O Brilho Amarelo
Vi quando ele tirou o celular do bolso. Sob a mesa, o brilho amarelo da tela iluminou o rosto dele. Ele começou a deslizar o dedo — para a esquerda, para a direita — selecionando quem seria o "preparador" daquela noite.
Eu sentia uma excitação fria ao ver a expressão concentrada dele. Ele estava escolhendo quem iria laciar o seu corpo, quem iria preenchê-lo, enquanto eu assistia ao processo como quem escolhe o melhor vinho para um jantar futuro.
A Escolha
Ele digitou algo, sorriu discretamente e guardou o aparelho. Meio minuto depois, um homem alto, de ombros largos, levantou-se de uma mesa próxima e caminhou até ele. Eles trocaram poucas palavras, um aceno de cabeça, e saíram juntos.
Eu permaneci ali, terminando meu drink. Sabia exatamente o que aconteceria nas próximas horas. Sabia que ele seria usado, explorado e deixado "no ponto". E quando ele voltasse para casa, exausto e transbordando a marca daquele estranho, eu estaria esperando para reivindicar o que é meu por direito: um território que outros desbravaram, mas que só eu sei como governar.