GAROTO, EU ODEIO AMAR VOCÊ ~ [60] ~ SEGUINDO EM FRENTE



O término com o Carlos foi uma fase difícil, que doeu muito, mas que me ensinou que não era o fim da vida. Consegui seguir em frente mesmo com nossa despedida intensa, carregada de lágrimas e palavras não ditas. Claro que a saudade nos primeiros dias era inevitável - acordar sem suas mensagens, não ter mais aquele sorriso esperando por mim, sentir o vazio do lado da cama que ele costumava ocupar. Eram pequenos fantasmas de um amor que precisou acabar.
Mas eu tinha que seguir em frente, assim como sabia que ele também seguiria. É isso que fazemos quando somos corajosos o suficiente para aceitar que nem todos os amores são para sempre - alguns são apenas capítulos intensos e necessários em nossa história. Tudo faz parte da nossa jornada, os ciclos que se abrem e se fecham como respirações do destino. O Carlos foi, é, e sempre será especial para mim. Ele me ensinou sobre paixão, sobre entrega, sobre como amar sem medo. Aquele poderia ter sido nosso fim naquele momento doloroso de despedida, mas eu sabia, no fundo do meu coração, que ainda tinha muita vida para acontecer.
Os relacionamentos que terminam não são fracassos - são graduações. Cada amor nos prepara para o próximo, nos ensina sobre nossos limites, nossos desejos, nossa capacidade de sentir. O Carlos me deu a certeza de quem eu sou, do que quero, e principalmente, me mostrou que posso sobreviver à dor do adeus. Quando você descobre que pode se despedir de quem ama e ainda assim continuar respirando, você descobre uma força que nem sabia que existia.
Duas semanas haviam se passado e minha vida estava retomando seu ritmo normal. Meu problema agora era outro - bem mais complicado e perturbador. Camille, minha ex-namorada que havia se tornado minha madrasta, uma ironia cruel do destino que parecia ter um senso de humor muito questionável.
Ela e meu pai estavam em um relacionamento mais que sério, e sua presença em casa era constante, inescapável. Antes, quando estava com Carlos, eu mal pisava em casa - vivia na casa dele, em motéis, em qualquer lugar que pudéssemos estar juntos. Agora, sem ter para onde fugir, eu passava bastante tempo em casa estudando, e isso significava ter que conviver mais com Camille.
E ela... Deus, ela tinha um ar de superioridade insuportável, me afrontava com cada olhar, cada comentário aparentemente inocente carregado de veneno. Principalmente quando meu pai não estava por perto, ela me provocava deliberadamente, só para me irritar, como se fosse um jogo perverso para ela.
Um dia específico, meu pai tinha uma reunião e iria se atrasar. Eu havia acabado de chegar do meu dia de rotina - faculdade pela manhã, academia à tarde - quando cheguei em casa e dei de cara com Camille na sala, como uma aranha esperando sua presa.
— Boa tarde, filhão — disse ela de forma irônica, cada sílaba destilando sarcasmo.
— Oi, Camille. Boa tarde! — respondi seco, passando direto em direção ao meu quarto, mas ela veio me seguindo como uma sombra persistente.
— Seu pai vai demorar... você quer jantar alguma coisa? — perguntou, mas havia algo em seu tom que não tinha nada a ver com hospitalidade.
Parei na metade da escada e me virei para ela, sentindo minha paciência se esgotar como areia em uma ampulheta quebrada.
— Camille, você não é minha mãe, e esse seu papel de madrasta está horrível. Não sei o que você pretende com meu pai, não sei que jogo você está jogando com todo esse teatro patético, mas que tal me deixar em paz? — falei de forma firme, cada palavra pesando como uma pedra.
O rosto dela se transformou instantaneamente. A máscara de falsa cordialidade caiu como uma fantasia rasgada, revelando a criatura venenosa que ela realmente era.
— Você é um babaca! — gritou, os olhos verdes faiscando de ódio. — Eu estou com seu pai porque ele é um homem de verdade, diferente de você que é um viadinho nojento que me trocou por um gay!
A palavra saiu de sua boca como uma bala, carregada de todo o preconceito e rancor que ela guardav. Eu senti o sangue ferver nas minhas veias, mas um sorriso cruel se formou no meu rosto.
— Se você soubesse como beijar homens é gostoso... ah, quer dizer, você sabe, né? — provoquei, vendo-a engolir em seco. — Mas você nunca vai saber como é sentir o corpo de outro homem desejando o mesmo corpo que o seu, sentir o pau duro de outro homem roçando no seu próprio pau. E se eu troquei você por um "viado", foi porque você não excitava nem um defunto. Agora dá licença, por favor.
Camille foi se aproximando de mim com os punhos cerrados. Seu rosto estava vermelho de raiva, contrastando violentamente com seus cabelos ruivos.
— Lucas, sinceramente... — sua voz tremeu de indignação — como você foi capaz de me trocar? Olhe para meu corpo, olhe para mim! — ela gesticulou para si mesma, como se fosse uma obra de arte sendo leiloada. — Você trocar isso por um homem? Você é ridículo!
— Ridículo? — ri, um som áspero que ecoou pela casa vazia. — Camille, eu estava com você porque era conveniente para mim. Eu nunca gostei de você de verdade, e te traí horrores - com suas amigas, suas primas e com vários garotos. Você é sem graça e patética. Meu pai só deve estar com você porque você é uma novinha, mas logo logo ele te descarta igual eu te descartei. Tal pai, tal filho... não conhece esse ditado?
O que aconteceu em seguida foi como um filme em câmera lenta. Camille ergueu a mão direita e me deu um tapa na cara com toda a força que tinha. O som ecoou pela casa como um trovão, e minha bochecha queimou imediatamente.
— Você é um imundo, seu viado seboso! — ela gritou, lágrimas de raiva brotando em seus olhos.
Respirei fundo, sentindo o gosto metálico de sangue onde mordi a língua. Minha mão se fechou em punho, mas eu me controlei.
— Eu só não vou te bater porque eu não bato em mulher, e não quero problema para mim — falei baixo, minha voz perigosamente calma. — Mas você é desprezível, uma puta de baixo clero. Aposto que você está com meu pai só para me atingir, não é? Mas sabe de uma coisa? Você não me atinge, Camille. Você pode ser bonita, gostosa ou sei lá o que for, mas te falta uma coisa fundamental entre as pernas para eu gostar de você. Porque é disso que eu gosto - de pau, de homem de verdade, um pau grande e grosso pra me fuder e eu gemer feito uma puta, porque é disso que eu gosto, e não do que você tem no meio das suas pernas, eu te fodia com nojo, saiba disso sua piranha.
Sai em direção ao meu quarto e bati a porta do meu quarto com tanta força que os quadros da parede tremeram. Do outro lado, podia ouvir Camille chorando de raiva, provavelmente quebrando alguma coisa.
Camille estava me irritando e não era de hoje. Sempre me provocando, sempre me cutucando como se fosse um animal enjaulado. Espero que depois dessa conversa ela se ponha em seu lugar e me deixe em paz de uma vez por todas. Mas algo me dizia que isso estava longe de acabar.
Era sexta-feira e a semana havia passado rápido. Já estava chegando no fim do semestre, e faltavam apenas algumas provas para finalmente termos férias. Estava sentado com o Matias e Haissa no intervalo - vocês devem se perguntar como ficou a relação com Raul, mas não quero entrar muito nesse assunto. Simplesmente fiquei distante. Ele era popular, então para ele foi fácil se encaixar em outro grupo de amigos, e claro que isso gerou um burburinho, mas nada que levássemos a sério.
Afinal, estávamos todos na faculdade e toda aquela coisa de ensino médio não existia mais. Estamos mais preocupados em passar nas matérias do que saber com quem nossos colegas estão. O Raul devia estar firme e forte com o Carlos - algumas vezes o vi chegando juntos na faculdade no carro de Carlos. Aquilo me doía um pouco, mas foi somente uma vez que isso me afetou.
Voltando de onde eu estava... a Haissa deu uma ideia da qual eu havia gostado:
— Gente, o que vocês acham de começarmos um novo curso no próximo semestre? Eu estou pensando em entrar em Nutrição na particular. Podemos ajustar algumas matérias e se formar praticamente no mesmo tempo, e então teremos duas graduações - Educação Física e Nutrição. A gente pode conciliar as duas profissões. Já li alguns artigos sobre isso, e é um bom investimento se vocês pensam em trabalhar para esse lado da academia, personal trainer e etc.
— Nunca tinha parado para pensar, mas sabe que é uma boa sim — respondeu o Matias, interessado. — Você sabe quanto é a mensalidade?
— Acho que uns 700 e pouco, mas tem descontos, bolsas... essas coisas.
— Eu acho que topo — falei, entrando na conversa com empolgação. — Eu sou apaixonado por vôlei e era atleta na minha antiga escola, então pretendo seguir esse caminho. O que dá dinheiro mesmo é ser personal, montar uma academia, e acho que a gente ser formado em Nutrição abre um leque para muitas oportunidades.
— Exato! — Haissa bateu palmas. — Imaginem vocês dando consultoria completa: treino personalizado, plano alimentar, suplementação... É um pacote completo que a galera paga bem caro.
— E tem aquela questão da credibilidade também — continuei. — Quando você tem diploma em Nutrição, pode prescrever dietas de verdade, não apenas orientações gerais. Isso diferencia a gente no mercado.
— Verdade — concordou Matias. — E a grade curricular da Nutrição complementa perfeitamente a da Ed. Física. Bioquímica, fisiologia, metabolismo... são matérias que se conectam direto com o que a gente já está vendo.
— Sem contar que o mercado fitness está explodindo — acrescentou Haissa. — Todo mundo quer estar em forma, quer uma vida saudável. É uma área que só cresce.
— Então vamos pesquisar melhor sobre isso — sugeri. — Ver a grade curricular, como funciona o processo de transferência de créditos, essas coisas técnicas.
— Perfeito! — Haissa estava radiante. — Eu vou falar com meus pais para pagar essa nova faculdade.
— Eu também — concordei. — Vou conversar com minha mãe hoje mesmo.
Matias riu de forma descontraída:
— Cara, tanto eu quanto você somos dois playboys que ganham mesada dos pais e não pretendem fazer estágio ou trabalhar tão cedo. Uma outra faculdade pode ser uma boa para ocupar nosso tempo e ainda sair com duas profissões na mão. É win-win!
Todos rimos da sinceridade brutal dele, mas era verdade. Tínhamos essa mordomia e precisávamos aproveitar enquanto podíamos.

Quando estávamos indo para o carro, o Matias me fez um convite:
— Vai ter aquela festinha de funk amanhã à noite, vamos? Beber, dançar e dar uns beijos... você está precisando — disse tentando me convencer.
— Acho que topo, estou sem planos. Podemos terminar aquele trabalho de Cinesiologia e depois curtir uma prainha.
— Demorou! Então combinado, 10h amanhã lá em casa, ok?
— Fechado, amigo. Até amanhã.
As conversas foram ótimas e confesso que gostei da ideia da Haissa sobre uma nova graduação. Seria bom para eu ocupar meu tempo e minha mente, só vi vantagens. Também concordei com o Matias sobre ser um playboy que recebia mesada dos pais - não nego isso. Mas eu sabia que essa mesada não seria para sempre e que em breve teria que me sustentar sozinho, então precisava aproveitar as oportunidades da vida e saber utilizar a grana dos meus pais de forma consciente.
Quanto à saída com o Matias, me animei. Fazia tempo que não beijava ninguém e não saía desde o término com o Carlos, então isso seria bom de certa forma.

O sábado foi corrido. Terminamos o trabalho, demos uma volta na praia, bebemos uma cerveja e depois fomos para a casa do Matias. Ele tinha chamado outros amigos e fomos para o bar que teria uma festa de funk que eu amava. Quando chegamos estava lotado como sempre, todo o bar com a luz vermelha característica.
Dancei muito, rebolei, dei alguns beijos, e me lembrei que minha reconciliação com o Carlos havia sido ali. Mas o que aconteceu já no fim da festa foi algo diferente.
Um cara estava me olhando. Ele era mais alto que eu - pouca coisa - tinha uma barba bem feita e o cabelo com alguns fios brancos já aparecendo. Acho que devia ter uns 40 anos ou mais. Era forte, branquinho, tinha umas tatuagens no braço que chamavam atenção. Trocamos olhares intensos através da pista lotada.
Eu já estava alto da bebida, e como tenho um pouco de atitude, fui até ele:
— Sozinho? — perguntei, olhando no fundo dos olhos cor de mel dele.
— Com dois amigos, mas eles já foram embora.
— E então — falei sorrindo e me aproximando dele para um beijo — qual seu nome?
— Guto, e o seu?
— Lucas!
E então a gente se beijou. Ele ainda não sabia, mas eu seria um grande problema para ele. Talvez se ele soubesse as coisas que iria passar, nunca teria aceitado aquele meu beijo. Mas como posso descrever o Guto? Intenso, gostoso, forte... eram tantas coisas, tantos sentimentos que ali trocamos que não saberia nunca descrever tudo isso completamente.
Eu sabia que estava entrando em território perigoso. Havia algo nos olhos dele, na forma como me segurava, que gritava complicação. Mas sabe quando você vê os problemas chegando e mesmo assim corre em direção a eles? Era exatamente isso. Eu estava voando sem pensar nas consequências, como uma mariposa atraída pela chama que sabia que poderia me queimar.
Naquele beijo, senti que estava cruzando uma linha invisível. Guto não era como os outros - havia uma intensidade nele que prometia tanto prazer quanto dor. E eu, mesmo sabendo que deveria fugir, que deveria proteger meu coração ainda em recuperação, me entreguei completamente àquele momento perigoso e irresistível.


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Nome do conto:
GAROTO, EU ODEIO AMAR VOCÊ ~ [60] ~ SEGUINDO EM FRENTE

Codigo do conto:
241150

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
29/08/2025

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