E eu imaginei. Imaginei demais. O sábado seguinte virou promessa. Meu corpo já não sabia mais se tremia de tesão ou de medo. Mas uma coisa eu sabia: eu estava pronto. Para vê-los. Para vê-la. Para ver meu desejo tomando forma diante dos meus olhos.
A semana se arrastou como um castigo doce. Cada dia parecia mais longo que o anterior, como se o sábado — o dia marcado, o dia em que Vinícius viria me foder a vida (e a Rebecca) — estivesse sendo empurrado por algum deus sádico. Eu mal dormia. Me pegava no trabalho com a mente longe, vendo flashes, montando cenas na cabeça: ela na cama, ele de pé, eu assistindo. Mas o pior não foi a espera. O pior foi o vazio dos dias. Ela não se encontrou com ele naquela semana. Ele ainda não tinha voltado. Nenhuma transa. Nenhum encontro. Nada.
O dia chegou. Finalmente, o sábado prometido — o dia em que Vinícius viria buscar o troféu dele. O clima na casa estava denso, elétrico, como se cada objeto soubesse o que estava prestes a acontecer. Era um marco: o comedor realizaria o sonho mais íntimo, comer a fêmea na casa do marido; o corno, enfim, veria com os próprios olhos aquilo que sempre imaginou de porta fechada — sua mulher sendo tomada, usada, glorificada por outro. Era mais do que sexo. Era liturgia. A meta era clara e perfeita: macho aliviado, fêmea satisfeita, corno feliz. Nenhum dos três sairia dali o mesmo.
O sábado à tarde parecia suspenso no ar — uma mistura de nervosismo e excitação que preenchia cada canto da casa. Rebecca andava de um lado pro outro de calcinha e camiseta velha, sem maquiagem ainda, mas com os olhos acesos. Eu estava na sala, fingindo ler, mas relia o mesmo parágrafo há meia hora. A cumplicidade entre nós era silenciosa, mas viva — como se estivéssemos esperando uma visita sagrada. Ela passou por mim e parou na porta, mãos na cintura, rindo nervosa.
— Você tá quieto... com medo ou com tesão?
— Um pouco dos dois. Tipo medo de altura… mas querendo pular.
Ela mordeu o lábio, veio até mim e sentou no meu colo, me olhando nos olhos.
— Sabe o que é pior? — sussurrou. — Eu também tô nervosa. Parece que vou apresentar minha defesa de tese… nua, de quatro.
— E o orientador vai meter sem dó?
Ela riu alto, jogou a cabeça pra trás e me beijou no rosto.
— Exatamente. E você na plateia… com o pau duro e o coração na mão.
Ficamos em silêncio um instante, sentindo o calor do outro. A tarde corria devagar, mas a noite se aproximava como um animal. E nós dois sabíamos: nada seria igual depois dela.
Ela ficou ali no meu colo por mais alguns segundos, se aninhando como uma gata mansa prestes a mostrar as garras. Roçou o nariz no meu pescoço, cheirou minha pele devagar e soltou, dengosa:
— Amor... posso te pedir uma coisa? Uma fantasia boba minha…
— Boba vindo de você sempre esconde uma armadilha — respondi, passando a mão pela coxa dela.
— É sério — ela disse, fazendo biquinho. — É uma coisa simples... mas que ia me deixar muito, muito feliz hoje.
— Fala, vai. O que a minha deusa quer?
Ela fez uma pausa dramática, como quem prepara o feitiço, e depois disse baixinho, com voz de quem confidencia um segredo sujo:
— Se você gostar do show... se sentir que eu mereci... quero que você aplauda de pé.
— Aplaudir de pé? Como assim?
Ela mordeu o lábio, encostou os lábios no meu ouvido e sussurrou, manhosa, cheia de charme:
— Você levanta... me olha... bate uma... e goza de pé. Sem vergonha. Como homenagem. Como quem reconhece uma performance... deusa, fêmea, estrela pornô particular.
Fiquei sem resposta por um segundo. O pau endureceu só com a ideia. E ela sentiu.
— E aí? Vai aplaudir?
— Se você fizer o que prometeu, Rebecca… eu bato palmas com o corpo inteiro. Pode apostar.
Ela olhou pro relógio no canto da sala, respirou fundo e se afastou devagar do meu colo. Os olhos se estreitaram, como se estivesse sentindo o tempo apertar no peito.
— Já são cinco da tarde...
— É... — respondi, a voz meio presa na garganta.
Ela ficou em pé por um instante, olhando pro nada, as mãos nos quadris, o corpo já vibrando num outro ritmo. Depois virou pra mim, com um sorrisinho nervoso, quase infantil.
— Hora de começar a me arrumar. Hora de virar... fantasia.
— Tá mesmo acontecendo, né?
Ela assentiu devagar, os olhos brilhando.
— Tá, amor. A gente inventou tanto... agora vai acontecer. Ele vai entrar por aquela porta. E eu... vou ser dele. Aqui. Com você vendo.
— E você tá pronta?
Ela sorriu, meio doce, meio cruel:
— Tô pronta faz meses. Hoje só vou me enfeitar.
E saiu pro quarto, o som dos passos leves, mas a tensão... a tensão tremia no ar.
Ela saiu do banho com a toalha baixa, grudada no corpo molhado, escorrendo vapor quente pela pele dourada. Os cabelos pingavam nas costas e o cheiro de shampoo doce misturado ao suor de antecipação me deixou zonzo. Parou no meio do quarto, me olhou com aquele jeitinho de quem sabe o que tá fazendo e estendeu o frasco de creme com a maior naturalidade do mundo.
— Amor… passa nas pernas pra mim? Tô com preguiça. E você passa melhor.
Me ajoelhei quase sem perceber, como um bobo hipnotizado, e comecei a espalhar o creme nas coxas dela, sentindo cada músculo firme, cada curva marcada. E só conseguia pensar: aquela nerd que usava moletom no verão agora era uma máquina de sedução ambulante. Uma bomba-relógio sexual. E pior… não era eu quem ia desarmar hoje.
— Rebecca… você tem noção do que virou? Isso aqui… isso aqui é uma arma de destruição masculina em massa.
Ela riu, revirando os olhos, se apoiando no armário pra não rir mais alto.
— Ihhh, ...vai reclamar que eu fiquei gostosa demais?
— Não, vou reclamar que eu viro a noite te esperando enquanto um novinho de vinte anos te vira do avesso. Eu te ajudei a chegar nesse corpo. E quem vai comer é ele!
Ela se virou, rindo, tirou a toalha com calma e ficou completamente nua na minha frente. Me olhou de cima, com aquele olhar moleca, provocadora.
— Amor… Ele só come porque eu sou sua. Porque foi você que me deu coragem. Você que me provocou. Me mostrou o espelho. Me ensinou a ser assim.
— E agora vou assistir a aula prática, é isso?
Ela deu um tapinha na minha bochecha e piscou.
— Vai, sim. E se for boa… se você achar que eu mereço o troféu, faz aquele favor que prometeu.
— Qual?
Ela se inclinou, sussurrou no meu ouvido:
— Levanta… bate uma… e goza de pé. Aplaude o show. De verdade. Sem vergonha.
— Você acha que eu vou conseguir?
— Amor… você vai implorar pra bater palma. Porque hoje… eu vou dar tudo de mim.
E saiu, com a bunda balançando leve, pegando a lingerie no armário como quem escolhe armas pro duelo. A casa inteira sabia: era hoje.
— Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? — perguntou, ajeitando os seios no sutiã. — Ele que me ajuda na academia, né?
— Eu sei… — murmurei, engolindo seco. — Ele é teu estagiário favorito.
— Não é só isso, amor. Ele que me corrige nos agachamentos, pega nos pesos, ajusta a postura... — virou-se, e com uma risadinha debochada, completou — E agora, olha só… ele colhe o fruto do próprio trabalho.
— Ah não, perai — levantei as mãos, indignado e excitado ao mesmo tempo — eu que te incentivei, eu que paguei a porra da academia, eu que comprei os tops apertados, os suplementos…
— E ele que vai comer o resultado — ela cortou, rindo com gosto. — Você planta, amor. Ele colhe. Acha justo?
— Não. Mas é a coisa mais gostosa e errada que eu já vi na vida.
— Exatamente. Por isso que dá tesão.
Ela se aproximou, passou a mão no meu peito, beijou de leve o canto da minha boca e disse baixinho:
— Hoje, cada vez que ele me virar de costas, você vai lembrar: foi ele que me treinou. Mas fui eu que quis. E você… você que deixou.
E voltou a se arrumar, como se não tivesse acabado de me deixar tremendo no lugar.
- Repita, como um mantra - Macho aliviado. Fêmea satisfeita. Corno feliz.