dela. As bochechas estavam coradas. Os lábios, entreabertos. Os olhos, semicerrados, fixos na minha boca, como se ela já estivesse planejando o próximo beijo.
— Banco de trás — eu disse.
Ela não respondeu. Apenas seguiu. Observei a forma como a saia subiu e revelava uma calcinha de renda branca.
O banco de trás estava apertado porque eu havia esquecido de puxar o banco para frente. Meus joelhos batiam na parte de trás dos bancos dianteiros. Ela já estava deitada sobre o couro, com uma perna dobrada e um pé apoiado no assoalho. Ela olhou para mim e sorriu — um sorriso de quem já tinha tomado uma decisão.
— Vem cá — disse ela
Abaixei-me sobre ela. Meu peso se acomodou entre suas coxas e ela soltou o ar, num suspiro longo e lento, como se estivesse prendendo a respiração há tempos. Suas mãos foram parar no meu cinto. Deixei que ela o abrisse, que empurrasse meu jeans para baixo, o suficiente. Seus dedos envolveram meu pau e apertaram; meu corpo inteiro deu uma arrepiada.
— Porra
— Essa é a ideia.
Ela me acariciou uma, duas vezes — de forma lenta e deliberada, observando meu rosto o tempo todo. Depois, soltou-me e puxou a saia até a cintura.
Deslizei minha mão entre as pernas dela. Como esperado, ela tinha uma bucetinha com pele lisa e apenas uma faixa bem definida de pelos escuros.
Ela estava molhada — não apenas molhada, mas encharcada; um calor escorregadio que cobriu meus dedos instantaneamente. Ela soltou um arquejo quando toquei seu clitóris — um som agudo que ela tentou conter. Seus quadris se elevaram, buscando minha mão.
— Você estava desejando isso — eu disse.
— Já estava sonhando.
Não a fiz esperar. Posicionei-me e entrei, lentamente, observando seu rosto. Sua boca se abriu. Seus olhos reviraram. Ela estava apertada — mais do que eu esperava — e quente; ela me acolheu até a base, num estremecimento que percorreu todo o seu corpo.
— Meu Deus — ela ofegou.
Comecei a me mover. Lentamente, no início. O carro balançava suavemente. A chuva castigava o lado de fora. Ela entrelaçou as pernas na minha cintura e me puxou para mais fundo; senti seus calcanhares pressionarem a parte inferior das minhas costas. Suas mãos agarraram a alça do cinto de segurança acima da cabeça, os nós dos dedos brancos de tanta força.
— Mais forte — ela pediu.
E eu fui mais forte. O carro rangia. Seus seios balançavam a cada estocada, ainda presos sob a blusa fina; os mamilos estavam tão rígidos que pareciam capazes de rasgar o tecido. Puxei a blusa para cima e levei um deles à boca — pele quente, sentindo o sal do corpo — e ela soltou um grito, um grito de verdade, alto o suficiente para que eu precisasse cobrir sua boca com a mão.
Ela mordeu a palma da minha mão. Não com força. O suficiente para me mostrar que ela estava gostando.
— Você precisa ficar quieta — eu disse.
— Eu sei. — Ela estava ofegante. — Eu sei, eu sei, só... não para.
Eu não parei. Fodi-a com mais força, mais fundo, mudando o ângulo até atingir um ponto que fez o corpo dela inteiro travar. Seus olhos se arregalaram. Sua boca se abriu contra a minha mão. Ela gozou assim — em silêncio, intensamente —, sua boceta apertando-me em ondas que fizeram minha visão ficar turva.
Continuei. Ela estava entregue, totalmente relaxada, mas puxou-me para mais perto com os calcanhares, sussurrando coisas que eu não conseguia entender. Meu ritmo quebrou. Minhas estocadas tornaram-se desesperadas. Ela esticou a mão, agarrou meu cabelo e puxou minha orelha para perto de sua boca.
— Goza dentro de mim — ela disse. — Eu tomo pílula.
Foi isso. Enterrei-me nela por completo e me entreguei, pulsando dentro dela, soltando gemidos contra o seu pescoço. Ela me manteve ali, com as pernas entrelaçadas nas minhas, até que eu terminasse por completo.
Por um longo momento, nenhum de nós se moveu. A chuva diminuiu, tornando-se apenas uma garoa. As janelas estavam completamente embaçadas. Lá fora, um carro passou sem parar.
Ana foi a primeira a rir. Um riso baixo, ofegante.
— Então — disse ela. — Sexta que vem, no mesmo horário?
Levantei a cabeça. Seu rosto estava vermelho, o cabelo grudado na testa, a blusa ainda amontoada perto do pescoço. Ela parecia desfeita. Parecia feliz.
Não queria cortar o clima tão de cara, mas para evitar um problema futuro precisei começar um...
— Seu marido...
— Não. — Falou com firmeza, ainda que recuperando o fôlego — Namorado, não marido. Não sou casada. Você é.
Ela sentou-se e começou a ajeitar as roupas, como se nada tivesse acontecido. Observei-a puxar a saia para baixo, abotoar a blusa amassada e passar os dedos pelos cabelos.
— Minha esposa não liga para isso e já que você está dizendo que está tudo certo, então...
Ela olhou para mim, e seu sorriso mudou. Ficou mais suave. Malicioso mas quase tímido.
— O que você está pensando?
Busquei uma pequena chave prateada que tinha no porta luvas.
— A casa de praia da minha sogra. Se você ficar por aqui esse final de semana, amanhã, às nove horas levarei vinho — Disse isso entregando a chave na palma da mão dela.
Ela ficou curiosa mas enquanto o uber para a casa de sua tia chegava não dei mais detalhes do que iria acontecer. Trago em breve por aqui
