Passaram-se algumas semanas. Numa noite, estavam abraçados na cama, ainda sentindo o calor um do outro, quando Kael acariciou o rosto de Lira e falou com a voz suave e firme:
— Tenho pensado muito naqueles dias... em Mirela. Em como o clima parecia nos chamar a algo mais. E me perguntava... o que achas de convidá-la para estar conosco? Nós três, juntos.
Lira se afastou um pouco, os olhos arregalados, mordendo o lábio.
— Kael... e a amizade dela, e tudo o que construímos... e se estragarmos? E se ela não quiser?
— Não a pressiono. Disse ele, beijando a palma da mão dela. — Só falo o que sinto. Vejo como nos olha. Mas a decisão é tua, e a dela também. Se não quiseres, nunca mais falarei nisso.
Ela hesitou por longos minutos, o pensamento percorrendo cada lembrança: o olhar de Mirela naquela noite, o jeito como se aproximava. Depois suspirou e encostou a testa na dele.
— Convide-a. Mas faça com calma... por favor.
Alguns dias depois, o apartamento de Kael estava acolhedor: luzes suaves, a mesa posta, o aroma de comida caseira, misturando-se ao perfume suave que ele usava. A porta abriu-se e Mirela entrou, vestida com um vestido que marcava suas curvas, os olhos iluminados pela presença dos dois.
Riram, conversaram, brindaram ao vinho tinto. À medida que a noite avançava, as palavras ficavam mais lentas, os olhares mais profundos. Foi então que Kael pousou o copo e disse:
— Há algo que gostaria de partilhar com vocês duas. Na praia, percebemos que havia algo mais entre nós, uma energia, um desejo que não se limitava a dois. E gostaria de propor que vivêssemos isso juntos, os três. Nada farão que não queiram, e tudo pode parar a qualquer instante.
Explicou então o que imaginava. Lira observava Mirela, de mão dada com Kael, pronta para intervir se a amiga se mostrasse desconfortável. Mas o rosto de Mirela mostrou alívio, como se um segredo guardado há tempo finalmente viesse à luz. Ela sorriu, mordeu o lábio e disse:
— Eu... já queria isso há muito tempo. Desde antes da viagem. Tinha medo de falar, de estragar tudo. Mas sim... quero. Quero muito.
O ar pareceu mudar de temperatura naquele instante.
Quando as roupas caíram por completo, o silêncio do quarto foi preenchido apenas pela respiração dos três. A luz suave do abajur banhava tudo de dourado, revelando cada curva, cada detalhe.
Lira deitou-se primeiro no centro da cama, os cachos espalhados no travesseiro, os seios fartos erguendo-se a cada respiração. Mirela deitou-se ao seu lado, aproximando-se devagar, sem hesitar. Kael ficou por um instante observando-as: duas belezas diferentes, igualmente desejáveis, ali à espera dele.
Ele deitou-se atrás de Lira, envolvendo-a com um braço forte, e com a outra mão tocou o rosto de Mirela, que o fitava com olhos brilhantes.
— Comecem entre vocês. Pediu ele, a voz baixa e quente.
— Deixem-me ver.
Mirela aproximou-se dos lábios de Lira e beijou-a com doçura, primeiro devagar, depois com mais fogo. A mão dela deslizou pelo peito de Lira, tocando-lhe os seios com carinho, sentindo o peso e a maciez, e Lira arqueou as costas, gemendo suavemente na boca da amiga. As mãos de Lira também não ficaram paradas: desceram pelas costas de Mirela, apertaram-lhe a cintura, e quando chegaram ao bumbum empinado, puxaram-na mais perto, fazendo com que os corpos se tocassem por inteiro.
Kael posicionou-se entre as pernas de Lira. A pele dela era lisa, sem nenhum fio, a entrada delicada e corada, já brilhando de umidade. Ele acariciou-a com a ponta dos dedos primeiro, sentindo a suavidade, e Lira abriu os olhos, encontrando os de Mirela.
— Toca-me também. Pediu Lira à amiga.
Enquanto Kael a penetrou devagar, fazendo-a gemer longo e doce, Mirela desceu a mão entre as pernas da amiga, tocando-a junto com ele. Sentiu a diferença: a pele lisa, sem pelos, a abertura pequena que se esticava ao receber Kael, quente e úmida. Kael era roliço, veio, cada veia se fazia sentir à medida que entrava e saia lentamente. Lira tremia entre os dois, as mãos de Mirela acariciando, os lábios da amiga encontrando os seus, enquanto Kael a preenchia por completo.
— Mais fundo... Suplicou Lira, e ele obedeceu, ritmando os movimentos: lento, profundo, firme. As veias marcadas no seu membro roçavam as paredes internas dela a cada saída e entrada, uma sensação pulsante e intensa que a fazia apertá-lo com força. Mirela beijou-lhe o pescoço, sussurrou-lhe ao ouvido o quanto ela era linda, e continuou a acariciá-la, fazendo com que o prazer viesse de todos os lados ao mesmo tempo. Lira gozou assim, abraçada à amiga, sentindo Kael dentro de si, o corpo sacudido por ondas longas e profundas.
Depois de recuperarem o fôlego, Kael pediu que se virassem. Lira posicionou-se de quatro, e Mirela ajoelhou-se à sua frente, beijando-a intensamente. Kael posicionou-se atrás de Lira, segurando-lhe a cintura com mãos grandes e firmes, e penetrou-a de novo, agora com mais liberdade de movimento. Entrava mais fundo, com ritmo constante, e Lira gemia na boca de Mirela, que acariciava-lhe o rosto e os seios, observando os olhos da amiga encherem-se de prazer.
— Olha para mim. Pediu Mirela, e Lira abriu os olhos, encontrando os dela.
— É maravilhoso, não é?
— Sim... Suspirou Lira, tremendo a cada movimento de Kael.
— Tão cheia... tão quente...
Kael sentia-a apertada e lisa, cada centímetro deslizando suavemente, as veias proeminentes criando uma pressão que a fazia arquear as costas. Mirela desceu a mão outra vez, tocando Lira no ponto exato, e juntas guiaram-na para o segundo gozo da noite, mais forte que o primeiro.
Quando Lira se deitou, ainda ofegante, Kael virou-se para Mirela, que o observava com respiração acelerada. Ela deitou-se de costas, os olhos fixos nos dele. A sua beleza era diferente: entre as pernas, os pelinhos ralos e baixos faziam um contraste suave, a pele um pouco mais rosada, os lábios mais cheios e brilhantes. Ele aproximou-se devagar, beijou-lhe as coxas, e ao tocar pela primeira vez, sentiu a textura delicada dos fios roçando os dedos, a abertura mais macia e ansiosa, pronta para o receber.
— Estou com medo de não saber... Sussurrou ela, mordendo o lábio.
— Não tens nada a temer. Respondeu ele, beijando-lhe a palma da mão.
— Deixa comigo.
Lira aproximou-se do outro lado, acariciando o rosto da amiga.
— Deixa-te levar. Disse Lira, beijando-lhe o ombro.
— É maravilhoso. Vais ver.
Kael posicionou-se e entrou nela devagar, e Mirela arqueou as costas, soltando um gemido longo e doce. Era diferente de Lira: sentia os pelinhos roçarem a pele dele a cada movimento, uma sensação mais rústica e viva, e ela era mais quente, mais ávida, recebendo-o inteiro de uma vez. As veias marcadas no seu membro eram ainda mais evidentes para ela, que as sentia pulsar dentro de si, uma batida forte e constante que a fazia apertá-lo com força.
— Tão grande... Sussurrou ela, os olhos fechados.
— E tu tão perfeita. Respondeu ele, ajustando o ritmo.
Lira tocou-a enquanto Kael se movia: acariciou-lhe os seios, beijou-lhe a barriga, e quando desceu a mão entre as pernas da amiga, sentiu a diferença, os fios suaves, a umidade generosa, o jeito como Mirela tremia ao toque.
— Toca-te junto comigo. Pediu Lira, e Mirela obedeceu, juntando os próprios dedos aos de Lira, enquanto Kael entrava e saia com firmeza, preenchendo-a por inteiro.
Mudaram de posição: Mirela subiu por cima, e Kael a segurou pela cintura, guiando os movimentos dela. Ela olhou para Lira, que estava ao lado, e beijou-a enquanto descia sobre ele, sentindo cada centímetro, cada veia pulsante. Era poderosa, a forma como se movia, o bumbum empinado balançando com cada descida, e Lira a observava, acariciando-lhe os seios, dizendo-lhe o quanto era bela. Mirela gozou assim, entre os dois, o nome deles escapando-lhe da boca como uma prece, o corpo inteiro sacudido por um prazer que esperava há tanto tempo.
Depois, Kael pediu que Mirela se pusesse de quatro. Posicionou-se atrás dela, e Lira deitou-se à frente, beijando-a profundamente enquanto ele a penetrava de novo. Agora os movimentos eram mais profundos, mais intensos. Ele entrava com firmeza, e Mirela recebia-o com gemidos abafados nos lábios de Lira. Sentia as veias pulsarem dentro de si, a pressão constante, o calor que parecia não ter fim. Lira tocava-a por cima, apertava-lhe a mão, dizendo-lhe para não se conter, para deixar sair tudo.
— Vou gozar... Avisou Kael, a voz rouca de desejo.
— Comigo... por favor... Suplicou Mirela, e Lira beijou-lhe a testa, segurando-a firme.
Ele gozou dentro dela, forte e abundante, e Mirela veio junto, tremendo dos pés à cabeça, agarrada a Lira, sentindo o calor dele a preencher por completo. Ficaram assim, imóveis, respirações entrelaçadas, até o coração de todos voltar ao ritmo normal.
Deitaram-se juntos, abraçados, suados e serenos. Lira estava de um lado, Mirela do outro, ambas com a cabeça apoiada no peito largo de Kael. Ninguém falou em ir embora. Ninguém falou em voltar ao que era antes.
— Não imaginava que podia ser assim... Sussurrou Mirela, acariciando a pele escura do peito dele.
— Nem eu. Admitiu Lira, beijando o ombro de Kael.
— Mas não quero que seja só uma vez.
Kael apertou as duas contra si.
— Não será. Prometeu ele.
— O que temos aqui é nosso. Dos três. E pertence-nos enquanto quisermos.
A noite avançou, mas nenhum dos três tinha pressa de dormir. Ali, entre lençóis e carícias, nasceu algo que duraria muito mais do que uma noite. Uma cumplicidade, um desejo partilhado, um amor que não cabia em dois.