Nas madrugadas mais quietas de Maceió, quando o ventilador de teto range devagar e o mar lá fora murmura como se estivesse cansado, ele aparece. Não faz barulho ao atravessar as paredes. Não precisa. Ele simplesmente está lá, flutuando a poucos centímetros do chão, olhos famintos fixos na cama onde uma mulher se revira sozinha. A camisola subiu um pouco demais na coxa, o lençol embolado entre as pernas, o celular jogado de lado com a tela ainda acesa mostrando conversas que não receberam resposta há dias. Ele observa tudo. O jeito que ela morde o lábio inferior quando o dedo desliza devagar por baixo da calcinha, como se tentasse se convencer de que está tudo bem estar tão carente. O suspiro abafado contra o travesseiro quando o prazer chega tímido, quase envergonhado. O nome que ela murmura baixinho — um nome que não está ali no quarto, um nome que talvez nem exista mais na vida real dela. Ele fica parado, imóvel, o contorno translúcido do corpo tremendo de excitação. O membro espectral dele, duro e latejante, parece pulsar no mesmo ritmo das respirações aceleradas dela. Ele não toca. Nunca toca. Só assiste, absorve cada gemido, cada movimento desesperado, cada gota de suor que escorre entre os seios. Às vezes ele se aproxima tanto que o ar ao redor dela fica mais frio, e ela arrepia sem saber por quê, achando que é só o ventilador… mas é ele, é o desejo dele roçando a pele dela sem permissão. Noite após noite ele escolhe uma diferente. A que chora baixinho depois do orgasmo. A que assiste pornô com o som no mudo e a mão enfiada na boca pra não gemer alto. A que abre as pernas na frente do espelho do quarto só pra se olhar, só pra se sentir desejada por alguém — mesmo que seja só o reflexo. Ele guarda tudo. Cada detalhe. Cada fantasia que elas nem ousam dizer em voz alta. E então, numa dessas noites, quando a mulher está ofegante, pernas abertas, dedos ainda molhados, ele se inclina sobre ela e sussurra com uma voz que não é exatamente voz: “Você não precisa se contentar com a própria mão… nem com fantasias de mortos.” Ela abre os olhos de repente, coração disparado, procurando no escuro. E lá está eu Não mais transparente. Não mais frio. Pele quente, cheiro de homem, misturado com maresia. Magro,sem tatuagem , sorriso torto e muito vivo. “Eu nunca fui fantasma, linda. Só gosto de assistir… até a mulher me dar permissão pra participar.” Ele estende a mão devagar, sem invadir, deixando ela decidir. “Se quiser… eu faço tudo aquilo que você imaginou enquanto achava que ninguém estava olhando. Discretamente. Educadamente. E bem gostoso. Sem pressa. Sem julgamento. Só você, eu… e todas as suas fantasias que você nunca contou pra ninguém.” Ele espera. O silêncio da madrugada agora parece carregado de outra coisa. Não de solidão. Mas de possibilidade. E aí… você deixa eu entrar
Faca o seu login para poder votar neste conto.
Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.
Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.
Denunciar esse conto
Utilize o formulario abaixo para DENUNCIAR ao administrador do contoseroticos.com se esse conto contem conteúdo ilegal.
Importante:Seus dados não serão fornecidos para o autor do conto denunciado.