Eu dei aulas num colégio técnico, em uma cidade pequena, satélite no interior. Turma para maiores, sexta de noite. Aquele tipo de horário que todo mundo queria ir, mas todo mundo ficava.
Notei uma aluna, cabelos castanhos claros, pele branca, seios enormes muito bem cobertos. Ela era magra, uma bunda bacana.
Primeiros dias de aulas, sem nada de espetacular, a classe era bacana, pessoas divertidas, adultos que buscavam ser mais na vida. Na terceira semana notei ela com um decote. DELICIOSO. E cabelos molhados. Pude sentir o perfume assim que entrei na sala. Estranhamente ela era a primeira aluna ali. Cheguei logo depois dela, disso um olá e organizei as coisas.
Na quarta semana, notei o padrão. Ela novamente, uma blusa colada de trico, marcando o formato do seio. Redondo, enormes, decotados. A renda branca da peça de baixo aparecia sutilmente. Não disfarcei e olhei.
Na mesma aula, depois, ela escondeu o decote, era óbvio que era para mim. Tentei disfarçar o pau duro que o pensamento gerou.
Eu precisava de uma maneira de manter o contato. Inventei um trabalho para todos e deixei meu e-mail na lousa. Foi certeiro.
Descobri depois 3 putinhas na sala. Ela e duas que eu não desconfiava. Mas esse papo é pro futuro....
A aula acabou e a sala esvaziou do jeito de toda sexta: bocejos, cadeiras arrastando, gente fugindo para o fim de semana. Ela não. Ficou na carteira, arrumando o caderno devagar demais para quem não tinha nada a arrumar.
Veio até a minha mesa com uma dúvida. Sobre o trabalho que tirei da cartola no último minuto. Eu respondi qualquer coisa, e acho que nem ela ouviu. Quando guardei o material, ela disse que também ia embora e caminhou do meu lado pelo corredor vazio, o salto marcando o chão e o perfume trabalhando por conta própria.
No estacionamento, só o poste de luz amarelada e o meu carro, o último da fila. Eu destranquei a porta e me virei para dar boa noite.
Ela chegou perto. Perto demais para uma aluna. Segurou de leve no meu braço, inclinou o rosto e me beijou no canto da boca. Não foi um selinho, foi um beijo demorado, quente, de lábios que sabiam exatamente onde estavam pousando e queriam que eu soubesse também. O peito dela roçou no meu, aquele peito que ela passou um mês escondendo, e pude sentir tudo através do tricô.
Depois se afastou, sorriu de lado e disse:
— Boa noite, professor.
E foi embora. Só isso. Eu fiquei ali, com a chave na mão, a boca formigando e o pau tão duro que dirigir foi um ato de bravura. Nenhuma aula de ética me preparou para aquilo.
Domingo, 23h47
Ela foi a primeira a mandar o trabalho. Dois dias antes do prazo, a aluna que nunca adiantava nada.
Assunto: Trabalho de Normas Técnicas
Professor, segue em anexo. Fiquei com algumas dúvidas na conclusão. Será que o senhor pode me explicar pessoalmente? Prefiro aprender no detalhe.
Aguardo.
P.S.: o senhor sempre responde e-mail a essa hora, ou só quando tem motivo?
Li três vezes. Abri o anexo para parecer profissional: estava impecável, o que me deixou mais irritado. Respondi em dez minutos, depois de apagar e reescrever cinco versões:
Boa noite. O trabalho está excelente, o que me faz duvidar de que você tenha dúvidas. Quanto ao horário: respondo quando tem motivo. Hoje tem.
A resposta veio em menos de um minuto.
Então vou dar mais motivos.
Em seguida, uma foto. Rosto fora do enquadramento, o mesmo decote da quarta semana, dessa vez sem tricô nenhum, só a renda branca e a pele pálida dos seios, que, confirmo, eram ainda maiores do que eu imaginava.
Fiquei olhando para a tela, o coração disparado e a consciência fazendo as malas.
Boa noite, professor, ela escreveu. Até sexta.
cacadordetesouros